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domingo, 8 de abril de 2018

JOGADOR Nº 1 (Ready Player One) EUA, 2018 – Direção Steven Spielberg – elenco: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, Mark Rylance, T. J. Miller, Simon Pegg, Philip Zhao, Win Morisaki, Hannah John-Kamen, Ralph Ineson, Susan Lynch, Perdita Weeks – 140 minutos

                              UMA AVENTURA MUITO ALÉM DO MUNDO REAL 


Como um dos maiores representantes de Hollywood, Spielberg é quem melhor estabeleceu a tradição do cinema americano, com “Tubarão” (1975); “E.T. – O Extraterrestre” (1982); “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida” (1981); “Jurassic Park” (1993) “A Lista de Schindler” (1993) e “O Resgate do Soldado Ryan” (1998) – fenômenos de bilheteria que se tornaram grandes clássicos –, e é desse conjunto de filmes que se aproxima seu novo trabalho, “Jogador Nº 1”.

O filme constrói uma narrativa de gamificação que se revela muito melhor do que qualquer adaptação já vista de títulos de videogames. O tal Easter Egg do enredo é, claramente, um MacGuffin cinematográfico – um objeto que motiva toda a ação –, mas toda a jornada do protagonista é feita de desafios, missões e provações que mantêm os espectadores entretidos. A ambientação do universo de Oasis é também de encher os olhos, com cenários bonitos e ricos em detalhes, com muitas referências à cultura pop, além de contar com ótimas sequências de ação. Menção honrosa para uma corrida alucinante de carro pelas ruas de uma Nova York virtual, logo no início, uma sequência espetacular.


Em um futuro desordenado, onde a pobreza e a falta de recursos impera, uma realidade virtual se torna a fuga perfeita para bilhões de pessoas ao redor do Globo. O Oasis é um verdadeiro universo onde você pode ousar ser quem quiser e fazer o que bem entender, desde que possa bancar por isso. Wade Watts (Tye Sheridan) é um adolescente que, assim como o resto dos usuários do sistema, sonha em ficar “triliardário” com a fortuna deixada pelo criador nerd do jogo, James Halliday (Mark Rylance), em uma espécie de caça ao tesouro, onde quem encontrar as três chaves escondidas, automaticamente torna-se o novo dono da empresa que o suporta. Ao mesmo tempo, a rica e poderosa IOI, com seu ambicioso patrono Sorrento (Ben Mendelsohn), fazem de tudo para chegar ao prêmio e comandar essa realidade paralela de uma forma que lhes tragam ainda mais lucro.


O filme faz alusão e homenagem a vários filmes famosos, como por exemplo “Clube dos Cinco” (1985); “Curtindo a Vida Adoidado” (1986); “Clube dos Cafajestes” (1978); “Os Embalos de Sábado à Noite (1977); A Trilogia “De Volta Para o Futuro” (1985, 1989 e 1990); “O Gigante de Ferro” (1999); “King Kong (2005); “Jurassic Park” (1993); etc. Mas quem ocupa o maior dos lugares é o diretor Stanley Kubrick, com uma homenagem espetacular ao clássico “O Iluminado” (1980), com sequências de tirar o fôlego. “Jogador Nº 1” é um dos grandes filmes do ano e vale o ingresso. Obrigatório!!


sábado, 7 de abril de 2018

ATRAVÉS DE UM ESPELHO (Sasom i em Spegel) Suécia, 1961 – Direção Ingmar Bergman – elenco: Harriet Andersson, Gunnar Björnstrand, Max von Sydow, Lars Passgard – 89 minutos

DRAMA PSICOLÓGICO INTENSO E FORTE EM QUE BERGMAN DISSECA O PROCESSO DE DEGRADAÇÃO DE UMA FAMÍLIA 


Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, esta obra-prima do aclamado cineasta sueco, é uma de suas obras imortais e o início da “Trilogia do Silêncio”, formada ainda por “Luz de Inverno” (1962) e “O Silêncio” (1963).  Quatro personagens estão em uma ilha. Karin (Harriet Andersson, em magnífica interpretação), seu esposo Martin (Max von Sydow), seu pai David (Gunnar Björnstrand) e seu irmão Minus (Lars Passgård, em seu primeiro filme). Eles comemoram o retorno da jovem após ser liberada de um tratamento no hospital — ela sofre de uma desordem mental normalmente identificada como esquizofrenia, mas existem outros comportamentos psicológicos desordenados que podemos ler a partir dela — e também o fato de David retornar da Suíça, após isolar-se para escrever seu novo livro. Ele é um homem egoísta, que praticamente abandona os filhos. Está escondendo deles sua mediocridade como escritor, pai e ser humano. Não compartilha da vida deles, renega-lhes atenção, isola-se, sendo que muitas vezes se assusta com o próprio egoísmo e os efeitos perversos que suas atitudes causam.


“Através de um Espelho” é um trabalho nunca menos que brilhante, criando uma aura especial para os ambientes que se passavam no entardecer e à noite – Bergman não tinha à mão os artifícios que existem hoje para externas no período noturno. Uma questão muito interessante para ser analisada e mencionada é o título do filme, que em sueco (ou seja, na língua original na qual o filme foi rodado) refere-se a uma passagem bíblica. Este aspecto é curioso porque uma das marcas mais notáveis na grandiosa carreira de Ingmar Bergman, é justamente a religiosidade. O cineasta usou esta temática de maneira muito profunda e simbólica em mais de uma obra. Saber disso, por certo pode ajudar a compreender melhor e analisar mais atentamente sua carreira, além de possibilitar leituras mais completas de suas produções.


“Através De Um Espelho” foi rodado na Ilha de Farö, localizada na costa da Suécia. Este mesmo cenário foi usado pelo cineasta para outras filmagens e tornou-se um dos marcos da filmografia do diretor. Nesta obra, o ambiente é de grande importância, pois a natureza da ilha e a maneira crua e honesta através da qual Bergman manuseia a câmera, integram-se e resultam num potente senso de realismo que irá permear e configurar a atmosfera do filme, do começo ao fim. Este realismo, por sua vez, pode perturbar os espectadores pela maneira como é genialmente arquitetado pela sabedoria e talento de Bergman. É impossível não ser afetado pelo excelente roteiro. A parte técnica também colabora para que o filme atinja em cheio o espectador. A fotografia se destaca pelas imagens poéticas e pela iluminação. Para completar, a trilha sonora de Bach soa melancólica e hipnótica, aumentando ainda mais o tom dramático do que se vê. Isso tudo permite que o diretor discuta temas mais grandiosos, como um preocupante vazio existencial do ser humano e a presença ou não de um poder maior ao redor do espectador. Poderoso, pujante, obrigatório e belo!! Uma verdadeira obra-prima!!

                                    EM 2018 - 100 ANOS DE INGMAR BERGMAN

quarta-feira, 4 de abril de 2018

THELMA (Thelma) Noruega, 2017 – Direção Joachim Trier – elenco: Eili Harboe, Kaya Wilkins, Henrik Rafaelsen, Ellen Dorrit Petersen, Grethe Eltervag, Anders Mossling, Vanessa Borgli, Steinar Klouman Hallert, Ingrid Giaever, Oskar Pask – 116 min.
UM FILME INTELIGENTE E ENIGMÁTICO, QUE DISCURSA DE FORMA ‘SUI GENERIS” E COM ELEGÂNCIA

“Thelma” é a nova produção do cineasta dinamarquês Joachim Trier, responsável por dramas cult, como “Oslo, 31 de Agosto” (2011) e “Mais Forte que Bombas” (2015). Desta vez, o diretor se aventura pelo cinema de gênero, criando uma obra enigmática, tensa e recheada de ideias subliminares. Sem se encaixar adequadamente em um gênero específico, o diferenciado filme bebe de fontes clássicas do suspense/terror para defender uma causa e/ou criticar um grupo em um texto metafórico O filme é também uma grande analogia para a busca pela liberdade, por se ver livre de figuras opressoras, mesmo que sejam pessoas próximas a quem amamos, como nossos pais – muitas vezes sequer percebendo o mal que fazem na vida de seus filhos.

A abertura e o encerramento do filme têm planos parecidos, com efeitos que ficam claros e batem cada vez mais forte na memória. Um plano aéreo sobre o campus de uma faculdade, que se aproxima no início e se afasta no fim. A mensagem, dada a trama que se desenrola, parece explicitar a natureza diversa que a distância traz, ao mesmo tempo difusa e ampla. Seres humanos são todos iguais de longe e deveriam assim também o ser de perto, independente do que os faz únicos. O diretor então deixa claro de cara que se trata de igualdade sua empreitada pós “Mais Forte que Bombas”, mas conforme a trama avança duas coisas ficam claras: a primeira é que o filme usará uma certa sobrenaturalidade para discutir a aceitação, inclusive a própria; a segunda é que ritmo não é uma arma utilizada somente pelo cinema americano, tendo em vista justamente a carreira de Trier na Noruega. Pois se sobra um conceito de igualdade em Thelma, falta um propósito que vá além da mensagem.


De uma forma discreta, “Thelma” é um filme muito inteligente, cujo ácido e perspicaz desfecho permite extrair ao menos duas mensagens evidentes – para além, é claro, das subliminares. O filme é protagonizado por uma jovem norueguesa que se muda para a capital para estudar, afastando-se de seus pais. Porém, sua nova rotina é rapidamente abalada por uma paixão e por seus enigmáticos poderes sobrenaturais. Já do enredo é possível concluir: é um filme que não se encaixa adequadamente em gênero algum. O diretor Joachim Trier é certeiro ao fincar sua obra no fenômeno da miscigenação dos gêneros, não se podendo rotular adequadamente a produção em nenhum deles, já que existem momentos de drama, romance, ficção e horror. “Thelma” foi o representante da Noruega por uma vaga na categoria de melhor filme estrangeiro no Oscar 2018.


domingo, 1 de abril de 2018

A ESTRELA DE BELÉM (The Star) EUA, 2017 – Direção Timothy Reckart – Com as vozes de Steven Yeun, Keegan-Michael Key, Gina Rodriguez, Aidy Bryant, Zachary Levi, Christopher Plummer, Ving Rhames, Gabriel Iglesias, Kelly Clarkson, Anthony Anderson, Mariah Carey, Patricia Heaton, Kris Kristofferson, Kristin Chenoweth, Oprah Winfrey, Tyler Perry, Tracy Morgan, Joel Osteen – 86 minutos 

            UMA VERSÃO ANIMAL DA HISTÓRIA MAIS BONITA DO MUNDO

É feliz em narrar os mesmos preceitos já encontrados nas tradições cristãs, ao mesmo tempo em que consegue oferecer uma trama leve e divertida, ocupando-se mais na construção de simpáticos personagens do que em transmitir uma mensagem forçada. (Robledo Milani – Papo de Cinema)  


Maria precisa chegar até Nazaré para o censo daquela época. Nesse caminho, feito junto com José e seu filho que carrega na barriga, eles contam com a ajuda (ou as trapalhadas) de Bo, um burrinho bem simpático. O filme é uma adaptação livre do nascimento de Jesus pelos olhos de personagens bem diferentes.


Não é ótimo, de forma nenhuma, mas "A Estrela de Belém" tem qualidades suficientes para que alguns espectadores que procuram uma diversão familiar baseada na fé, com a aproximação da Páscoa, provavelmente digam: "Amém". (Jane Horwitz – Washington Post)



sexta-feira, 30 de março de 2018

O FILHO DE DEUS (Son of God) EUA, 2014 – Direção Christopher Spencer – elenco: Diogo Morgado (Jesus), Darwin Shaw (Pedro), Roma Downey (Maria, mãe de Jesus) , Sebastian Knapp (João), Amber Rose Revah (Maria Madalena), Joe Wredden (Judas), Greg Hicks (Pôncio Pilatos), Simon Kunz (Nicodemus), Joe Coen (José), Leila Mimack (jovem Maria), Fraser Ayres (Barrabás), Anas Chenin (Lázaro), Daniel Percival (João Batista), Idrissa Sisco (Simão Cirineu), Noureddine Aberdine (José de Arimatéia), Sana Mouziane (Martha), Patrice Naiambana (Balthazar) – 138 min

                          O IMPÉRIO ERA DELES... O REINO ERA SEU


A vida de Jesus Cristo já foi contada inúmeras vezes pelo Cinema, e sob as mais variadas interpretações. Desde o didatismo minucioso de “Jesus de Nazaré” (1977), com mais de cinco horas de duração e dirigido por Franco Zeffirelli, até a sanha violenta de Mel Gibson em “A Paixão de Cristo” (2004). Em “O Filho de Deus” (2015), dirigido pelo estreante no cinema Christopher Spencer, a proposta é oferecer ao público cristão um relato convencional do Novo Testamento. Ou seja, não é preciso temer interpretações dúbias ou ousadas. A proposta aqui é acompanhar a vida de Cristo (Diogo Morgado) a partir dos relatos de João (Sebastian Knapp), narrador da história. Após uma breve passagem por fatos marcantes do Velho Testamento, como a gênese, Moisés e Abraão, a narrativa logo salta para Jesus já adulto. 


“O Filho de Deus” é o típico filme bíblico feito para fieis. A ideia é mostrar de forma glorificada as ações e o sofrimento de Jesus, sem tentar uma nova visão dos textos do livro sagrado. Quem não é religioso deve ter dificuldades para aguentar as mais de duas horas de duração; mas, quem acredita piamente nas Escrituras Sagradas vai ser capaz de tirar algo positivo do filme.

Fica bastante claro que há uma boa pesquisa histórica por trás da produção e, num ano de épicos bíblicos como se mostrou 2014, é natural que os produtores conseguissem financiamento para levar algo assim adiante. Portanto, quando falamos da colocação das personalidades históricas, de Herodes a Pilatos, temos uma correta inserção política e de atitude em cena, bem como todo o figurino romano, real ou cerimonial, com exceção dos figurantes, que aparecem vestindo ou usando coisas que não seriam inventadas ou usadas pelo menos até final do século I d.C. A atriz inglesa Roma Downey é uma das produtoras e faz o papel de Maria. Seus closes e olhares marejados sempre são emoldurados por um belo manto azul – destacando o rosto da atriz. Enquanto, Maria Madalena (Amber Rose Revah) sempre aparece desprovida de qualquer traço de beleza. Aliás, aqui, estranhamente é chamada apenas de Maria. É só mais um dos paradoxos de um filme feito para ser lançado numa Sexta-Feira Santa.

quinta-feira, 29 de março de 2018

ÚLTIMOS DIAS NO DESERTO (Last Days in The Desert) EUA, 2015 – Direção Rodrigo García – elenco: Ewan McGregor, Tye Sheridan, Ciarán Hinds, Ayelet Zurer, Susan Gray – 98 minutos

É UM FILME PROFUNDAMENTE EMOCIONANTE, FORTE E BELO, O QUE POR SI SÓ É UMA BENÇÃO.


“Últimos Dias no Deserto” faz uma interessante reflexão sobre a finitude e até mesmo a incapacidade de Jesus diante dos conflitos, característica humana ao homem Santo. O filme é um convite a um passeio pela mente desse Jesus, que nessa jornada de autoconhecimento é muito mais homem do que santo. Longe de discípulos e apóstolos, Cristo pode ser humano, pode estar em dúvida com sua fé, pode ter medo e se sentir finito. 

Dessa maneira, a escolha em ter um mesmo ator para Jesus e o Diabo é tão interessante, o filme joga com a ideia de que as duas figuras são duplos do mesmo homem, na iminência do Cristo tornar-se imortal e tirar o pecado do mundo, ele deve confrontar-se, ele deve ser provado por si mesmo, ele deve ser tentado. Em um momento Jesus pergunta ao Diabo como é estar na presença de Deus, revelando que o filme busca muito mais do que uma simples dicotomia entre essas figuras, mas sim uma complexidade na relação da representação do bem e do mal, as duas coisas tangenciam-se, há uma dualidade nos dois personagens, nem tudo é sombra nem tudo é luz, não é Cristo que explica o que é Deus, mas sim o Diabo. 


O Jesus daqui parece investigar aquele outro que o provoca, mas que também tem muito a ensinar, o encontro com o mal aqui é mais do que apenas uma provação, mas sim uma investigação do lado mais íntimo do Filho de Deus. Livremente baseado no Novo Testamento. Jesus Cristo (Ewan McGregor) viaja sozinho pelo deserto durante 40 dias de jejum e oração. Nessa jornada ele enfrenta a personificação do Diabo, que põe em dúvida o amor de Deus em um dramático teste de sua Fé. É uma grande parábola, marcada por diálogos humanos e interpessoais. Este é Jesus em sua representação mais humana, vivendo um drama familiar que o leva em direção à divindade.



domingo, 25 de março de 2018

BENJAMIN – O DESPERTAR DE UM JOVEM INOCENTE (Benjamin – Les Mémoires d’un Puceau) – França, 1968 – Direção de Michel Deville – elenco: Catherine Deneuve, Pierre Clémenti, Michel Piccoli, Michèle Morgan, Francine Bergé, Anna Gäel, Catherine Rouvel, Odile Versois, Angelo Bardi, Sacha Briquet, Jacques Dufilho – 103 minutos  

      O MÁXIMO EM REQUINTADA SENSUALIDADE!! UMA OBRA-PRIMA!! 


A indústria francesa de cinema já teve presença mais forte no mundo. Nos anos 1950 e 1960, por exemplo, o Cinema Francês era muito visto pelo grande público brasileiro. Nomes como Jean Paul Belmondo, Alain Delon, Jean-Louis Trintignant ou Brigitte Bardot eram superstars da mesma forma que Matt Damon, Gal Gadot, Meryl Streep, Brad Pitt, Tom Cruise ou Julia Roberts também são hoje, protagonizando filmes comerciais distribuídos por grandes companhias ou mesmo grandes estúdios norte-americanos que compravam os direitos internacionais de obras de François Truffaut ou Louis Malle.  Ao longo dos últimos 30 anos, o alcance do cinema comercial francês diminuiu dramaticamente, muito embora a França ainda marque presença com filmes de qualidade, mas quase invariavelmente rotulados de "filmes de arte". Às vezes, o simples fato de um filme ser francês o coloca dentro dessa nublada definição, hoje, no Brasil. Foi exatamente nessa remota época da idade de ouro do cinema francês, mais precisamente no Natal de 1969, que foi lançado aqui em São Paulo BENJAMIN, O DESPERTAR DE UM JOVEM INOCENTE. 


Um filme de exuberante beleza e sofisticada caracterização. Trata-se da história da iniciação amorosa e sexual de um jovem  órfão de 17 anos, na França do Século XVIII. Instruído pelo Conde Saint German (grande atuação de Michel Piccoli) e “auxiliado” pela inocência de uma mocinha também órfã e pura (brilhante interpretação da bela Catherine Deneuve), o jovem começa a ter os seus primeiros momentos de erotismo e desenvolvimento de sua sexualidade.  No papel-título está Pierre Clementi, que conquistou o mundo em A BELA DA TARDE (1967), novamente com Catherine Deneuve. No elenco  tem ainda a grande veterana Michèle Morgan, numa exuberante performance; Francine Bergé, Anna Gaël, Catherine Rouvel, entre outros. Essa é uma delicada comédia sentimental, muito valorizada pelo seu requinte e sofisticação. Michel Deville ocupa um lugar de destaque no cinema da aclamada Nouvelle Vague. Um filme esplendidamente realizado, cheio de interpretações notáveis, um roteiro notavelmente costurado, uma fotografia belíssima e uma direção extraordinária. É um filme deliciosamente agradável de assistir, cheio de beleza, encantamento e muito charme. Irresistivelmente belo!!!!!! 

Grande destaque para a brilhante atuação de Catherine Deneuve, uma das mais belas e talentosas atrizes do cinema europeu. Ela é acima de tudo um dos maiores ícones femininos da arte francesa. Nascida em 1943 e batizada como Catherine Dorléac, estreou nas telas ainda adolescente, no filme “Les Collegiennes”, de 1956. Sua irmã mais velha, a então popular atriz Françoise Dorléac, abriu-lhe o caminho do estrelato, mas morreu num acidente de carro em 1967. Nos anos 1960, Catherine Deneuve alcançou a fama em filmes bem distintos de três cineastas de prestígio: o musical OS GUARDA-CHUVAS DO AMOR (Les Parapluies de Cherbourg, de Jacques Demy, 1964); o thriller psicológico REPULSA AO SEXO (Repulsion, de Roman Polanski, 1965) e o drama surrealista A BELA DA TARDE (Belle de Jour, 1967, de Luis Buñuel). Em 1968, ela estrela BENJAMIN – O DESPERTAR DE UM JOVEM INOCENTE, que marcou toda uma geração. Este está entre os filmes mais belos do cinema francês. Merece ser redescoberto!!!!!