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domingo, 16 de outubro de 2011

57º Lugar - A PONTE DO RIO KWAI (The Bridge on the River Kwai) EUA, 1957



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

57º Lugar - A PONTE DO RIO KWAI (The Bridge on the River Kwai) EUA, 1957 – Direção David Lean – elenco: William Holden, Alec Guinness, Jack Hawkins, James Donald, Sessue Hayakawa, André Morell, Geoffrey Horne, Peter Williams, John Boxer - 161 minutos.

Em seus épicos intimistas, David Lean sempre foi considerado um estudioso do comportamento humano. O seu personagem típico é um alienado - como o militar interpretado por Alec Guinness em A PONTE DO RIO KWAI. Prisioneiro dos japoneses num campo do Pacífico, ele resiste altivamente ao comandante Sessue Hayakawa, convencido da superioridade intelectual e moral que lhe confere o fato de ser cidadão britânico. Em seus filmes, Lean historiou a grandeza e a derrocada do Império Britânico. O personagem interpretado por Hayakawa - ator japonês lendário, que fez carreira em Hollywood nos anos 1920, quando manteve com o latin lover Rodolfo Valentino o affair amoroso que Nagisa Oshima tentou, mas não conseguiu, transformar em filme - também acredita na superioridade nipônica. O choque desses dois temperamentos é inevitável. Guinness aceita construir uma ponte sobre o Rio Kwai com toda a eficiência da engenharia britânica. Quer provar que realmente pertence a uma cultura superior, sem se dar conta de que a referida ponte será usada para o transporte de tropas e armamentos dos japoneses, portanto, contra os ingleses. Entra em cena o oficial norte-americano interpretado por William Holden. Pragmaticamente, ele vem para destruir a ponte, já que se trata de peça vital do sistema japonês de segurança. Cria-se um novo choque, entre Holden e Guinness, que não suporta a idéia de ver destruída a obra de sua vida. Culmina na explosão do desfecho, quando uma expressão, repetida diversas vezes - "Madness" (Loucura) -, resume o que Lean quer dizer sobre a guerra e os homens. O cineasta foi um grande narrador clássico e aqui está uma das melhores amostras disso.



O filme foi rodado na Inglaterra e no Sri Lanka. Os autores do roteiro, Carl Foreman e Michael Wilson, estavam na "lista negra", acusados de pertencer a organizações comunistas, pelo que tiveram de trabalhar secretamente, e sua contribuição não foi credenciada na primeira versão. Por essa razão, o prêmio Oscar de Melhor Roteiro Adaptado foi concedido unicamente a Pierre Boulle, autor da novela original, que nem sequer sabia inglês. Em 1984, a Academia concedeu um prêmio póstumo aos dois roteiristas. Em 1992, foi relançado em vídeo com os novos créditos do roteiro, corrigindo uma injustiça histórica. Cary Grant e Laurence Olivier estiveram cotados para o papel do "Coronel Nicholson". Enquanto no filme os prisioneiros construiram a ponte em dois meses, a empresa britânica contratada cobrou 250 mil dólares para construir a referida ponte e levou oito meses para finalizá-la, usando 500 trabalhadores e 35 elefantes. A ponte foi demolida em poucos segundos na cena final do filme. John Ford e Howard Hawks estiveram cotados para dirigir o filme antes de David Lean ser finalmente o escolhido. Um dos maiores filmes de todos os tempos que está completando 54 anos.



Uma das mais belas realizações e um dos maiores clássicos da história do cinema! Uma rara combinação de filme de diversão e de boa qualidade artística. São quase três horas de suspense, coragem e demonstração da inutilidade e loucura da guerra. Mesclando às cenas de ação, um permanente e eletrizante confronto psicológico e cultural. Recebeu 8 indicações ao Oscar e ganhou sete, incluindo Melhor Filme do Ano, Melhor Diretor (David Lean), Melhor Ator (Alec Guinness), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora. Destaque para a fabulosa música de Maurice Jarre, fiel colaborador de David Lean. O filme tornou célebre a marcha militar assobiada pelos soldados (uma cena clássica). Esta história da construção de uma ponte sobre o rio Kwai, em Burma, durante a Segunda Guerra Mundial, merece figurar entre os maiores épicos dirigidos pelo britânico David Lean, que era um diretor de grandes epopéias e A PONTE DO RIO KWAI é um desses pequenos milagres do celulóide, que sempre crescem a cada revisão. O confronto final é uma das melhores críticas culturais que o cinema ousou transformar em tensão. O filme foi considerado UM TRIUNFO COLOSSAL e até hoje é um dos mais cultuados filmes de guerra de todos os tempos. Obrigatório!!

sábado, 15 de outubro de 2011

58º Lugar - APOCALYPSE NOW (Apocalypse Now) EUA, 1979



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

58º Lugar - APOCALYPSE NOW (Apocalypse Now) EUA, 1979 – Direção Francis Ford Coppola – elenco: Marlon Brando, Robert Duvall, Martin Sheen, Dennis Hopper, Harrison Ford, Laurence Fishburne, Frederic Forrest, Sam Bottons, Scott Glenn, Albert Hall, Francis Ford Coppola (Diretor de TV), G. D. Spradlin, R. Lee Ermey – 153 minutos.

Este poderoso espetáculo narra a trajetória do Capitão Willard, que lidera um destacamento de soldados com a missão de eliminar o Coronel Kurtz, que enlouqueceu e montou uma milícia dentro da selva; mas a jornada através do rio Nung, cheia de situações surreais e tensas acaba afetando a mente dos próprios soldados. Um filme imortal e devastador! Mais do que o relato impressionante de um conflito bélico (Vietnã), é uma viagem ao lado mais negro da mente humana devassada pela violencia e loucura da guerra. O filme tem 32 anos, mas até hoje é uma porrada sensorial de imagens e som, principalmente vista num cinema. A cena do bombardeio de Napalm ao som da Cavalgada das Valkírias de Wagner, onde helicópteros americanos atacam uma vila vietcong (uma das mais surreais sequências), a lisérgica cena do ataque à ponte, estão entre as mais memoráveis. Um dos pontos altíssimos do filme é o personagem de Robert Duvall, o coronel surfista Bill Kilgore, que é genial. É dele a mais famosa frase do filme "adoro o cheiro de napalm pela manhã" e também se deve a ele a cena do bombardeio de Napalm. Outro ótimo personagem é o seguidor alucinado do Coronel Kurtz feito por Dennis Hopper (que à época das filmagens vivia envolvido com drogas e diz-se que a loucura vista na tela vai além de uma grande interpretação).



Os diálogos do filme são excelentes, interpretados por atores fantásticos como os citados acima, além do lendário Marlon Brando e um denso Martin Sheen. Como uma curiosidade para o público de hoje, duas pontas dos então jovens Harrison Ford e Lawrence Fishburne.A cena em que o Willard dá um soco no espelho, o ator Martin Sheen estava realmente bêbado e se cortou de verdade. Aquele sangue que aparece no filme não é de mentirinha. E a cena do sacrifício do boi no ritual da tribo é real também. Um ritual verdadeiro realizado entre nativos locais. APOCALYPSE NOW foi totalmente injustiçado pelo Oscar - levou apenas dois prêmios – Melhor Fotografia e Melhor Som. O maior absurdo foi perder o Oscar de Melhor Filme para KRAMER VS KRAMER, um filme infinitamente menor. Mas isso já é de praxe na Academia de Hollywood, basta lembrar que O RESGATE DO SOLDADO RYAN perdeu escandalosamente para SHAKESPEARE APAIXONADO (1998); TÁXI DRIVER perdeu para ROCKY, UM LUTADOR (1976); UM SONHO DE LIBERDADE absurdamente perdeu para FORREST GUMP (1994); O SENHOR DOS ANÉIS – A SOCIEDADE DO ANEL perdeu para UMA MENTE BRILHANTE (2001); O PIANISTA injustamente perdeu para CHICAGO (2002) etc. APOCALYPSE NOW é muito mais do que um filme de guerra, é um filme sobre a influência que uma guerra gera nas pessoas, sobre o quão despropositados são os atos cometidos em uma guerra, é um filme surreal e - por mais contraditório que seja - ao mesmo tempo cruelmente real.



Francis Ford Coppola insistiu que o filme fosse todo rodado nas Filipinas, tendo contado com o apoio do governo de Ferdinand Marcos que lhe emprestou os helicópteros e os pilotos. Mas as filmagens tiveram de ser muitas vezes interrompidas por que os helicópteros eram necessários para o governo de Marcos combater os rebeldes. Para além disso, o local das filmagens foi atingido por um tufão que destruiu vários cenários, atrasando a rodagem do filme em vários meses. Após as filmagens (que acabaram por durar 16 meses), os problemas de Coppola não acabaram, tendo levado perto de 3 anos para montar as mais de 200 horas de filme que rodou. Depois de várias versões, decidiu-se por uma com 153 minutos, tendo o filme estreado nas salas de cinema em 1979 e com um custo final de $30 milhões de dólares. No entanto, em 2001, o realizador voltou a mexer no filme e criou uma nova versão com mais 53 minutos, que designou de “Apocalypse Now Redux”. Após uma boa receptividade por parte do público no Festival de Cannes (onde tinha ganho, 22 anos antes, a Palma de Ouro), esta nova versão teve uma breve passagem pelas salas de cinema no verão de 2001. APOCALYPSE NOW permitiu a Vittorio Storaro ser reconhecido pelo seu excelente trabalho como diretor de fotografia, demonstrando que do caos pode nascer um extraordinário exercício fílmico, sendo ainda hoje considerado como o mais vivo relato do pesadelo que é a guerra, seja ela qual for. Uma obra genial de um cineasta igualmente genial! Um dos melhores e mais importantes filmes da história do cinema! Obrigatório e Imperdível!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

59º Lugar - CARTAS DE IWO JIMA (Letters From Iwo Jima) EUA, 2006



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

59º Lugar - CARTAS DE IWO JIMA (Letters From Iwo Jima) EUA, 2006 – Direção de Clint Eastwood – elenco: Ken Watanabe, Kazunari Ninomiya (Saigo), Tsuyoshi Ihara, Ryo Kase, Shido Nakamura, Hiroshi Watanabe, Takumi Bando, Yuki Matsuzaki, Takashi Yamaguchi, Eijiro Ozaki, Nae Yuuki – 140 minutos.

Aos 76 anos, o premiado diretor norte-americano Clint Eastwood demonstrou uma saúde e fôlego invejáveis. Ao decidir, em 2005, filmar histórias da Segunda Guerra Mundial, ao invés de um único filme, acabou fazendo dois de uma vez. O primeiro, A CONQUISTA DA HONRA, revela o lado norte-americano na luta pela ilha japonesa de Iwo Jima, uma das últimas batalhas perdidas do Japão quase no final da guerra. O segundo, CARTAS DE IWO JIMA, que estreou aqui em São Paulo em 16 de fevereiro de 2007, mostra o lado japonês da mesma história. Sempre retratados como vilões em praticamente todos os filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, os japoneses são aqui tratados com profundo respeito, que começa pelo fato de que os diálogos são inteiramente desenvolvidos em japonês, o que certamente explica o sucesso de público do filme no Japão. Os personagens são quase todos interpretados por atores japoneses, sendo que o mais famoso é Ken Watanabe (de O ÚLTIMO SAMURAI), que interpreta o general Tadamichi Kuribayashi, autor do plano de cavar túneis interligando cavernas subterrâneas na ilha, detalhe que permitiu que os japoneses resistissem por mais de um mês ao violento ataque dos norte-americanos, que tinham muito mais soldados e armas.



Também são japoneses o elegante tenente-coronel Nishi (Tsuyoshi Ihara), barão e medalhista olímpico em hipismo; o relutante soldado Saigo (Kazunari Ninomyia), um padeiro convocado contra a vontade que só pensa em fugir e voltar para a mulher e o filho que nasceu em sua ausência; o melancólico Shimizu (Ryo Kase) e o fanático tenente Ito (Shidou Nakamura), que a todo momento lembra os subordinados que deverão, em caso de derrota, cometer o harakiri, ou seja, o suicídio. O roteiro, desenvolvido pelo premiado Paul Haggis (co-roteirista e diretor de CRASH – NO LIMITE, vencedor do Oscar de melhor filme em 2006, injustamente) e Iris Yamashita, partiu das cartas do general Kuribayashi à sua mulher, que foram recentemente descobertas em escavações em Iwo Jima. De posse desse material, os roteiristas reconstruíram com grande riqueza de detalhes o cotidiano das tropas japonesas durante o cerco norte-americano, o lento fim das munições e provisões, inclusive água, e a certeza da derrota. Dos 20 mil soldados japoneses sobreviveram apenas 1.083. Do lado norte-americano, 7.000 morreram, de um total de 100 mil soldados. Compositor da maior parte da música dos dois filmes, neste segundo, com a participação de seu filho, Kyle Eastwood, e de Michael Stevens, Clint Eastwood costura as duas histórias dentro de uma única lógica. Uma termina onde a outra começa e ambas dialogam e se explicam mutuamente. Uma proposta sofisticada e grandiosa, que merecia o prêmio da Academia como melhor filme do ano. Um filme poderoso, soberbo e inesquecível!!!



O Japão nunca tratou com a mesma profundidade que a Alemanha sua história na Segunda Guerra Mundial. Agora, o épico de Clint Eastwood levou o Japão a reexaminar seu papel na guerra, como explicaram os atores do filme. Para o ator Ken Watanabe, a viagem para a locação do filme CARTAS DE IWO JIMA foi uma experiência altamente emotiva. "Quando vi a ilha do avião pela primeira vez, não consegui parar de chorar", diz ele. Não é surpreendente que a ilha provoque reação tão forte. Grande parte dos 22.000 soldados japoneses que participaram da Batalha de Iwo Jima, no início de 1945 - altamente superados pelas forças norte-americanas de 100.000 homens - perderam suas vidas. "Parecia que o tempo tinha parado na ilha depois da guerra", disse Watanabe, que alega ter sentido a presença dos soldados japoneses mortos, quando visitou a ilha. O ator japonês de 47 anos, que é mais conhecido pelo público ocidental por seu papel ao lado de Tom Cruise em O ÚLTIMO SAMURAI, fez o papel do comandante japonês, general Tadamichi Kuribayashi. O filme gerou debate sobre a batalha e o papel do Japão na guerra. "No Japão, quase ninguém sabia dessa tragédia antes do filme", diz Watanabe. "Sessenta anos após a guerra, a maior parte das pessoas quer saber a verdadeira história. É um bom momento." Tsuyoshi Ihara, que faz o papel do ativo oficial de cavalaria Baron Takeichi Nishi, concorda. "O filme despertou o interesse em reavaliar o que foi a guerra", diz ele. Ele diz que o filme não é apenas entretenimento."Espero que possa ser um meio de mudar a sociedade", diz, salientando que já foi visto por 4,5 milhões de pessoas, inclusive vários políticos, e foi sugerido como potencial material de estudo nas escolas. Poderoso e espetacular, é a grande obra-prima de Clint Eastwood falada em japonês! Insuperável! Grandioso! Magnífico!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

60º Lugar - SONATA DE OUTONO (Hostsonaten) Suécia, 1978



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

60º Lugar - SONATA DE OUTONO (Hostsonaten / Autumn Sonate) Suécia, França, Alemanha, 1978 – Direção de Ingmar Bergman – elenco: Ingrid Bergman, Liv Ullmann, Lena Nyman, Halvar Björk, Arne Bang-Hansen, Marianne Aminoff, Gunnar Björnstrand, Erland Josephson – 99 minutos.

O diretor sempre foi um cineasta da palavra. A força motora de seus filmes está na combinação texto mais a interpretação desse texto. SONATA DE OUTONO pode ser considerado, então, uma obra clássica do cinema do diretor sueco. É um filme estruturado no diálogo de duas mulheres, mãe e filha, que se encontram depois de uma ausência de sete anos: um encontro que reabre as crateras da relação entre as duas. Apesar da fotografia do colaborador fiel, Sven Nykvist, não perder a competência habitual, não existe privilégio para a imagem que, depois de dividir o papel de protagonista com o roteiro em filmes anteriores da dupla, aqui é apenas coadjuvante, embalagem, sem valor sígnico. Com o texto sob os holofotes, Bergman se muniu de duas grandes atrizes: a então companheira Liv Ullmann e uma lenda do cinema, Ingrid Bergman, que, apesar de conterrânea, não guarda parentesco com o cineasta. O texto acha então o tom certo, frio e cruel, na excelência das intérpretes.



A evolução do filme, em virtude da competência da dupla, é gritante: começa como exercício retórico e se transforma enfim numa obra de referência, onde a palavra de Bergman se despe de um cunho estritamente intelectual-psicológico para virar um belo e difícil acerto de contas entre mãe e filha. Foi indicado ao Oscar, nas categorias de Melhor Atriz (Ingrid Bergman) e Melhor Roteiro. Uma obra-prima do mestre sueco, que foi lançada em DVD no dia 10 de agosto de 2006. A lendária Ingrid Bergman faz uma pianista que visita a filha (a notável Liv Ullmann), no interior da Noruega. Enquanto a mãe é uma artista de renome internacional, a filha é tímida e deprimida. Esse encontro tenso, marcado por lembranças do passado, revela uma relação repleta de rancor, ressentimentos e cobranças. Ao som de Chopin, Sebastian Bach, Schumann e Haendel, Ingmar Bergman tece uma amarga reflexão sobre as relações familiares num filme absolutamente brilhante. Interpretações magistrais das duas grandes atrizes num dos grandes filmes do cineasta sueco. Rigorosamente imperdível e obrigatório!!!!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

61º Lugar - OS CANHÕES DE NAVARONE (The Guns of Navarone) EUA, 1961



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

61º Lugar - OS CANHÕES DE NAVARONE (The Guns of Navarone) EUA, 1961 – Direção de J. Lee Thompson – elenco: Gregory Peck, Anthony Quinn, David Niven, Stanley Baker, Anthony Quayle, Irene Papas, James Darren, Gia Scala, Richard Harris, James Robertson Justice – 156 minutos.

É um dos mais excitantes filmes já realizados! A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial, na Grécia de 1943. Sabotadores das Forças Aliadas são designados para uma missão praticamente impossível: infiltrarem-se numa impenetrável ilha-fortaleza, dominada pelos nazistas, e destruir dois enormes canhões para que possam ser libertados dois mil soldados ingleses aprisionados. A destruição dos temidos canhões de Navarone dará aos aliados uma importante vantagem sobre o exército de Hitler. Considerado mundialmente como um dos melhores filmes de guerra de toda a história do cinema! Aclamado internacionalmente como a maior aventura clássica de todos os tempos! Ação explosiva e um suspense eletrizante no mais poderoso filme sobre a Segunda Guerra Mundial!.



Uma produção de primeira linha, abrilhantada pelo Oscar de Melhores Efeitos Especiais. Recebeu 7 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme do Ano, Melhor Diretor (J. Lee Thompson), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora (lindíssima), Melhor Som, Melhor Edição e o já citado de Efeitos Especiais. Só não ganhou o Oscar de Melhor Filme porque naquele ano havia AMOR, SUBLIME AMOR (West Side Story) –que era imbatível. Um elenco de estrelas de primeira grandeza, encabeçado por Gregory Peck (no auge de sua carreira), Anthony Quinn (fantástica interpretação), David Niven (sempre perfeito), e ainda Stanley Baker, Anthony Quayle, Irene Papas, James Darren, Gia Scala, Richard Harris, James Robertson Justice, entre outros. A Columbia Pictures adquiriu os direitos para o cinema do romance best-seller de Alistair MacLean “Os Canhões de Navarone” em 1957. Em setembro de 1958, o estúdio anunciou que gastaria 6 milhões de dólares – seu maior orçamento até aquela data – para trazê-lo às telas, convidando Carl Foreman (que produziu A PONTE DO RIO KWAI) para produzir e escrever o projeto. Foreman começou selecionando o elenco para OS CANHÕES DE NAVARONE pelos papéis masculinos. Apesar de ter cortejado inicialmente Cary Grant e Alec Guinness para os papéis de Capitão Keith Mallory e Cabo Miller, finalmente assinou com Gregory Peck e David Niven para os papéis principais. Eles se juntaram a Anthony Quinn, Stanley Baker, Anthony Quayle e James Darren.



Para dar ao filme apelo de bilheteria, Carl Foreman – com a permissão de Alistair MacLean (o escritor) – criou dois papéis femininos, Maria (com a interpretação soberba de Irene Papas) e Anna (Gia Scala). Após considerar as locações em Chipre, Foreman decidiu filmar as cenas externas em Rodes, na área da Ilha Dodecanese, no Mar Egeu. Para dirigir a aventura épica foi contratado J. Lee Thompson, um cineasta inglês que marcou por inovadora narrativa e apurado visual, duas qualidades perfeitas para OS CANHÕES DE NAVARONE. As filmagens começaram em abril de 1960, em Rodes, mudando-se depois para os Shepperton Studios, em Londres, para as cenas internas. A seqüência da tempestade foi filmada em um pequeno barco montado num tanque no estúdio. Para o clímax do filme, a destruição dos canhões, o diretor de arte Geoffrey Drake projetou uma “caverna com os canhões” – completa, com elevadores e equipamento – que foi construída em grandes dimensões (com 10 metros de altura) no estúdio de Shepperton. Três modelos em escala também foram construídos – 1,80m, 90 cm, 45 cm – cada um enquadrado por seis câmeras. Esta atenção para o detalhe deu ao filme o Oscar de 1961 de Melhores Efeitos Especiais. A produção terminou após cinco meses.



Sua estréia em junho de 1961 se tornou uma das maiores bilheterias do cinema. Elogiado unanimemente pela crítica internacional se tornou um sucesso estrondoso. Recebeu dois Globos de Ouro – Melhor Filme do Ano e Melhor Trilha Sonora (Dimitri Tiomkin). O público adorou OS CANHÕES DE NAVARONE, fazendo-o uma das maiores bilheterias do ano. Os norte-americanos deixaram uma fortuna de dólares nos cinemas, e no resto do mundo faturou mais do que o dobro, inclusive aqui no Brasil. Talvez a razão para esta extraordinária popularidade – que continua até hoje – foi melhor explicado pelo “Los Angeles Times” em 1961: “Os Canhões de Navarone, de Carl Foreman, é um dos melhores filmes do ano. E tem seu lugar entre os maiores filmes de suspense de todos os tempos”. Imperdível e espetacular!!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

62º Lugar - NOITES DE CABÍRIA (Le Notti di Cabiria) Itália, 1957



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

62º Lugar - NOITES DE CABÍRIA (Le Notti di Cabiria) Itália, 1957 – Direção Federico Fellini - Elenco: Giulietta Masina, Aldo Silvani, Amedeo Nazzari, François Périer, Franca Marzi, Mario Passante – 117 minutos.

Ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Já no final da época neo-realista cinematográfica, Fellini mergulha na investigação psicológica de Cabíria, na qual a personagem – universal e eterna - faz uma reflexão sobre a própria vida. Ela é uma prostituta que ganha a vida nas ruas de Roma nos anos 1950. Ingênua, sonha com o amor perfeito e acredita na bondade das pessoas. A sequência vetada pela Igreja Católica na época do seu lançamento, mas já incorporada na Edição restaurada em DVD, é bem mais inocente do que a profissão da protagonista supõe. É o encontro de Cabíria com um benemérito que sai pela cidade distribuindo alimentos aos mendigos em um saco. Para a Igreja, este tipo de caridade individual pressupõe a indiferença da instituição laica frente à miséria, uma passagem mais indecente que o ganha-pão da prostituta mais comovente do cinema.



Ao analisar o drama, podemos observar que os dias e as noites de Cabíria são narrados de forma diferente. Enquanto as noites são alegres, com direito a mambo e show de ilusionismo, os dias são marcados pelas desilusões e conflitos de existência. No entanto, não se pode inferir, somente pelo título, que Cabíria é uma prostituta, apenas após assistir o filme o título adquire sentido. Giulietta Masina com seus olhos graúdos e suas interpretações faciais consegue transmitir tanta emoção que não precisaria dizer uma só palavra, neste filme extraordinariamente belo e humano. Se tivesse sido o único filme realizado por Fellini, seria suficiente para provar sua genialidade. É uma obra-prima do início ao fim e um dos melhores filmes em todos os tempos!!

domingo, 9 de outubro de 2011

63º Lugar - LADRÕES DE BICICLETA (Ladri Di Biciclette) Itália, 1948



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

63º Lugar - LADRÕES DE BICICLETA (Ladri Di Biciclette) Itália, 1948 – Direção Vittorio De Sica – Lamberto Maggiorani, Enzo Staiola, Lianella Carell, Gino Saltamerenda, Vittorio Antonucci, Sergio Leone (seminarista) – 90 minutos.

É um dos mais belos filmes integrantes do Neo-Realismo, movimento originário na Itália no meio dos anos 1940 que contava histórias de conseqüências da guerra, ou então resistências durante a mesma; movimento que possui alguns dos melhores filmes da história do cinema. Além do filme em questão, ROMA, CIDADE ABERTA - de Roberto Rossellini, com roteiro do gênio Federico Fellini -; OBSESSÃO e A TERRA TREME - ambos de Luchino Visconti - são outros clássicos inesquecíveis presentes no movimento. Quem dirige LADRÕES DE BICICLETA é Vittorio de Sica, o poeta do Neo-Realismo, o homem das emoções, o que ia direto aos corações italianos.

Vale citar que, por causa do medo da imagem que a Itália tinha com o que os filmes mostram, os neo-realistas sofriam diversas repressões, o que levou todos os diretores a abandonar esse estilo de filmar pouco depois. Diversas pessoas são mostradas desesperadas, atrás de emprego, fazendo qualquer coisa. Mostra-se também o mercado negro, representado pelo mercado de bicicletas, e o desespero humano, até onde uma pessoa pode chegar. Aliás, é nisso que o filme se baseia, na degradação humana pela necessidade, em busca do que hoje para muitos pode ser banal. O desespero de forma crua e imprevisível, tudo com o toque sentimental inconfundível de Vittorio De Sica à obra.



Na Roma devastada do pós-guerra, um pai de família desempregado, Antonio, consegue uma vaga como colador de cartazes. Para isso, sua bicicleta é instrumento de trabalho indispensável. Em seu primeiro dia no emprego ela é roubada. Começa, então uma busca de Antonio pela preciosidade perdida. Ao acompanhar a odisséia do protagonista pelas ruas de Roma, o diretor e o roteirista realizam uma radiografia da sociedade italiana da época. Nada escapa: o desemprego, a Igreja, os sindicatos, a criminalidade, o misticismo popular e até o futebol, cuja paixão emoldura o trágico desfecho. Clássico absoluto do neo-realismo italiano, o filme soa como um libelo anti-industrial. Mas um detalhe crucial lhe dá uma dimensão moral mais elevada e, certamente, é a principal razão de seu impacto: a presença do filho de Antonio, Bruno (Enzo Staiola), o tempo todo junto ao pai, como a lembrá-lo de sua humanidade. Extraordinário!!