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domingo, 3 de dezembro de 2017

AMOR E TULIPAS (Tulip Fever) Inglaterra / EUA, 2017 – Direção Justin Chadwick – elenco: Alicia Vikander, Dane DeHaan, Jack O’Connell, Holliday Grainger, Judi Dench, Christoph Waltz, Tom Hollander, Matthew Morrison, Kevin McKidd, Douglas Hodge, Joanna Scanlan, Zach Galifianakis, Cara Delevingne – 105 min

                                           DESEJO... OBSESSÃO... TRAIÇÃO 


Este belo filme se passa em Amsterdã, na Holanda do século XVII, na época de uma febre especulativa do mercado de tulipas, nos Países Baixos. Sophia (Alicia Vikander,  a atriz de “A Garota Dinamarquesa”) sai de um orfanato para casar-se com um rico comerciante, e lhe dar um filho. Porém tal gravidez não acontece. O artista Jan van Loos é contratado pelo comerciante para pintar um retrato do casal, e Sophia se apaixona pelo pintor. A partir disto, eles tentam encontrar uma forma de ficarem juntos, longe daquela casa. Jan, então, começa a participar dos leilões de bulbos de tulipas, para conseguir um dinheiro e fugir com sua nova paixão.


Houve uma época que ocorreu uma grande especulação financeira em cima do cultivo de tulipas. Uma espécie rara de flor, de difícil cultivo em determinadas regiões do Velho Continente. O preço dos bulbos das flores e as apostas em cima das cores que nasceriam acabaram escalonando de forma inacreditável e se tornou o primeiro caso de especulação de um mercado financeiro, por mais rudimentar que tenha sido. “Amor e Tulipas” coloca esse evento histórico como pano de fundo para contar uma história sobre traição e intrigas amorosas. Para quem gosta de filmes históricos esse é um dos mais interessantes e únicos justamente por se tratar de um evento tão singular da historiografia europeia. Belo, requintado e arrebatador!!!


                                       O VERÃO É A ÉPOCA DE FLORESCER 



sábado, 2 de dezembro de 2017

A PONTE DE REMAGEN (The Bridge at Remagen) EUA, 1969 – Direção de John Guillermin – elenco: George Segal, Robert Vaughn, Ben Gazzara, Bradford Dillman, E. G. Marshall, Peter van Eyck, Sonja Ziemann, Anna Gäel, Joachim Hansen, Hans Christian Blech, Heinz Reincke, Bo Hopkins, Vit Olmer, Robert Logan, Matt Clark – 115 min

UM MOMENTO PODEROSO DE LUTA CONSIDERADO O GOLPE MAIS ESTRATÉGICO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL!!! 

Um excelente filme de guerra, relatando um episódio já bem no final da Segunda Guerra Mundial. A história é passada em março de 1945. Nos últimos meses do conflito mundial, os exércitos do Terceiro Reich estavam em fuga através do grande fosso que guarda o coração da Alemanha, que é o Rio Reno. A situação se complica ainda mais, pois os Aliados estão fazendo seu avanço final em território alemão e uma única ponte estratégica sobre o Rio Reno permanece nas mãos dos nazistas. Ambos os lados têm muito a ganhar: os alemães, as vidas de 50.000 soldados que estão do lado errado da ponte, e os  Aliados um fim rápido para a guerra com a menor perda de vidas. Apesar de ambos os exércitos terem lutado bravamente, apenas um podia vencer a crucial batalha pela PONTE DE REMAGEN. 


Um elenco espetacular e de grandes estrelas – incluindo George Segal, Robert Vaughn, Ben Gazzara, E. G. Marshall, Bradford Dillmann, - nos traz toda a glória e agonia da guerra dando vida a este olhar intenso e estimulante, mas ao mesmo tempo extremamente humano, sobre um momento de luta considerado o golpe mais estratégico da Segunda Guerra Mundial. O filme tem excelentes efeitos especiais, uma fotografia de grande beleza e impressionantes cenas de ação. O ritmo frenético da história coloca o público na frente de batalha lado a lado com os corajosos soldados que lutaram em Remagen.  Um filme obrigatório!!!



quinta-feira, 30 de novembro de 2017

BINGO: O REI DAS MANHÃS – Brasil, 2017 – Direção Daniel Rezende – elenco: Vladimir Brichta, Leandra Leal, Ana Lúcia Torre, Emanuelle Araújo, Ricardo Ciciliano, Soren Hellerup, Raul Barreto, Pedro Bial, Augusto Madeira, Cauã Martins, Domingos Montagner, Tainá Müller, Fernando Sampaio – 113 minutos

O RETRATO DE UM MUNDO QUE PARECE ABSURDO, MAS QUE FOI ONTEM


Os anos 1980. Um período da história que se apresenta quase como um ponto fora da curva da realidade brasileira, seja pelos acontecimentos, pela moda, pelos produtos culturais. “Bingo, o Rei das Manhãs” se passa nesta época e é demonstração clara deste cenário improvável e quase anárquico. Com os olhos de hoje, a década de 1980 surge quase que como uma realidade paralela, algo impossível de acontecer. Em que outra época teríamos um palhaço sob efeito de drogas se esfregando com a Gretchen enquanto ela canta "Conga" em um programa para crianças? “Bingo” conta esta e outras histórias inspiradas na vida real de Arlindo Barreto, ator que interpretou o palhaço Bozo, que fez sucesso nas telas do SBT nos anos 1980. Por questões de direitos, Bozo virou Bingo, Arlindo virou Augusto, Globo virou Mundial e por aí vai. Apenas Gretchen continuou Gretchen, afinal é uma instituição por si própria e não criou caso com a produção. (Lucas Salgado – Adoro Cinema)

O roteiro [...] é brilhante, primeiro porque ele consegue criar o mito do misterioso palhaço de forma precisa e além disso, descontrói o homem por detrás da máscara, diante das frustrações de um real reconhecimento que nunca teve, tudo de forma orgânica e sem pudor. (Kadu Silva – Ccine 10)

O grande trunfo da obra é como ela captura o espírito da cultura pop no Brasil, com seu jeito nonsense, psicodélico e sem limites. Bingo se torna o símbolo do clima de zoeira dos anos 80 e, apesar de se passar 30 anos atrás, é mais atual do que nunca. (Daniel Reininger – Cineclick)

Vladimir Brichta, que sob a máscara de Bingo mostra ser mais do que um ator mediano, também brilha. Se incluirmos na conta o momento levanta-defunto da aparição de Emanuelle Araújo no papel de Gretchen, o filme passa fácil de "bom" a "muito bom". (Cassio Starling Carlos – Folha de São Paulo)

O que fica da produção é um diretor muito promissor para o cinema nacional e um ator no seu auge. O que é contado é pura curiosidade, em um roteiro que em nada chama a atenção. Um filme que faz rir um pouco com o palhaço, mas que emociona mesmo quando ele tira a maquiagem. (Diogo Rodrigues Manassés – Cinema com Rapadura)



domingo, 26 de novembro de 2017

QUANDO SE TEM 17 ANOS (Quand on a 17 Ans) França, 2016 – Direção André Téchiné – elenco: Corentin Fila, Kacey Mottet Klein, Sandrine Kiberlain, Alexis Loret, Jean Fornerod, Mama Prassinos, Jean Corso – 116 minutos
EM UM MUNDO EM QUE AS PESSOAS CADA VEZ MAIS TÊM DIFICULDADES EM ACEITAR O DIFERENTE, É IMPORTANTE UMA PRODUÇÃO COMO ESTA

Depois do admirável "Rosas Selvagens" (1994), o veterano cineasta francês, André Téchiné (realizador de obras viscerais como “As Testemunhas” – 2007 e “Tempos Que Mudam” – 2004), em sua melhor forma, volta a centrar-se no processo transformador da adolescência, e realiza o filme mais marcante desde então. É um filme silenciosamente político. No quadro do elenco principal, há que se destacar a progenitora de um dos rapazes, uma memorável performance de Sandrine Kiberlain, além, é claro,  das revelações dos dois jovens atores Kacey Mottet Klein e Corentin Fila, em magistrais atuações. Aqui a descoberta da sexualidade e a passagem de idade a certo ponto contrapõem-se com uma "passagem de tempo" global, independentemente da idade - e daí haver uma ironia divinal no título "Quando Se Tem 17 Anos". Existem ainda outros pormenores em jogo: como a fisicalidade inicial entre os dois rapazes em primeiro plano a interagir como a fisicalidade "ausente" da guerra que acontece fora do ecrã, até de fato, percebermos o que se vai passar.

Aclamado  na seleção competitiva do Festival de Berlim 2016, “Quando Se Tem 17 Anos” aborda o drama de se ter dezessete anos, um confuso período de transição à idade da maturidade “oficial”, com seus medos, anseios, descobertas da identidade sexual, ansiedades, desejos, necessidades, obrigações, tanto dos dois lados do “muro” (o do universo da escola e o dos “adultos”). Esses “pós-adolescentes” vivenciam a pressão das aceleradas e hiperbólicas escolhas e decisões. Talvez quando essa idade acontece na nacionalidade francesa seja melhor, devido à pluralidade comportamental-existencial-social.

Muitas descobertas ocorrem quando somos adolescentes. Esta é a fase da vida em que aprendemos muito sobre nós mesmos e, principalmente, sobre os outros. “Quando Se Tem 17 Anos”  fala justamente sobre algumas dessas descobertas e sobre outros temas importantes – e não apenas para adolescentes. Como normalmente acontece com o cinema francês, neste filme temos, mais uma vez, um olhar cuidadoso, atento e muito sincero sobre realidades que nem sempre outros cinemas se preocupam em abordar. Mais um grande filme francês, bastante notável e com um olhar interessante e sensível. É um dos melhores filmes do ano!! 


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A ESPERA (L’attesa) Itália / França, 2015 – Direção Piero Messina – elenco: Juliette Binoche, Lou de Laâge, Antonio Folletto (Paolo), Domenico Diele (Giorgio), Corinna Locastro, Giorgio Colangeli, Giovanni Anzaldo – 95 minutos

Um filme extravagante e rebuscadamente triste, buscando a sacralização do sofrer de suas protagonistas.


O luto é um dos processos mais revisitados no cinema que se atem ao registro do sofrimento. Falando sobre a perda em uma escala intensa e com direito a um ritual de passagem do luto instaurado, o filme é forte, denso e requer a atenção e a paciência do espectador. “A Espera” combina uma sofisticada direção junto a reflexões morais e existenciais para desembocar nesta obra lírica em seu tom dilemático amargo e tumultuosamente túrbido. O espectador é convidado pelo diretor Piero Messina, a uma viagem rumo ao universo enigmático das emoções e como as reações que tomam, ou que não conseguem tomar, nesses momentos, acarretam uma infinidade de consequências para as pessoas ao redor. Falar que Juliette Binoche é uma excelente atriz é redundante, mas nesse filme ela praticamente agracia o público com uma extraordinária atuação. Impecável e brilhante. Perdida na própria solidão, sua personagem Anna é o espelho da amargura como se não tivesse mais forças para acreditar em dias melhores. Tudo muda com a chegada de Jeanne que revitaliza nela a presença do filho distante (Giuseppe) que tanto ama. Por meio de uma mentira escancarada, a plateia é testemunha, se projeta rumo ao desabrochar de seu estado de luto sem pensar em consequências pelos seus atos.


As atrizes principais – Juliette Binoche e Lou de Laâge -, como a trama, trabalham de maneira sutil. Há muita potência nos pequenos gestos, anedotas e olhares trocados. Ritmado metodicamente, "A Espera" não se move rapidamente, mas faz o tempo voar.

Se beneficiando enormemente do seu evocativo cenário siciliano, este filme usa o espaço, o tempo e o som de uma maneira sedutora, criando uma atmosfera quase meditativa. Transformando um casarão silencioso em um palco de sombras, o roteiro escrito a quatro mãos consegue ser lentamente hábil ao não entregar tudo. A ‘jornada’ se intitula como uma imersão quase desconhecida que edifica as protagonistas como principais alicerces. Jeanne repete algumas vezes que Anna é estranha, e cada vez mais essas indefinições parecem preparar esse clima estagnado em algo de maior fricção. As atrizes dualizam com atuações enigmáticas e a química em cena é arrepiante. Por mais que parte da realidade esteja sendo omitida de Jeanne, suas dúvidas e angústias (principalmente as finais) são muito próximas. Para Anna, conviver com a dor e uma falsa felicidade parece ainda mais doloroso; seu olhar, porém, jamais deixa de ser aflito.

Aos poucos, essas duas mulheres aparentemente distintas, encontram afinidades, para além do amor por Giuseppe ou do fato de serem francesas. Há uma espécie de reconhecimento de si mesma por parte de Anna na figura impetuosa da nora, até mesmo certa admiração, como na cena em que a observa se despindo e adentrando a água. Isso faz com que a jovem se torne não só uma companhia, mas também uma confidente, para quem expõe seu passado – o divórcio, a mudança para a Itália – e seus sentimentos reprimidos. A recíproca também ocorre, ainda que sem o total conhecimento de Jeanne, nas confissões feitas em mensagens de voz deixadas no celular do namorado, que Anna ouve secretamente. O filme nos consterna por meio de dois caminhos: o primeiro gira em torno da decisão da mãe de não contar a verdade para Jeanne, já que esta carrega embates morais significantemente lacerantes, e o do desenvolvimento emocional e até mesmo da individualidade das personagens, cujas experiências recentes as quais o filme retrata levam marcas irretocáveis em seus âmagos. “A Espera” é um filme sensível e rebuscadamente triste, buscando a sacralização do sofrer de suas protagonistas.

domingo, 19 de novembro de 2017

HORIZONTE PERDIDO (Lost Horizont) EUA, 1973 – Direção Charles Jarrott – elenco: Peter Finch, Liv Ullmann, Michael York, Olivia Hussey, Sally Kellerman, George Kennedy, John Gielgud, Charles Boyer, Bobby Van, James Shigeta, Kent Smith, John Van Dreelen, Larry Duran, Paul Delucca, Michael Bernal – 150 minutos 

VOCÊ JÁ SONHOU ALGUMA VEZ COM UM LUGAR LONGE, BEM LONGE DA FÚRIA DEVASTADORA DE UM MUNDO EM TUMULTO?? 


Esse é um remake do clássico de Frank Capra, realizado em 1937. Para muitos a versão antiga é melhor, mas para outros tantos especialistas em cinema preferem essa versão do Charles Jarrot, considerada superior.  Na época do seu lançamento, em 1973, em vários países, tanto a crítica quanto o público não apreciaram muito. Mas no Brasil foi um sucesso enorme, causando uma certa surpresa aos seus realizadores. O filme é recheado de canções inesquecíveis, todas do genial Burt Bacharach. Há que se dizer que houve um pequeno exagero em colocar tantos números musicais. O elenco do filme conta com um time de estrelas de primeira grandeza: Peter Finch, Liv Ullmann, Michael York, Olivia Hussey, George Kennedy, Sally Kellerman, Charles Boyer, Bobby Van, James Shigeta e John Gielgud. Coreografias de grande beleza e simplicidade contribuem para o charme do filme.

Durante um conflito no sul da Ásia - não fica claro qual é o conflito e nem qual é o lugar. Um grupo de fugitivos, desconhecidos entre si, tem seu avião sequestrado. Enquanto voam sem saber qual será o destino, uma tempestade derruba o avião que cai em algum lugar do Himalaia. Os sobreviventes são resgatados por pessoas que habitam um lugar chamado Shangri-la, onde existe a eterna juventude e a felicidade plena. Ainda no avião o espectador é apresentado aos personagens dessa utópica história. Richard Conway (Peter Finch), é um graduado funcionário da ONU e seu irmão, o egoísta George Conway (atuação inesquecível de Michael York). Olivia Hussey (a eterna Julieta de Zeffirelli) esbanja beleza e sofisticação. Também a solitária Sally (Sally Kellerman), uma repórter do Newsweek infeliz que vive se entupindo de remédios para perder a sobriedade. Sam Cornelius (George Kennedy), na verdade um empresário/engenheiro ganancioso e Harry Lovett (Bobby Van) uma espécie de humorista que não tem mais a atenção do público. Charles Boyer, já em fim de carreira, faz o Grand Lama, em uma performance tocante. E o grande ator inglês John Gielgud completa o painel de grandes interpretações. 

O filme é mais que um manifesto pacifista e cumpre seu papel de questionar qual é a civilização que estamos criando e o que nos motiva. HORIZONTE PERDIDO (1973) é um filme reflexivo, que questiona grandes valores e faz o espectador olhar para o mundo com um olhar crítico, mas ao mesmo tempo compassivo. Baseado no clássico romance de James Hilton é um filme para sempre!! Belo e inesquecível!!



sexta-feira, 17 de novembro de 2017

BOM COMPORTAMENTO (Good Time) EUA, 2017 – Direção Benny Safdie e Josh Safdie – elenco: Robert Pattinson, Benny Safdie, Jennifer Jason Leigh, Taliah Webster, Buddy Duress, Barkhad Abdi, Peter Verby, Saida Mansoor, Necro, Ben Edelman – 100 minutos

ROBERT PATTINSON INCENDEIA A TELA NUMA INTERPRETAÇÃO GRANDIOSA 


O filme se resume a um fio narrativo – uma história de fuga – com meandros que dialogam com o caos da cidade e que Ben e Josh Safdie julgam coniventes mais uma vez com seus macetes cinematográficos: o close e a textura. Parece uma busca mais discreta de um sentido ao qual referências modernas do gênero como Tony Scott ou Abel Ferrara já chegaram usando outros caminhos. “Bom Comportamento” se resume à tensão fantasma. Logo, é também um filme fantasma. Uma espécie de farsa, um filme de ação que inexiste, um jogo implícito da imagem e seu conteúdo jogado incessantemente ao espectador. Uma cidade que oferece apenas presas e caminhos tortuosos. 


O filme tem uma relação íntima com o tempo, não só em duração, mas também numa espécie de tempo cinematográfico, ou seja, fatos e ações pré-determinados que acontecem premeditadamente numa período diegético, fictício. “Bom Comportamento” é um filme do tempo, de informações colocadas rigidamente para comporem um exercício formal que se revela extremamente rigoroso.


Um dos aspectos mais notáveis dessa obra é como ele nos coloca na posição do protagonista através da decupagem de Benny e Josh Safdie. Com constantes closes nos rostos dos atores, a dupla busca passar a sensação de instabilidade, com um ar frenético, que incomoda visualmente, mas que cumpre sua função, nos fazendo entender a preocupação do personagem, enquanto que ele próprio soa como se estivesse sob efeito de drogas, embora não esteja. Isso, claro, dialoga com sua ausência de sono, que já é bem marcada pela eficiente montagem de Ronald Bronstein e do próprio Benny Safdie, que esconde a transição entre sequências, de tal forma que sentimos como se tudo estivesse acontecendo seguidamente em poucas horas. 


Quem brilha é Robert Pattinson. Em seu trabalho mais consistente, o ator entrega um personagem que oscila entre a frieza e tranquilidade nos momentos que deve tomar uma atitude para resolver problemas, e a confusão quando percebe que seus planos não saem como o esperado. Pattinson vai bem, mas não se impõe gratuitamente. Seu personagem não é grandioso (ao contrário, é um ladrão comum) e não há uma tentativa de torná-lo maior do que o roteiro pede do ator. Mas é nos detalhes que vemos o destaque. No olhar e nos trejeitos criados. Interpretação poderosa e elogiada.