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domingo, 19 de fevereiro de 2012

O LEITOR (The Reader) EUA, 2008



UM GRANDE FILME QUE DISCUTE CULPA E OMISSÃO APÓS O HOLOCAUSTO

O LEITOR (The Reader) EUA, 2008 - Direção: Stephen Daldry - Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross – 124 minutos.

A atriz inglesa Kate Winslet recebeu sua sexta indicação ao Oscar e saiu vencedora na categoria de melhor atriz por este filme, depois de já ter ganho o Globo de Ouro, mas como atriz coadjuvante. Ela é Hanna Schmitz, uma alemã cobradora de bonde que na década de 1950 conhece e se envolve com um jovem de 15 anos, chamado Michael Berg (o ator alemão David Kross, em brilhante atuação). O romance entre os dois é tórrido. O rapaz envolve-se profundamente, pois este é seu primeiro grande amor. Para ela, o caso parece não ir além do sexo. Hanna e Michael passam muito tempo juntos, ora namorando, ora lendo. Na verdade, é ele quem lê para ela livros como "A Odisséia", "As Aventuras de Huckleberry Finn" e contos de Anton Tchekhov. Porém, um dia ela o abandona, deixando Berlim depois de receber uma promoção no seu trabalho. O rapaz cresce atormentado por essa perda. Isso o traumatizou tanto que, décadas depois, ele não consegue estabelecer vínculos com as pessoas. Michael só irá reencontrar Hanna anos mais tarde, quando ele, estudante de direito, assiste a um julgamento de ex-carcereiras do campo de concentração de Auschwitz. Para sua surpresa, Hanna está entre as rés.



Nesse momento, O LEITOR levanta duas questões sobre a culpa. A primeira tem a ver com a responsabilidade dos agentes do Holocausto. A segunda, e mais interessante, transcende ao jogar para cima de Michael uma dúvida cruel: ele tem uma informação capaz de inocentar Hanna, mas, se a revelar, poderá ajudar uma possível culpada por crimes nazistas a escapar ou ter reduzida sua pena. Além de ter de expor seu relacionamento juvenil com a ré. Essa ambiguidade poderia muito bem servir de metáfora para a omissão diante dos horrores nazistas: a busca por um bode expiatório. Michael, assim como o autor do livro no qual o filme é baseado, Bernhard Schlink, pertence à geração que passou pela adolescência na época da ascensão do nazismo. Eles podiam não entender o que acontecia - mas seus pais, mais cedo ou mais tarde, souberam dos horrores e a maioria se omitiu.



Anos mais tarde, quando Michael - agora vivido por Ralph Fiennes - reencontra uma sobrevivente de Auschwitz e revela a ela o segredo de Hanna, a mulher (Lena Olin) pergunta se isso é uma explicação ou uma desculpa. Não há resposta da parte dele - o que não é uma surpresa, pois a questão é mesmo da maior complexidade. O diretor inglês repete a parceira de AS HORAS com o roteirista David Hare, conseguindo bons resultados tanto na primeira parte - o tórrido romance entre Hanna e Michael - como nos dois atos finais, o julgamento e a tentativa de Michael de reparar seu erro. Kate Winslet mostra o talento e a profundidade de sempre, injetando humanidade num personagem complexo. Recebeu cinco indicações ao Oscar 2009, incluindo Melhor Filme do Ano. Um filme obrigatório!!!!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

J. EDGAR (J. Edgar) EUA, 2011



UM DOS HOMENS MAIS TEMIDOS DA AMÉRICA NO SÉCULO XX POSSUIA SEGREDOS REVELADORES.

J. EDGAR (J. Edgar) EUA, 2011 – Direção Clint Eastwood – elenco: Leonardo Di Caprio, Armie Hammer, Judi Dench, Naomi Watts, Josh Lucas, Lea Thompson – 137 minutos.

Chamar John Edgar Hoover, o temido chefe do FBI por quase cinco décadas, pelo primeiro nome, no título da cinebiografia "J. Edgar", é apenas o primeiro indício de que o diretor Clint Eastwood se aproximou do personagem como ser humano, tornando real e acessível uma figura mítica e, não raro e com justas razões, identificado como vilão e sociopata, especialmente perante os segmentos liberais da sociedade norte-americana. Quase tanto, ou até mais do que o senador Joseph McCarthy - a quem considerava "oportunista" -, Hoover encarnou o combate sem tréguas aos comunistas e esquerdistas, muito comumente ultrapassando os limites legais. Também não se dobrou à autoridade dos oito presidentes norte-americanos a quem supostamente deveria servir. Independentemente de sua filiação partidária, todos eles e seus parentes, além de vários congressistas, figuraram num temido arquivo secreto em que Hoover colecionava o fruto da espionagem à intimidade dessas personalidades, como a vida sexual de John Kennedy e da senhora Franklin Delano Roosevelt. Um arquivo cuja existência não fazia questão de esconder e aumentava ainda mais seu poderio.



Contando com uma caprichada maquiagem, Leonardo DiCaprio interpreta Hoover da juventude à velhice, com uma intensidade na medida justa, o que torna sua ausência das indicações ao Oscar uma das injustiças desta edição. O roteiro, de Dustin Lance Black (vencedor do Oscar por "Milk - A Voz da Igualdade"), centra-se na irresistível ascensão de seu personagem no combate ao crime, à frente da divisão de inteligência do Departamento de Justiça desde os anos 1920, depois chefiando o Bureau de Investigações, que em sua gestão incorporou também a palavra "Federal". Desde o início de sua carreira, com apenas 24 anos, Hoover exibe perícia em duas frentes com a mesma obsessão. De um lado, na necessidade de contar com um aparato volumoso, eficiente e científico - como sua insistência em contratar muitos agentes, instalar laboratórios para investigação e instituir um banco federal de impressões digitais. De outro, seu foco recai única e exclusivamente sobre aqueles que considera inimigos da democracia, como todos os esquerdistas. Além disso, discriminava negros, mulheres ou homens que desprezassem o que considerava um bom figurino, com sapatos engraxados - que, sob sua gestão, tinham minguadas chances de entrar para os quadros do FBI.



A mesma fúria que dedicava ao combate aos gangsteres dos anos 1930 e ao sequestrador do bebê do aviador Charles Lindbergh, ele dirigiu ao ativista negro Martin Luther King. Quando a espionagem ao pastor não rendeu qualquer escândalo que lhe permitisse chantageá-lo, Hoover não hesitou em fabricar uma carta, atribuída a um ex-auxiliar de King, para tentar manchar sua imagem pública, visando forçá-lo a recusar o prêmio Nobel da Paz. Mas Hoover, que considerava King esquerdista, teve que engolir vê-lo receber a honraria, em 1964. Embora não seja este o seu tema principal, o filme aborda a homossexualidade escondida por Hoover, que teve uma longa ligação com um de seus subordinados, o agente Clyde Tolson (Armie Hammer, de "A Rede Social"). Os dois eram inseparáveis em festas, viagens e jantares, e Tolson herdou a casa de Hoover quando ele morreu, em 1972. Duas mulheres são fundamentais na trajetória de Hoover. Uma delas, sua mãe (Judi Dench), decisiva influência na moldagem de um caráter agressivo e obcecado pelo sucesso - e que não admitia sua homossexualidade, como aparece numa cena de grande intensidade dramática entre os dois. A outra é sua secretária, Helen Gandy (Naomi Watts), com quem ele, ainda jovem, tenta casar-se, e que depois lhe permanece uma servidora fiel por toda a vida. Na história, foi Helen a encarregada de sumir com os temidos arquivos secretos de Hoover, que nunca foram encontrados depois de sua morte, em 1972. Com a sobriedade habitual, o diretor Eastwood delineia as características polêmicas de um homem que construiu um personagem maior do que ele mesmo - e cujo poder, exercido com fervor absolutista, levou o presidente Harry Truman a comparar o FBI, sob Hoover, à Gestapo nazista. Um grande filme e uma interpretação antológica de Leonardo Di Caprio!!


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

CAVALO DE GUERRA (War Horse) EUA, 2011



SEPARADOS PELA GUERRA! TESTADOS PELA BATALHA! LIGADOS PELA AMIZADE!

CAVALO DE GUERRA (War Horse) EUA, 2011 – Direção Steven Spielberg – elenco: Jeremy Irvine, Emily Watson, David Thewlis, Benedict Cumberbatch, Peter Mullan, Niels Arestrup, Tom Hiddleston, Toby Kebbell, David Kross, Patrick Kennedy, Celine Buckens, Robert Emms, Rainer Bock, Geoff Bell, Leonard Carow, Matt Milne - 146 minutos.

Com uma ambição que é também combustível para um contínuo esforço de autossuperação, Spielberg lança-se, em CAVALO DE GUERRA, ao resgate de um cinemão à moda antiga, no bom sentido. Procura realizar aquele tipo de narrativa épica e arrebatadora que sintonize com todo tipo de público, de qualquer idade, de qualquer nação, e que seja capaz de transcender qualquer barreira temporal. O clima de nostalgia de uma história ambientada no começo do Século 20, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, serve para sinalizar que aqui se falará de valores eternos - que alguns podem até ter esquecido, mas cuja validade o filme se encarregará de testar. Os roteiristas Lee Hall ("Billy Elliott") e Richard Curtis ("Quatro Casamentos e um Funeral") recriam para a tela uma história que, na essência, resume-se à irrompível ligação entre um jovem, Albert (o novato inglês Jeremy Irvine), e seu cavalo, Joey. Albert é o filho único de um casal de agricultores, Ted (Peter Mullan) e Rosie (Emily Watson), que arrendou uma pequena propriedade do rico Lyons (David Thewlis) nos arredores de Devon, Inglaterra. Para pagar o dono e poder arar a propriedade, a família precisa de um cavalo. Contra toda a lógica e para afrontar seu esnobe arrendatário, Ted acaba comprando um cavalo lindo, mais apropriado à montaria do que à lide agrícola. De quebra, torra as economias familiares. A ousadia cai bem aos olhos do filho, que se encarregará de treinar Joey para enfrentar quase tudo, inclusive o arado - uma habilidade que salvará sua vida numa situação inusitada no futuro. Sustentando o controle do ritmo da narrativa, Spielberg constrói solidamente esta relação de afeto entre Albert e o cavalo, que enfrentará desafios mortais na Primeira Guerra, a última em que cavalos foram usados nas frentes de batalha da Europa. Uma guerra que ficou conhecida pela selvageria de suas trincheiras e que teve um saldo estimado em um milhão de mortos.



A história é uma adaptação do romance best seller de Michael Morpurgo, de 1982, que também virou peça teatral. Ambientado na Primeira Guerra Mundial, traz em ficção a sofrida história de um cavalo, mas que reflete a realidade de mais de quatro milhões de cavalos que de fato morreram no conflito. No filme, as primeiras grandes tomadas aéreas que se alternam em fusões formam uma visão de cima, onipotente e onipresente, e exibem uma vasta paisagem campestre até se aproximar do nascimento do cavalo Joey no seio de uma humilde família de trabalhadores rurais. Essas imagens já nos dizem muito: uma alusão a um ponto de vista de um suposto Deus, a intervenção divina, o plano subjetivo que enxerga um mundo abaixo e enviou uma criatura especial destinada a uma missão. Poucos momentos após o seu nascimento, intuitivamente, o jovem cavalo já se levanta sozinho e está em pé, lutando por seu lugar e sobrevivência nesse mundo – uma virtude e uma capacidade que o homem jamais teve em tão pouco tempo de vida. Já nas primeiras cenas tornam-se evidentes duas intenções do realizador. A primeira é a tentativa de mitificar o cavalo, atribuir a ele uma espécie de alusão ao nascimento, a designação, e posteriormente o calvário e a redenção. A segunda está na ambientação, nos planos, na forma de iluminar e enquadrar. Temos imagens de janelas e portas da rústica casa de trabalhadores rurais emoldurando as colinas, céus repletos de formações de nuvens que carregam tempestades iminentes, áreas de agricultura que provém a sobrevivência, campos do início do século XX, ainda preservados dos efeitos visuais e morais da revolução industrial e urbanização que viria a seguir. A fotografia do filme é bastante inspirada na tradição pictórica norte-americana, a pintura de paisagens do século XIX, em especial nos emblemáticos afrescos de Albert Bierstadt, que trabalhava muito com as formações de nuvens, contraste entre as cores do céu e os tons esverdeados da terra. “Queríamos que o cenário fosse um personagem”, foi o que disseram Steven Spielberg e Janusz Kaminski, diretor e diretor de fotografia, respectivamente, ao The New York Times. O grande mestre nessa arte foi John Ford, que foi mentor de outros que partiam desse pressuposto, de Orson Welles a David Lean, e que aqui é notavelmente a maior influência nesse prólogo do filme, que muito nos remete a Era de Ouro do cinema norte-americano, um filme clássico-narrativo que podia muito bem ser dessa época, o que demostra uma grande nostalgia e homenagem ao cinema por parte de Spielberg.



Em seu melhor momento, CAVALO DE GUERRA traz uma citação mais erudita, de um filme mudo de King Vidor. O protagonista equino dispara por um campo de batalha. Sai da trincheira inglesa e se move em direção à trincheira alemã, mas fica preso em arames farpados. Quando percebem que o animal está preso e machucado, um soldado inglês e um alemão se unem para libertá-lo, o que promove um encontro inusitado entre dois pares que lutam em lados opostos. É uma das mais belas sequências dos 146 minutos. O momento é pungente, e lembra aquele de O GRANDE DESFILE, de Vidor, quando o herói, um soldado americano, acende um cigarro para um soldado alemão agonizante. Spielberg conhece muito de cinema, e este talvez seja a sua obra mais pessoal, mais repleta de referências aos filmes que o inspiraram a ser cineasta. Estão ali de forma velada inumeráveis menções a trechos de filmes de King Vidor, John Ford, David Lean, Victor Fleming, David O. Selznick, Akira Kurosawa, Teinosuke Kinugasa, e até mesmo um final apoteótico visualmente muito semelhante a cena final de ... E O VENTO LEVOU (1939). Mas certamente CAVALO DE GUERRA está muito além de ser um filme formuláico com emoções pré-fabricadas: é uma homenagem nostálgica ao cinema da era clássica de Hollywood, e um balanço, uma síntese do cinema de Steven Spielberg. DESTAQUE para a performance coadjuvante de DAVID KROSS (o menino que brilhou em O LEITOR, em 2009). Permanece na lista dos melhores filmes do ano!! UM GRANDE FILME!!


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A REDE SOCIAL (The Social Network) EUA, 2010



UM DOS MELHORES FILMES DA DÉCADA!!

A REDE SOCIAL (The Social Network) EUA, 2010 – Direção David Fincher – elenco: Jesse Eisenberg, Rooney Mara, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer – 120 minutos.

Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg, de ZUMBILÂNDIA) difama sua namorada Erica (Rooney Mara) na Internet depois de levar um fora dela. Não bastasse isso, inventa um site onde garotas "competem" por votos para serem escolhidas as mais bonitas de Harvard.
O que começa com uma brincadeira, se torna alvo de um processo milionário envolvendo a criação de um site de relacionamentos que mais tarde viria a ser - e é até hoje - conhecido como Facebook. Ele enfrenta os gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer) e o brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield), sempre com a mesma pose parte blasé, parte nerd.



Zuckerberg é uma figura paradoxal. Com pouco trato para laços sociais, se torna o criador do site de relacionamentos mais usado do mundo. Apesar de manter os nomes reais dos personagens, o filme de David Fincher não se preocupa em ir, no que se refere à questão de biografia, além daquilo que já se conhece da repercussão da criação do site, dos processos e tudo o que os envolvem.

A REDE SOCIAL aspira, e consegue em boa parte do tempo, ser o retrato de uma geração que nasceu com o boom da Internet e, ao chegar à idade adulta, descobre que a interação humana não é necessária para haver interatividade.



O filme foi escolhido pela crítica americana como uma das dez melhores produções independentes do ano. Recebeu 08 indicações ao Oscar 2011, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Jesse Eisenberg), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Mixagem de Som. Indiscutivelmente, é um dos grandes filmes do ano!! Com certeza, na lista dos dez melhores!! É um desses filmes para a vida toda!! Sem dúvida, com o decorrer dos anos se tornarÁ um cult para sempre!!