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sábado, 3 de junho de 2017

SULLY – O HERÓI DO RIO HUDSON (Sully) EUA, 2016 – Direção Clint Eastwood – elenco: Tom Hanks, Aaron Eckhart, Laura Linney, Valerie Mahaffey, Delphi Harrington, Mike O’Malley, Jamey Sheridan, Anna Gunn, Holt McCallany, Ahmed Lucan, Katie Couric, Jeff Kober, Laura Lundy, Onira Tares, Gary Weeks – 96 minutos

 A IMPORTÂNCIA DO FATOR HUMANO PERANTE A FRIEZA DAS MÁQUINAS 


"Sully" é sobre homens comuns cheios de consciência de suas responsabilidades na prática do trabalho, confiando na própria experiência. A investigação dos tecnocratas leva a diagnósticos diferentes do que os pilotos, espontaneamente, chegaram a partir dos fatos como eles se apresentaram. O filme se justifica como um acompanhamento sutil (e levemente burocrático) dos “bastidores” de um evento tão comovente. O homem que salvou 155 vidas do que poderia ter sido uma tragédia de alvoroço mundial; essa escalada aos degraus do pedestal de "Sully" é, afinal, orgânica e envolvente. Clint Eastwood está muito bem em seu papel como diretor, utilizando todo o seu talento para dar tensão ao filme ao mesmo tempo em que cria uma biografia. É uma história que aconteceu em menos de quatro minutos e o diretor faz dessa premissa um filme cativante de uma hora de trinta minutos, sem dar a impressão de enrolar, de modo algum. É preciso ter domínio para isso, além de uma certa moral do olhar. Como uma saudação vigorosa e empolgante ao profissionalismo e ao bom exercício de um trabalho, "Sully" é um retrato vívido das realidades físicas e dos elementos humanos envolvidos no dramático pouso da aeronave. A montagem, os efeitos especiais e as performances são tão perfeitas que praticamente colocam o espectador dentro daquele voo. Clint Eastwood optou por não se aprofundar nas histórias dos passageiros do avião e se concentrar no julgamento do piloto, um acerto que fez com que o filme ficasse mais objetivo e menos maçante. Muitos espectadores sabem o que aconteceu naquele dia, mas Eastwood consegue criar bastante tensão ao mostrar o ponto de vista do controlador de tráfego aéreo antes de o voo terminar, e durante a evacuação do próprio avião.
A interpretação de Tom Hanks é simplesmente fantástica. Sem sair um minuto de seu complexo personagem, traumatizado pelo recente acidente, o duas vezes vencedor do Oscar abusa de sua habilidade de convencer ao público que ele está entre os melhores atores da história do cinema. De cabelos grisalhos e movimentos mais lentos, ele automaticamente transmite ao público seu histórico como ator e pessoa, de forma a garantir a afeição imediata. Mais do que isso: imprime ao personagem um essencial aspecto humano, potencializado pela recusa íntima em se considerar um herói e na emocionante cena em que descobre que conseguiu salvar a todos. É o Hanks competente de sempre, mais uma vez demonstrando sua qualidadeCom aparência envelhecida para assemelhar-se ao personagem real, Tom Hanks assume por inteiro o papel de um homem investido da paixão pela defesa de sua honra, mas que é igualmente atravessado pela dúvida – ele também se questiona sobre o que fez. Há duas surpresas diante desse grande filme: primeiro, ver que o filme só dura 1h36, algo muito mais curto do que a média de Eastwood. Segundo, ver o Tom Hanks se juntar ao grupo de heróis do diretor, marcado por um aspecto sombrio e ambíguo que o ator não tinha mostrado antes. Enxuto e direto ao ponto, o filme presta uma homenagem, honesta e edificante, com direito até a um comovente reencontro do Sully real com os sobreviventes, durante os créditos finais. “Sully – O Herói do Rio Hudson” é uma ode elegante e muito satisfatória à competência. Parafraseando seu personagem principal, este é apenas um filme que faz o que deve fazer.


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