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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

20º Lugar - A TRILOGIA DAS CORES (Trois Couleurs: Bleu, Blanc, Rouge) Polônia, França, Suiça, 1993/1994



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

20ª Lugar - TRILOGIA DAS CORES (Trois Couleurs: Bleu, Blanc, Rouge) – França/Polônia/Suiça, 1993/1994 - Direção Krzysztof Kieslowski - “A Trilogia das Cores” nasceu por dois motivos: o bicentenário da Revolução Francesa e o momento político europeu atual - a comemoração da unificação da Europa, a já conhecida União Européia.

A LIBERDADE É AZUL (Trois Couleurs: Bleu) França/Polônia/Suíça, 1993 – Direção de Krzysztof Kieslowski – elenco: Juliette Binoche, Benoít Régent, Floente Pernel, Charlotte Very, Hugues Quester, Philippe Volter, Héléne Vincent, Claude Duneton, Julie Delpy – 97 minutos.

O filme vai fundo em suas idéias, vai aos poucos e com lentidão mostrando um retrato de uma vida comum, alterada por uma tragédia. Um marco importante realizado através de detalhes estéticos é a utilização da música de Zbigniew Preisner, um colaborador constante. Cabe aqui uma informação importante: o marido de Julie era um maestro famoso e compunha uma sinfonia para ser executada na cerimônia de unificação da Europa, trabalho que fica incompleto porque a mulher decide destruir as partituras. Mas o trecho mais emocionante da sinfonia fica gravado na cabeça dela, e é executado todas as vezes em que as memórias da família afloram; nesses momentos, a tela fica negra, como se a personagem sofresse um blackout emocional. Ou talvez Kieslowski quisesse preservar a intimidade de Julie naquele momento de dor suprema. As duas soluções são válidas, e muito bonitas. A LIBERDADE É AZUL é mais triste e doloroso do que outros filmes do cineasta. É verdade que a obra de Kieslowski está impregnada de um sentimento perene de melancolia, mas nesse filme existe dor, e ela é contundente. Outra característica do diretor, contudo, foi inteiramente preservada: é impossível antecipar os rumos da trama. Em sua nova vida, Julie vai ter que reaprender a usar os sentidos, bem como descongelar os sentimentos, mas isso ocorre paulatinamente, e de maneiras completamente inesperadas. Perceba, no entanto, a sutileza e a inteligência de Kieslowski ao mostrar o relacionamento (frio, porém fundamental) entre Julie e a mãe, que está internada em um asilo. A velhinha nem sequer reconhece a filha, mas passa os dias assistindo a vídeos de gente de meia idade praticando esportes radicais, como bungee jumping. A mãe de Julie nem sabe, mas celebra a vida de uma forma que a filha não consegue. É interessante notar, portanto, que embora jamais converse com ela sobre isso – na verdade, não conversa com ninguém sobre assuntos pessoais –, são os poucos momentos com a mãe que insinuam a Julie uma mudança de comportamento. Para os cinéfilos mais apressadinhos, que podem não ver muito sentido na trajetória errática da protagonista, a dica é ter um pouco de paciência e assistir ao filme até os créditos. Somente no final toda a trajetória de Julie vai fazer sentido. Aliás, quando o filme acaba – de uma maneira surpreendente, apenas para confirmar a regra de imprevisibilidade dos filmes do diretor –, dá até para dizer que A LIBERDADE É AZUL é otimista. Dolorosamente otimista. A título de curiosidade: atente para a aparição-relâmpago do casal do filme seguinte da trilogia, A IGUALDADE É BRANCA, em uma rápida cena no tribunal. Sem dúvida alguma o melhor filme da trilogia. Juliette interpreta seu papel com uma intensidade inigualável, trazendo à tela um misto de sentimentos como ódio, descrença e desespero. A fotografia é simplesmente belíssima. A LIBERDADE É AZUL, o belo filme de Kieslowski que abre a famosa “Trilogia das Cores” tem na escolha do tema, uma ousadia quase herética do diretor. Quem mais pensaria em associar um sentimento aparentemente tão positivo e promissor, como a liberdade, a um acontecimento tão doloroso como a morte das duas pessoas que mais se ama? A abordagem do tema é, como quase todo o cinema de Kieslowski, surpreendente e inusitada, mas também intensa, delicada e sobretudo humana, muito humana. A lição que o filme nos dá – e a obra do cineasta polonês está repleta de lições – é simples e até banal, mas certamente verdadeira: o destino pode sortear as pessoas de muitas formas, inclusive com muita dor, e não há o que fazer a não ser viver cada situação que se apresenta com intensidade e honestidade.



A IGUALDADE É BRANCA (Trois Coleurs: Blanc / Trzy Colory: Bialy ) França/Polônia/Suíça, 1994 – Direção de Krzysztof Kieslowski – elenco: Julie Delpy, Zbigniew Zamachowski, Janusz Gajos, Jerzy Stuhr, Aleksander Bardini, Jerzy Trela, Jerzy Nowak, Cezary Harasimowicz, Michel Lisowski, Juliette Binoche – 89 minutos.

É o segundo filme da “Trilogia das Cores” do conceituado diretor polônes Krzysztof Kieslowski que traça um paralelo entre a cor branca da bandeira francesa e um dos ideais da revolução, a igualdade. É o único da trilogia tratado de forma humorística. O polônes Karol recebe uma intimação para comparecer ao Palácio da Justiça de Paris e surpreende-se ao saber que Dominique, sua esposa, quer o divórcio. Sem falar absolutamente uma palavra em francês, ele entra em grandes apuros e depois de muito contratempo, Karol enriquece e trama uma inusitada vingança contra sua ex-mulher, mesmo amando-a loucamente. Dessa vez, o filme apresenta um olhar irônico sobre como o vazio da vida pode ser profundamente afetado pelo amor. O cineasta polonês continua com muita inteligência a saga sobre os ideais da Revolução Francesa, representados através das cores do país. Aqui ele discute a igualdade usando a cor branca. Temos, assim como no primeiro filme da trilogia, uma pequena distribuição de personagens. A trama é 100% voltada ao protagonista e seus atos, passando a acompanhar toda a trajetória feita por ele depois de um fato importante alterado em sua vida. Kieslowski mais uma vez mostra uma capacidade imensa na composição dos argumentos do roteiro e, na direção, sua maneira em perturbar o espectador é exatamente igual à utilizada no filme anterior. É empolgante também ver os rumos que o roteiro leva à vida de Karol, onde sua volta por cima passa a ser também um grande peso em sua consciência. O final da fita é perturbador e merece ser bastante pensado. O humanismo e a sensibilidade marcante de Kieslowski continuam intactos neste filme, que merece ser conferido por suas excelentes idéias e características. O filme ganhou o Urso de Prata de Melhor Diretor, no Festival de Berlim. Um roteiro excelente, mesclado a uma fotografia brilhante – o resultado é uma obra notável!



A FRATERNIDADE É VERMELHA (Trois Couleurs: Rouge) França/Polônia/Suiça, 1994 – Direção de Krzysztof Kieslowski – elenco: Irène Jacob, Jean-Louis Trintignant, Jean-Pierre Lorit, Zbigniew Zamachowski, Teco Celio, Jean Schlegel, Frédérique Feder, Benoít Régent, Marion Stalens, Samuel Le Bihen, Julie Delpy, Juliette Binoche – 99 minutos.

Última parte da monumental "Trilogia das Cores", considerado, como os anteriores, uma grande obra-prima, e tem como tema as cores e os lemas nacionais da França: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Valentine (Irène Jacob, magnífica) é uma jovem modelo que vive em Genebra, atropela um cachorro que tem o endereço do dono na coleira. É dessa forma que ela conhece a pessoa que iria alterar o curso de sua vida: um juiz aposentado que vive espionando as conversas telefônicas de seus vizinhos. Por trás desse comportamento, esconde-se um homem que entra na intimidade das pessoas até saber o desenrolar de seus destinos. Apesar da repulsa que Valentine sente no início pela atitude do juiz, acaba se formando uma amizade. A partir daí os dois começam a se relacionar numa história de redenção, perdão e compaixão, sobre a comunicação entre os homens. Neste último filme da trilogia, personagens dos dois filmes anteriores aparecem rapidamente, tendo suas vidas afetadas pela trama central. Indicado ao Oscar em 1995 para Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Fotografia. Não se pode deixar de citar um mistério no filme. Uma trama paralela apresenta Auguste (Jean-Pierre Lorit), um estudante de Direito que se prepara para fazer um concurso de juiz. Ele está sempre no caminho de Valentine, embora os dois não se conheçam. Mais curioso ainda é que a vida de Auguste parece reviver, ponto a ponto, a história pessoal do juiz. Mas quem é ele? Algum parente? Qual a relação possível entre as duas histórias? A dica, aqui, é ter paciência e esperar o desenrolar do brilhante roteiro (escrito por Kieslowski, em parceria com o velho parceiro Krzysztof Piesiewicz), que as liga de modo alegórico e absolutamente sedutor, deixando a platéia com um sorriso mudo no rosto e sugerindo que a existência (“você só precisa ser”, diz um dos personagens da trilogia) talvez não seja uma experiência tão solitária assim, já que algumas histórias vivem se repetindo. Kieslowski parece dizer que alguma força cósmica conecta as pessoas, e nem sempre o acaso é aleatório. Uma interpretação possível para a inclusão da história de Auguste em A FRATERNIDADE É VERMELHA está associada a um outro personagem misterioso, que aparece nos três filmes da trilogia: a velhinha que tenta colocar uma garrafa vazia em um depósito de lixo (no primeiro filme, ela não consegue e a protagonista não a vê; no segundo, o personagem principal a vê, mas apenas sorri e dá de ombros; neste terceiro, Valentine finalmente a ajuda – e a velhinha consegue cumprir seu objetivo). Em Kieslowski, no entanto, é muito comum que o elemento importante de uma cena esteja inteligentemente escondido atrás de intenções menos nobres. O que chama a atenção na história da velhinha, na verdade, é que nos dois primeiros filmes ela aparece em Paris, enquanto no terceiro está em Genebra. Como? Kieslowski jamais explicou o paradoxo; preferiu deixar a interpretação para cada espectador. Pode-se intuir, portanto, que a presença simultânea da velhinha em duas cidades diferentes signifique que, para o diretor, a barreira do espaço não é importante. Nesse sentido, a semelhança entre as histórias pessoais do juiz e do estudante de Direito talvez signifique que o conceito de tempo também não tem importância em A FRATERNIDADE É VERMELHA. Ao romper as fronteiras de tempo e espaço, Kieslowski opera uma pequena mágica, e agrega à “Trilogia das Cores” um caráter metafísico incontestável. Tudo isso sem apelar para jogos intelectuais, utilizando apenas uma fluidez e uma simplicidade narrativa contagiantes. Não são muitos os diretores capazes disso. É um dos mais belos, calorosos e solidários filmes de todos os tempos!!!!!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

21º Lugar - ALÉM DA LINHA VERMELHA (The Thin Red Line) EUA, 1998



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

21º Lugar - ALÉM DA LINHA VERMELHA (The Thin Red Line) EUA, 1998 – Direção Terrence Malick – elenco: (James) Jim Caviezel, Sean Penn, Adrien Brody, Ben Chaplin, George Clooney, John Travolta, John Cusack, Jared Leto, Woody Harrelson, Elias Koteas, Nick Nolte, John C. Reilly, Nick Stahl, Thomas Jane, Dash Mihok, Larry Romano, John Savage, Tim Blake Nelson, Kirk Acevedo – 170 minutos.

Em fevereiro de 1999, dois grandes filmes de guerra concorreram ao Oscar na categoria de Melhor Filme. Infelizmente nenhum dos dois foi vitorioso. Absurdamente perderam para SHAKESPEARE APAIXONADO, um filme infinitamente menor e sem qualquer relevância. Tratam-se de O RESGATE DO SOLDADO RYAN (1998), de Steven Spielberg, e ALÉM DA LINHA VERMELHA (1998), de Terrence Mallick. Ambos falam sobre a Segunda Guerra Mundial. A produção de Spielberg mostra a luta contra os alemães na Europa e a de Mallick tem o seu foco na luta dos americanos contra os japoneses no Oceano Pacífico. O filme de Spielberg tem uma abertura de tirar o fôlego. A seqüência do desembarque das tropas aliadas nas praias da Normandia, no famoso Dia D - o maior desembarque da história militar em todos os tempos - é de um realismo e um dinamismo impressionantes. A câmera tremida e inquieta, a barulheira, a crueldade da batalha, a sensação de caos e desespero nos transportam para uma realidade que ignorávamos, visto que os livros de História não conseguem nos dar esta dimensão épica e realista dos fatos. Todos imaginávamos tais fatos, mas vê-los representados daquela forma foi chocante. A produção conduzida por Mallick não tem nenhuma seqüência de batalha que chegue perto da dimensão épica da primeira meia hora do filme dirigido por Spielberg.



Entretanto, o roteiro e direção de ALÉM DA LINHA VERMELHA são impecáveis, muito coerentes, críticos e verdadeiramente pacifistas. No filme de Mallick, os questionamentos, os impasses morais e espirituais dos soldados se sobrepõem às cenas de ação. Todo o tempo os soldados e oficiais de baixa patente estão questionando seus atos e se perguntando sobre o sentido de toda aquela desgraça. Enquanto isso, alguns coronéis e generais manipulam o “moral” das tropas para atingirem os seus objetivos. Mas não há maniqueísmos. Até as razões e angústias dos oficiais “manipuladores” são mostradas. Apesar disso, o filme claramente não os isenta de sua culpa. Em ALÉM DA LINHA VERMELHA, há uma cena simbólica em que um soldado americano vê um soldado japonês morto e com quase todo o corpo enterrado. Apenas o rosto está visível. O americano vê naquele rosto uma humanidade, que não é diferente da sua. Um outro soldado, menos sensível, tortura um prisioneiro japonês, mas, depois, é torturado pelas lembranças de seus atos imorais. Na produção de Mallick a violência aparece em seu caráter bestial, cruel, irracional e imoral. Um elenco de astros incluindo Jim Caviezel, Adrien Brody, George Clooney, Sean Penn, Jared Leto e Woody Harrelson explode em ação nesta assustadora e realista visão do caos moral e militar que se abateu sobre o Oceano Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial. ALÉM DA LINHA VERMELHA traz a história de um grupo de fuzileiros do exército numa das mais sangrentas batalha. Foi indicado para sete Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor. É uma obra-prima cinematográfica brilhante e sem paralelo!!



Narrando alguns conflitos militares ocorridos no Pacífico durante a Segunda Grande Guerra, o filme mostra as influências que estes conflitos promoveram na vida dos povos nativos, e o intrincado avanço das tropas aliadas num território composto apenas por ilhas. Contando com um elenco grandioso de atores de primeira linha (já citado acima), belíssimas imagens da paisagem natural contraposta aos horrores da guerra, e um certo ar de transcendentalismo que transpassa o filme em vários momentos, essa obra-prima apresenta uma concepção bastante peculiar sobre a guerra. Valorizando a ótica humana interna, os combatentes são divididos entre os que ainda conservam alguma percepção emotiva da vida, e os que já foram consumidos pela doença da guerra. A convicção de que continuar vivo naquele cenário nada tem a ver com técnica de combate, coragem, ou determinação, mas está relacionado unicamente ao que alguns chamam de sorte, provoca em alguns combatentes a total descrença na vida, um esvaziamento das facetas que nos tornam humanos, e a ascensão de um tipo vazio mórbido guiado e apoiado unicamente nos mandamentos de morte que a realidade impõe como necessários. Diferente do que estamos acostumados a perceber nos filmes cuja temática é a guerra, essa obra não visa retratar heróis de batalha, nem descambar para um ufanismo típico, mas se propõe principalmente a mostrar a guerra sob ótica do espírito dos combatentes, e incitar o espectador a vasculhar dentro de si mesmo pensamentos que possam socorrer-nos diante das visões ou cenas daquele inferno humano. Trata-se de um filme reflexivo, gerador de indagações, que nos leva a uma forma diferente de encarar a realidade dos campos de batalha. Quando o filme acaba somos acometidos por aquela estranha sensação que apenas as grandes obras de arte são capazes de proporcionar. É um filme acima de tudo indagador, repito mas uma vez: reflexivo. O espectador que está apenas a fim de assistir cenas de guerras bem feitas, e bons efeitos especiais, é recomendado pesquisar outros filmes, esta obra pretende muito mais do que isso, e justamente por isso é uma obra-prima. O melhor filme contemporâneo de Guerra!! Belíssimo, devastador e espetacular!!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

22º Lugar - LARANJA MECÂNICA (A Clockwork Orange) Inglaterra, 1971



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

22º Lugar - LARANJA MECÂNICA (A Clockwork Orange) – Inglaterra, 1971 – Direção Stanley Kubrick – Elenco: Malcolm McDowell, Patrick MaGee, Michael Bates, Warren Clarke, Adrienne Corri, Carl Duering, Paul Farrell, Clive Francis, James Marcus, Miriam Karlin, Aubrey Morris – 138 minutos.

Todo elogio que você ouvir a respeito desse clássico é verdadeiro. Foi produzido em 1971, pela Inglaterra, mas até hoje o filme continua poderoso, polêmico, inesquecível e um dos poucos a não gerar imitadores. Apesar de retratar um mundo futurista, ele nunca deixou de ser tão atual e moderno, apresentando uma assustadora coreografia da violência, poucas vezes mostrada no cinema. Possui um notável e cuidadoso trabalho estilístico e desenvolve-se em um clima opressivo, com uma trilha sonora de essencial importância, num esplêndido aproveitamento da música clássica de compositores como Beethoven, Elgar, Purcell e Rossini e os sintetizadores de Walter Carlos. A predominância é Beethoven, com a sua Nona Sinfonia, em arranjos estilizados e ultra modernos, já que a personagem principal – Alex - é um apaixonado pela ultra-violência, estupro e Beethoven. Alex é um jovem desordeiro e irresponsável, um vilão simpático, que extravasa uma violência erótica contra tudo e contra todos, juntamente com sua gang, numa desolada Inglaterra do futuro. Ao nos depararmos com cenas brutais de um cinismo ímpar, somos obrigados a ficar contra ele, e ficamos a favor do Estado. Mas quando ele é preso e submetido à “reeducação” pelo próprio Estado, no famoso tratamento Ludovico, um tratamento de lavagem cerebral que lhe traz repulsa à violência, logo descobrimos a violação dos direitos humanos e a disfarçada atitude do governo em transformar Alex no “bom cidadão”. Nesse contexto da luta do bem e do mal, da culpa e do pecado o filme é satírico e notavelmente criativo.



“A violência do indivíduo é fichinha perto da violência do Estado.” Esta máxima contida no célebre romance de Anthony Burgess, de onde o filme foi inspirado, é uma verdade insofismável nessa sofisticada fábula política de uma sociedade futura e, pior, mais enfatizada na nossa real sociedade. É impossível negar a disfarçada violência do Estado no vertiginoso dia-a-dia dos cidadãos e dos não cidadãos. É complicado entrar nesse mérito, mas Stanley Kubrick (em impecável direção) deixa claro esse pensamento, através de cores, luzes e uma fotografia clean, mostrando que no fundo todos nós somos laranjas mecânicas e somos submetidos a lavagens cerebrais por parte desse Estado que promete “nos proteger”. O filme faz também uma denúncia sobre a violência cometida contra a individualidade, que acontece todos os dias ao nosso redor e não percebemos, ou percebemos, mas por egoísmo ignoramos. Outro ponto positivo a ser comentado é a criação de um dialeto elaborado com palavras de várias origens, falado pelas gangs, intitulado de gíria “nadsat”. É uma estranha mistura de idioma cigano-russo com inglês “cooke”.



O filme é extremamente irônico, recheado de humor negro, possui cenas incrivelmente fotografadas por Kubrick e o elenco impecavelmente dirigido. Malcolm McDowell está brilhante como Alex, e foi dele a idéia de cantar o tema de CANTANDO NA CHUVA, uma das cenas antológicas do filme. Patrick Magee, Adrienne Corri, James Marcus, Miriam Karlin, Aubrey Morris, Michael Bates, entre outros, completam a atuação. Infelizmente por causa da mentalidade retrógrada dos nossos governantes dos anos 1970, o filme ficou retido anos pela censura brasileira. Só foi liberado em 1978, com uma cópia feita para o Japão e com umas horrorosas bolinhas pretas para cobrir o sexo das personagens. Hoje, temos a oportunidade de apreciar esta obra-prima em versão integral, sem cortes e sem a mutilação que era praxe dos pseudo-moralistas que imperavam no passado. Gênio absoluto, Stanley Kubrick, alia um profundo senso estético com uma análise rigorosa do ser humano. LARANJA MECÂNICA é um soco no estômago ao tratar da perversão humana em sua forma mais pura. Mesmo no terreno arriscado da ultra-violência, Kubrick cria um filme impiedoso e ao mesmo tempo sublime e hipnótico. Quem não viu, veja; quem já viu, reveja. Sem dúvida alguma, está na lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos, e, é um grito de alerta contra a violência tanto estatal quanto individual. OBRIGATÓRIO e EXTRAORDINÁRIO!!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

23º Lugar - A MALVADA (All About Eve) EUA, 1950



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

23º Lugar - A MALVADA (All About Eve) EUA, 1950 – Direção Joseph L. Mankiewicz – Elenco: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Hugh Marlowe, Marilyn Monroe, Thelma Ritter, Gregory Ratoff, Barbara Bates – 138 minutos.

Pouco antes do encerramento da sua participação em DEPOIS DA TORMENTA (1949), Bette Davis disse sim a Darryl F. Zanuck quando este lhe ofereceu o papel de uma atriz de teatro já na meia idade que vê seus anos de estrelato cada vez mais distantes. O nome do personagem: Margo Channing. O filme: A MALVADA, que dispensa qualquer comentário. É um dos maiores filmes da história do cinema! Bette Davis sabia que não fora a primeira opção do chefão da Fox. Acima dela, estava o nome de Claudette Colbert. No entanto, um sério acidente nas costas a impedia de aceitar a proposta. Bette leu o roteiro, e concluiu que era o melhor que já lera na vida e, sem pensar duas vezes, aceitou. Ao longo da produção, Bette Davis desenvolveu uma profunda amizade com sua parceira de tela, Anne Baxter, além de um romance com Garry Merrill, um dos astros do filme. Eles se casariam pouco tempo depois. Por mais rico que fosse o personagem de Margo Channing (e era), a verdadeira protagonista da história era Eve, interpretada por Anne Baxter. O filme é todo contado a partir de um longo flash-back, em que o passado da personagem é revelado pelos depoimentos de pessoas com quem ela se envolveu. Apesar disso, era a imagem de Margo Channing que o público levava consigo após as sessões. Não porque Anne Baxter estivesse mal. Pelo contrário. É que Bette Davis agarrara o papel como se fosse o último de sua vida (e, de certa forma, era mesmo). E quando Bette entrava em campo com esse espírito, não tinha pra ninguém.



Visto hoje, sessenta e um anos depois, não seria exagero dizer que sua interpretação está entre as melhores do cinema norte-americano do século XX. Irônica, emotiva, cética, manhosa e tudo o mais que se pode imaginar. Quem vê A MALVADA, nunca mais esquece de Bette Davis, já querendo briga, dizendo a célebre frase: “Apertem seus cintos, esta será uma noite turbulenta”. Bette Davis ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes (feito que poucos se lembram) e foi indicada pela oitava vez ao Oscar. A grande curiosidade do filme é que Bette Davis não era a malvada, mas sim a mocinha. A grande malvada fica por conta de Anne Baxter, também num desempenho notável. A MALVADA é um filme altamente metalinguístico, uma obra do cinema sobre o próprio mundo do espetáculo. Propondo um olhar sarcástico sobre o que compõe a mítica da sétima arte e a aura das estrelas, a ironia já está presente no primeiro plano da projeção: um enquadramento fechado, contendo a imagem de um troféu de premiação somente. Entra narração em off, com o personagem que é crítico de teatro, contando para nós, espectadores, quem é quem entre os figurões do showbizz, enquanto a câmera passeia livremente pelo salão da premiação. Uma fina ironia, de muita audácia e perspicácia, que percorre o filme do início ao fim, e que faz de A MALVADA um memorável clássico do cinema e um dos maiores e melhores filmes de todos os tempos.



Escrito e dirigido por Joseph Mankiewicz, A MALVADA é um deleite tanto como cinema, mas também por sua grande teatralidade. Simplesmente todos os diálogos são pérolas, impagáveis, de tão bem construídos e bem articulados. O roteiro é engenhoso, começa no final da trama, e por meio de um flashback, proporciona uma dinâmica a saga de Eve que jamais se obteria com uma narrativa linear. O cinema de Mankiewicz é muito marcado pela teatralidade, sempre escalando grandes atores, em filmes ambientados predominantemente em ambientes internos (cenários de estúdio) e com o conflito todo baseado no diálogo. Tal como seu irmão Herman Mankiewicz ao elaborar o roteiro de CIDADãO KANE (1941), Joseph trabalha aqui com a pluralidade de visões com que uma história pode ser contada – temos aqui a mesma trama sendo narrada pelos olhos de Addison DeWitt (George Sanders), o crítico de teatro, assim como por Karen Richards (Celeste Holm), a esposa do roteirista. E também por optar pela não-linearidade dos fatos para apresentar uma narrativa. Desde o momento em que vislumbra seu ídolo pela porta do teatro, Eve Harrington (Anne Baxter numa interpretação extraordinária) dirige-se impiedosamente rumo a seu objetivo: arrebatar as rédeas do poder da grande atriz Margo Channing (Bette Davis, deslumbrante e poderosa). A astuta Eve faz suas tramóias para conseguir o papel de Margo na Broadway, torna-se um sucesso e tumultua as vidas do namorado de Margo (Gary Merrill), do escritor de suas peças (Hugh Marlowe) e de sua esposa (Celeste Holm). Apenas o cínico crítico de teatro (George Sanders, vencedor do Oscar) consegue perceber as intenções de Eve, admirando sua audácia e o padrão perfeito de dissimulação. Thelma Ritter e Marilyn Monroe coestrelam este celebrado clássico, que ganhou Oscar, incluindo Melhor Filme do Ano (merecidamente) e recebeu o maior número de indicações ao Oscar 1951 da história do cinema: 14 indicações, feito só comparável anos depois com TITANIC (1997). A MALVADA é um dos maiores filmes da história do cinema! Um dos mais inteligentes de todos os tempos! Um triunfo!!!!

domingo, 20 de novembro de 2011

24º Lugar - CREPÚSCULO DOS DEUSES (Sunset Boulevard) EUA, 1950



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

24º Lugar - CREPÚSCULO DOS DEUSES (Sunset Boulevard) EUA, 1950 – Direção Billy Wilder – elenco: Gloria Swanson, William Holden, Erich von Stroheim, Franklyn Farnum, Jack Webb, Nancy Olson, Fred Clark, Lloyd Gough, Larry J. Blake, Charles Dayton, Cecil B. DeMille, Buster Keaton, H. b. Warner, Ray Evans – 110 minutos.

Clássico absoluto da cinematografia mundial! Recebeu onze indicações ao Oscar, inclusive Melhor Filme do Ano. Ganhou três: melhor roteiro, melhor trilha sonora e melhor direção de arte. É uma das mais notáveis obras-primas de toda a história do cinema! Tão poderoso e importante, que foi incluído numa lista de 25 filmes considerados “patrimônio da humanidade” pelo Congresso norte-americano. Ficou famoso por várias razões, entre elas, trouxe de volta ao estrelato a grande diva do cinema mudo: Gloria Swanson. É o melhor filme já feito sobre Hollywood. Uma tragédia gótica com toques de humor negro e ironia cáustica, é um réquiem à época de ouro de Hollywood. O roteiro é um dos mais brilhantes e inteligentes em todos os tempos. Uma consagração definitiva, o filme é todo narrado em flashbacks pelo roteirista morto. Narra a história de um jovem roteirista Joe Gillis (memorável atuação de William Holden), desempregado e endividado, que esconde-se de credores na garagem de uma mansão que lhe parece abandonada, no Sunset Boulevard, em Hollywood. Mas a casa é habitada por Norma Desmond - magnífica performance de Gloria Swanson, aclamada como uma das mais soberbas interpretações de toda a história da cinematografia mundial. Norma Desmond é uma antiga estrela do cinema mudo, que vive de recordações, vive com o mordomo Max (Erich von Stroheim), seu ex-marido. A pretexto de contratar Gillis para aperfeiçoar um roteiro seu, com o qual pretende fazer uma volta triunfal às telas, Norma praticamente aprisiona o jovem em sua casa-museu, fazendo dele seu amante. Pressionado, Gillis deixa-se comprar pela estrela, pela qual sente uma crescente repulsa. Quando decide abandoná-la, o desfecho é trágico.



A cena inicial na piscina com uma tomada do fundo da piscina é interessante, porque não foi filmada no fundo da piscina, mas de cima com um espelho embaixo (dentro da piscina). A abertura do filme é clássica, o suficiente para se tornar um dos melhores filmes de todos os tempos. O filme é recheado de cenas clássicas: quando William Holden vai à festa usando casaco de alpaca é simplesmente antológica. Outra cena famosa é quando Norma Desmond atravessa o portão da Paramount e é tratada como a pessoa importante que ela acredita ser. Os funcionários a tratam bem, mas o mundo a esqueceu. A figura sinistra de Max von Mayerling, o mordomo. A seqüência em que parodia Charles Chaplin, que foi seu amigo, e num jogo de cartas reencontra velhos amigos de seu tempo de estrelato é um primor. Nessa seqüência há grandes personalidades do cinema mudo, como o comediante Buster Keaton, a atriz Anna Q. Nilsson, o ex-galã H. B. Warner. Eles eram chamados de “bonecos de cera” por Joe Gillis, porque também estavam ultrapassados. O diretor Cecil B. DeMille aparece na seqüência memorável, em que ele recebe Norma Desmond nos estúdios autênticos da Paramount, onde estava rodando o clássico SANSÃO E DALILA (1949). A cena final é uma das mais famosas. A descida das escadarias, dirigida pelo antigo marido, diretor e, agora, mordomo, é das mais belas da história do cinema – ela caminhando para a lente até sair de foco. É uma alegoria para toda a história de uma estrela consumida pelo próprio mito do cinema. É um momento estupendo da sétima arte. Há uma frase clássica, quando Gillis afirma para ela: “Norma Desmond! Você era uma grande atriz do cinema mudo”. Ela não gostou de ouvir isso e retrucou: “Eu sou grande, os filmes é que ficaram pequenos!” CREPÚSCULO DOS DEUSES é um filme cruel, mágico, poético, muito abrangente e universal. É sobre o oportunismo e suas conseqüências. É uma das mais extraordinárias críticas à indústria cinematográfica e Norma Desmond permanecerá para sempre como uma grande atriz, com sua imponência e sua eterna capacidade de manter a pose. O filme funciona como um cartão de visitas perfeito para o cinema americano clássico, porque tem aquela carpintaria irretocável de roteiro, direção e interpretação, mas também porque traz uma visão crítica de Hollywood (pelos olhos irônicos do austríaco Billy Wilder) e toques geniais de modernidade (como a idéia do narrador morto). Foi o filme que me explicou por que a fábrica de sonhos americana é tão grandiosa e ilusória.

sábado, 19 de novembro de 2011

25º Lugar - GRITOS E SUSSURROS (Viskningar Och Rop) Suécia, 1972



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

25º Lugar - GRITOS E SUSSURROS (Viskningar Och Rop) – Suécia, 1972 – Direção Ingmar Bergman – elenco: Liv Ullmann, Ingrid Thulin, Harriet Andersson, Kari Sylwan, Erland Josephson, Anders EK, Inga Gill, Henning Moritzen, Georg Arlin – 90 minutos.

Um filme de Bergman não cabe num registro rápido e momentâneo. Exige, no mínimo, um ensaio. Afinal, não é por nada que o cineasta sueco é estudado e discutido por psiquiatras e psicólogos - tanto ou mais do que por críticos de cinema. No máximo, uma informação pode auxiliar ao espectador menos entrosado no labiríntico universo bergmaniano a encontrar caminhos que esclareçam, ou ajudem a esclarecer, as suas proposições. É um filme hermético, e, por isso mesmo desafia o espectador que gosta de temas difíceis tratados com inteligência na tela. GRITOS E SUSSURROS concorreu ao Oscar, em cinco categorias (Melhor filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Figurino; recebendo apenas um: o de Melhor Fotografia, pelo trabalho perfeito de Sve Nykvist). Como em todos os filmes de Bergman, há uma linha muito própria de visão do subconsciente dos angustiados personagens - querendo libertar-se de um mundo fechado na memória/cérebro de cada um. Lembrando ainda o lúcido comentário de um crítico: "Nesse filme estão todas as grandes linhas de pensamento e da arte bergmaniana: as influências de gênios escandinavos, de Strindgerg a Dreyer; os reflexos da formação cristã (definitivamente encerrada com a trilogia em torno do Silêncio de Deus); o existencialismo, especialmente pela vertente de Kirkegaard (já que a essência do melhor do cineasta é cultivar com paixão religiosa a dúvida de toda certeza)".



Foi o próprio Ingmar Bergman quem definiu GRITOS E SUSSURROS como um filme que se aproxima mais de um estado de alma do que propriamente de uma história a ser narrada dentro dos princípios básicos do cinema. Deixar transparecer o que se oculta sobre as formalidades das relações humanas é o objetivo dessa obra reveladora. Não que a trama envolvendo a agonia de uma mulher em estado terminal e de suas duas irmãs seja irrelevante. Muito pelo contrário. É no limiar da vida que Bergman percebe o momento das grandes revelações, aquelas abafadas pela moral, pelos costumes e pela religião. Obra de um autor maduro, o roteiro se apropria do universo das peças de Tchecov, em especial “Tio Vânia”, destrinchando o complexo universo das relações humanas, principalmente aquelas sustentadas por frágeis laços familiares. O olhar desafiador é herança não apenas de Tchekov, mas também de Ibsen, autor favorito e referência em todos os roteiros bergmanianos. Realizado em 1972, GRITOS E SUSSURROS talvez seja o filme que melhor sintetiza as preocupações estéticas e temáticas do diretor de MORANGOS SILVESTRES (1958). Foi dito talvez porque uma década mais tarde, Bergman se superaria com FANNY & ALEXANDER (1983), que além da densidade dramática é uma espécie de retrato da infância do autor. Ambos os filmes são geniais, completos e extraordinários. Em GRITOS E SUSSURROS, a agonia da personagem Ágnes (Harriet Andersson), que perpassa todo o filme, permite ao cineasta traçar um painel da impotência humana diante da morte, mesmo dilema presente em filmes como O SÉTIMO SELO (1956) e OS COMUNGANTES (LUZ DE INVERNO). O destino inexorável lança os personagens à própria sorte, ou melhor, à falta de sentido de suas vidas tacanhas, enquadradas na rigidez das normas sociais de um mundo dominado pelos machos, símbolos moral protestante, que reprime a inventividade e o desejo.



Ingmar Bergman confia às suas personagens femininas, que vivem uma espécie de exílio familiar, o caminho da salvação. A morte de Ágnes, ainda que por alguns instantes, liberta o amor contido de suas duas irmãs, a travada Karin (Ingrid Thulin) e a frígida Maria (Liv Ullmann). Já para Anna (Kari Sylwan), a criada, a morte de Ágnes representa a oportunidade de mostrar o humanismo e a compaixão intoleráveis no ambiente repressivo abordado pelo filme. Mas GRITOS E SUSSURROS é sobretudo um filme que se utiliza do requinte estético para expressar sentimentos. A fotografia do gênio Sven Nykvist em vermelho profundo, além de criar uma atmosfera onírica quase atemporal, ilumina instantes inesquecíveis de amor, ódio e ternura. Nykvist, fotógrafo de grande parte dos filmes de Bergman, reforça a idéia de clausura física e existencial, oferecendo um belíssimo contraponto na sequência final, quando irmãs e criada correm pela grama, num momento de paz, feminilidade e conforto, em que cessam os gritos e sussurros. Mas seria este um filme incompleto sem a interpretação formidável das três atrizes principais, cujas máscaras procuram justamente traduzir o indizível da alma humana. São elas, por sinal, a matéria-prima do cinema bergmaniano. GRITOS E SUSSURROS pode ser visto ainda como uma reverência àqueles que são, na verdade, a alma do seu cinema - os atores, cujas imagens na tela ratificam a utopia cinematográfica do triunfo da vida sobre a morte. Belo, inesquecível, difícil, inquietante e extraordinário, obra-prima de riqueza infinita, é um dos filmes mais perturbadores do mestre Ingmar Bergman!! É um dos mais belos filmes do cinema! Um verdadeiro estudo da angústia feminina em vermelho profundo! É uma daquelas raras experiências que o espectador carrega por toda a sua existência!! Perfeito e obrigatório!!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

26º Lugar - 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (2001: A Space Odyssey) Inglaterra, 1968



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

26º Lugar - 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (2001: A Space Odyssey) Inglaterra, 1968 – Direção de Stanley Kubrick – elenco: Keir Dullea, Douglas Rain (Hal 9000 – voz), Gary Lockwood, Sean Sullivan, Robert Beatty, Margaret Tyzack, Leonard Rossiter, Daniel Richter, William Sylvester, Frank Miller – 139 minutos.

Dois astronautas estão a caminho de Júpiter, a bordo de uma espaçonave controlada por HAL 9000, o computador de inteligência artificial mais avançado já desenvolvido. Sua missão: desconhecida até chegarem a seu destino. Somente HAL 9000 conhece o real propósito dessa viagem... e fará de tudo para que os objetivos não sejam atingidos, em uma verdadeira batalha entre o homem e a máquina. Prepare-se para acompanhar uma aventura rumo ao desconhecido que começou há 4 milhões de anos atrás. Um mistério tão antigo quanto a existência humana. 2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO é um marco na história dos filmes de ficção-científica. Grande clássico da história do cinema, que é também a obra-prima do diretor Stanley Kubrick (o mesmo de filmes soberbos como LARANJA MECÂNICA, DR. FANTÁSTICO, SPARTACUS, NASCIDO PARA MATAR etc) e um dos melhores filmes de todos os tempos. Visualmente brilhante e tecnicamente perfeito, o filme chegou a ser profético ao mostrar, antes do homem chegar à Lua, que a Terra é azul e que no espaço não existe tempo. O filme, como pretendeu Kubrick, é realmente uma experiência visual, plasticamente inesquecível. Foi premiado apenas com um Oscar (Melhores Efeitos Visuais, dirigidos pelo próprio Kubrick com supervisão de, entre outros, Douglas Trumbull). A Academia de Hollywood cometeu uma das maiores injustiças da história em não indicá-lo a Melhor Filme do Ano. Uma injustiça tão grave que até hoje não houve perdão.



O filme começa com a Aurora do Homem (os primeiros 15 minutos) e depois passa para o homem já conquistando o espaço (uma mudança magnífica, sintetizada num único corte), durante a primeira viagem tripulada a Júpiter. É quando o supercomputador HAL 9000 enlouquece e tenta matar toda a tripulação. Mas o herói (Keir Dullea, em brilhante interpretação) muda de dimensão e chega até o mistério do monolito negro (que seria o símbolo de uma inteligência maior, possivelmente Deus), até renascer como um Novo Homem. Não é a toa que a trilha musical é “Assim Falou Zaratrusta” de Richars Strauss (uma música que fala de um novo homem). No Brasil - 2001, UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO foi lançado em abril de 1968, quase simultaneamente com os Estados Unidos. Chegou aqui em São Paulo e também no Rio de Janeiro antes das críticas estrangeiras. Por isso, a impressão do filme foi de total espanto. Dizia-se que os críticos ficaram frustrados por não ver nenhum marciano. O fato é que foi preciso algum tempo para se recomporem e descobrirem que 2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO é uma verdadeira obra-prima. É um espetáculo absolutamente deslumbrante e sempre obrigatório. Quem ainda não viu veja, porque nunca mais vai esquecê-lo.



Depois de descoberto, “2001” passou a ser louvado, escolhido como melhor filme do ano pelos críticos em São Paulo e Rio de Janeiro, onde organizaram um Simpósio de Ficção-Científica só para entregar o Monolito de Ouro ao autor Arthur C. Clarke. O diretor Stanley Kubrick, falando de seu filme, disse uma grande verdade: “2001 é tão perfeito tecnicamente que o próximo filme sobre viagens espaciais se quiser ser melhor terá de ser filmado nos próprios locais”. O extraordinário no filme foi sua importância profética. Foi realizado antes do homem chegar à Lua. A belíssima valsa Danúbio Azul foi redescoberta e se tornou desde então a música oficial dos lançamentos da Nasa. 2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO custou 12 milhões de dólares e foi rodado na Inglaterra a partir do primeiro script de Kubrick e Arthur C. Clarke. O ponto de partida do filme foi o conto “The Sentinel”, de Clarke, que passou a ocupar apenas trecho da história (a viagem a Júpiter e o combate de HAL com os astronautas). O autor baseia todos seus escritos em três axiomas: 1) Quando algum cientista anuncia que alguma coisa é possível, ele provavelmente está certo. Quando anuncia que alguma coisa é impossível , provavelmente está errado. 2) A única maneira de definir os limites do possível é ir além deles, o caminho do impossível. 3) Qualquer tecnologia extraordinariamente avançada é indistinguível da magia. Ao assistirmos a esta obra-prima temos razão suficiente para colocá-la como um dos maiores clássicos do cinema do Século XX. Extraordinário e imperdível!!