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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS (Spotlight) EUA, 2015 – Direção Tom McCarthy – elenco: Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Liev Schreiber, John Slattery, Brian d’Arcy James, Stanley Tucci, Billy Crudup, Neal Huff, Jamey Sheridan, Elena Wohl, Gene Amoroso, Len Cariou – 128 min


“Spotlight” é o nome da equipe editorial do jornal Boston Globe (um dos mais importantes jornais dos EUA), responsável por reportagens especiais, do tipo em que os repórteres se debruçam meses, às vezes até ano na investigação de um caso. Grandes filmes já ressaltaram a importância da imprensa como o quarto poder de um Estado democrático, pilar essencial para que Legislativo, Executivo e Judiciário tenham suas ações acompanhadas de forma transparente pela sociedade. Esta obra se coloca entre esses grandes filmes reproduzindo uma história real que abalou as estruturas de outra sólida instituição, a Igreja Católica, em 2002, quando uma série de reportagens expôs crimes sexuais cometidos ao longo de décadas por padres da cidade norte-americana de Boston. Todos, claro, devidamente acobertados. Tema, aliás, que segue causando desconforto ao Vaticano. Quatro jornalistas da Spotlight abraçaram o caso: Michael Rezendes (Mark Ruffalo), Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams), Matt Carroll (Brian d’Arcy James) e Walter V. Robinson (Michael Keaton), coordenador do time calejado em farejar histórias que muitos querem esconder. São profissionais que combinam experiência e múltiplos talentos, da azeitada rede de contatos ao ímpeto do bom detetive, da habilidade para interpretar e organizar dados ao sangue-frio para lidar com a pressão de gente muito poderosa. Há um quê de idealismo e responsabilidade moral que pautam esses repórteres. Eles sabem que estão diante de algo grande e importante, que se revela ainda maior na medida em que avançam nas investigações. O filme acompanha todo o processo jornalístico, com as vitórias e contradições, sem nunca transformar jornalistas em heróis, mostrando os dois lados do trabalho – tanto o do sucesso quanto o preço pessoal que pagam por se entregar dessa forma a essa missão.

Além dos quatro atores acima citados, o ótimo elenco tem ainda Stanley Tucci como advogado das vítimas; Billy Crudup; John Slattery, no papel de um veterano editor do Boston Globe; e Liev Schreiber, como editor-chefe do jornal, Marty Baron. Em 2001, uma de suas primeiras ações foi fazer o jornal voltar ao caso dos abusos sexuais cometidos por religiosos locais, assunto até então tratado sem maior profundidade por um somatório de razões: ações legais sob sigilo da justiça; vítimas receosas da exposição pública; acordos de indenização feitos à margem dos tribunais e, sobretudo, a enorme influência da Igreja Católica nas diferentes esferas do poder em Boston (a cidade do Estado de Massachusetts, leste dos EUA, tem expressiva herança cultural e religiosa dos imigrantes irlandeses). A comparação com “Todos os Homens do Presidente” (All The President’s Men - 1976), não é mera coincidência, é imediata, inevitável e justa. A direção do cineasta Tom McCarthy remete diretamente ao clássico sobre investigação jornalística justamente por tratar do tema da mesma forma seca e objetiva. Assim como no filme de Alan J. Pakula, que retratou o trabalho de repórteres do Washington Post na investigação do escândalo Watergate, a obra de McCarthy volta seus olhos para os esforços da equipe Spotlight na busca por informações que esclareçam um escândalo de proporções inimagináveis, especialmente em uma cidade em que a presença da Igreja é tão marcante. A busca incansável pela apuração dos fatos e os conflitos que essa busca gera são a matéria-prima de um filme tenso e hipnotizante.


SPOTLIGHT: SEGREDOS REVELADOS é um conto real que retrata o grande poder que a imprensa ainda tem de dar luz a fatos que nunca viriam a conhecimento público se dependêssemos da boa vontade das grandes instituições, não apenas da Igreja, mas do próprio Estado com seus interesses escusos. O filme também renova no cinema a figura romântica jornalista-herói, aquele tipo abnegado que encara a luta pela verdade, pela justiça e pelo bem comum como inabalável missão de vida. No fundo, o filme é sobre a disputa de dois tipos de fé: a religiosa e a da liberdade de expressão, embalada pela nostalgia de uma era em que a imprensa digital ainda não tinha tanta força. E ainda, funciona como uma contundente provocação para a reflexão sobre o papel da imprensa e a função do jornalista no mundo em que vivemos e no contexto em que ele se encontra inserido. Premiado como o Melhor Filme do Ano no Oscar 2016, é um filme que não tem medo de fazer grandes perguntas sobre o papel da imprensa no mundo contemporâneo.  

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