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sábado, 9 de dezembro de 2017


DELÍRIO DE AMOR (The Music Lovers) Inglaterra, 1971 – Direção Ken Russell – Elenco: Richard Chamberlain, Glenda Jackson, Max Adrian, Izabella Telezynska,  Bruce Robinson, Christopher Gable – 123 minutos.

    SOMENTE DE DEZ EM DEZ ANOS SE FAZ UM FILME COMO ESTE

Esse excelente filme é uma adaptação cinematográfica da vida do grande compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky, que vai fundo no estudo de sua personalidade para explicar a complexidade de sua obra. O filme deixa claro a fixação de Tchaikovsky pela figura materna, e a maneira como isso afetou a sua afetividade na vida adulta, quando nutriu amores e paixões genuínas por mulheres, com as quais jamais conseguiu consumar fisicamente, (atitude que ele deixava reservada para os seus rapazes), ficando condenado a um complicado e torturante sentimento platônico, que imprimia sentido e sentimento à sua criação, sobretudo à sua obra mais festejada, “O Lago dos Cisnes”, que trata de maneira cifrada exatamente dessa questão do amor não consumado e da sua homossexualidade.


O delirante diretor Ken Russell acertou a mão em cheio na direção, ao relacionar os rompantes dramáticos e ultra românticos do compositor, com a força transcendente de sua música, em som e imagem, causando os mais belos momentos do filme e sugerindo que a sua obra era mesmo a trilha sonora incidental de sua acidentada existência. Ao mesmo tempo o diretor não deixou de lado a sua subversiva e extravagante marca registrada, no que talvez seja o seu filme mais esmerado. Richard Chamberlain em exuberante atuação faz o compositor russo em sua conturbada relação amorosa com o Conde Anton Chiluvsky, interpretado por Christopher Gable. Glenda Jackson faz a luxuriosa Nina, em interpretação antológica. A belíssima trilha sonora foi executada pela Orquestra Sinfônica de Londres, sob a direção de André Previn.  Um ótimo filme e de grande sensibilidade.


UM HOMEM DIVIDIDO ENTRE A GENIALIDADE DE SUA MÚSICA E A AGONIA DE UM AMOR REPRIMIDO


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

COM AMOR, VAN GOGH (Loving Vincent) Inglaterra / Polônia, 2017 – Direção Dorota Kobiela e Hugh Welchman – elenco: Douglas Booth, Jeremy Flynn, Robert Gulaczyk, Saoirse Ronan, John Sessions, Josh Burdett, Aidan Turner, Robin Hodges, Holly Earl, Chris O’Dowd, Piotr Pamula, Cezary Lukaszewicz, - Animação – 94 min

            UM AUTÊNTICO TRABALHO INCRIVELMENTE REALIZADO!! 


Poucos filmes representam uma declaração de amor tão intensa a um artista quanto esta animação arrebatadora. A começar pela forma como foi conceituado: estreando a técnica da animação a partir de pinturas a óleo, seguindo o mesmo estilo do próprio homenageado. Ou seja, mais do que contar sua história era necessário apresentá-la sob seu ponto de vista tão particular, que fez com que o pintor se tornasse cultuado após sua morte. O resultado, visualmente falando, é deslumbrante.


Uma fascinante viagem pelo universo do mestre pós-impressionista que não se esgota em si mesmo, ou seja, a técnica é o meio para contar uma história e transmitir algo que vai além da experiência sensorial. (Marcelo Janot -Jornal O Globo)


O que mais impressiona na cinebiografia animada não é a colcha de retalhos da história, e sim a técnica empregada. Pintado a mão por mais de cem artistas, o filme é um deleite aos olhos do espectador. (Papo de Cinema – Matheus Bonez)


O trabalho minucioso feito por Kobiela e Welchman para transformar algumas telas mais apreciadas do artista em cenas animadas é impressionante de se ver. Para quem não sabe do que se trata, a proposta do filme — que na verdade é uma animação — foi visualmente tratá-lo como se tivesse sido pintado pelo próprio Van Gogh, imitando seu estilo inconfundível, suas cores, suas pinceladas. Para realizar com maestria essa empreitada participaram de sua realização nada mais que 125 pintores, que reproduziram em óleo sobre tela cada frame, cada fotograma anteriormente filmado. Para cinéfilos veteranos, talvez isso não pareça especialmente original e lembre um pouco o recurso utilizado em O Homem Duplo (A Scanny Darkly). Mas há diferenças nas técnicas empregadas e no caso de Com Amor, Van Gogh se sobressai o impacto visual causado pela técnica inconfundível do pintor holandês. Além disso, em diversas sequências da animação é possível reconhecer a reprodução de muitos de seus mais famosos quadros, que são incorporados dentro da narrativa. Ao final do filme, para aqueles que não saem apressadamente do cinema. Os créditos finais reservam ainda uma interessante particularidade sobre a produção do filme, que não se deve perder


domingo, 3 de dezembro de 2017

AMOR E TULIPAS (Tulip Fever) Inglaterra / EUA, 2017 – Direção Justin Chadwick – elenco: Alicia Vikander, Dane DeHaan, Jack O’Connell, Holliday Grainger, Judi Dench, Christoph Waltz, Tom Hollander, Matthew Morrison, Kevin McKidd, Douglas Hodge, Joanna Scanlan, Zach Galifianakis, Cara Delevingne – 105 min

                                           DESEJO... OBSESSÃO... TRAIÇÃO 


Este belo filme se passa em Amsterdã, na Holanda do século XVII, na época de uma febre especulativa do mercado de tulipas, nos Países Baixos. Sophia (Alicia Vikander,  a atriz de “A Garota Dinamarquesa”) sai de um orfanato para casar-se com um rico comerciante, e lhe dar um filho. Porém tal gravidez não acontece. O artista Jan van Loos é contratado pelo comerciante para pintar um retrato do casal, e Sophia se apaixona pelo pintor. A partir disto, eles tentam encontrar uma forma de ficarem juntos, longe daquela casa. Jan, então, começa a participar dos leilões de bulbos de tulipas, para conseguir um dinheiro e fugir com sua nova paixão.


Houve uma época que ocorreu uma grande especulação financeira em cima do cultivo de tulipas. Uma espécie rara de flor, de difícil cultivo em determinadas regiões do Velho Continente. O preço dos bulbos das flores e as apostas em cima das cores que nasceriam acabaram escalonando de forma inacreditável e se tornou o primeiro caso de especulação de um mercado financeiro, por mais rudimentar que tenha sido. “Amor e Tulipas” coloca esse evento histórico como pano de fundo para contar uma história sobre traição e intrigas amorosas. Para quem gosta de filmes históricos esse é um dos mais interessantes e únicos justamente por se tratar de um evento tão singular da historiografia europeia. Belo, requintado e arrebatador!!!


                                       O VERÃO É A ÉPOCA DE FLORESCER 



sábado, 2 de dezembro de 2017

A PONTE DE REMAGEN (The Bridge at Remagen) EUA, 1969 – Direção de John Guillermin – elenco: George Segal, Robert Vaughn, Ben Gazzara, Bradford Dillman, E. G. Marshall, Peter van Eyck, Sonja Ziemann, Anna Gäel, Joachim Hansen, Hans Christian Blech, Heinz Reincke, Bo Hopkins, Vit Olmer, Robert Logan, Matt Clark – 115 min

UM MOMENTO PODEROSO DE LUTA CONSIDERADO O GOLPE MAIS ESTRATÉGICO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL!!! 

Um excelente filme de guerra, relatando um episódio já bem no final da Segunda Guerra Mundial. A história é passada em março de 1945. Nos últimos meses do conflito mundial, os exércitos do Terceiro Reich estavam em fuga através do grande fosso que guarda o coração da Alemanha, que é o Rio Reno. A situação se complica ainda mais, pois os Aliados estão fazendo seu avanço final em território alemão e uma única ponte estratégica sobre o Rio Reno permanece nas mãos dos nazistas. Ambos os lados têm muito a ganhar: os alemães, as vidas de 50.000 soldados que estão do lado errado da ponte, e os  Aliados um fim rápido para a guerra com a menor perda de vidas. Apesar de ambos os exércitos terem lutado bravamente, apenas um podia vencer a crucial batalha pela PONTE DE REMAGEN. 


Um elenco espetacular e de grandes estrelas – incluindo George Segal, Robert Vaughn, Ben Gazzara, E. G. Marshall, Bradford Dillmann, - nos traz toda a glória e agonia da guerra dando vida a este olhar intenso e estimulante, mas ao mesmo tempo extremamente humano, sobre um momento de luta considerado o golpe mais estratégico da Segunda Guerra Mundial. O filme tem excelentes efeitos especiais, uma fotografia de grande beleza e impressionantes cenas de ação. O ritmo frenético da história coloca o público na frente de batalha lado a lado com os corajosos soldados que lutaram em Remagen.  Um filme obrigatório!!!



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

BINGO: O REI DAS MANHÃS – Brasil, 2017 – Direção Daniel Rezende – elenco: Vladimir Brichta, Leandra Leal, Ana Lúcia Torre, Emanuelle Araújo, Ricardo Ciciliano, Soren Hellerup, Raul Barreto, Pedro Bial, Augusto Madeira, Cauã Martins, Domingos Montagner, Tainá Müller, Fernando Sampaio – 113 minutos

O RETRATO DE UM MUNDO QUE PARECE ABSURDO, MAS QUE FOI ONTEM


Os anos 1980. Um período da história que se apresenta quase como um ponto fora da curva da realidade brasileira, seja pelos acontecimentos, pela moda, pelos produtos culturais. Bingo, o Rei das Manhãs se passa nesta época e é demonstração clara deste cenário improvável e quase anárquico. Com os olhos de hoje, a década de 1980 surge quase que como uma realidade paralela, algo impossível de acontecer. Em que outra época teríamos um palhaço sob efeito de drogas se esfregando com a Gretchen enquanto ela canta "Conga" em um programa para crianças? “Bingo” conta esta e outras histórias inspiradas na vida real de Arlindo Barreto, ator que interpretou o palhaço Bozo, que fez sucesso nas telas do SBT nos anos 1980. Por questões de direitos, Bozo virou Bingo, Arlindo virou Augusto, Globo virou Mundial e por aí vai. Apenas Gretchen continuou Gretchen, afinal é uma instituição por si própria e não criou caso com a produção. (Lucas Salgado – Adoro Cinema)

O roteiro [...] é brilhante, primeiro porque ele consegue criar o mito do misterioso palhaço de forma precisa e além disso, descontrói o homem por detrás da máscara, diante das frustrações de um real reconhecimento que nunca teve, tudo de forma orgânica e sem pudor. (Kadu Silva – Ccine 10)

O grande trunfo da obra é como ela captura o espírito da cultura pop no Brasil, com seu jeito nonsense, psicodélico e sem limites. Bingo se torna o símbolo do clima de zoeira dos anos 80 e, apesar de se passar 30 anos atrás, é mais atual do que nunca. (Daniel Reininger – Cineclick)

Vladimir Brichta, que sob a máscara de Bingo mostra ser mais do que um ator mediano, também brilha. Se incluirmos na conta o momento levanta-defunto da aparição de Emanuelle Araújo no papel de Gretchen, o filme passa fácil de "bom" a "muito bom". (Cassio Starling Carlos – Folha de São Paulo)

O que fica da produção é um diretor muito promissor para o cinema nacional e um ator no seu auge. O que é contado é pura curiosidade, em um roteiro que em nada chama a atenção. Um filme que faz rir um pouco com o palhaço, mas que emociona mesmo quando ele tira a maquiagem. (Diogo Rodrigues Manassés – Cinema com Rapadura)



domingo, 26 de novembro de 2017

QUANDO SE TEM 17 ANOS (Quand on a 17 Ans) França, 2016 – Direção André Téchiné – elenco: Corentin Fila, Kacey Mottet Klein, Sandrine Kiberlain, Alexis Loret, Jean Fornerod, Mama Prassinos, Jean Corso – 116 minutos
EM UM MUNDO EM QUE AS PESSOAS CADA VEZ MAIS TÊM DIFICULDADES EM ACEITAR O DIFERENTE, É IMPORTANTE UMA PRODUÇÃO COMO ESTA

Depois do admirável "Rosas Selvagens" (1994), o veterano cineasta francês, André Téchiné (realizador de obras viscerais como “As Testemunhas” – 2007 e “Tempos Que Mudam” – 2004), em sua melhor forma, volta a centrar-se no processo transformador da adolescência, e realiza o filme mais marcante desde então. É um filme silenciosamente político. No quadro do elenco principal, há que se destacar a progenitora de um dos rapazes, uma memorável performance de Sandrine Kiberlain, além, é claro,  das revelações dos dois jovens atores Kacey Mottet Klein e Corentin Fila, em magistrais atuações. Aqui a descoberta da sexualidade e a passagem de idade a certo ponto contrapõem-se com uma "passagem de tempo" global, independentemente da idade - e daí haver uma ironia divinal no título "Quando Se Tem 17 Anos". Existem ainda outros pormenores em jogo: como a fisicalidade inicial entre os dois rapazes em primeiro plano a interagir como a fisicalidade "ausente" da guerra que acontece fora do ecrã, até de fato, percebermos o que se vai passar.

Aclamado  na seleção competitiva do Festival de Berlim 2016, “Quando Se Tem 17 Anos” aborda o drama de se ter dezessete anos, um confuso período de transição à idade da maturidade “oficial”, com seus medos, anseios, descobertas da identidade sexual, ansiedades, desejos, necessidades, obrigações, tanto dos dois lados do “muro” (o do universo da escola e o dos “adultos”). Esses “pós-adolescentes” vivenciam a pressão das aceleradas e hiperbólicas escolhas e decisões. Talvez quando essa idade acontece na nacionalidade francesa seja melhor, devido à pluralidade comportamental-existencial-social.

Muitas descobertas ocorrem quando somos adolescentes. Esta é a fase da vida em que aprendemos muito sobre nós mesmos e, principalmente, sobre os outros. “Quando Se Tem 17 Anos”  fala justamente sobre algumas dessas descobertas e sobre outros temas importantes – e não apenas para adolescentes. Como normalmente acontece com o cinema francês, neste filme temos, mais uma vez, um olhar cuidadoso, atento e muito sincero sobre realidades que nem sempre outros cinemas se preocupam em abordar. Mais um grande filme francês, bastante notável e com um olhar interessante e sensível. É um dos melhores filmes do ano!! 


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A ESPERA (L’attesa) Itália / França, 2015 – Direção Piero Messina – elenco: Juliette Binoche, Lou de Laâge, Antonio Folletto (Paolo), Domenico Diele (Giorgio), Corinna Locastro, Giorgio Colangeli, Giovanni Anzaldo – 95 minutos

Um filme extravagante e rebuscadamente triste, buscando a sacralização do sofrer de suas protagonistas.


O luto é um dos processos mais revisitados no cinema que se atem ao registro do sofrimento. Falando sobre a perda em uma escala intensa e com direito a um ritual de passagem do luto instaurado, o filme é forte, denso e requer a atenção e a paciência do espectador. “A Espera” combina uma sofisticada direção junto a reflexões morais e existenciais para desembocar nesta obra lírica em seu tom dilemático amargo e tumultuosamente túrbido. O espectador é convidado pelo diretor Piero Messina, a uma viagem rumo ao universo enigmático das emoções e como as reações que tomam, ou que não conseguem tomar, nesses momentos, acarretam uma infinidade de consequências para as pessoas ao redor. Falar que Juliette Binoche é uma excelente atriz é redundante, mas nesse filme ela praticamente agracia o público com uma extraordinária atuação. Impecável e brilhante. Perdida na própria solidão, sua personagem Anna é o espelho da amargura como se não tivesse mais forças para acreditar em dias melhores. Tudo muda com a chegada de Jeanne que revitaliza nela a presença do filho distante (Giuseppe) que tanto ama. Por meio de uma mentira escancarada, a plateia é testemunha, se projeta rumo ao desabrochar de seu estado de luto sem pensar em consequências pelos seus atos.


As atrizes principais – Juliette Binoche e Lou de Laâge -, como a trama, trabalham de maneira sutil. Há muita potência nos pequenos gestos, anedotas e olhares trocados. Ritmado metodicamente, "A Espera" não se move rapidamente, mas faz o tempo voar.

Se beneficiando enormemente do seu evocativo cenário siciliano, este filme usa o espaço, o tempo e o som de uma maneira sedutora, criando uma atmosfera quase meditativa. Transformando um casarão silencioso em um palco de sombras, o roteiro escrito a quatro mãos consegue ser lentamente hábil ao não entregar tudo. A ‘jornada’ se intitula como uma imersão quase desconhecida que edifica as protagonistas como principais alicerces. Jeanne repete algumas vezes que Anna é estranha, e cada vez mais essas indefinições parecem preparar esse clima estagnado em algo de maior fricção. As atrizes dualizam com atuações enigmáticas e a química em cena é arrepiante. Por mais que parte da realidade esteja sendo omitida de Jeanne, suas dúvidas e angústias (principalmente as finais) são muito próximas. Para Anna, conviver com a dor e uma falsa felicidade parece ainda mais doloroso; seu olhar, porém, jamais deixa de ser aflito.

Aos poucos, essas duas mulheres aparentemente distintas, encontram afinidades, para além do amor por Giuseppe ou do fato de serem francesas. Há uma espécie de reconhecimento de si mesma por parte de Anna na figura impetuosa da nora, até mesmo certa admiração, como na cena em que a observa se despindo e adentrando a água. Isso faz com que a jovem se torne não só uma companhia, mas também uma confidente, para quem expõe seu passado – o divórcio, a mudança para a Itália – e seus sentimentos reprimidos. A recíproca também ocorre, ainda que sem o total conhecimento de Jeanne, nas confissões feitas em mensagens de voz deixadas no celular do namorado, que Anna ouve secretamente. O filme nos consterna por meio de dois caminhos: o primeiro gira em torno da decisão da mãe de não contar a verdade para Jeanne, já que esta carrega embates morais significantemente lacerantes, e o do desenvolvimento emocional e até mesmo da individualidade das personagens, cujas experiências recentes as quais o filme retrata levam marcas irretocáveis em seus âmagos. “A Espera” é um filme sensível e rebuscadamente triste, buscando a sacralização do sofrer de suas protagonistas.