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terça-feira, 1 de agosto de 2017

UM HOMEM CHAMADO OVE (En Man Som Heter Ove) Suécia, 2016 – Direção Hannes Holm – elenco: Rolf Lassgard, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll, Tobias Almborg, Klas Wiljergard, Chatarina Larsson, Börje Lundberg, Stefan Gödicke, Johan Widerberg, Anna-Lena Brundin, Nelly Jamarani, Zozan Akgün, Viktor Baagoe, Simon Edenroth, Lasse Carlsson – 116 minutos

                UMA BELA FÁBULA EM MEIO A UMA SUÉCIA MULTIRRACIAL!!


"Um Homem Chamado Ove" apresenta temas tocantes e simples em meio a uma Suécia multirracial, aberta aos imigrantes e às novas culturas, e ajuda o espectador a relembrar que a gentileza, o amor e a felicidade podem ser encontrados nos lugares mais inesperados. Embora a trilha sonora sobrecarregue os momentos tristes, o diretor desenvolve uma comicidade que evita da história cair num melodrama. A indicação ao Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro indica um certo apreço da Academia por filmes com cargas sentimentais altas. A trama bem alinhada com um humor sarcástico torna o filme uma obra memorável, ao contar a história de Ove (Rolf Lassgard), um sujeito ranzinza que passa os seus dias xingando os vizinhos, maltratando os colegas de trabalho, importunando os amigos de antigamente. Ele odeia a tudo e todos. Mesmo assim, as pessoas ao redor são sistematicamente gentis com ele: o novo casal que mora em frente sorri diante dos seus gritos; um adolescente o convida para almoçar depois de ser xingado por ele; uma vizinha idosa elogia seus conhecimentos depois de ser enxotada da porta de sua casa.


Esta pequena obra revela-se uma bela e nostálgica fábula. Nenhum personagem é realista: ou temos seres execráveis, ou amigáveis em excesso, ou são heróis de grande coração (a vizinha grávida), ou vilões dignos de desenhos infantis (o funcionário da prefeitura). A intenção é mostrar que o protagonista, um homem originalmente correto e amigável, se tornou um sujeito amargo após uma série de tragédias em sua vida. Mas qualquer um, mesmo Ove, pode voltar a ser feliz. A narrativa é movida essencialmente por nascimentos e mortes. O pequeno vilarejo onde se passa a maior parte da história é filmado com os tons constantemente ensolarados de um cenário artificial, enquanto a música (fanfarra nas horas engraçadas, as cordas de uma orquestra nas horas tristes) se encarrega de duplicar o sentido de cada cena. A proposta de uma Suécia multirracial, aberta aos imigrantes e às novas culturas, merece um grande destaque. Lassgard está ótimo no papel de Ove, conseguindo tornar os momentos mais desesperadores um tanto burlescos. A direção é impecável e competente, embora tenha optado pelo otimismo excessivo na estética e no discurso.


Desde Ingmar Bergman (1918-2007) associados a um cinema pesado, densamente reflexivo e filosófico, a comédia de Holm é um sopro de vitalidade à visão sobre o cinema produzido naquela região e apresenta novas possibilidades àqueles realizadores. O cineasta Hannes Holm usa toda a delicadeza do mundo para mesclar passado e presente e fazer aflorar a ternura escondida embaixo da rígida carapaça do filme. Há uma cena em que Ove chora sem conseguir parar perante a magnitude de sua solidão e talvez traga lágrimas aos olhos de quem já sofreu uma perda. De todo modo, a narrativa se nutre da inusitada amizade entre Ove e Parveneh, que de quebra dá um toque sutil sobre as possibilidades de trocas entre culturas diferentes. "Um Homem Chamado Ove" nada mais é do que um filme cordial que aborda um tema muito comum, utilizando-se de recursos simples mas que funciona perfeitamente. De certa forma, é o tipo do filme-mensagem para aquela parte do público que gosta de um conforto cinematográfico. Vale ressaltar, mais uma vez, que o filme propõe uma abertura a imigrantes e às novas culturas na Suécia. Isso é um grande triunfo!!


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