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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

CROMWELL, O HOMEM DE FERRO (Cromwell) Inglaterra, 1970 – Direção Ken Hughes – elenco: Richard Harris, Alec Guinness, Robert Morley, Dorothy Tutin, Timothy Dalton, Frank Finlay, Patrick Wymark, Patrick Magee, Nigel Stock, Charles Gray, Michael Jayston, Geoffrey Keen, Anthony May, Strafford Johns – 140 minutos


   DA COROA DA INGLATERRA, ELE FORJOU A ESPADA DA LIBERDADE!!!!


 
                       UM FILME EXTRAORDINÁRIO!! UM FILME IMORTAL!!!! 

Monumental superprodução sobre Oliver Cromwell (1599-1658), o radical líder puritano que comandou o Parlamento inglês no conflito armado contra o rei Carlos I na Guerra Civil Inglesa (1642-1649). Em 1640, a Inglaterra encontra-se em crise, tanto econômica quanto política e religiosa. Após governar sozinho por 12 anos, o rei Carlos I enfim convoca o Parlamento. Entre seus membros, está Oliver Cromwell, um político puritano que resolve desafiar o Absolutismo do rei quando este resolve dissolver de novo o Parlamento. Assim tem início a Guerra Civil entre Parlamento e Monarquia, um conflito que mudará para sempre a história da Inglaterra.


Grandiosa e suntuosa reconstituição histórica, este poderoso filme é uma realização que, no início dos anos 1970, voltava a impor a excelência do Cinema Histórico Inglês. O diretor Ken Hughes recusou a facilidade do modelo histórico e romântico, centrando a sua evocação do conturbado período da História da Inglaterra num cerrado, envolvente e quase austero duelo pessoal, entre um rei absolutista e um puritano arrogante, criando um hiato republicano numa das mais sólidas e velhas monarquias da Europa, enquanto questionava com fundamento a própria instituição da Monarquia Absolutista. Um fascinante retrato psicológico de duas complexas personalidades tão inconciliáveis e inconsequentes quanto as suas opções religiosas e pessoais. UM DOS FILMES MAIS BELOS DA DÉCADA!!!! 


                  

domingo, 30 de outubro de 2016

O QUARTO DE JACK (Room) Irlanda / Canadá / Inglaterra / EUA, 2015 – Direção Lenny Abrahamson – elenco: Brie Larson, Jacob Tremblay, Sean Bridgers, Joan Allen, William H. Macy, Justin Mader, Wendy Crewson, Sandy McMaster, Matt Gordon, Zarrin Darnell-Martin, Joe Pingue – 118 minutos 

UM DOS MELHORES FILMES DO ANO!!!!

Uma verdadeira aula de como o amor familiar pode vencer as barreiras mais difíceis que a vida coloca em nossa direção. Com essa frase pode-se definir a grandeza de “O Quarto de Jack”, um dos filmes mais emblemáticos e contundentes dos últimos dez anos. Com impressionante interpretação dos protagonistas – a esplêndida dupla Brie Larson e Jacob Tremblay – é uma experiência única e impactante. Possui uma carga forte com uma mistura ímpar de sentimentos, como a raiva, o medo, a dor e a angústia, surpreendendo como a co-produção independente do mais alto nível do moderno cinema irlandês / canadense / inglês e  norte-americano. A primeira parte do filme possui um contexto brilhante sobre a vida cotidiana dos personagens, que deve servir como exemplo nas escolas de cinema, especialmente as que voltam seus cursos para o campo independente de baixo custo.


Este poderoso drama baseado no excelente livro “Room”, escrito por Emma Donoghue, discorre sobre a história de Jack (Jacob Tremblay), um menino que acaba de completar 05 anos e mora com a mãe em um quarto de 10 metros quadrados. A rotina dele é ver televisão, ler e sonhar. Conforme a curiosidade, sobre o mundo fora do quarto, a vida da criança começa a ficar mais tensa, a mãe chamada de Ma, depois de Joy, embarca em uma jornada de explicações sobre a situação que vivem e o que realmente existe fora daquele quarto. Até que um dia, mãe e filho bolam um plano de fuga para conseguir sair do lugar onde vivem. A experiência e imersão completa do filme está justamente na tensão proporcionada, a partir daí grandes surpresas e momentos de muita tensão explodem. O cineasta Lenny Abrahamson consegue criar dois momentos que se correspondem a partir de divergências. Um universo de possibilidades foi criado na convivência solitária no “quarto”, enquanto o “mundo lá fora” sufoca, gera grandes proporções a explosões emocionais que surgem com o trauma e a dificuldade de readaptação. O tipo de crime abordado na história infelizmente tem aumentado muito o número de casos nos EUA. 


O filme se inicia de forma incrível e magnífica, com uma fotografia que deixa o quarto grande para mostrar que para o menino, aquele é o tamanho do seu mundo. O diretor decide se apegar aos detalhes do cotidiano dos dois, e constrói a história de forma inquietante fazendo com que realmente o espectador se importe pelos personagens. A sutileza em como o minúsculo cenário do quarto é explorado, bem como os personagens que ele habita, já sugere o que é preciso saber sem que isso precise ser claramente verbalizado. Entre tantos méritos, merece destacar o brilhantismo das interpretações dos atores centrais. O pequeno Jacob Tremblay é quem realmente move “O Quarto de Jack”. Ele vira gente grande, domina com uma força descomunal as consequências, e com uma atuação impressionante.  A sua vulnerabilidade, a princípio preservada com o colo materno, os óculos escuros e as máscaras, aos poucos dá lugar para aquela curiosidade de quem está assimilando novos códigos e as novas figuras que o rondarão. Brie Larson, que faz o papel da mãe, em uma incrível interpretação,  vencedora do Oscar 2016, na categoria de Melhor Atriz do ano, alterna bem entre a maturidade que sua personagem ganha com a péssima experiência e a dor dos anos perdidos. Saindo muito bem em suas “grandes cenas”, onde grita e chora de maneira muito convincente, a atriz surpreende principalmente nas “pequenas cenas”, como trocas de olhares para Jack, afeições de carinhos maternais e principalmente em um momento que ela responde a uma pergunta com “mas ele tinha a mim”, mostrando com apenas um olhar como o seu filho passou a ser a maior razão de sua sobrevivência. O QUARTO DE JACK é um filme soberbo e grandioso em sua temática, com um perfeito toque da história e dois protagonistas que se completam. Foi indicado ao Oscar 2016, na categoria Melhor Filme do Ano e perdeu injustamente para “Spotlight – Segredos Revelados”. Foi vencedor do Festival de Toronto 2015. Obrigatório, belo e absolutamente extraordinário, é o melhor filme do ano!!!!


sábado, 29 de outubro de 2016

UM LUGAR AO SOL (A Place in the Sun) EUA, 1951 – Direção George Stevens – Elenco: Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters, Anne Revere, Keefe Brasselle, Herbert Heyes, Raymond Burr, Shepperd Strudwick – 122 minutos.

                HOMENAGEM - 50 ANOS SEM MONTGOMERY CLIFT 

          UM DOS MAIS BELOS FILMES DA HISTÓRIA DO CINEMA!!!! 

George Eastman (Montgomery Clift), um jovem ambicioso, vai trabalhar na fábrica de um rico tio. Ele acredita que esta oportunidade pode levá-lo a um futuro melhor, mas apesar de ter sido avisado para não se envolver com nenhuma funcionária, ele começa a se encontrar com Alice Tripp (Shelley Winters), uma humilde moça que trabalha na linha de montagem. Ele é finalmente introduzido na alta sociedade e se apaixona por Angela Vickers (Elizabeth Taylor), uma rica, bela e sofisticada jovem e é correspondido. Assim, decide se distanciar de Alice, mas a pobre funcionária não aceita esta situação com passividade, principalmente quando descobre que está grávida. Ele se conscientiza que a operária pode frustrar seus planos de ascensão social e assim surge a idéia de matá-la. Ganhou 6 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Diretor (George Stevens), Melhor Fotografia - Preto e Branco, Melhor Figurino - Preto e Branco, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro. Recebeu ainda três indicações, nas seguintes categorias: Melhor Filme (perdeu injustamente para SINFONIA DE PARIS), Melhor Ator (Montgomery Clift, perdeu para William Holden, também uma injustiça grave) e Melhor Atriz (Shelley Winters). Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme - Drama. 


Esta é a segunda adaptação cinematográfica de “An American Tragedy”, de Theodore Dreiser. Em 1931, Josef Von Sternberg já havia adaptado o romance para a tela. Nessa história de um triângulo amoroso, cujas pontas são George (Montgomery Clift), Alice (Shelley Winters) e Angela (Elizabeth Taylor), temos a chance de flagrar um dos momentos mais memoráveis do cinema norte-americano, com interpretações soberbas do trio central. Não por acaso, era o filme preferido de Charles Chaplin. Foi um daqueles anos em que o Oscar de Melhor Filme não coincidiu com o de melhor diretor: SINFONIA DE  PARIS, de Vincente Minnelli, levou a estatueta máxima; mas foi George Stevens, com UM LUGAR AO SOL, o eleito na categoria de realização. Através da paixão dramática (trágica, como diz o título de Dreiser) do par ElizabethTaylor / Montgomery Clift, Stevens filmava a teia simbólica de uma América interior em que a verdade do amor se confronta com o aparato das aparências sociais e morais. Genuíno exemplo do mais puro classicismo de Hollywood, UM  LUGAR AO SOL rapidamente entrou na galeria dos filmes capazes de refletir as convulsões do imaginário coletivo. A história de um operário com sonhos de ascensão social, que engravida uma colega de trabalho e depois se apaixona por uma jovem rica, que também se apaixona por ele e a antiga namorada ameaça atrapalhar esse romance e por isso ele pensa em assassiná-la, resultou em um filme belíssimo e extraordinário. Temos a oportunidade de ver um Montgomery Clift no seu apogeu. É um dos mais importantes e maiores filmes da história do cinema!!!! Obrigatório e inesquecível!!!! Extraordinário e belo!!!!


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

DE REPENTE, NO ÚLTIMO VERÃO (Suddenly, Last Summer) EUA, 1959 – Direção de Joseph L. Mankiewicz – elenco: Montgomery Clift, Katherine Hepburn, Elizabeth Taylor, Mercedes McCambridge, Gary Raymond, Albert Dekker, Mavis Villiers, Patricia Marmont, Joan Young, David Cameron – 114 min

                     HOMENAGEM - 50 ANOS SEM MONTGOMERY CLIFT 



John Cukrowicz (Montgomery Cliff, ator que dispensa comentários), um conceituado neurocirurgião interessado em conseguir recursos para o hospital onde trabalha, conhece Violet Venable (Katherine Hepburn, confirmando porque foi considerada uma das dez maiores estrelas do cinema mundial), uma rica senhora da aristocracia que quer mandar fazer uma lobotomia (tirar um pedaço do cérebro) em Catherine Holly (Elizabeth Taylor, demonstrando a sua genialidade como atriz), uma sobrinha supostamente acometida de crises de loucura. Na verdade Violet  teme que Catherine revele a homossexualidade de Sebastian, o filho poeta de Violet, que morreu de forma violenta e misteriosa na Espanha. Há uma versão "oficial" do acidente, mas Catherine viu o que realmente aconteceu e assim sua tia tenta silenciá-la. É um dos grandes momentos desse trio de ouro: Liz (Elizabeth) Taylor, Kate (Katherine) Hepburn e Monty (Montgomery) Clift, atores de primeira grandeza, com interpretações marcantes. O elenco é notável nesse filme muito curioso e interessante. 



A história (um devaneio psicótico brilhante), uma adaptação da peça de Tennessee Williams (escritor notável de vários sucessos como “Gata em Teto de Zinco Quente” e “Um Bonde Chamado Desejo”), se desenrola em ritmo de suspense crescente e de uma forma claustrofóbica e tensa, culminando com um final contundente. O cineasta Joseph L. Manckiewicz, famoso por ter dirigido “A Malvada” (All About Eve – 1950), com Bette Davis (uma das grandes malvadas do cinema, mas que aqui, ironicamente, é a mocinha) – e também por ter quase destruído a FOX depois do estrondoso fracasso  do esplendoroso CLÉOPATRA (1963), realizou aqui um filme soberbo, com uma história absurda, mas aceitável. Por causa da censura da época, todas as referências ao homossexualismo são apresentadas de forma extremamente velada. Gore Vidal e Tennessee Williams, roteiristas do filme, acharam por bem fazer assim. Um absurdo esse tipo de coisa, mas a mentalidade retrógrada da época fazia essas aberrações. Recebeu três indicações ao Oscar 1960, nas seguintes categorias: Melhor Atriz (Katharine Hepburn), Melhor Atriz (Elizabeth Taylor) e Melhor Direção de Arte – Preto e Branco. Montgomery Clift e Elizabeth Taylor ainda atuaram juntos em outros dois filmes: “Um Lugar ao Sol” (1951) e “A Árvore da Vida” (1957). Um filme fascinante e envolvente, prendendo muito a atenção até o seu final!!


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

PERDIDOS NA TORMENTA (The Search) EUA, 1948 – Direção Fred Zinnemann – elenco: Montgomery Clift, Aline MacMahon, Jarmila Novotna, Ivan Jandl, Jerry Fisher, Wendell Corey – 103 minutos.

         HOMENAGEM - 50 ANOS SEM MONTGOMERY CLIFT 


Esta grande obra-prima dirigida pelo renomado cineasta Fred Zinnemann nos brinda com a belíssima atuação de Montgomery Clift, um dos mais importantes e mais belos atores da história do cinema mundial. O filme também é importante porque marca a estreia do ator no cinema norte-americano, tendo a oportunidade de mostrar por que se tornou um dos maiores atores do cinema internacional. O seu desempenho se mostrou à altura do desafio. Foi indicado a quatro Oscar, incluindo Melhor Diretor (Fred Zinnemann), Melhor Ator (Montgomery Clift), Melhor Roteiro e Melhor História (ganhando nesta última categoria). Ivan Jandl também recebeu um Oscar Juvenil por sua brilhante atuação. No BAFTA, recebeu o Prêmio Nações Unidas. No Globo de Ouro, prêmio de Melhor filme a promover a paz entre os povos; prêmio de Melhor Roteiro e prêmio Especial para o menino Ivan Jandl. 


A sinopse conta a história de um garoto judeu de nove anos de idade, sobrevivente de Auschwitz, que consegue chegar a um campo de refugiados e é descoberto por um soldado norte-americano. Enquanto isso, a mãe do menino, única sobrevivente da família, procura incansavelmente pelo filho. Tempo, distância e um grande número de campos de refugiados colaboram para a demora do tão esperado encontro entre mãe e filho.   


Foi uma aposta arriscada fazer um filme sobre a Segunda Guerra Mundial num período em que o público parecia estar enjoado do tema no cinema. Mas a história era intensa, e tinha mais detalhes sórdidos sobre o Holocausto, descoberto apenas após o fim do conflito. A cena emocionante que mostra o soldado norte-americano, Steve Stevenson (Montgomery Clift) tentando fazer o menino, interpretado por Ivan Jandl, falar NÃO, tornou-se clássica e é uma das mais lembradas do filme. UM DRAMA EMOCIONAL, ABSORVENTE E GRATIFICANTE!! ABSOLUTAMENTE INESQUECÍVEL E BELO!! 


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

ILUSÃO PERDIDA (The Big Lift) EUA, 1950 – Direção de George Seaton – elenco: Montgomery Clift, Paul Douglas, Cornell Borchers, Bruni Löbel, O. E. Hasse, Dante V. Morel, John R. Mason, Gail R. Plush, Mack Blevins, William A. Stewart – 120 min.

                   HOMENAGEM - 50 ANOS SEM MONTGOMERY CLIFT  



Este filme notável foi filmado na Alemanha ocupada, no mesmo local descrito na História, incluindo acontecimentos em setores americano, francês, britânico e russo em Berlim. Com exceção de Montgomery Clift, Paul Douglas e Cornell Borchers, a jovem fraulein, todos os atores deste filme são militares americanos servindo na Alemanha e pessoas comuns, que não precisaram mudar de nome.



No Quartel General em Berlim Ocidental a Guerra Fria deu início a uma nova crise. Os russos recolheram a bandeira vermelha retirando-se do Comando dos Quatro Poderes que governa Berlim desde o fim da guerra. Mostrando  querer os Aliados ocidentais fora de Berlim, os comunistas iniciaram um bloqueio da cidade. Trilhos foram retirados e os trens foram parados por “motivos técnicos”. Barcaças com mantimentos e carvão não conseguem chegar. Rodovias estão bloqueadas e desertas. Mas o plano russo de desabastecer a cidade saiu pela culatra.



 ILUSÃO PERDIDA é um dos grandes filmes desconhecidos da década de 1950 e nasceu da vontade do diretor George Seaton (o realizador de AEROPORTO, em 1970) em capturar o ambiente da Alemanha logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Com técnicas cinematográficas herdadas do documentário, o diretor acompanha o personagem de Montgomery Clift, um jovem soldado americano que se apaixona por uma garota alemã durante o período da reconstrução de Berlim. George Seaton, além de dirigir, também escreveu o roteiro desse filme que resultou num dos mais brilhantes registros pictóricos do pós-guerra. Mais uma vez Montgomery Clift brilha e dispensa comentários. Um filme histórico e importante!!


terça-feira, 25 de outubro de 2016

RIO VERMELHO (Red River) EUA, 1948 – Direção Howard Hawks – elenco: John Wayne, Montgomery Clift, Joanne Dru, Walter Brennan, Harry Carey, Coleen Gray, John Ireland, Harry Carey Jr., Hank Worden, Paul Fix – 133 minutos.

                       HOMENAGEM - 50 ANOS SEM MONTGOMERY CLIFT 


Um dos grandes filmes da História do Cinema, e uma fantástica atuação de Montgomery Clift!! É um dos poucos filmes a retratar os verdadeiros cowboys, tropeiros quase sempre jovens que levavam gado para Kansas City antes da consolidação das estradas de ferro. Originalmente lançado em preto e branco, este grande clássico possui uma ambientação impressionante e traz uma atmosfera incrível do velho oeste norte americano, ainda no tempo das diligências, quando os primeiros grandes criadores de gado estavam trabalhando duro para fortalecer a economia do Sul dos Estados Unidos. Há um sentimento maravilhoso de liberdade ecoando por todo o filme, ainda que a jornada de seus personagens seja violenta, hostil e difícil. A direção impecável de Howard Hawks faz com que esta obra se torne uma verdadeira e inesquecível aventura. Os conflitos entre os personagens são muito mais interessantes que as cenas de ação, e é aí que o filme se destaca entre dezenas, talvez centenas, de westerns existentes. O estouro da boiada,  é considerada a grande e cena clássica, com muita emoção e suspense. As interpretações são incríveis. John Wayne, que muitas vezes não fazia exatamente o papel de “mocinho simpático”, possui outro de seus personagens ambíguos, que pode ser visto como sendo o mocinho ou o bandido. E Montgomery Clift, no auge de sua beleza e em grande forma é um dos pontos altos da interpretação masculina de sua época. Ele faz uma espécie de filho adotivo de Wayne dentro do filme, mesmo sendo ainda bastante jovem, encara com grande qualidade as várias cenas difíceis que o filme possui. 


RIO VERMELHO (Red River), para o diretor Howard Hawks, inicia uma trilogia que se segue mais de dez anos depois com RIO BRAVO – ONDE COMEÇA O INFERNO (1959),  um dos grandes westerns do cinema,  e, depois, RIO LOBO, já em 1970, nos estertores hawkisianos. Há, porém, ELDORADO (1967), filme respeitável, mas que é uma refilmagem disfarçada de RIO BRAVO.  Se existe um clássico perfeito para caracterizar o western, o cinema norte-americano por excelência na definição de André Bazin, RIO VERMELHO é o exemplar mais autêntico e paradigma de outros filmes do gênero. É verdade que NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (Stagecoah, 1939), do mestre John Ford, lança as bases do arquétipico westerniano, mas a fita de Hawks representa, nove anos depois, uma espécie de cristalização e amadurecimento do western na sua mais pura tradução e pureza antes que o gênero seja contaminado pelo psicologismo. Obra-prima incontestável, RIO VERMELHO faz parte de um quarteto junto com  RIO BRAVO (1959),  ELDORADO (1967),  e,  por fim, RIO LOBO (1970),  realizado já no ocaso de carreira desse genial diretor, que, aqui, despede-se do cinema.


O mais importante em RIO VERMELHO é que este filme funciona como um excepcional documento da vida dos cowboys, seus costumes, seu folclore, o ambiente e a paisagem daquele período da colonização norte-americana. E mais ainda: o sentido perfeito de cinema de Hawks, o alento épico, a paisagem, a simplicidade e força das personalidades individuais.  RIO VERMELHO é também a história de uma amizade - um dos temas fundamentais da obra de Hawks. Montgomery Clift, órfão, depois que seus pais são mortos pelos índios, é recolhido por Wayne que, na travessia de Rio Rojo a Abilene, se desentende com aquele que é quase um filho. O western mais telúrico de Hawks, ainda que RIO BRAVO seja mais cortejado, RIO VERMELHO apresenta o eterno conflito de seus personagens, resolvido através de um itinerário físico, que é captado pela câmera com a força do imediatismo. A música de Dimitri Tiokim permanece nos ouvidos. Como RIO VERMELHO é uma espécie de épico do velho oeste, o número de cenas difíceis realmente é grandioso. Aclamado como um dos melhores westerns de todos os tempos, ficou também famoso por sua ambientação e espírito livre, em uma história de grandes proporções e adjetivos. Um filme recomendado para público de qualquer gênero!! Absolutamente extraordinário, inesquecível e obrigatório!!