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domingo, 6 de agosto de 2017


          O FILME DE GUERRA MAIS INTENSO E IMERSIVO DA HISTÓRIA


"Dunkirk" é um "tour de force" de arte e técnica cinematográfica, com uma grandeza ímpar e pouco vista no cinema. Baseado num evento histórico que consistiu na evacuação de soldados britânicos e franceses de Dunquerque, região no norte da França, conhecida como a Operação Dínamo, o filme é um eletrizante retrato de um dos mais cruciais momentos da Segunda Guerra Mundial. O diretor coloca uma lupa nesse evento da guerra e trabalha com uma verdade pouco vista nos filmes épicos. Normalmente vemos os filmes de guerra com personagens fortes, heroicos e com uma profundidade dramática muito grande, em vista daquele terror inacreditável que estão vivendo. Em “Dunkirk”, isso é completamente diferente, pois não apenas os personagens são totalmente anônimos, mas também mostra uma face da peleja muito cruel – o desespero. Os soldados da cidade de Dunquerque estavam sendo encurralados pelos inimigos, e as tropas europeias estavam tentando evacuar o local, porém as armadas germânicas estavam implacáveis, bombardeando os locais em que os soldados estavam concentrados. Há três pontos de vista diferentes. Um aviador (Tom Hardy), um civil que é convocado para resgatar os soldados daquele local e um soldado que busca voltar prá casa, após ter escapado do cerco da cidade. Nessas três variantes, o espectador acompanha um pouco do terror e das consequências que a guerra pode trazer. A maneira singular que o diretor faz a transição entre os mesmos acontecimentos, dos diferentes pontos de vista (terra, céu e mar), parece trazer o sentimento diferenciado que cada um mostra. 


Num filme com essa proporção, os efeitos sonoros trazem uma imersão bem importante para o espectador, mas o que se vê supera tudo o que já se viu nesse quesito. Em ambientes fechados, em ambientes abertos, os estampidos das armas de fogo são impressionantes e fazem crer que aquilo está realmente acontecendo. Há um medo coletivo, mas ele é solitário. A luta é entre países, mas a luta interna é muito mais cruel. Alguns filmes do gênero mostram o lado cruel e sombrio da guerra, mas poucos trabalham a vontade de continuar respirando, como “Dunkirk”. O filme mostra o lado visceral e a linha tênue entre covardia e desespero. O heroísmo não tem lugar, quando a sua vida está na mesa e muitas vezes, acabamos agindo por puro instinto, deixando de lado o certo e o errado. A lupa que o diretor coloca na vida das três pessoas, revela outro sentimento interessante – o ser humano mostra o seu melhor, nos momentos de maior dificuldade. Há autoralidade fílmica, pois como sempre há em cena os dois elementos que guiam a dramaturgia cinematográfica do diretor Christopher Nolan: culpa e necessidade de controle. Há uma mistura covalente de ambos no combustível afetivo que alimenta a fúria visual de "Dunkirk". Tenso, emocionante, profundamente envolvente e inesquecível, pode ser classificado entre os melhores filmes de guerra da década.

O diretor sempre está em busca de inovar a linguagem, ao mesmo tempo em que estimula o debate sobre questões cruciais. Em “Dunkirk”, Christopher Nolan diz claramente que ainda acredita na humanidade. É curioso, no entanto, ver uma produção de guerra “limpa”, sem sangue em demasia ou mutilações, obter forte impacto. Parte disso se deve à capacidade do roteiro de botar o espectador ali, junto, nesse episódio singular da humanidade, que poderia ter outro destino. É um filme poderoso e maravilhosamente criado com uma história a contar, evitando pornografia de guerra em favor de algo desolado e apocalíptico. Talvez o melhor filme de Nolan até agora. Pode-se dizer que  é uma obra-prima impressionista. É um filme de guerra como poucos, um dos que pode ser pintado sobre uma tela grande e expansiva, mas que transmite o todo através de momentos isolados, brilhantemente realizados e muitas vezes privados. A história é econômica e segura. Não existe um único momento desperdiçado, nem um detalhe desnecessário. Tudo é empolgante e necessário para a narrativa. Depois de “Amnésia” (2000); “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008) e “A Origem” (2010) , o diretor Christopher Nolan continua surpreendendo com um cinema de fantasia. "Dunkirk", sem sombra de dúvida, é o melhor trabalho do cineasta. Sai a ficção e entra um espetáculo audiovisual realista como raras vezes o cinema produziu nos últimos anos. Espetacular e belo !!


2 comentários:

  1. Belo texto, boa dica. Vou assistir!

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  2. O êxito do filme se deve muito ao grande elenco que é bastante conhecido pelo seu grande trabalho. Christopher Nolan como sempre nos deixa um trabalho de excelente qualidade, sem dúvida é um dos melhores diretores que existem, a maneira em que consegue transmitir tantas emoções com um filme ao espectador é maravilhoso. Dunkirk é um filme com un roteiro maravilhoso. É um filme sobre esforços, sobre como a sobrevivência é uma guerra diária, inglória e sem nenhuma arma. Dunkirk elenco também foi maravilhoso. É uma produção que vale a pena do principio ao fim. É um exemplo de filme que serve bem para demonstrar o poder do cinema em contar uma história através de sons e imagens, que é, diga-se de passagem, a principal característica da sétima arte.

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