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quarta-feira, 19 de julho de 2017

DESPEDIDA EM GRANDE ESTILO (Going in Style) EUA, 2017 – Direção Zach Braff – elenco: Morgan Freeman, Michael Caine, Alan Arkin, Matt Dillon, Ann-Margret, John Ortiz, Peter Serafinowicz, Joey King, Kenan Thompson, Christopher Lloyd, Josh Pais, Maria Dizzia, Ashley Aufderheide, Siobhan Fallon Hogan, Seth Barrish – 96 minutos

                                NUNCA É TARDE PARA ACERTAR AS CONTAS


Com um roteiro coeso e ágil, “Despedida em Grande Estilo” brinca o tempo todo com as limitações impostas pela idade de seus protagonistas, bem como com o espírito aventureiro e um bocado justiceiro que surge em meio à dificuldade financeira. Aborda com espirituosidade a delicada situação financeira em que muitos idosos se encontram. O diretor Zach Braff pontua com timing perfeito as tiradas ácidas do roteiro de Theodore Melfi, que se tornam ainda mais engraçadas nas ótimas interpretações do trio Michael Caine, Morgan Freeman e Alan Arkin. Melfi manteve ritmo, fez citações inteligentes (como o grupo Rat Pack), conseguiu “quebrar” a impressão de um desfecho previsível – mais de uma vez – e abordou, de maneira leve e inteligente, temas relevantes. O filme se baseia nos dilemas espinhosos dos seus três principais personagens que, ao todo, têm 246 anos de vida na terra (Caine tem 84, Freeman 79 e Arkin 83), mas não é nada além de que um filme agradável sobre a conexão entre diferentes experiências de vida. Como era de se esperar, o trio central brinca em cena o tempo todo. O primeiro, desde a juventude especialista em obras do gênero, é o vovô família que vê “Law & Order” com a neta, usa boina e executa o papel de “cabeça” do bonde. Freeman representa o solitário, que esconde segredos debaixo de seu inseparável chapéu. Responsável mais uma vez pelo humor “peculiar”. Arkin é o rabugento de boné, pessimista e sem meias palavras, que encontra o amor mesmo sem buscar. Em comum o trio tem o machismo da geração, o gosto em rir das próprias dificuldades, algumas ideias claramente ultrapassadas e o desejo de aproveitar os últimos anos com dignidade. É a polícia que é retratada como vilã, abaixo do sistema financeiro, o grande mal. Joe é “vítima de um sistema corrupto que não serve ao povo”, diz um dos personagens.
Entre as trapalhadas do grupo há bons momentos – especialmente numa primeira tentativa de assalto a um pequeno mercado. Matt Dillon comparece numa ponta como um detetive. Mas o que se destaca mesmo é o talento do trio central, embora sem sair da zona de conforto. Apesar do fato de que este filme encantador parecia direcionado a um público da terceira idade, as gerações mais jovens foram assistí-lo - já que o humor e as mensagens profundas presentes nele são verdadeiramente universais. Para quem não sabe, é um remake de “Despedida em Grande Estilo (Going in Style) EUA, 1979 – Direção de Martin Brest – elenco: George Burns, Art Carney, Lee Strasberg.  O filme de 1979 era mais casual e muito mais sombrio sobre as realidades e enfermidades da velhice, e também contou com uma das melhores performances de George Burns. Foi uma experiência engraçada e emocionante, mas também amarga. Há, claro, algumas piadas (jamais de mau gosto) sobre as “dores” da velhice e um ou outro drama pessoal dispensável. Nada disso, contudo, tira o alto-astral de uma história sobre amizade, recomeços (inclusive amorosos) e deliciosas trapaças em nome da justiça social. Essa comédia despretensiosa e divertida tem a capacidade de surpreender e se comunica muito bem com os dias de hoje, tendo como frase crucial a afirmação: “É dever do país cuidar dos idosos”. Vale a pena ser conferido.


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