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domingo, 21 de maio de 2017

A FITA BRANCA (Das Weisse Band / The White Ribbon) Alemanha, Austria, França, Itália, 2009 – Direção Michael Haneke – Elenco: Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klaussner, Rainer Bock, Susanne Lothar, Josef Bierbichler – 144 minutos

   UMA FÁBULA SOMBRIA E ASSUSTADORA SOBRE AS RAÍZES DO NAZISMO
        UM DOS MELHORES FILMES DE TODA A HISTÓRIA DO CINEMA!!!

É uma história sombria, mas de esperança e redenção. Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, em 1913, estranhos eventos perturbam a calma de uma pequena cidade na Alemanha. O espectador é apresentado a todos os integrantes dessa sociedade: o barão, o administrador, o padre, o médico, o professor, a babá, entre outros que viviam em aparente tranquilidade, até que os estranhos episódios começam. Uma corda é colocada como armadilha para derrubar o cavalo do médico; um celeiro é incendiado; duas crianças são sequestradas e torturadas. Gradualmente, estes incidentes isolados tomam a forma de um sinistro ritual de punição, deixando a cidade em pânico. O professor do coro de crianças e jovens da escola local investiga os acontecimentos para encontrar o responsável e aos poucos desvela a perturbadora verdade. O diretor aplica a relação de crime e castigo de CACHÉ para a Alemanha pré-nazista. Esse filme poderoso fala sobre questões bem mais gerais, que podem ser aplicadas a qualquer país e a qualquer tempo: a hipocrisia das pessoas, a podridão que se esconde por trás de quem mais se preocupa com as aparências, as consequências do modo violento como alguns pais criam seus filhos etc. 
Um dos pontos que mais chamam a atenção é que, em muitas cenas, talvez na maioria delas, o diretor não mostra os momentos de violência física de forma direta: se a surra acontece dentro da sala, ele filma apenas a porta fechada; se uma jovem é violentada, ele filma apenas o choro posterior ao ato em si. Em outras palavras ele sugere mais do que mostra, pondo o foco não na ação, mas em seus efeitos, na tensão e no ambiente brutal que eles causam. Assim, até em um aspecto formal, ou técnico, o filme representa aquela sociedade em que os atos condenáveis são feitos de forma escondida, mas suas consequências são totalmente visíveis. Do premiado cineasta Michael Haneke, de A PROFESSORA DE PIANO e CACHÉ, o perturbador e belo A FITA BRANCA foi o vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2009. O filme ainda recebeu o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e era o favorito ao Oscar 2010 na mesma categoria (mas perdeu absurdamente), além de receber uma indicação como melhor fotografia, para Christian Berger. Apesar de ter sido totalmente filmado em cores, A FITA BRANCA foi alterado para branco-e-preto durante a pós-produção. O diretor procura a origem do crime de ódio mais filmado e analisado do século 20 - o Holocausto. O vínculo com o nazismo é montado já na fala do narrador, que conta que ali, naquela comunidade, pequenos eventos prenunciam o que aconteceria com o país todo, anos depois. Haneke começa o filme, portanto, amarrado conscientemente nessa analogia com o Holocausto - e, ao seu modo habitual, começa a ditar o tipo de reação que espera do público.

O fato é que a punição, embalada como disciplina, está enraizada no vilarejo - e a fita branca do título, que o pastor local força dois de seus filhos a usar, como sinal de vergonha por pecados cometidos, é obviamente a antevisão da futura etiquetação antissemita de judeus nos princípios da Segunda Guerra. Costuma-se crer que Hitler chegou ao poder auxiliado pelo rancor que os alemães sentiam após a devastação do país na Primeira Guerra, mas para Haneke o embrião do mal é anterior. Se A FITA BRANCA está preso à analogia com o nazismo, pelo menos a exerce com lampejos de brilhantismo, como no plano final, da missa na igreja, com sua arquitetura que lembraria depois um salão do Terceiro Reich. Pode ser visto como uma crítica profunda a vários tipos de autoritarismo. Por isso, é o tipo de filme para o qual espectadores atentos poderão encontrar diversas interpretações. Com um elenco excelente, sobretudo as crianças; um enredo brilhante, que  vai se construindo de maneira perfeita; uma edição rigorosa, e apesar do filme ser longo, não há cenas sobrando; e uma fotografia em preto e branco, soberba e magnífica, é UM DOS MELHORES FILMES DO ANO!!! UM DOS MAIS IMPORTANTES DA HISTÓRIA DO CINEMA!!! ABSOLUTAMENTE NOTÁVEL, BELO E EXTRAORDINÁRIO!!! OBRIGATÓRIO!!


sábado, 20 de maio de 2017

O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (The Birth of a Nation) EUA, 2016 – Direção Nate Parker – elenco: Nate Parker, Armie Hammer, Penelope Ann Miller, Jackie Earle Haley, Mark Boone Junior, Colman Domingo, Aunjanue Ellis, Dwight Henry, Aja Naomi King, Esther Scott, Roger Guenveur Smith, Tony Espinosa – 115 minutos  

       ELE DECIDIU ELABORAR UM PLANO E LIDERAR O MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO


"O Nascimento de uma Nação" já deixa seu legado e nenhum passado negro ou polêmica pessoal será capaz de apagar. No entanto, foi uma pena que a mancha do passado pessoal do diretor e ator Nate Parker desviou a importância merecida da obra na época das premiações. Embora o filme seja desigual às vezes, especialmente no terceiro ato, ele ainda atinge momentos de incrível beleza e terror à medida que assistimos a Turner liderando uma rebelião violenta e necessária contra o pecado da escravidão. Mas o filme lava com sangue a alma de uma enorme parte da população que já deu, faz tempo, sua cota de sofrimento na Terra. E Nate Parker soube aproveitar com maestria os simbolismos para ir à forra. O envolvimento do ator com o personagem é tão evidente – transborda da tela – que, ele merecia ser indicado ao Oscar 2017 por sua performance, mas os membros da Academia ignoraram.
De todo modo, tropeços à parte, "O Nascimento de uma Nação" é capaz de despertar reflexões nem que seja apenas pela própria natureza do tema que aborda. O filme é potente, tem interpretações seguras e brilhantes, mas o diretor estreante e de primeira viagem, que também escreveu o roteiro, embarca com muita sofreguidão nos excessos de um tom novelesco para um filme que se pretende uma crônica de vingança. Sua direção é um tanto dura, desprovida de sutilezas, tamanha é a vontade da lembrança. Mas ele extrai excelentes atuações do elenco de apoio, e é ele quem segura o filme com emoção aflorada. Resumindo, o filme retrata um capítulo importante da história dos Estados Unidos de maneira incompleta, mas bastante interessante.


sexta-feira, 19 de maio de 2017

A LONGA CAMINHADA DE BILLY LYNN (Billy Lynn’s Long Halftime Walk) Inglaterra / China / EUA, 2016 – Direção Ang Lee – elenco: Joe Alwyn, Kristen Stewart, Garrett Hedlund, Chris Tucker, Vin Diesel, Steve Martin, Arturo Castro, Mason Lee, Barney Harris, Beau Knapp, Ben Platt – 113 minutos  

ELE SE TORNOU UM HERÓI, 
                             MAS ISSO NÃO IMPEDIU QUE VOLTASSE À GUERRA

Ang Lee, cineasta de filmes extraordinários como O BANQUETE DE CASAMENTO (1993); RAZÃO E SENSIBILIDADE (1995); O TIGRE E O DRAGÃO (2000); O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (2005), traz sua extraordinária versão do aclamado romance best-seller, “A Longa Caminhada de Billy Lynn”. A história do filme é contada através do ponto de vista do soldado de 19 anos, Billy Lynn (interpretado pelo novato Joe Alwyn) que, junto com seus colegas do esquadrão Bravo, se torna um herói após uma angustiante batalha no Iraque e é trazido de volta ao lar para uma turnê de vitória. Através de flashbacks, que culminam no espetacular show de intervalo do jogo de futebol americano do feriado de Ação de Graças, o filme conta o que aconteceu realmente ao esquadrão; fazendo um contraste entre a realidade da guerra e a percepção americana sobre ela. O elenco do filme conta com Kristen Stewart, Chris Tucker e Garret Hedlund, e também com Vin Diesel e Steve Martin. O diretor usou uma nova tecnologia nessa produção, filmando com um número de frames extremamente alto pela primeira vez na história do cinema, para criar uma experiência digital imersiva que o ajudou a dramatizar uma situação de guerra como nunca antes visto.

Além de belas imagens, que contrastam os horrores da guerra com uma celebração repleta de fogos de artifício, os vídeos destacam o elenco incomum da produção falando da experiência das filmagens, que usa o que há de mais avançado em tecnologia de captação de imagens digitais. Ang Lee usou tecnologia 3D de ponta para fotografar em altíssima definição, criando uma experiência descrita como “imersiva” e que os vídeos da internet não são capazes de transmitir. As críticas publicadas nos EUA celebraram a revolução visual, mas não foram muito elogiosas para o roteiro de Simon Beaufoy (“Quem Quer Ser um Milionário”). Tematicamente maduro e tecnicamente seguro, o filme é um discurso/crítica, sútil e preciso, direcionado a uma nação que glamouriza a Guerra e faz desta uma bandeira/venda para mascarar as implicações morais dessa Política disfarçada de "serviço a liberdade".

quarta-feira, 17 de maio de 2017

ASSASSINO A PREÇO FIXO 2 (Mechanic: Resurrection) EUA / França, 2016 – Direção Dennis Gansel – elenco: Jason Statham, Jessica Alba, Tommy Lee Jones, Michelle Yeoh, Sam Hazeldine, John Cenatiempo, Toby Eddington, Femi Elufowoju Jr., Anteo Quintavalle, Bonnie Zellerbach, YaYaying Rhatha Phongam, Stuart Thorp, Alex Kuzelicki, Thomas Kiwi – 98 minutos

ELE PRECISA CUMPRIR A DIFÍCIL TAREFA DE ASSASSINAR 
                                                                             OS HOMENS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO 

“Assassino a Preço Fixo 2" (2016) é o filme que "Assassino a Preço Fixo" (2011) deveria ter sido - um filme B de James Bond ou uma versão mais homicida e crua de "Missão Impossível" (1996). Para aqueles que adoram Jason Statham, a experiência é bastante divertida. O filme não é de se jogar fora por completo graças às elaboradas e estruturadas sequências de ação e ao carisma matador de Jason Statham. Ele é, com certeza, o grande astro de ação da atualidade. Assim como aconteceu com Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris e até Arnold Schwarznegger, o ator britânico tem um público cativo pronto para ver suas longas e improváveis cenas de ação; no entanto, esse fator é o mesmo que leva Statham a estar sempre no mesmo filme, como se houvesse pouca diferença entre este e os outros mais recentes do ator.


O filme apresenta o que realmente está interessado, os seus momentos de pura ação. E aí está a grande ideia do filme, para rever seu grande amor Bishop precisará cometer três assassinatos improváveis e que não aparentam ser um crime. É então que o filme se diverte, e talvez por isso que divirta em alguma instância, colocando o herói nas situações mais complicadas, como chegar a um homem poderoso dentro de uma cadeia de segurança máxima; ou assassinar um milionário cercado de seguranças que vive literalmente no alto de uma torre de vidro impossível de se chegar; ou ainda penetrar uma fortaleza do período da URSS no Leste Europeu. Nessas missões, o mais interessante é que o filme não se leva a sério, não estando preocupado com verossimilhança alguma, Bishop desafia as leis da física e parece mais um super-herói do que qualquer outra coisa. São essas situações que deixam “Assassino a Preço Fixo 2” minimamente divertido. A direção de Dennis Gansel é segura e consegue trazer algo diferente do que foi visto no filme anterior. Com alguns problemas, o filme traz algo potencialmente maravilhoso: o ponto final dessa franquia que deveria ter permanecido fechada com o filme estrelado por Charles Bronson. 

terça-feira, 16 de maio de 2017

PEQUENO SEGREDO – Brasil / Nova Zelândia, 2016 – Direção David Schurmann – elenco: Júlia Lemmertz, Marcello Antony, Maria Flor, Erroll Shand, Fionnula Flanagan, Mariana Goulart, Michael Wade, Thomas Silvestre, Ryan James, Régius Brandão – 107 minutos

                                     UM AMOR MAIOR QUE A VIDA 

Com certeza é um filme que irá falar mais com o público do que com os críticos, já que grande parcela da população responde bem a este tipo de formato. “Não comece com este melodrama latino”, dispara a preconceituosa avó de Fionnula Flanagan a certa altura. E a ironia está implícita. "Pequeno Segredo" não tem o peso e nem a imponência que se esperava do candidato ao Oscar 2017, mas sua escolha para representar o Brasil foi pensada estrategicamente, e claro para prejudicar “AQUARIUS”, que é infinitamente superior. Resta saber se a Academia ainda se apegará aos velhos formatos de se fazer drama. O filme escolheu navegar por uma onda tipicamente hollywoodiana que tem como meta dourar a pílula de sofrimentos com paisagens naturais deslumbrantes e forte carga de exotismo. Nada contra isso. O problema está na falta de vitalidade e na monotonia narrativa sob insistente e meloso fundo musical. A trama se desenvolve por tempos justapostos, passado e presente. Não é coisa fácil de fazer no cinema. E as soluções encontradas pelo roteiro não são muito felizes. 

“Pequeno Segredo” se desenvolve em duas linhas narrativas, uma que dá conta do presente de Kat (Mariana Goulart); outra que desenvolve o passado de seus pais; num hábil trabalho de montagem de Gustavo Giani. Embalado por uma trilha tocante e ao mesmo tempo pesada, pelo excesso do uso, do cultuado Antonio Pinto (AMY), o filme segue como se espera para o “formato”: um melodrama carregado. Sensível, bem realizado (destaque para a fotografia de Inti Briones) e com ótimas interpretações femininas (a garota Mariana Goulart está muito bem), o filme desperta alguma simpatia. Com uma direção de arte caprichada e fotografia que nos remete aos quadros protagonizados pelos Schürmann no “Fantástico”, “Pequeno Segredo” é uma produção sobre a importância do amor e da família, mas que desperdiça seu potencial por optar pelo tom melodramático açucarado. A direção de David Schurmann, ainda que tecnicamente competente, se mostra extremamente convencional e sem traços autorais visíveis, exceção feita a raros lampejos de criatividade estética. É uma pena!! 


domingo, 14 de maio de 2017

A PONTE DO RIO KWAI (The Bridge on the River Kwai) EUA, 1957 – Direção David Lean – elenco: William Holden, Alec Guinness, Jack Hawkins, James Donald, Sessue Hayakawa, André Morell, Geoffrey Horne, Peter Williams, John Boxer - 161 minutos.

     UM DOS MAIORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS COMPLETA 60 ANOS 


Em seus épicos intimistas, David Lean sempre foi considerado um estudioso do comportamento humano. O seu personagem típico é um alienado - como o militar interpretado por Alec Guinness em A PONTE DO RIO KWAI. Prisioneiro dos japoneses num campo do Pacífico, ele resiste altivamente ao comandante Sessue Hayakawa, convencido da superioridade intelectual e moral que lhe confere o fato de ser cidadão britânico. Em seus filmes, o diretor David Lean historiou a grandeza e a derrocada do Império Britânico. O personagem interpretado por Hayakawa - ator japonês lendário, que fez carreira em Hollywood nos anos 1920, quando manteve com o latin lover Rodolfo Valentino o affair amoroso que Nagisa Oshima tentou, mas não conseguiu, transformar em filme - também acredita na superioridade nipônica. O choque desses dois temperamentos é inevitável. Alec Guinness aceita construir uma ponte sobre o Rio Kwai com toda a eficiência da engenharia britânica. Quer provar que realmente pertence a uma cultura superior, sem se dar conta de que a referida ponte será usada para o transporte de tropas e armamentos dos japoneses, portanto, contra os ingleses. Entra em cena o oficial norte-americano interpretado por William Holden. Pragmaticamente, ele vem para destruir a ponte, já que se trata de peça vital do sistema japonês de segurança. Cria-se um novo choque, entre Holden e Guinness, que não suporta a idéia de ver destruída a obra de sua vida. Culmina na explosão do desfecho, quando uma expressão, repetida diversas vezes - "Madness" (Loucura) -, resume o que Lean quer dizer sobre a guerra e os homens. O cineasta foi um grande narrador clássico e aqui está uma das melhores amostras disso. 


O filme foi rodado na Inglaterra e no Sri Lanka. Os autores do roteiro, Carl Foreman e Michael Wilson, estavam na "lista negra", acusados de pertencer a organizações comunistas, pelo que tiveram de trabalhar secretamente, e sua contribuição não foi credenciada na primeira versão. Por essa razão, o prêmio Oscar de Melhor Roteiro Adaptado foi concedido unicamente a Pierre Boulle, autor da novela original, que nem sequer sabia inglês. Em 1984, a Academia concedeu um prêmio póstumo aos dois roteiristas. Em 1992, foi relançado em vídeo com os novos créditos do roteiro, corrigindo uma injustiça histórica. Cary Grant e Laurence Olivier estiveram cotados para o papel do "Coronel Nicholson". Enquanto no filme os prisioneiros construiram a ponte em dois meses, a empresa britânica contratada cobrou 250 mil dólares para construir a referida ponte e levou oito meses para finalizá-la, usando 500 trabalhadores e 35 elefantes. A ponte foi demolida em poucos segundos na cena final do filme. John Ford e Howard Hawks estiveram cotados para dirigir o filme antes de David Lean ser finalmente o escolhido. Um dos maiores filmes de todos os tempos que está completando 60 anos.

Uma das mais belas realizações e um dos maiores clássicos da história do cinema! Uma rara combinação de filme de diversão e de boa qualidade artística. São quase três horas de suspense, coragem e demonstração da inutilidade e loucura da guerra. Mesclando às cenas de ação, um permanente e eletrizante confronto psicológico e cultural. Recebeu 8 indicações ao Oscar e ganhou sete, incluindo Melhor Filme do Ano, Melhor Diretor (David Lean), Melhor Ator (Alec Guinness), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora. Destaque para a fabulosa música de Maurice Jarre, fiel colaborador de David Lean. O filme tornou célebre a marcha militar assobiada pelos soldados (uma cena clássica). Esta história da construção de uma ponte sobre o rio Kwai,  em Burma, durante a Segunda Guerra Mundial, merece figurar entre os maiores épicos dirigidos pelo britânico David Lean, que era um diretor de grandes epopéias e A PONTE DO RIO KWAI é um desses pequenos milagres do celulóide, que sempre crescem a cada revisão. O confronto final é uma das melhores críticas culturais que o cinema ousou transformar em tensão. O filme foi considerado UM TRIUNFO COLOSSAL e até hoje é um dos mais cultuados filmes de guerra de todos os tempos. Obrigatório!!!




sábado, 13 de maio de 2017

UM ESTADO DE LIBERDADE (Free State of Jones) EUA, 2016 – Direção Gary Ross – elenco: Matthew McConaughey, Gugu Mbatha-Raw, Mahershala Ali, Keri Russell, Christopher Berry, Jacob Lofland (Daniel), Sean Bridgers, Bill Tangradi, Brian Lee Franklin, Thomas Francis Murphy, Kerry Cahill, Joe Chrest, Jessica Collins, Donald Watkins, Nicolas Bosc, Tim Bell – 139 min

             PARA CONSEGUIR SUA LIBERDADE, ELE LUTARÁ CONTRA TODOS 


O filme investiga os aspectos de uma história de luta e coragem durante a Guerra Civil Norte-Americana. Existem muitas questões nesse cenário e no século XIX de modo geral, que infelizmente ainda ecoam nos dias de hoje. Um dos principais méritos da produção é conseguir ser atual em seus debates e discussões. O que diz mais sobre o tempo em que vivemos do que sobre o filme em si. Esta não é uma aula de história, mas é entretenimento para as massas feito por Hollywood que respeita a história e parece nos convidar a discutir e a debater. O roteiro se desenvolve sem pressa, mantendo o ritmo da narrativa, bem como um trabalho competente dos departamentos de direção de arte e figurino, além de cenas de batalhas espetaculares. O diretor consultou alguns dos maiores especialistas no assunto e fez um bom trabalho ao equilibrar os fatos com as demandas narrativas da ficção. O resultado é uma lição de história, cujo didatismo ocasional é crucial para sua potência. O filme tem como outro mérito levantar uma discussão sobre os crimes e omissões da Reconstrução, com efeitos que se fazem sentir até hoje. O que não funciona muito bem é o recurso a uma alternância de épocas entre os acontecimentos do século XIX e um julgamento no Mississippi nos anos 1960.
"Um Estado de Liberdade" é um filme anti-guerra com uma mensagem comunista que ainda assim glamouriza o orgulho sulista e o trabalho. É uma mensagem repleta de nuances muito raras em nosso contexto político atual. A edificante cinebiografia do filme ganha energia e foge do didatismo nas mãos de Gary Ross, o diretor, que demonstra a ambição de fornecer ao mesmo tempo informação e reflexão sobre o tema histórico. Matthew McConaughey é o grande destaque do elenco, com seu carisma, dá ao protagonista uma atuação clássica. O ator se entrega ao personagem e não decepciona ao longo da sua performance. Ele também tem carisma o suficiente para assumir a função de herói ou líder revolucionário. O elenco traz ainda Mahershala Ali e Keri Russell. O filme ostenta uma amplitude digna de um épico histórico, mas se perde um pouco, infelizmente.