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sábado, 24 de junho de 2017

VIDA (Life) EUA, 2017 – Direção Daniel Espinosa – elenco: Jake Gyllenhaal,Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Olga Dihovichnaya, Ariyon Bakare, Hiroyuki Sanada, Jesus Del Orden, Allen McLean, Mari Gvelesiani, David Muir – 104 minutos

                         ERA MELHOR QUANDO ESTÁVAMOS SOZINHOS 


O que torna este filme tão surpreendente é que ele segue à risca a fórmula sem desviar do caminho, sem reinventar ou refletir. Dirigido pelo sueco Daniel Espinosa, é um terror sci-fi extremamente competente, infelizmente prejudicado pelo setor de marketing que o vende como uma homenagem ao “ALIEN” (1979) de Ridley Scott. Esse tipo de estratégia causa um problema grave, insere o elemento da expectativa na equação. Não é por não ser um artesão imagético que Espinosa se furta em construir sequências de tirar o fôlego, e após a abertura voltamos a ficar impressionados com o surgimento da vida alienígena ao alcance dos dedos. Habilmente, Espinosa deixa o lado emocional, de sentimentos como medo e angústia, com o espectador, pela forma como captura as imagens e insere o público dentro da trama. Esta escolha ganha força pelo bom desempenho do elenco, que aposta na diversidade.

A partir do balé gerado pelos movimentos dos astronautas em ambiente sem gravidade, Espinosa extrai um belo e interessante plano-sequência através do qual os personagens e a própria estrutura da estação espacial são apresentados. Logo a seguir, uma trombada cósmica com um satélite artificial traz uma certa ação, por mais que tudo se resuma a efeitos especiais bem executados e trilha sonora que amplifique a tensão. Deste impacto vem o verdadeiro protagonista do filme: um ser unicelular, vindo diretamente de Marte. Após ser despertado a bordo, o tal ser ganha importância imensa: trata-se da prova inconteste de que há vida fora da Terra! O clima de entusiasmo logo toma conta não só da tripulação, como da própria Humanidade: a muitos anos-luz de distância, todos acompanham atentamente o desenvolvimento de Calvin, o marciano - nome escolhido a partir de um concurso entre crianças. A afeição imediata está estabelecida, mesmo que pouquíssimo se saiba sobre tal organismo.

Como em "ALIEN – O 8º Passageiro", a diversão é ver quem a criatura vai matar em seguida. Mas "VIDA" ganha força no desenvolvimento de seu monstro. Durante a narrativa, as capacidades de Calvin vão surpreendendo o espectador. O filme também é um prato cheio para biólogos trabalharem os temas em sala de aula com os alunos (seja para falar de evolução, seja para apontar possíveis derrapadas). O que a tripulação vai enfrentar é o mais puro terror, e o espectador pega carona nessa montanha-russa claustrofóbica. O diretor faz bom proveito da falta de gravidade e dos espaços restritos para criar a sensação de pânico e isolamento. "VIDA" é excitante em seus momentos inteligentes, mas é ainda mais emocionante quando os personagens se mostram idiotas - o que é, no fim das contas, um paradoxo que o filme usa com orgulho, para a possível extinção da raça humana. O filme aposta também em causar medo de forma constante. E consegue. A ação não para, elencando uma sequência arrepiante atrás da outra até chegar a um dos finais mais impactantes dos últimos tempos.


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