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sábado, 3 de março de 2018


                 O FILME DE GUERRA MAIS INTENSO E IMERSIVO DA HISTÓRIA


"Dunkirk" é um "tour de force" de arte e técnica cinematográfica, com uma grandeza ímpar e pouco vista no cinema. Baseado num evento histórico que consistiu na evacuação de soldados britânicos e franceses de Dunquerque, região no norte da França, conhecida como a Operação Dínamo, o filme é um eletrizante retrato de um dos mais cruciais momentos da Segunda Guerra Mundial. O diretor coloca uma lupa nesse evento da guerra e trabalha com uma verdade pouco vista nos filmes épicos. Normalmente vemos os filmes de guerra com personagens fortes, heroicos e com uma profundidade dramática muito grande, em vista daquele terror inacreditável que estão vivendo. Em “Dunkirk”, isso é completamente diferente, pois não apenas os personagens são totalmente anônimos, mas também mostra uma face da peleja muito cruel – o desespero. Os soldados da cidade de Dunquerque estavam sendo encurralados pelos inimigos, e as tropas europeias estavam tentando evacuar o local, porém as armadas germânicas estavam implacáveis, bombardeando os locais em que os soldados estavam concentrados. Há três pontos de vista diferentes. Um aviador (Tom Hardy), um civil que é convocado para resgatar os soldados daquele local e um soldado que busca voltar prá casa, após ter escapado do cerco da cidade. Nessas três variantes, o espectador acompanha um pouco do terror e das consequências que a guerra pode trazer. A maneira singular que o diretor faz a transição entre os mesmos acontecimentos, dos diferentes pontos de vista (terra, céu e mar), parece trazer o sentimento diferenciado que cada um mostra. 

Num filme com essa proporção, os efeitos sonoros trazem uma imersão bem importante para o espectador, mas o que se vê supera tudo o que já se viu nesse quesito. Em ambientes fechados, em ambientes abertos, os estampidos das armas de fogo são impressionantes e fazem crer que aquilo está realmente acontecendo. Há um medo coletivo, mas ele é solitário. A luta é entre países, mas a luta interna é muito mais cruel. Alguns filmes do gênero mostram o lado cruel e sombrio da guerra, mas poucos trabalham a vontade de continuar respirando, como “Dunkirk”. O filme mostra o lado visceral e a linha tênue entre covardia e desespero. O heroísmo não tem lugar, quando a sua vida está na mesa e muitas vezes, acabamos agindo por puro instinto, deixando de lado o certo e o errado. A lupa que o diretor coloca na vida das três pessoas, revela outro sentimento interessante – o ser humano mostra o seu melhor, nos momentos de maior dificuldade. Há autoralidade fílmica, pois como sempre há em cena os dois elementos que guiam a dramaturgia cinematográfica do diretor Christopher Nolan: culpa e necessidade de controle. Há uma mistura covalente de ambos no combustível afetivo que alimenta a fúria visual de "Dunkirk". Tenso, emocionante, profundamente envolvente e inesquecível, pode ser classificado entre os melhores filmes de guerra da década.


O diretor sempre está em busca de inovar a linguagem, ao mesmo tempo em que estimula o debate sobre questões cruciais. Em “Dunkirk”, Christopher Nolan diz claramente que ainda acredita na humanidade. É curioso, no entanto, ver uma produção de guerra “limpa”, sem sangue em demasia ou mutilações, obter forte impacto. Parte disso se deve à capacidade do roteiro de botar o espectador ali, junto, nesse episódio singular da Humanidade, que poderia ter outro destino. É um filme poderoso e maravilhosamente criado com uma história a contar, evitando pornografia de guerra em favor de algo desolado e apocalíptico. Talvez o melhor filme de Nolan até agora. Pode-se dizer que é uma obra-prima impressionista. É um filme de guerra como poucos, um dos que pode ser pintado sobre uma tela grande e expansiva, mas que transmite o todo através de momentos isolados, brilhantemente realizados e muitas vezes privados. A história é econômica e segura. Não existe um único momento desperdiçado, nem um detalhe desnecessário. Tudo é empolgante e necessário para a narrativa. Depois de “Amnésia” (2000); “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008) e “A Origem” (2010) o diretor Christopher Nolan continua surpreendendo com um cinema de fantasia. "Dunkirk", sem sombra de dúvida, é o melhor trabalho do cineasta. Sai a ficção e entra um espetáculo audiovisual realista como raras vezes o cinema produziu nos últimos anos. Espetacular e belo !!

                   INDICADO AO OSCAR 2018 PARA MELHOR FILME DO ANO

quinta-feira, 1 de março de 2018


LADY BIRD: É HORA DE VOAR (Lady Bird) EUA, 2017 – Direção Greta Gerwig – elenco: Saoirse Ronan, Laurie Metcalf, Tracy Letts, Lucas Hedges, Timothée Chalamet, Beanie Feldstein, Lois Smith, Odeya Rush, Jordan Rodrigues, Bayne Gibby, Stephen McKinley Henderson, Laura Marano, Paul Keller, John Karna – 94 min.

                                A MELHOR VERSÃO POSSÍVEL DE SI MESMA 

É inteligente sem ser pretensioso, perspicaz sem ser condescendente, engraçado sem ser de má fé e genuinamente comovente. É único e original e fresco e incrível, e dá para perceber que eu amei? (Richard Roeper – Chicago Sun-Times)

O competente roteiro de Greta entrega dezenas de belíssimas sequências, imagens que te transportam para a percepção do mundo da jovem, com todas as suas frustrações e criatividade para driblá-las. (Letícia Alassë – Cine Pop)

Você deve pensar que já viu tudo isso antes. Você provavelmente já viu, mas nunca dessa forma. O que a Gerwig fez - e de forma alguma é um pequeno feito - foi impor um dos gêneros mais convencionais e cor-de-rosa do cinema americano com inovação e surpresa. (A. O. Scott – New York Times) 


Lady Bird é um triunfo de estilo, sensibilidade e espírito. A menina no centro pode não ser influente, mas seu filme é épico. (Ann Hornaday – Washington Post)

Misturado com uma talentosa direção [...] o filme é uma vida real retratada nas telonas. São cenas simples, mas que trazem diálogos que soam como uma conversa familiar em um almoço de domingo, deixando o espectador "em casa" e familiarizado com todo o enredo. (Thamires Viana – CineClick)

Há uma sinceridade pungente em cada passo da personagem e dos que a norteiam, tornando as situações básicas do dia a dia divertidas e até engraçadas, mas nunca um cacoete de roteiro. É justamente a forma de Gerwig (Greta) lidar com a banalidade que torna tudo tão leve e interessante na mesma medida. (Matheus Bonez – Papo de Cinema) 


Lady Bird é um triunfo de estilo, sensibilidade e espírito. A menina no centro pode não ser influente, mas seu filme é épico. (Ann Hornaday – Washington Post)

Misturado com uma talentosa direção [...] o filme é uma vida real retratada nas telonas. São cenas simples, mas que trazem diálogos que soam como uma conversa familiar em um almoço de domingo, deixando o espectador "em casa" e familiarizado com todo o enredo. (Thamires Viana – CineClick)

Há uma sinceridade pungente em cada passo da personagem e dos que a norteiam, tornando as situações básicas do dia a dia divertidas e até engraçadas, mas nunca um cacoete de roteiro. É justamente a forma de Gerwig (Greta) lidar com a banalidade que torna tudo tão leve e interessante na mesma medida. (Matheus Bonez – Papo de Cinema) 


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

A GRANDE JOGADA (Molly’s Game) EUA, 2017 – Direção Aaron Sorkin – elenco: Jessica Chastain, Idris Elba, Kevin Costner, Michael Cera, Brian D’Arcy James, Chris O’Dowd, Bill Camp, Graham Greene, J. C. Mackenzie, Jeremy Strong, Matthew D. Matteo, Joe Keery, Natalie Krill, Claire Rankin, Madison McKinley, Angela Gots, Khalid Klein, Victor Serfaty, Jon Bass – 140 minutos

A cinebiografia de uma personagem feminina poderosa e marcante, que representa toda a resistência e capacidade de superação das mulheres


"A Grande Jogada" é um baita filme, com um dinamismo incrível e uma história eletrizante [...] De quebra, traz uma esplêndida performance de uma atriz que dispensa comentários e uma estreia brilhante de um cineasta que, a julgar por este título, tem ainda muito a oferecer ao cinema. (Davi Gonçalves – Ccine 10)

Poucos atores no planeta conseguem trocar de engrenagem sem esforço como Chastain, que perfeitamente captura o jeito de camaleão da Molly para se adaptar às situações e racionalizar sua pior atitude. (Richard Roeper – Chicago Sun-Times) 


"A Grande Jogada" entrega um dos maiores papéis femininos do cinema - um drama denso, dinâmico e compulsivamente divertido, cujo protagonismo faz um uso espetacular do talento absurdo de Jessica Chastain. (Peter Debruge – Variety)

Como a maioria das obras do gênero biográfico, “A Grande Jogada” não traz nada de novo no que diz respeito a formato e desperta curiosidade justamente por se tratar de uma história real, mas ganha pontos por não cair na pieguice... (Raíssa Rossi – Almanaque Virtual) 


Extremamente racional, a protagonista de Chastain traça um plano e parte em busca do objetivo, com a voracidade de um predador que sabe o que quer. Molly usa de todos os artifícios que pode, incluindo a sensualidade extrema, reforçando o ditado “pode olhar, mas não tocar”. (Pablo R. Bazarello – Cine Pop)

"Molly’s Game" é uma divertida jornada sobre sucesso e fracasso, sobre como é possível ter tudo e no instante seguinte ficar sem nada. Muito como o jogo que fez a fortuna e a desgraça de Molly Bloom, Sorkin constrói um filme sobre as possibilidades e combinações que determinam histórias de vida. (Natália Bridi – Omelete)  


É seguro afirmar que o filme contém mais narração do que qualquer outro já feito de Hollywood. [...] Sorkin entretém e faz você se inclinar para absorver todos os detalhes da sua história inusitada, que inclui um elenco incrível para ajudá-la a ser contada. (Todd McCarthy – The Hollywood Reporter)

A caneta estilo-espada de Sorkin continua a manter o longa envolvente, sua aptidão por falas únicas e diálogos absurdamente detalhados permanece eloquentemente afinada. (Kevin Jagernauth – The Playlist)

Veloz, afiado, com estilo e espírito difícil, esse drama cativante baseado em fatos reais, sobre uma jovem mulher que em algum ponto era a dona do jogo de poker mais lucrativo do mundo, vale ser recomendado só para ver sua protagonista, Jessica Chastain, no auge de sua mais controladora e fria atuação. (Ann Hornaday – Washington Post) 



domingo, 25 de fevereiro de 2018

TRAMA FANTASMA (Phantom Thread) EUA, 2017 – Direção Paul Thomas Anderson – elenco: Daniel Day-Lewis, Vicky Krieps, Lesley Manville, Sue Clark, Joan Brown, Gina McKee, Camilla Rutherford, Harriet Leitch, Ingrid Sophie Schram, Brian Gleeson, Maryanne Frost, Ellie Blackwell, Zarene Dallas, Philip Franks, Dinah Nicholson, Julie Duck, Amy Cunningham, Amber Brabant, Geneva Corlett, Juliet Glaves – 130 min.

                      NADA É O QUE PARECE!! ARREBATADORAMENTE BELO!!! 


Absurdamente prazeroso de assistir e ouvir, uma demonstração sem esforços de elegância da direção de fotografia e figurino até os personagens e o que eles dizem. (Ty Burr – Boston Globe)

À primeira vista, a estranheza cativante do humor e da elegância no roteiro são prováveis de manter sua atenção, mas depois você pode voltar para saborear as cores luxuosas, as performances polidas e o mistério romântico que mantém tudo unido. (A. O. Scott – New York Times)

Anderson criou um drama de época com uma surpreendente tonalidade fluida, e Daniel Day-Lewis e Vicky Krieps entregam performances reservadas que lentamente revelam significado profundo, transcendendo o potencial cliché do material para atingir algo muito além e mais misterioso sobre desejo, ambição e controle. (Tim Grierson – Screen International)


Com um notável refinamento – os impecáveis figurinos e direção de arte, a fotografia em 35 mm, as belíssimas peças ao piano da trilha sonora de Jonny Greenwood – "Trama Fantasma" surpreende ainda pela utilização, igualmente elegante, do humor. (Leonardo Ribeiro – Papo de Cinema)

É curioso ver um filme como “Trama Fantasma” nessa temporada de premiação, é quase um recado dado a todos os concorrentes, como se indagasse quais são seus reais interesses, o que realmente diz seu pensamento conceitual e formal, porque tudo isso é sobre aparências e o que existe além delas. Paul Thomas Anderson faz uma obra instigante, sinuosa e dissimulada nos melhores dos sentidos, uma obra que se diferencia numa produção onde tudo está sempre tão dado, Trama Fantasma é um filme sobre o prazer de esconder o jogo e o prazer de descobrir como revelá-lo. (Giovanni Rizzo – Observatório do Cinema)

Reynolds conhece Alma, apaixona-se e é correspondido, e a dinâmica que os dois estabelecem poderia, pelo hábito, seguir uma lógica de Pigmalião: Reynolds toma a humilde Alma como musa e a molda à sua semelhança. Trama Fantasma se recusa a se acomodar nessa expectativa, porém, e o filme de Paul Thomas Anderson se desenrola como um atraente exercício pendular de jogos de poder. (Marcelo Hessel – Omelete.com.br)


Se "Trama Fantasma" não é exatamente um triunfo narrativo, ele ainda consegue entregar, principalmente como uma evocação assombrada de entusiasmo, apetite e busca pela estética como seu campo mais raro. (Ann Hornaday – Washington Post)

Belo e surpreendente, “Trama Fantasma” é fantástico, apesar de difícil. Sua trama incomum gera muitas reflexões e incomoda quase constantemente, afinal apresenta um dos romances mais bizarros que você vai ver no cinema. E se você sair do filme sem saber ao certo se gostou, não se desespere, essa é a intenção, mas conforme você analisa cada detalhe, perceberá que tudo fica ainda melhor. (Daniel Reininger – Cineclick) 



sábado, 24 de fevereiro de 2018

THE POST: A GUERRA SECRETA (The Post) EUA, 2017 – Direção Steven Spielberg – elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson, Bob Odenkirk, Tracy Letts, Bradley Whitford, Bruce Greenwood, Matthew Rhys, Luke Slattery, Alison Brie, Carrie Coon, Jesse Plemons, David Cross, Zach Woods, Jessie Mueller, Stark Sands, Rick Holmes, John Rue, Michael Stuhlbarg, Coral Peña, James Riordan – 116 minutos

                 INCRIVELMENTE TENSO E IMPLACAVELMENTE DRAMÁTICO


O novo filme de Steven Spielberg é contado através dos olhos de Ben Bradlee (Tom Hanks), redator chefe do jornal que vê nesse conflito um possível grande passo na sua carreira, percebendo que pode fazer história em relação a sua profissão. E também pelos olhos de Kay Graham (Meryl Streep), que após anos vendo o jornal ser comandado por seu pai e depois marido, agora vê o The Post sob seu comando, tendo que aprender a lidar com o jogo e desfazer seu pacto com o típico papel de dama da alta sociedade. Muito aclamado e elogiado, vamos conferir o que dizem os especialistas em cinema:

The Post é um retrato jornalístico e político consciente sobre o que fala e como se falam, jamais deixando de lado sua própria linguagem cinematográfica para exemplificar seus discursos e todo o retrato histórico que lhe ronda. Mais um ponto para Spielberg. (Rafael Oliveira – Plano Crítico) 


Em The Post, Spielberg o filma como também fazia John Ford, diretor de clássicos como “No Tempo das Diligências” e “Como Era Verde Meu Vale”; seus personagens são tridimensionais, falhos, mas também a representação de um ideal. O “The Post” é acossado pelo que não consegue definir, mas sabe o que tem que combater. (Bernardo Brum – Cineplayers)

“The Post: A Guerra Secreta” não é apenas um thriller jornalístico, mesmo que a tensão excitante e o suspense crescente ao ver aqueles homens e mulheres em busca dos arquivos do governo americano seja extremamente empolgante e envolvente, o longa busca na verdade uma conexão e aproximação com a realidade do espectador. (Giovanni Rizzo – Observatório do Cinema) 

Em seu núcleo, The Post é sobre a liberdade de expressão da imprensa, uma das leis sob as quais a América foi fundada. E a vontade de Spielberg em querer relatar esta história específica, hoje, aos 71 anos de idade, mostra que o cineasta continua antenado com questões extremamente urgentes e fervorosas. (Pablo Bazarello – Cine Pop)  
Meryl Streep dá (mais) um show de interpretação vivendo uma personagem fascinante e tendo uma química fenomenal com Tom Hanks. Responsável pela direção, Steven Spielberg faz um trabalho refinado, entregando uma produção que vai além do óbvio. (Diogo Rodrigues Manassés – Cinema com Rapadura) 
Com Meryl Streep em boa forma em uma personagem que é maior que sua atuação e Hanks como um competente parceiro, The Post é um filme importante não só na era Trump, mas para melhor entender a complexidade que é ser jornalista. Um belo filme, que deveria ser exibido em toda e qualquer faculdade de Jornalismo. (Francisco Russo – Adoro Cinema)
Depois de "Lincoln" e "Ponte dos Espiões" (também estrelado por Tom Hanks), "The Post - A Guerra Secreta" marca o fim de uma trilogia informal - vamos chamá-la de "trilogia cívica" - que usa lições da História para sublinhar a visão de Spielberg sobre os valores modernos dos Estados Unidos. (Matt Singer – ScreenCrush) 

"The Post - A Guerra Secreta" se apresenta nostalgicamente não apenas como um libelo pela liberdade de imprensa mas principalmente como uma defesa de instituições. Não é por acaso que tanto a esquerda quanto a direita americana o recebam bem. (Marcelo Hessel – Omelete)
O filme é uma história pequena sobre publicar ou não algo em um jornal local. Poderia ser um drama simples sobre o dia-a-dia de uma redação, com menos impacto, mas Spielberg transforma uma história simples em algo épico e grandioso. (Daniel Reininger – Cineclick)  
Vemos a liberdade de imprensa, o poder da verdade em conflito com os interesses governamentais, o empoderamento feminino, o comercial em conflito com o editorial de uma redação, além dos bastidores da investigação jornalística, tornando assim a obra uma verdadeira ode ao jornalismo. (Kadu Silva – Ccine 10)


CELEBRA SEU SIGNIFICADO E MERGULHA NA NOSTALGIA DOS DIAS DE GLÓRIA DO JORNALISMO


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

SEM AMOR (Nelyubov / Loveless) Rússia, 2017 – Direção Andrey Zvyagintsev – elenco: Matvey Novikov (Alyosha), Maryana Spivak, Aleksey Rozin, Marina Vasileva, Andris Keiss, Aleksey Fateev,  Sergey Borisov, Natalya Potapova, Anna Gulyarenko, Artyom Zhigulin, Maksim Solopov, Sergey Badichkin – 127 minutos

UMA CRIANÇA DESAPARECIDA. UM CASAMENTO DESTRUÍDO. UM PAÍS EM CRISE.


Indicado ao Oscar 2018 na categoria Melhor Filme Estrangeiro “Sem Amor” (Nelyubov / Loveless) vem colecionando aplausos por onde passa. Vejamos o que a crítica de forma geral vem avaliando:

Com uma proposta simples, este é um daqueles filmes que pode ser melhor aproveitado sem qualquer bagagem através de trailers ou algumas sinopses que entregam mais do que o necessário. É um filme pesado e bastante pessimista que procura debater temas sobre família e, por falta de uma definição melhor e para deixar um pouco das surpresas do filme intactas, o peso de nossas ações e o efeito que causamos em quem mais amamos, seja por negligência ou pura insatisfação. Este é facilmente um dos filmes mais atraentes que já assisti e a direção de fotografia é impecável e cheia de planos bem abertos em locais que representam bem a aura de abandono e melancolia. É um espetáculo intensificado pela composição musical aterrorizante da dupla Evgueni e Sasha Galperine e a entrega dramática do elenco. O filme marca o primeiro trabalho de Matvey Novikov, o que não o impede de surpreender com o olhar desolador, mas é em Maryana Spivak onde encontramos um personagem tão genuíno e complexo que fica difícil assistir sem simpatia ou condenação. É um longa provocante que não tem medo de botar o dedo na ferida de muitas relações, seja entre pais e filhos ou aqueles que acabaram fazendo parte deste meio mesmo sem querer. Sem Amor pode ser moroso e depressivo, mas também é belíssimo e não deixa de ser uma experiência inesquecível e facilmente um dos melhores que você vai assistir esse ano. (Roberto Honorato – Plano Crítico) 


Loveless é um filme poderoso, com imagens fortes e simbólicas, como aquela em que vemos Boris desolado, chorando encostado em uma parede deteriorada que reflete o estado emocional no qual se encontra – seja na relação com Zhania ou Alyosha- até o plano que talvez seja o mais assustador e marcante da obra: a de Alyosha (Matvey Novikov, sensacional) chorando descontroladamente, enquanto a porta do banheiro se fecha – revelando que ele esteve presente durante uma discussão de seus pais. (Cauê Petito – cinemaçao.com.br)

Sem Amor cria um universo onde nenhum adulto presta, onde ninguém exprime algum valor. Os novos relacionamentos dos pais já parecem fadados ao fracasso, celulares são sempre presente nas cenas, sempre distraindo os personagens daquilo que de fato é importante, ou sendo um espelho para inúmeras selfies – o amor só pelo próprio eu. Exemplo máximo disso é uma sequência num restaurante de luxo em Moscou, onde todas as mesas são marcadas por uma qualidade negativa, a mulher num encontro que flerta com o garçom, moças jovens que só se preocupam com sua aparência numa foto coletiva, as pessoas obcecadas pelas fotos de seus pratos e a câmera está no corpo, no ponto de vista do garçom, ou seja, fora desse mundo, colocando como uma visão que não faz parte dessa sociedade sem amor. (Giovanni Rizzo – Observatório do Cinema)


Aclamado pela crítica e vencedor do prêmio do Júri no Festival de Cannes, “Loveless” é um tapa na cara das relações familiares e da frieza humana. Já é um dos melhores filmes do ano. De nenhuma forma será injusto se vier a vencer o Oscar de melhor filme em língua estrangeira. É profundo, impactante e possui uma profunda mensagem a ser transmitida: as consequências da ausência dos pais na vida de um filho. Assim como seu concorrente The Square – A Arte da Discórdia, é outro filme que oferece aos cinéfilos a ótima oportunidade de conhecer o cinema estrangeiro e suas características únicas. (João Pedro Accinelli – Cinematecando)


 “Sem Amor” é admirável em diferentes níveis. Em como usa de várias funções narrativas para contar sua história. Em como é cuidadoso tecnicamente e se apropria de cada um de seus extraordinários quadros para dizer algo, ao passo que usurpa da beleza plástica dessas imagens a fim de estabelecer um filme visualmente arrebatador. O desconforto de sua trama e as várias cenas que se delongam extravasam a sensação psicológica de seus personagens, largados à própria vaidade que os coagulam em amargurado egoísmo. (Marcelo Leme – Cineplayers) 


“Sem Amor” é um filme pesado e cheio de alegorias para abordar problemas centrais na sociedade russa, mas possui elementos que podem ser reconhecidos por praticamente qualquer sociedade ocidental também. Como representante russo ao Oscar, é um dos fortes concorrentes ao maior prêmio do cinema de forma justa. (Daniel Reininger – Cineclick)


Fazendo jus às belas imagens iniciais, que trazem árvores secas como as vidas dos personagens, “Loveless”  é uma obra mergulhada em dor e arrependimento, mas que compreende que há pessoas incapazes de mudar mesmo depois das mais terríveis experiências. Para completar, poucos planos no Cinema este ano terão a força daquele que traz uma criança chorando silenciosamente atrás da porta enquanto escuta seus pais planejando descartá-la. E ainda não sei dizer o que é mais comovente: seu choro solitário ou que tenha aprendido a escondê-lo. (Pablo Villaça – Cinema em Cena) 



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

ROMAN J. ISRAEL, ESQ. (Roman J. Israel, Esq.) EUA, 2017 – Direção Dan Gilroy – elenco: Denzel Washington, Colin Farrell, Carmen Ejogo, Lynda Gravatt, Amanda Warren, Hugo Armstrong, Sam Gilroy, Tony Plana, DeRon Horton, Amari Cheatom, Niles Fitch, Elisa Perry, Jocelyn Ayanna – 122 minutos 

O novo filme de Denzel Washington está dividindo opiniões. Alguns consideram esse um dos melhores trabalhos do ator, outros criticaram a duração e a performe dele tida como apenas mediana. Pelo sim ou pelo ano, o filme é uma obra que merece admiração e questionamentos. A seguir o que estão falando do filme:    


Dan Gilroy, responsável pelo excelente “O Abutre”, dirige e roteiriza o filme e emprega uma grande parte do tempo de projeção para estabelecer a personalidade de Roman. É nesse mais de um terço de filme (diria talvez até a metade) que não é particularmente curto, que Denzel Washington tem seu espaço para brilhar nessa delicada construção de personagem que começa afastado de tudo e de todos, praticamente uma ilha em meio ao selvagem mundo jurídico moderno, mas que, aos poucos, vai abrindo espaço para a vida como ela é e não como ele acha que deveria ser. Ele começa um hesitante relacionamento platônico com a advogada ativista de direitos civis Maya Alston (Carmen Ejogo) e mantém uma contenciosa amizade com George Pierce (Colin Farrell) ao longo de quase uma hora de projeção que não nos deixa sequer entrever o objetivo de Gilroy além de permitir uma performance diferente e oscarizável para Denzel Washington. (Ritter Fan – Plano Critico) 


Tentando continuar no mesmo ritmo de “O Abutre”, “Roman J.Israel, ESQ” tem pontos parecidos com o filme citado. A trama envolve uma profissão de peso na sociedade, no caso a de advogado, é algo atual e coloca Denzel Washington em um dos grandes papeis de sua carreira já brilhante. (Victor Martins – Cinematologia)

É um filme refém da fórmula, mas Gilroy consegue conferir um “algo a mais”. Ele dá mais vida e complexidade do que se espera. (David Edelstein, The New York Times)


Roman é um personagem fantástico. O desempenho de Denzel Washington é um dos mais ousados e interessantes da sua carreira. (Owen Gleiberman – Variety)

O filme consegue dimensionar o ímpeto apaixonado do seu protagonista, mas na medida em que ele começa a se desiludir com as coisas a história acaba seguindo o mesmo caminho (Eric Kohn – IndieWire)

É uma ótima oportunidade para Denzel Washington exercitar um tipo diferente de personagem. (Edward Douglas – Den of Geek)

Denzel Washington (indicado ao Oscar 2018 na categoria Melhor Ator do Ano) apresenta outra sólida interpretação em sua carreira e o filme se compromete com caminhos bastante contundentes.