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domingo, 16 de setembro de 2018

SE NÃO EXISTISSE VOCÊ (Se Non Avessi Più Te) Itália, 1965 – Direção Ettore Maria Fizzarotti – elenco: Gianni Morandi, Laura Efrikian, Anna Maria Polani, Nino Taranto, Gino Bramieri, Dolores Palumbo, Raffaele Pisu, Enrico Viarisio, Aroldo Tieri, Vittorio Congia, Nino Terzo, Stelvio Rosi, Dino Mele – 95 minutos.

  UM DOS MAIORES SUCESSOS DA LONGA CARREIRA DE GIANNI MORANDI


Um dos maiores sucessos da carreira do grande cantor italiano Gianni Morandi, que marcou toda uma época de paz e amor e psicodelia. Realizado na década de 1960, no auge da carreira do cantor, é um filme propaganda para divulgar o trabalho de um grande artista. Gianni Morandi, internacionalmente famoso, fez um sucesso estrondoso nessa época, onde estrelou vários filmes, cujos temas eram o amor, as suas canções favoritas e o entretenimento juvenil. Em 2014, Gianni Morandi completou 70 anos. Vale pela presença sempre carismática dele e pelas suas inesquecíveis canções. Merece ser conferido, até para conhecer o retrato de uma geração!! 


sábado, 15 de setembro de 2018

O PROCESSO – Brasil, 2018 – Direção Maria Augusta Ramos – Aparições de Lindenberg Farias, Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann, José Eduardo Cardozo, Jean Wyllys – Documentário – 140 minutos

UM VERDADEIRO EXERCÍCIO DE COMPREENDER NÃO APENAS O NOSSO PAÍS


Maria Augusta Ramos possui em seu histórico documentários que discutem o sistema judiciário brasileiro, como Justiça (2004) e Juízo (2007). Em “O Processo”, a diretora segue pelo mesmo caminho, por tratar o impeachment como algo que parte de um procedimento político-jurídico, permeado por um jogo repleto de brechas, onde reina a insuficiência de discursos imparciais, dado o recorte proposto, que investiga esse momento histórico do Brasil com certo comedimento, mas sem a omissão de sua visão política. Em seus primeiros minutos, o filme nos mostra a votação na Câmara dos Deputados sobre o desligamento da então presidente Dilma Rousseff, cujo processo de impeachment foi uma chantagem explícita de Eduardo Cunha, que mais tarde teria o seu mandato cassado pelo plenário da Câmara. A falta de apoio da oposição levou o político a ameaçar o Partido dos Trabalhadores a esse ponto, colocando a Chefe de Estado na linha dos bombardeios mais estrondosos, tendo como principal munição uma carga elevada do ódio mais inflamável. (Observatório do Cinema) 


A cineasta não busca grandes sacadas de montagem, nem a criação de efeitos poéticos, metafóricos, ou ainda a captação de imagens externas ao universo político. O espectador fica focado da primeira à última cena nos mesmos personagens, os mesmos corredores, criando uma exaustão pertinente ao circo de absurdos. A propósito, um político evoca “O Processo”, de Franz Kafka, no qual o personagem principal também é condenado sem crimes, num julgamento orquestrado e sem possibilidade de defesa justa. Com este projeto, Maria Augusta Ramos não traz revelações bombásticas sobre os bastidores da política nacional, nem apresenta imagens esteticamente deslumbrantes. Sua preocupação se encontra na articulação de uma quantidade imensa de informações de modo lógico, claro, e capaz de retratar ambos os lados sem caricaturar a oposição – embora tenha um posicionamento crítico evidente. Este é um cinema político assumido como tal, de vocação progressiva, libertária, de esquerda. Acima de tudo, é um cinema que acredita no valor da argumentação, elemento cada vez mais raro na sociedade e na mídia atualmente. (Bruno Carmelo – Adoro Cinema) 


A diretora Maria Augusta Ramos teve a difícil (para não falar iluminada!) tarefa de desenvolver um documentário que mostrasse a realidade e os bastidores do que levou ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, que durou de 2015 à agosto de 2016, de forma não-imparcial, afinal, sua visão para os fatos é única e exclusivamente para expressar o golpe de estado que o país sofreu e como foi articulado minuciosamente. Difícil e ousado, definitivamente. No fim das contas, “O Processo” se torna uma obra histórica, com toda sua contemporaneidade, daqueles filmes que serão exibidos nas escolas quando a hora certa chegar. E há de chegar. Afinal, a mentira tem perna curta e a verdade sobrevive através do tempo para ser documentada em um filme como este, que busca te fazer refletir, não apenas sobre a queda de um partido político, como muitos irão enxergar, mas também sobre a essência de um país. (Thiago Muniz – Cine Pop) 

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

INDEPENDÊNCIA OU MORTE – Brasil, 1972 – Direção Carlos Coimbra – elenco: Tarcísio Meira (D. Pedro I), Glória Menezes (Marquesa de Santos), Kate Hansen (Dona Leopoldina), Emiliano Queiróz (Chalaça), Manoel da Nóbrega (Dom João VI), Dionísio Azevedo (José Bonifácio), Heloísa Helena (Carlota Joaquina), Renato Restier (Barão de Mareschall), Anselmo Duarte (Gonçalves Ledo), Maria Cláudia (Amélia), Rubens Ewald Filho, Vanja Orico, Francisco Di Franco, José Lewgoy, Carlos Imperial, Flora Geny, Edson França, Sérgio Hingst, Milton Vilar, Rodolfo Arena, Clóvis Bornay, Lola Brah, Monique Lafond, Labanca, Abílio Pereira Almeida, Antonio Patiño, Carlos Miranda, Macedo Neto, Jairo Arco e Flexa, Waldir Fiori, Manoel Vieira, Victor Merinow, Roberto Ferreira, Tarcísio Meira Jr e muitos outros – 108 minutos

                             O GRITO QUE CONTINUA BRADANDO


Com um elenco espetacular, encabeçado por Tarcísio Meira e Glória Menezes e tendo como ponto de partida o dia da abdicação de D. Pedro I, é traçado um perfil do monarca, desde quando ainda menino veio da Europa, quando sua família fugia das tropas napoleônicas e sua ascensão a Príncipe Regente, quando D. João VI retornou para Portugal. Em pouco tempo a situação política torna-se insustentável e o regente proclama a independência, mas seu envolvimento extraconjugal com a futura Marquesa de Santos provoca oposição em diversos setores e José Bonifácio de Andrada e Silva pede demissão do Ministério, mas este não seria o único caso que ministros e nobres entrariam em choque com o imperador por causa da marquesa, que permanentemente influenciava as decisões do soberano, mas tudo isto causava um inevitável desgaste político.


Uma realização primorosa, com reconstituição de época impecável, tornando-se um dos grandes lançamentos no ano, na época, e arrecadando uma das maiores bilheterias da década. Foi feito de encomenda, para as comemorações do sesquicentenário (150 anos) da Independência do Brasil, em 1972. Foi um sucesso estrondoso, tornando-se um dos filmes brasileiros mais assistidos naquela geração. Um elenco grandioso, reunindo o que tinha de melhor naquele ano. Tarcísio Meira está esplêndido e Glória Menezes, impecável. Sem falar nas performances magníficas de Kate Hansen, Maria Cláudia, Anselmo Duarte, Dionísio Azevedo, Vanja Orico, entre outros.  Merece ser conferido e descoberto pelas novas gerações e revisitado pelos cinéfilos mais antigos. 


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

OITO MULHERES E UM SEGREDO (Ocean’s 8) EUA, 2018 – Direção Gary Ross – elenco: Sandra Bullock, Cate Blanchett, Anne Hathaway, Rihanna, Helena Bonham Carter, Sarah Paulson, Mindy Kaling, Awkwafina, Elliott Gould, Richard Armitage, Dakota Fanning, James Corden – 110 minutos

            QUANDO ELAS ENTRAM EM AÇÃO, O MUNDO SE TORNA PEQUENO





domingo, 26 de agosto de 2018

VISITANTES NA NOITE (De La Part Des Copains / Cold Sweat) França / Itália / Bélgica, 1970 – Direção Terence Young – elenco: Charles Bronson, Liv Ullmann, James Mason, Jill Ireland, Michel Constantin, Luigi Pistilli, Yannick Delulle, Jean Topart, Gabriele Ferzetti, Paul Bonifas, Sabine Sun – 94 minutos

Riviera Francesa!! Belo cenário para a vida... e para o túmulo de homens, fora-da-lei, que vivem este violento drama. 


O americano Joe Martin leva uma vida pacata no sul da França, trabalhando com o aluguel de barcos para turistas. Ele é casado com Fabienne, e tem uma filha de doze anos, Michèle. Mas o tranquilo homem tem um passado, durante a Segunda Guerra Mundial, que vem à tona inesperadamente, fazendo com que ele seja obrigado a trabalhar para um chefão do tráfico após ter sua esposa sequestrada. O filme também ficou conhecido por uma extensa perseguição de carros com um Opel Commodore GS / E 16 envolvendo a tentativa do personagem de Charles Bronson de levar um médico a um traficante ferido em troca de sua esposa. 


Charles Bronson estava no auge da carreira, quando fez este filme. Ele era a maior bilheteria do cinema francês na época, principalmente depois do sucesso estrondoso de “O Passageiro da Chuva” (Le Passager de la Pluie), de René Clément. Houve quem dissesse que “Os Visitantes na Noite” foi feito sob medida para a popularidade dele. Independente disso, ele era um ator muito talentoso e seus filmes eram sempre de qualidade, pelo menos nessa fase francesa. Para os saudosistas, é uma ótima oportunidade de ver ou rever esse angustioso suspense, de espantosa violência e vertiginosa ação; e para os mais jovens é muito válido descobrir esse período de um grande ator, que marcou profundamente toda uma geração. Um grande sucesso do cinema, que vale o ingresso!!   




quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A LIVRARIA (The Bookshop) Inglaterra / Espanha / Alemanha, 2017 – Direção Isabel Coixet – elenco: Emily Mortimer, Bill Nighy, Honor Kneafsey (Christine), James Lance, Patricia Clarkson, Hunter Tremayne, Frances Barber, Reg Wilson, Michael Fitzgerald, Nigel O’Neill, Jorge Suquet, Harvey Bennett (Wally), Lucy Tillett, Toby Gibson, Barry Barnes, Charlotte Vega, Franchesca McGill Perkins (Christine adulta), Mary O’Driscoll, Karen Ardiff, Julie Christie (narradora, somente voz) – 113 minutos

                      ENTRE LIVROS, NINGUÉM PODE SE SENTIR SOZINHO


Em uma primeira análise “A Livraria” se mostra um filme que aborda as questões feministas em relação a trabalho, remuneração e igualdade. Sim, estes temas estão todos ali, mas se tratam apenas de uma camada narrativa que dá ensejo a outras mais profundas. Percebendo mais detalhadamente, o longa metragem aborda de maneira sutil a solidão em suas diversas expressões. Primeiramente na própria Florence Green, que sai de um isolamento social para tentar se reerguer, mas acaba caindo em outro isolamento, este imposto à sua revelia. A solidão de Violet Gamart é traduzida em amargura e poder, o que se realiza com a humilhação de todos os que a cercam, inclusive seu marido, o General Gamart, um solitário que tenta parecer popular e autônomo enquanto está sempre à sombra de sua esposa. Milo North é o caso mais evidente de solidão, afinal não consegue manter seus relacionamentos e vive de ilusões para se auto enganar. Por fim, temos Edmund Brundish (Bill Nighy), o único solitário assumido, afinal ele escolhe essa condição justamente para se afastar de todas as mazelas e hipocrisias sociais que a pequena cidade oferece com fartura. (Tércio Strutzel – Cinéfilos Anônimos) 


Baseado no livro de Penelope Fitzgerald, “A Livraria”, foi adaptado para o cinema com a direção sublime da cineasta catalã, Isabel Coixet. Ela já foi chamada de cineasta globalizada, porque desde que estreou realiza os filmes em inglês e espanhol. O filme é recheado de atores de competência ímpar, com grande destaque para a pequena Honor Kneafsey, que interpreta Christine pré-adolescente, em uma atuação memorável. Ela é a única que realmente foi solidária à Florence Green (a protagonista, papel de Emily Mortimer). Outra menção honrosa é a participação da extraordinária Julie Christie, apenas como narradora, fazendo a voz de Christine já adulta. Esse belo e tocante filme é um primor de sensibilidade por abordar os sentimentos humanos com muita profundidade. Acredito que por isso teve boa repercussão na Europa, recebendo 11 indicações nos prêmios Goya (a maior premiação do cinema espanhol), e foi vencedor em três categorias importantes do prêmio: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Diretor e, o mais notável, Melhor Filme. (Atila Francis)


Esteticamente, o filme beira à perfeição. A cidade inglesa é fria, cinza e triste. Enquanto isso, as cores vão se mesclando de acordo com as peças e personagens, trazendo mais movimento para trama. O contraste entre as cores e o cinza faz da fotografia e do figurino grandes destaques no filme. Tudo isso faz de “A Livraria” um filme mágico, que promete fazer o espectador sonhar, mas sempre com os pés na realidade, já que o tom agridoce que segue o filme do início ao fim lhe salva de ser um conto de fadas. (Rodrigo Scharlack – Observatório do Cinema) 



domingo, 19 de agosto de 2018

CUSTÓDIA (Jusq’à la Garde) França, 2018 – Direção Xavier Legrand – Elenco: Léa Drucker, Thomas Gioria, Denis Ménochet, Jenny Bellay, Saadia Bentaïeb, Mathilde Auneveux, Mathieu Saikaly, Florence Janas – 93 minutos

  UM ELETRIZANTE SUSPENSE QUE PEGA O PÚBLICO PELA GARGANTA


O diretor e roteirista Xavier Legrand, através da mise en scène, cria rivalidade entre seus personagens centrais, como vemos logo no início no segundo plano numa audiência de custódia, com um homem e uma mulher opostos brigando pela guarda do filho enquanto nós, espectadores, nos colocamos em frente a eles, observando-os. O homem está cercado por outras mulheres – advogadas e juíza. A juíza, no centro, divide o casal que não se encara, com semblantes sisudos, impacientes pela indefinição que os cerca e que os mantém indesejavelmente juntos. É a abertura de um processo de análise subjetiva, cuja interpretação dos atores direciona nosso olhar. (Marcelo Leme – Cineplayers) 


E assim, Custódia se firma como um dos grandes destaques do cinema em 2018. Ousado, corajoso, forte, tenso e com um debate mais que necessário, o filme mostra como a vida real, quando bem retratada, pode ser tensa e angustiante na tela. Não precisa de explosões, efeitos especiais, roteiros rocambolescos. É só uma boa trama, bons atores e um grande diretor. E voilá, temos um dos melhores filmes do ano. (Matheus Mans – Esquina da Cultura)

“Custódia” é um suspense de primeira linha, que demonstra compreender todas as lições desse estilo, da tensão crescente, ao incrível trabalho de adesão psicológica. Aqui reside justamente a grande força do filme, essa indução da plateia de modo muito sutil, que desloca o espectador para um filme extremamente tenso e violento, um filme que chega a exaurir todas as forças de sua plateia. “Custódia” pode muito bem trazer todas as regras hitchcockianas, aliás cineasta que hoje tem um estilo reconhecido, mas sempre trouxe em sua fórmula autoral uma grande carga por transparecer real, para que passasse um sentimento de verdade em sua audiência. O longa francês opera da mesma maneira, envolve o espectador para colocar todos seus pontos, fazendo com que o drama de uma família se torne o do público, fazendo com que a tensão vista ali remeta a uma realidade fora da sala de cinema. (Giovanni Rizzo – Observatório do Cinema) 


Por fim, “Custódia” efetua uma alternância preciosa de pontos de vista: seria óbvio ficar apenas do lado dos sofredores, seria compreensível tentar dividir o tempo entre o pai e a mãe. Legrand encontra uma solução ainda mais ambiciosa ao se colar ora ao filho pequeno, ora ao pai, ora à mãe, ora à filha, numa alternância de aparente aleatoriedade, porém precisamente calculada para a progressão do suspense. No final, não existem monstros, e sim pessoas doentes, possessivas, que distorcem a noção de amor. O belíssimo filme francês retira dos relacionamentos abusivos a sua aura de fetichismo, de “excesso de amor” para revelar a gravidade do desmoronamento afetivo. (Bruno Carmelo – Adoro Cinema)