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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

UM SONHO DE AMOR (Io Sono L'Amore) Itália, 2009



UM SONHO DE AMOR (Io Sono L’Amore) Itália, 2009 – Direção Luca Guadagnino – elenco: Tilda Swinton, Flavio Parenti, Edoardo Gabbriellini, Alba Rohrwacher, Pippo Delbono, Marisa Berenson, Mattia Zacaro, Gabriele Ferzetti, Diane Fleri, Maria Paiato, Waris Ahluwalia – 120 minutos.

Há um clima de Luchino Visconti em UM SONHO DE AMOR, drama de Luca Guadagnino. E começa no local da história, a Milão onde o elegante diretor de OS DEUSES MALDITOS (1969), VIOLÊNCIA E PAIXÃO (1974), O LEOPARDO (1963), MORTE EM VENEZA (1971) , entre outros, nasceu, viveu e trabalhou. Existem várias outras homenagens explícitas de Guadagnino ao mestre milanês - como a presença de Marisa Berenson (atriz de MORTE EM VENEZA) e de membros de sua família, os nobres Di Modrone, no elenco. A melhor parte é que Guadagnino, um diretor até aqui pouco conhecido - no Brasil teve lançado 100 ESCOVADAS ANTES DE DORMIR (2005) - faz justiça à ambição que se espera deste nível de homenagem. E realiza um filme elegante e denso, que foi indicado, em 2011, ao Oscar de Melhor Figurino. UM SONHO DE AMOR é um verdadeiro diálogo de escolas cinematográficas. Às vezes, nos sentimos em um filme de Visconti por conta da elegância da elite. Por outras, o uso extensivo de zoom e a quebra das aparências burguesas lembra Pasolini. Já o figurino impecável nos coloca na adaptação de Tom Ford em DIREITO DE AMAR (A Single Man - 2009). No conjunto, o filme poderia ser dividido em três crônicas: da família, ambientada em Milão; do amor, vivida em San Remo; do trabalho, contaminada por Londres. Cada uma dessas cidades permite um diferente desenvolvimento dos personagens, caminhando ou em direção à alegria ou ao lamento. Na primeira, conhecemos os Recchi, nome tradicional da burguesia industrial. O núcleo familiar está com o casal Tancredi (Pippo Delbono, grande ator de teatro) e Emma (Tilda Swinton) e seus filhos, Edoardo (Flavio Parenti), Betta (Alba Rohrwacher) e Gianluca (Mattia Zacaro). A estável família encontra novos caminhos quando o avô morre e o cozinheiro Antonio (Edoardo Gabbriellini), amigo do filho primogênito, aproxima-se dos Recchi.



A grande mansão em Milão, que vive o clã Recchi, ricos industriais têxteis, vive o momento delicado de uma sucessão. O velho patriarca (Gabriele Ferzetti) termina por indicar dois substitutos na condução do negócio da família, o filho Tancredi (Pippo Delbono) e o neto Edoardo (Flavio Parenti). O jantar de aniversário em que o avô anuncia sua decisão torna a enorme casa e seu funcionamento tão personagens do filme quanto a família que a habita. Há uma engrenagem imensa e multifacetada, liderada nos bastidores por uma matriarca incansável, Emma (Tilda Swinton), a mulher de Tancredi. Discreta e dedicada, Emma fala pouco mas é onipresente para que nenhum detalhe escape ao controle. Ela é essencial à felicidade de seus homens - o marido e os dois filhos, que, apesar de adultos, são tratados como mimadas crianças. No entanto, parece apagar-se, inclusive nas cores e no talhe do figurino, não fazendo notar seus sentimentos. Ela é a base de uma estrutura que não domina e parece não aspirar mais do que a satisfazer seus senhores. Esse mundo ordenado e plácido começa a rachar justamente nesse aniversário. É quando irrompe na vida dos Recchi a figura de Antonio (Edoardo Gabbriellini), um jovem chef de cozinha que ganhou uma corrida de Edoardo e tornou-se, ironicamente, um de seus melhores amigos. Edoardo torna-se sócio de Antonio num restaurante em San Remo, onde o jovem chef testa suas receitas. Numa visita ao novo negócio do filho, Emma descobre sabores que parece nunca ter experimentado. A dureza da mulher de gelo quebra-se para sempre. A natureza da paixão de Emma pelo amigo do filho é por demais disruptiva para se imaginar um final feliz. Apesar de sua inequívoca vocação para a tragédia em grande estilo, no entanto, o filme sustenta um notável equilíbrio dramático que permite sorver cada momento do embate entre razão e emoção que explode no coração de Emma. No centro de tudo está a presença carismática de Tilda Swinton, uma atriz em plena maturidade que desdobra cada minúcia de suas personagens com uma riqueza de camadas que se torna um prazer enorme acompanhá-la. Um jogo de sedução e uma espiral de emoções das mais fortes que só o cinema europeu sabe realizar, explode na tela de forma inexorável e deslumbrante. Imperdível, magnífico e esplendorosamente belo!!



domingo, 1 de janeiro de 2012

O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO (Mao's Last Dancer) Austrália, 2009



UM DOS MAIS BELOS FILMES DO ANO!!

O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO (Mao’s Last Dancer) Austrália, 2009 – Direção Bruce Beresford – elenco: Chi Cao (Li Cunxin adulto), Bruce Greenwood, Kyle MacLachlan, Joan Chen, Wen Bin Huang (Li Cunxin criança), Su Zhang (teacher Chan), Chengwu Guo (Li Cunxin adolescente), Penne Hackforth-Jones, Christopher Kirby, Suzie Steen, Madeleine Eastoe, Camilla Vergotis, Amanda Schull, Jon-Claire Lee, Quan Tran, Aden Young, Jack Thompson - 117 minutos.

O cineasta australiano Bruce Beresford (realizador de CONDUZINDO MISS DAISY) dirigiu O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO com delicadeza e sensibilidade. Na tela temos uma história inspiradora de coragem, determinação e amor pontuada por excelentes números de dança. O diretor escapa habilmente dos clichês e realiza um filme que merece a atenção do espectador. Baseado numa história real, é a adaptação magnífica do best seller autobiográfico Adeus China: O Último Bailarino de Mao, de Li Cunxin, cuja história pessoal foi atravessada por altos e baixos da Revolução Cultural. Começa em 1979 com o personagem central chegando aos Estados Unidos para estudar na Companhia Houston Ballet, do Texas. Em seguida, flashbacks nos levam à província rural de Qingdao, onde Li vive em condições de subsistência ao lado dos muitos irmãos e dos pais. Aos 11 anos, sua vida muda para sempre quando é selecionado por um grupo de inspetores do governo para ir a Pequim e torna-se um bailarino na Academia Madame Mao Dance.



Ainda criança, Li Cunxin (nesta fase interpretado por Wen Bin Huang) vive com os pais camponeses. Até o dia em que sua aldeia é visitada por representantes do governo, recrutando candidatos para treinamento artístico e atlético. O menino é escolhido para estudar dança em Pequim, forçando uma separação da família, juntamente com diversas outras crianças da sua e de outras aldeias. Ainda que emocionalmente divididos, os pais viam aí uma oportunidade de um futuro melhor para os filhos. Em Pequim, Li esquece a infância em favor de um treinamento intensivo, não raro doloroso. A ideologia penetra todas as instâncias da vida do garoto, já que os temas dos espetáculos de balé são todos dirigidos para o enaltecimento dos valores da revolução comunista. Uma visita do presidente Richard Nixon à China, em 1972, dá início a um processo de aproximação com os EUA. A partir daí, começa a ocorrer um intercâmbio maior entre os dois países, inclusive de artistas, que mudará a vida de Li Cunxin. O diretor do balé de Houston, Ben Stevenson (Bruce Greenwood), impressiona-se pelo talento do bailarino chinês, que é convidado para uma temporada no Texas. Lá, ele descobre uma realidade inteiramente diferente da de seu país. O choque cultural e a paixão pela bailarina Elizabeth (Amanda Schull) amadurecem em Li a intenção de ficar nos EUA - uma decisão que provoca um incidente diplomático e acarreta uma sequência de acontecimentos dramáticos.



O próprio Li Cunxin aprovou seu intérprete na tela, o bailarino Chi Cao, que o encarna na fase adulta de forma impecável. Cao, aliás, é filho de dois professores do personagem real na Academia de Balé de Pequim. Li foi proibido de voltar à China e nunca mais poder ver a sua família. Certa vez, numa entrevista ele disse: “Quando danço, danço para eles”. O filme merece aplausos não só pela acertadíssima adaptação de uma história emocionante, uma excelente reconstituição de época – fruto de um trabalho de direção de arte elogiável - mas também pela trilha sonora de tirar o fôlego. Belo e inesquecível, o filme não economiza ao proporcionar o encantamento de diversas sequências de dança. Ganhou o Prêmio de público na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Premiado também como Melhor Filme no Australian Film Institute, em que ganhou também pela Trilha Sonora. Com uma belíssima fotografia e uma história encantadora, está listado entre os melhores filmes do ano! Belo, tocante, inesquecível e magnetizante!! Todos devem assistir!!


sábado, 31 de dezembro de 2011

SANGUE E HONRA (Ironclad) Inglaterra, EUA, Alemanha, 2011



SANGUE E HONRA (Ironclad) Inglaterra/ EUA / Alemanha, 2011 – Direção Jonathan English – elenco: James Purefoy, Brian Cox, Kate Mara, Derek Jacobi, Paul Giamatti, Charles Dance, Jason Flemyng, Jamie Foreman, Mackenzie Crook, Rhys Parry Jones, Aneurin Barnard, Vladimir Kulich, David Melville, Annabelle Apsion, Steffan Rhodri – 121 minutos.

É o ano 1215 e os barões rebeldes da Inglaterra forçaram o seu desprezado rei João à colocar seu selo real na Carta Magna, um nobre documento que mantinha os direitos dos homens. No entanto, meses depois de prometer à Carta Magna, o Rei descumpriu sua palavra e montou um exército de mercenários, na costa sul da Inglaterra com a intenção de trazer os barões e o país de volta ao seu domínio tirânico. Mas no seu caminho estava o castelo do poderoso Rochester, um lugar que se tornaria o símbolo da luta memorável dos rebeldes por justiça e liberdade. Foi um dos momentos mais violentos e cruciais da Inglaterra do Século 13. A devastadora batalha pelo Castelo de Rochester se tornou uma verdadeira lição de honra, lealdade, verdade, intolerância, ação e emoção. Os seus heróis foram apagados da História... ATÉ AGORA!!



Não faltam sangrentas cenas de batalha nessa produção sobre um personagem histórico pouco explorado nos cinemas: o rei inglês João Sem Terra, que assumiu o trono com a morte do irmão – o amado Ricardo, Coração de Leão. Na lenda de Robin Hood, é João quem persegue o fora da lei com a ajuda do Xerife de Nottingham. A narrativa inicial conta como ele foi obrigado a assinar a Carta Magna, e depois se rebelou contra a mesma. Focalizando os eventos que se seguiram, com a decisão de João de retomar o famoso Castelo de Rochester, que estava sob a custódia de um arcebispo, um lugar que se tornaria o símbolo da luta memorável por justiça e liberdade. Porém, é a presença dos cavaleiros templários, centrados na figura de James Purefoy (que cria um personagem sério, forte e letal), que toma fôlego para revidar o rei tirano. SANGUE E HONRA faz lembrar um pouco CORAÇÃO VALENTE (1995), um filme violento, sério, repleto de batalhas grandiosas, e que não peca na história contada. SANGUE E HONRA tem quase a mesma qualidade, com suas cenas de fúria e diálogos bem orquestrados. ABSOLUTAMENTE PODEROSO, MAGNÍFICO E UM DOS GRANDES FILMES DO ANO!!

ALGUMAS BATALHAS MUDAM O DESTINO DE UMA GUERRA. CONHEÇA A BATALHA QUE MUDOU A HISTÓRIA.



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O PALHAÇO - Brasil, 2011



O PALHAÇO – Brasil, 2011 – Direção Selton Mello – elenco: Selton Mello, Paulo José, Larissa Manoela, Giselle Motta, Fabiana Karla, Moacyr Franco, Teuda Bara, Jackson Antunes, Álamo Facó, Cadú Fávero, Erom Cordeiro, Tony Tonelada, Hossen Minussi, Maíra Chasseraux, Tonico Pereira, Ferrugem, Danton Mello, Jorge Loredo – 90 minutos.

É possível enxergar Fellini num filme que beira o onírico, pisca para o bizarro, mas se encerra no realismo. E até Wes Anderson - especialmente seus Tenenbaums (“Os Excêntricos Tenenbaums”) - numa família de gente estranha, cada um com seus talentos e incompreensões. Mas esses e outros diálogos vêm de quem assiste ao filme, pois Selton fez um longa que tem vida própria. Aqui, ele está em jornada tripla. Além de dirigir, atua e é responsável pelo roteiro, escrito em parceria com Marcelo Vindicatto. E, para aqueles que acusam Selton de repetir-se no cinema - uma espécie de personagem de si mesmo -, O PALHAÇO é a prova de seu talento. Dirigindo a si mesmo, o ator é capaz de se reinventar num personagem que foge de qualquer coisa que já o vimos fazer antes. Isso se dá especialmente porque ele tem ao seu lado o grande Paulo José num personagem daqueles maiores que a vida, que ameaça tomar o filme para si. Mas o diretor encontra o equilíbrio e é gratificante assistir a dupla em ação.
Paulo e Selton são pai e filho e também uma dupla de palhaços, com nomes artísticos de Puro Sangue e Pangaré. O rapaz, cujo nome de batismo é Benjamim, nunca conheceu uma vida fora do circo. Ser palhaço, pensa ele, não foi sua escolha, foi uma consequência da vida. Por isso mesmo, quando surge uma rebeldia adolescente tardia ele quer cair no mundo. Descobrir o que há além da tenda do circo é descobrir a si mesmo, mergulhar nas oportunidades, correr riscos e chegar às conquistas. Porque até então a vida de Benjamin não lhe pertencia. Para qualquer personagem, seja no cinema ou na literatura, obter sua independência é uma viagem, que pode ganhar tons metafóricos. Em O PALHAÇO o protagonista cai no mundo em busca de um ventilador e um amor. Desculpas bobas, porque o que ele quer mesmo é encontrar sozinho sua identidade. Fazer essa viagem é abrir mão do velho para abraçar o novo. O palhaço perde o circo para ganhar o mundo. Personagens estranhos cruzam o caminho de Benjamim. Eles são a prova de que, de perto, ninguém é normal. Eles também são a oportunidade que Selton encontrou para resgatar e homenagear ídolos de sua infância.



Entram em cena o ex-garoto-propaganda Ferrugem (ator-mirim que marcou época na década de 1970 e agora reaparece quarentão), como o atendente de uma prefeitura, no papel de um burocrata; Jorge Loredo, aos 86 anos, despe mais uma vez a roupa de seu personagem mais famoso, o eterno Zé Bonitinho, para viver o dono de uma loja de ventiladores que passa as noites contando piadas sem graça para seus funcionários; igualmente digno de nota é a participação de Teuda Bara, uma das fundadoras do grupo de teatro Galpão, que dá um show com os olhos em O PALHAÇO; mais conhecido do grande público, Tonico Pereira completa o time de coadjuvantes que dão sabor especial a esse grande filme. Agora, há que se destacar o brilho de Moacyr Franco, cujo personagem domina sua única cena de tal forma que o ator, aos 75 anos, ganhou o seu primeiro papel no cinema – uma cena de três minutos, na qual interpreta um delegado de cidade do interior às voltas com quatro forasteiros de uma trupe de circo. O texto é tão bom e o seu desempenho tão impressionante que ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante no último Festival de Paulínia. O filme saiu do Festival com prêmios de roteiro, figurino e direção. O cantor e compositor também usou toda a sua espertisse para ajudar o diretor do filme na seleção de músicas da trilha sonora, que inclui clássicos do cancioneiro brega, nas vozes de Nelson Ned (Tudo Passará), Altemar Dutra e Lindomar Castilho. O desempenho de Moacyr Franco é apenas um dos achados de Selton Mello em sua terceira incursão atrás das câmeras. Como havia feito no curta-metragem “Quando o Tempo Cair” (2006), protagonizado por Jorge Loredo, e no longa “Feliz Natal” (2008), com a participação destacada de Darlene Gloria e Lucio Mauro, o diretor surpreende com várias de suas escolhas. É possível até fazer um paralelo entre Selton e Benjamim. Selton precisou se tornar diretor para se reinventar como ator - fazendo muito bem as duas funções. Benjamim precisa sair do centro do picadeiro para descobrir o seu verdadeiro lugar. Numa jornada, o ponto de partida é tão importante quanto o de chegada. UM DOS MELHORES FILMES DO ANO!!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A ÁGUIA DA LEGIÃO PERDIDA (The Eagle) EUA, 2011



A ÁGUIA DA LEGIÃO PERDIDA (The Eagle) EUA, 2011 – Direção Kevin MacDonald – elenco: Channing Tatum, Jamie Bell, Donald Sutherlhand, István Göz, Bence Gerö, Mark Strong, Denis O’Hare, Paul Ritter, Zsolt László, Julian Lewis Jones, Aladár Laklóth, András Faragó, Douglas Henshall, James Hayes – 114 minutos.

É uma adaptação do romance homônimo de Rosemary Sutcliff e um drama histórico que se passa na Inglaterra do ano 140, 20 anos depois que a Nona Legião Romana enfrentou os Bretões ao norte do país e foi brutalmente vencida, tendo a Águia Romana feita de ouro roubada e jamais recuperada pelos romanos. O Imperador Adriano mandou construir uma fortificação feita de madeira e pedra de 118 quilômetros, com 4,5 metros de altura e 2,5 metros de largura, separando o Império Romano das invasões militares constantes dos habitantes da Escócia como os Pictos e os Escotos, que ficou pronta em 126 D.C. É nesse ambiente que chega a uma fortificação romana próxima à Muralha de Adriano, ou seja ao norte da Bretanha, o jovem Centurião Marcus Flavius Aquilla (Channing Tatum), traumatizado pela perda do pai, que lutara na fatídica luta da Nona Legião e morrera na mesma. Querendo recuperar a honra familiar ele opta por este posto no final do Império, e lá encontra soldados duvidando de seu poder de comando e que ele trazia má sorte. Enfim, logo no início do filme, os bretões atacam a fortificação e Marcus corajosamente enfrenta a horda invasora, mas é ferido gravemente em combate e mandado de volta para a casa de seu tio (Donald Sutherland) ao sul da Bretanha. Lá enquanto se recupera de seus ferimentos e é liberado do Exército Romano a contra-gosto, Aquilla salva da morte um escravo bretão chamado Esca (Jamie Bell), que acaba lhe devendo a vida. Depois de totalmente recuperado de suas lesões, Aquilla resolve ir além da Muralha de Adriano e resgatar a Águia Romana e recuperar a honra de seu pai. E nessa empreitada, segue junto o escravo Esca, que lhe ajudará dentro do terreno inimigo, além de conhecer a língua dos mesmos. Um grande filme que merece ser descoberto, com um suspense e aventura eletrizantes. Poderoso e imperdível!!


domingo, 25 de dezembro de 2011

1º Lugar - LAWRENCE DA ARÁBIA (Lawrence of Arabia) Inglaterra, 1962



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

1º Lugar - LAWRENCE DA ARÁBIA (Lawrence of Arabia) Inglaterra, 1962 – Direção David Lean – elenco: Peter O’Toole, Omar sharif, Anthony Quinn, Alec Guinness, Anthony Quayle, Jack Hawkins, José Ferrer – 205 minutos.

Aclamado unanimementemente como o maior filme de toda a história do cinema. Indiscutivelmente é o melhor filme de todos os tempos. Todo filmado durante quase 300 dias, na Jordânia e em outras locações remotas, criou as mais fascinantes imagens do deserto já vistas no cinema. Ele construiu, ao longo de quatro décadas, a reputação de ser um dos mais belos espetáculos cinematográficos. É uma obra popular, mas de altíssima sofisticação intelectual. É o perfeito exemplo de que os filmes épicos conseguem se tornar melhores ainda com o decorrer do tempo. Grandioso e absolutamente belo, conta a história de uma das figuras mais fascinantes e lendárias da História do Século XX: o Tenente Thomas Edward Lawrence, o inglês que na Primeira Guerra Mundial conseguiu o feito de reunir sob o seu comando árabes de tribos diversas contra o domínio turco na região. Ao mesmo tempo em que consegue grandes vitórias, liderando os exércitos beduínos, ele também entra em confronto com seus superiores. Lawrence foi uma das personalidades mais enigmáticas e discutidas de sua geração. Ele se sentia mais à vontade em trajes de beduíno, era um humanista que comandava batalhas sangrentas e um homossexual que nunca assumiu e nem consumou sua condição.



Brilhante aluno de Oxford, arqueólogo, soldado, estrategista, escritor, herói desiludido e motociclista, ele foi um apaixonado pelo deserto que sonhou com a unificação das tribos árabes. Este sonho o levou a conduzi-las à vitória contra o exército turco, que era aliado dos alemães na Primeira Guerra Mundial. O filme é baseado na célebre biografia escrita por ele mesmo: Os Sete Pilares da Sabedoria. Na época do seu lançamento, para poder ter mais sessões, foi cortado em 20 minutos por imposição do produtor Sam Spiegel. Só em 1989, quando foi relançado em Cannes, com uma versão restaurada e minuciosamente recuperada pelo restaurador Robert Harris, foi finalmente apresentado em sua versão integral. Nenhum filme da era digital é páreo para LAWRENCE DA ARÁBIA. Trata-se de um indiscutível momento de superioridade do cinema, da sua magia, da sua grandiloqüência, brilho e sonoridade. Foi indicado a 10 Oscars, ganhou 07, inclusive de Melhor Filme do Ano. Peter O’Toole no papel título tem um desempenho magnífico e é considerado uma das maiores performances do cinema, foi indicado a melhor ator, mas perdeu absurdamente.



Na galeria dos coadjuvantes têm verdadeiras fortalezas: Alec Guinness, Omar Sharif, Anthony Quayle, Anthony Quinn, Jack Hawkins, José Ferrer. Um elenco de superioridade ímpar. O épico é simplesmente monumental, principalmente do ponto de vista de quem observa com detalhes e tem olho clínico para as percepções mais sutis. Ele faz justiça à dimensão quase sobrehumana da personagem. Lawrence possuía um frágil equilíbrio psicológico, perturbado tanto por perdas como por conquistas, um narcisismo quase arrogante e outras vezes quase infantil. É a obra-prima do diretor David Lean e merece lugar de destaque em qualquer filmoteca de colecionador. David Lean foi um dos maiores realizadores do cinema, ele tinha um estilo bastante acadêmico e muito majestoso, e possuía duas qualidades invejáveis nas quais ele era recordista: imaginação e ambição.



Com primorosa maestria, agarrou a chance de deslocar centenas de técnicos, atores e figurantes para paragens tão hostis e distantes, com o propósito de exibir um enigma sedutor, sem a pretensão nem a preocupação de resolvê-lo. É principalmente nisso que repousa a grandeza de Lawrence da Arábia (tanto filme como personagem). O filme se encerra numa atmosfera de desilusão e derrota. Um perceptível tom de dolorosa poesia permeia a narrativa, criando um forte elo entre o filme e o espectador. Mas ele está destinado a permanecer para sempre nas lembranças, primeiro por suas próprias qualidades e, segundo, pela restauração impecável, que trouxe a oportunidade de revê-lo completo e ampliado. LAWRENCE DA ARÁBIA permanece como o maior filme do cinema, a mais fascinante história de um mito, de uma lenda, cheia de controvérsias e mistérios. WINSTON CHURCHILL certa vez fez um comentário célebre: “Considero-o um dos mais maiores do nosso tempo. Eu não o imagino noutro lugar. Seu nome vai viver na história inglesa; permanecerá nos anais da guerra; e viverá nas lendas da Arábia”.

domingo, 18 de dezembro de 2011

2º Lugar - O PIANISTA (Le Pianiste) França, Alemanha, Polônia, Inglaterra, 2002



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

2º Lugar - O PIANISTA (Le Pianiste) França/Alemanha/Polônia/Inglaterra, 2002 – Direção de Roman Polanski – elenco: Adrien Brody, Thomas Kretschmann, Frank Finlay, Maureen Lipman, Emilia Fox, Ed Stoppard, Julia Rayner, Jessica Kate Meyer, Ruth Platt – 148 minutos.

Para mim, é sem dúvida, o melhor filme do ano de 2002 e um dos dez melhores desta década. Um espetáculo obrigatório, comovente e sensível, de um realismo extraordinário e emocionante até às lágrimas. Um marco na história do cinema! Um triunfo sem precedentes! Adrien Brody está fabuloso numa interpretação apaixonada de um pianista, que sobreviveu à perseguição dos nazistas trocando de esconderijos enquanto Varsóvia era destruída. Sobreviveu durante seis anos, sem sair da cidade, às vezes por causa de sua música, outras vezes por pura sorte. Mostra de forma muito crucial e real como nasceu o Gueto de Varsóvia. Não é nenhuma saga heróica, não há o uso de “mise-en-scène” para provocar lágrimas e nem possui traços de sentimentalismo barato, muito comum em filmes desse gênero, apenas um soberbo e meticuloso trabalho sobre o holocausto.



Este drama poderoso é todo baseado na biografia (publicada em 1946) do polonês Wladyslaw Szpilman, falecido no ano 2000. Em 1939, Szpilman tocava o “Noturno” de Frédéric Chopin num programa de rádio de Varsóvia, quando os alemães tomaram a cidade. A família do pianista era muito bem instruída e vivia muito bem. Ela era formada pelo pai, pela mãe, duas filhas e dois filhos, entre eles Wladyslaw. Não se deixaram levar pelos primeiros sinais de segregação, principalmente quando a Inglaterra declarou guerra à Hitler. Eles acreditaram que logo tudo terminaria bem. E isso, como sabemos, não aconteceu. A Polônia caiu nas mãos dos alemães e uma tragédia de proporções inimagináveis se solidificou. Primeiro veio a limitação das quantias em dinheiro que os judeus podiam guardar. Depois, as braçadeiras com a estrela-de-David, a proibição de entrar em restaurantes, de sentar nos bancos dos parques, de freqüentar escolas. Logo foram transportados para o gueto; depois vieram os trabalhos forçados, a fome, as execuções casuais, os cadáveres largados pelas ruas, a deportação para os campos e o terrível extermínio.



O próprio diretor – Roman Polanski – foi judeu perseguido pelo nazismo, por isso aqui ele faz uma viagem a esse passado, de forma impecável. Muito do filme não passa de memórias do cineasta. É o seu filme mais pessoal. O drama real do pianista polonês se funde com a infância de Polanski, que morava em Cracóvia desde os 03 anos, quando a guerra começou. Polanski ficou celebrizado por filmes de notável qualidade, mas duas obras o consagraram por definitivo: o perturbador O BEBÊ DE ROSEMARY (1968), um dos mais inquietantes filmes do cinema e o eletrizante CHINATOWN (1974). O PIANISTA recebeu 7 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Montagem, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, mas só ganhando nestas três: Melhor Diretor (Roman Polanski, merecidamente), Melhor Ator (Adrien Brody, muito justa a sua premiação, pois ele faz miséria com a emoção do espectador) e Melhor Roteiro Adaptado. Ganhou também a Palma de Ouro no Festival de Cannes; dois Bafta, concedido pela Academia Britânica, além de dezenas de outros prêmios importantes. Lançado originalmente aqui em São Paulo em 03 de março de 2003, foi um enorme sucesso de crítica e de público. O grande mérito deste espetáculo inesquecível é o de transformar uma realidade brutal num filme otimista. Arrebatador e violentamente emocional é um relato íntimo, verdadeiro, real, como nenhum outro sobre o holocausto. Um drama soberbo e poderoso!! Um dos maiores filmes do cinema!!