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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

7º Lugar - ...E O VENTO LEVOU (Gone With the Wind) EUA, 1939



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

7º Lugar - ...E O VENTO LEVOU (Gone With the Wind) EUA, 1939 – Direção Victor Fleming – elenco: Vivien Leigh, Clark Gable, Olivia de Havilland, Leslie Howards, Hattie McDaniel, Thomas Mitchell, Barbara O’Neil, Evelyn Keyes, Ann Rutherford, Butterfly McQueen, George Reeves, Fred Crane, Victor Jory, Everett Brown, Howard C. Hickman, Alicia Rhett, Rand Brooks, Caroll Nye – 241 minutos.

Baseado na obra inesquecível de Margaret Michell, é o retrato mais fiel e humano da terrível Guerra Civil que assolou os Estados Unidos. Com cenas de realismo palpitante, cenários exuberantes e o incomparável desempenho de Vivien Leigh e Clark Gable, esse belíssimo filme não tem rival na história do cinema. Ao longo dos seus 72 anos, completados em 2011, arrebatou uma legião de fãs incodicionais no mundo inteiro. A despeito do glamour do cinema da época dos anos 1930/1940, tornou-se um patrimônio de valor inestimável. Mais do que uma obra cinematográfica, o filme ganhou estatura de animal mitológico. Seus diálogos são daqueles lembrados na ponta da língua. E a música de Max Steiner é sempre reconhecida nos primeiros acordes. Por trás de tudo, o sonho inquebrantável de um dos maiores fabricantes de sonhos de Hollywood: David O. Selznick. Ou melhor, o gênio do sistema da época de ouro do cinema norte-americano. Foi sob a autoridade desse homem que foi possível a transposição para às telas do romance de Margaret Mitchell. Na sua realização, Selznick despediu e contratou roteiristas e diretores ao seu bel prazer. Scott Fitzgerald e Ben Hecht escreveram trechos do filme, mas o único a assinar foi Sidney Howard. Victor Fleming ganhou o crédito de diretor, mas George Cukor, Sam Wood, Sidney Franklin e o diretor de arte William Cameron Menzies responsabilizaram-se por muitas seqüências.



No entanto, apesar de todo esse entra e sai, de vira e mexe da produção, não se pode dizer que falta coerência a esse épico magnífico. Muito pelo contrário. Desde a concepção pictórica - amparada num fantástico uso do Technicolor pelos fotógrafos Ernest Haller e Ray Rennahan - às interpretações do elenco coadjuvante, o filme é de um primor absoluto. Mas, o que faz a sua grandeza é, principalmente, a maneira como um passado do país é representado e a cativante dupla de protagonistas, interpretados por Clark Gable e Vivien Leigh. Leigh, que venceu uma batalha entre muitas atrizes para ficar com o papel, faz uma Scarlett O'Hara magnífica. E nem é temerário afirmar: Scarlett O'Hara é uma das mais cativantes personagens femininas da história do cinema. Mimada, manipuladora e instável, ela é o que se pode chamar de uma mulher complexa. Clark Gable, que faz o aventureiro Rhett Butler, foi uma escolha natural de Selznick. Ele empresta humor e muita testosterona ao seu papel. Mesmo com essa sedução extremada, não dá para fechar os olhos diante de um filme que é também um monumento ao racismo e ao machismo. Olivia De Havilland esbanja talento no papel inesquecível de Melanie, e, completando o quarteto principal do elenco, Leslie Howard está correto e convincente como Ashley Wilkes, o primogênito de Twelve Oaks, a fazenda vizinha. Foi lançado um DVD Especial de Colecionador, com quatro discos e esse DVD leva a vantagem de ter saído de um master original que teve suas gloriosas cores em Technicolor recentemente remasterizadas digitalmente. O master é o mesmo que a New Line usou para relançar o filme em 1998. A trilha sonora também foi remixada para Dolby Digital (mas, para os mais saudosos, o original mono também está disponível no disco). Outro ponto importante é que o aspecto ratio também é o mesmo da estréia (1:33) e não o widescreen que rodou nos cinemas durante muitas reapresentações (inclusive em 70mm). É imperdível para quem ama o filme e quer conhecer detalhes da produção.



O figurino da personagem Scarlett O'Hara - cheio de volume, brilhos e acessórios no começo - vai empobrecendo na medida em que a guerra assola a fazenda Tara, mas sem perder a elegância, graças ao trabalho do figurinista Walter Plunkett. O filme ganhou dez Oscars, inclusive Melhor Filme e Direção e entrou para a história como um dos romances mais famosos de todos os tempos. Margaret Mitchell, autora do livro em que foi baseado o filme, escreveu o romance entre 1926 e 1929. Sua intenção original era dar à protagonista o nome de Pansy O'Hara. Apenas um mês após o livro de Mitchell ter sido lançado, o produtor David O. Selznick comprou os direitos de sua adaptação para o cinema por US$ 50 mil, a mais alta quantia já paga até então pela adaptação do primeiro livro de um autor. Mais de 1400 atrizes foram entrevistadas para o papel de Scarlet O'Hara, sendo que mais de 400 chegaram a fazer leitura do roteiro. As filmagens propriamente ditas de iniciaram-se a 26 de janeiro de 1939 por George Cukor, que dirigiu cerca de 4% da fita. Cukor principiou também a sequência do baile de Atlanta e, nessa ocasião, afastou-se da equipe. Depois por escolha de Clark Gable, o diretor escolhido foi Victor Fleming, que dirigiu aproximadamente 45% do filme. Em meados de abril, esgotado pelos aborrecimentos seguidos com Vivien Leigh (que, a exemplo de Olivia de Havilland, ia ensaiar, em sigilo, na casa de Cukor), e insatisfeito com as reclamações de Selznick, Fleming sofreu um colapso nervoso. Sam Wood assumiu a direção a 1º de maio, iniciando seus 15% de participação no filme. Quando Fleming recuperou-se e voltou, os dois diretores continuaram na direção, mas em horas e sets diferentes. Apenas após o início das filmagens foi escolhida a intérprete de Scarlett O'Hara, uma das protagonistas do filme. A escolha de Vivien Leigh foi feita pelo próprio produtor David O. Selznick. Bette Davis chegou a ser convidada para o papel de Scarlet O'Hara, mas o recusou por achar que teria que contracenar com Errol Flynn, que terminou também não fazendo parte do elenco.



A primeira cena a ser filmada foi a do incêndio em Atlanta. Foram rodados 113 minutos de metragem, sendo que o que pegou fogo realmente foram sets de filmes antigos, como alguns da primeira versão de KING KONG (1933). Mas o fogo provocado foi tão intenso que vários moradores próximos ao local ligaram para os bombeiros, pensando que o próprio estúdio da MGM estava pegando fogo. Eloqüente exemplo de pioneirismo de Menzies é a seqüencia em que Scarlett caminha entre os corpos de sobreviventes da batalha de Gettysburg. A câmera acompanha a personagem num impressionante traveling aéreo, conseguido graças à utilização de um guindaste de 43 metros de altura, que rolava por uma rampa de cimento armado. Cerca de mil extras misturados com outros tantos bonecos de cera, contribuiram para a magnificência da tomada citada acima. O restante são efeitos especiais e transparência desenvolvidos por Jack Cosgrove, Lee Zavits e equipe. Vivien Leigh trabalhou nos sets de filmagem por 125 dias e recebeu por isso a quantia de US$ 25 mil. Já Clark Gable trabalhou por 71 dias e ganhou US$ 120 mil. Em 1º de julho de 1939 terminaram as filmagens e Selznick tinha diante de si uma montanha de celulóide revelado - cerca de 60.000 metros de filme, equivalente a 28 horas de projeção. Trancado dia e noite com o montador Hal C. Kern e seu assistente, James Newcom, o produtor montou a fita sem consultar nenhum dos diretores que nela tomaram parte e ordenou a filmagem de cenas adicionais, como aquela em que Scarlett se esconde debaixo da ponte numa tempestade, enquanto uma tropa da União passa sobre a mesma. A produção custou pouco mais de US$ 5 milhões aos cofres da MGM. Quatro anos depois de seu lançamento, a renda obtida pelo filme nas bilheterias já superava a marca dos US$ 32 milhões. Hattie McDaniel não pôde comparecer na première do filme em Atlanta porque era negra. Uma situação estúpida e vergonhosamente preconceituosa para uma sociedade que se achava inteligente e evoluída. É o filme épico mais adorado de Hollywood! O filme mais popular da América! Enorme e espetacular em todos os sentidos! ...E O VENTO LEVOU é uma das mais felizes adaptações da literatura norte-americana para as telas. E sem dúvida nenhuma , uma das maiores e mais fascinantes realizações do cinema. Imperdível e extraordinário!!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

8º Lugar - O SÉTIMO SELO (Det Sjunde Inseglet) Suécia, 1956



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

8º Lugar - O SÉTIMO SELO (Det Sjunde Inseglet) Suécia, 1956 – Direção Ingmar Bergman – elenco: Max von Sydow, Gunnar Bjornstrand, Nils Poppe, Bibi Andersson, Bengt Ekerot, Inga Gill, Maud Hansson, Inga Landgré, Gunnel Lindblom, Bertil Anderberg, Gunnar Olsson, Anders Ek, Erik Strandmark – 100 minutos.

Um dos mais importantes filmes da história do cinema! É uma parábola sombria sobre a solidão do homem diante da morte e da incerteza acerca da existência de Deus. O próprio Bergman sugeria aos espectadores que fizessem um paralelo entre a situação descrita no filme e a do homem contemporâneo, descrente e perplexo diante da possibilidade do fim do mundo. O filme surgiu como uma peça (“Pintura Sobre Madeira”, em 1954). Bergman pensava em encenar uma peça para alguns jovens, e como não encontrou nada que o agradasse, resolveu ele mesmo escrever. Quando fazia o teatro, ocorreu-lhe que deveria transformar a peça em filme e tudo aconteceu naturalmente. Apenas alguns elementos foram aproveitados no roteiro final do filme: o medo da peste, a queima da feiticeira, a Dança da Morte. Mas a partida de xadrez entre a Morte e o Cavaleiro não havia, e, nem existia o artístico-bufanesco "santo casal" Jof e Mia com seu bebê. Somente Jons, o Escudeiro, não sofreu mudanças. Bergman retornou à Suécia, reescreveu o roteiro e reuniu a equipe. Deram-lhe trinta e cinco dias e um orçamento apertado, até minúsculo pelos padrões vigentes no Reino Unido. Foram gastos cerca de 150 mil dólares e o diretor manteve-se dentro do cronograma e do orçamento. O filme foi feito em 1956 e estreou na Suécia em fevereiro de 1957. Ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes e significou a definitiva consagração internacional do diretor. Ele mesmo declarou que sua principal inspiração para O SÉTIMO SELO foi o filme A CARROÇA FANTASMA (1920), de seu compatriota Victor Sjöstrom. O título do filme refere-se ao livro dos segredos de Deus, lacrado por sete selos. Os questionamentos religiosos e existencialistas estão sempre muito presentes. O cavaleiro está perturbado com a possibilidade de morrer, chegando ao ponto de considerar que aquele vazio que sente dentro de si é causado pela falta de significado da própria vida e sua religiosidade. Antonius considera que sua vida fora em vão, mas espera, com esse tempo que conquistara ao desafiar a Morte, adquirir a maior quantidade de conhecimento possível, desejo expresso também na lenda do Fausto, que vende a alma ao Diabo em troca desta realização - a coincidência entre o caso destas duas personagens é algo que merece certa reflexão. O Cristo que aparece alternadamente aos planos feitos do cavaleiro, nos dão a idéia da menção de uma plena discussão sobre o real estado de espírito de Jesus quando descobriu que seu sacrifício era iminente. Será que absorvera sereno, ou discutiu sua sanidade, destino e o futuro que lhe era desenhado e que estaria sendo usurpado por seus juízes? O filme possui inúmeros planos belos e funcionais contidos nessa obra-prima, dentre eles o de um crânio seguro por mãos, cobrindo a tela, tendo em segundo plano os braços entrelaçados dos suplicantes religiosos. Também a chama que brota por trás do cavaleiro e seu escudeiro, iluminando o fundo como um fogo do inferno, pronto para acender as lascas que queimarão a jovem sacrificada. Outro que merece atenção, principalmente pela quebra do simbolismo seguido dentro do filme, é o do homem desesperado por estar morrendo por causa da peste e que agoniza ocupando somente um canto de tela, deixando o resto preenchido pela floresta e o negrume da noite. O SÉTIMO SELO foi aclamado internacionalmente como uma obra-prima cinematográfica! Um dos melhores filmes de todos os tempos!!!!!



O filme possui enquadramentos clássicos, tipicamente renascentistas, utilizando demasiadamente o centro de tela ou, ao menos, uma triangulação simétrica, que dão um tom quase religioso à peça que, na realidade, torna-se uma discussão sobre a existência, o divino, a religião e os desígnios do Homem. É impossível não comentar a cena clássica, no belíssimo plano em que sentam, frente a frente, de perfil para o espectador, o cavaleiro e a Morte, iniciando a disputa estratégica, tendo no centro o tabuleiro com as peças pretas e brancas, e no fundo aquele céu tenebroso e escuro. A partir desse momento em que Antonius encontra-se face a face com a Morte, iniciam nele questionamentos a respeito de sua própria existência e, na verdade, sobre Deus. Percebendo a dificuldade que seria o encontro com o Senhor, há momentos em que procura o contato com o Demônio, achando que este seria o maior possuidor de informações sobre o primeiro, devido à proximidade entre eles. O temor da morte e as incertezas causadas pela sua presença estão atuantes durante todo o filme, seja em Antonius, seja no saltimbanco que acaba morrendo na floresta de maneira curiosa, ou na população que está encarando a Peste, sendo acusada pelos sacerdotes de ser a culpada por sua sina, graças à sua descrença e mundanismo. A religião é um alento, uma castração ou uma realidade? Bergman discute através de diversas situações, retratando a suposta bruxa que deve ser sacrificada num auto-de-fé, fazendo os cavaleiros se questionarem sobre quem cuidará de sua alma: Deus, o Demônio, os Anjos ou o Vazio? Há os momentos em que a Morte encontra-se presente no plano físico, sempre numa figura eclesiástica, como um padre que escuta as confissões do cavaleiro e acaba induzindo-o a contar-lhe a estratégia de jogo para derrotá-la sobre o tabuleiro. Também há o saltimbanco que seduz uma mulher casada, após vê-la através de um pequeno espelho, imagem esta que podemos vislumbrar, mesmo a grande distância, num belíssimo plano. É exatamente aquele que acaba como cadáver na floresta pelas mãos da Morte. A montagem do filme, apesar de sutil, tem função primordial. Além de escolher certas fusões em determinados momentos, no intuito de dilatar o tempo e nos passar a sensação de solidão do período, também constrói seqüências que manipulam nossos sentidos, como, por exemplo, quando coloca sucessivamente vários rostos na tela, testemunhas da procissão, em meio ao incenso que vai cobrindo a paisagem, reagindo de maneiras similares ao terror da religião, culminando no plano próximo do Cristo crucificado, carregado pelos penitentes de joelhos lacerados.



O filme revela uma alegoria em preto e branco sobre a busca infinita pelo sentido em um mundo caótico: o mundo do século XIII, devastado pela Peste Negra. Antonius Block (Max Von Sydow, numa performance exuberante) retorna das Cruzadas e encontra sua vila destruída pela doença, pela peste. A Morte aparece para levá-lo, mas Block se recusa a morrer sem ter entendido o sentido da vida. Propõe então um jogo de xadrez, em uma tentativa de burlar a única certeza que o habita. Apesar de perder o jogo de xadrez, a Morte continua a perseguí-lo enquanto viaja pela Suécia medieval. Block descobre os aspectos mais repugnantes do fervor religioso: a tortura, a caça às bruxas, o espectro da Morte alimentando-se da fraqueza humana. Block também toma quatro pessoas sob sua proteção: o ateu Squire Jons, os jovens Mia e Jof e seu bebê. Alguns críticos associam os nomes e a presença quase imune à morte do casal à Sagrada Família. O filme é terrivelmente íntegro na investigação da fé. O fundamentalismo assassino de hoje é a celebração nefasta do mundo evocado em O SÉTIMO SELO. Nas palavras do próprio Bergman sobre o filme, " a idéia de um Deus Cristão tem algo de destrutivo e terrivelmente perigoso. Ele faz emergir um sentimento de risco iminente, e por consequência, traz à luz forças obscuras e destrutivas". O SÉTIMO SELO pode ser interpretado como uma alegoria do século XX e do mundo que ainda vivemos, em forma de lenda medieval. "O tema é bastante simples" – completa o diretor –, "o homem e sua procura eterna de Deus, tendo apenas a morte como única certeza." Participando das Cruzadas e testemunhando aquele mundo intolerante e degradado, o cavaleiro Block quer uma explicação, seja qual for, para entender que tudo aquilo que fez e que está presenciando não é uma completa perda de tempo. Em suma, ele deseja saber, e não crer.



Ingmar Bergman é o diretor mais famoso da Suécia. Realizou muitos filmes célebres, dentre eles MORANGOS SILVESTRES (1957), A FONTE DA DONZELA (1959), ATRAVÉS DE UM ESPELHO (1961), PERSONA (1966), GRITOS E SUSSURROS (1972), SONATA DE OUTONO (1978) e FANNY & ALEXANDER (1983). Acabou consagrado como diretor (já era reconhecido como excelente roteirista) exatamente por O SÉTIMO SELO, quando ganhou o Prêmio Especial do Juri no Festival de Cannes de 1957. Ele morreu em 30 de julho de 2008, aos 89 anos, foi enterrado 18 dias depois, na Ilha de Faro - Suécia. Este é um dos filmes mais profundos que o cinema já realizou. E suas discussões existenciais são ainda emolduradas por um estilo brilhante, com a intensidade dramática já inerente ao tema, sendo ampliada pela interpretação dos atores, pelo roteiro enxuto e cortante, pela cenografia fiel à época, nas composições e tomadas de câmara experimentais, além da música ora sussurrante, ora impactante que pontua as diferentes situações da obra. Mas o filme não termina como uma reflexão pessimista da condição humana, que a nada restaria a não ser se corroer de dúvida ante a fatalidade da morte. Isso porque, uma espécie de esperança é vislumbrada, na presença do jovem casal de artistas e seu bebê. O amor partilhado e a valorização de fatos simples e solidários, conferem, assim, uma espécie de significado concreto à nossa curta passagem pela Terra. E se na primeira vez que vi o filme, fiquei cheio de dúvidas e melancolia, ao vê-lo de novo, me senti existencialmente mais reconfortado, ao compreender um pouco melhor a réstia de esperança concreta que Bergman transmite, especialmente na ambígua e até lírica cena final desta obra-prima. O SÉTIMO SELO é um dos filmes mais importantes de toda a história do cinema, não só pela sua temática que ao longo dos séculos aterroriza e questiona o homem, sobre a existência da Vida e da Morte, mas também pela sua impecável realização.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

9º Lugar - A ÁRVORE DOS TAMANCOS (L'Albero Degli Zoccoli) Itália, 1978



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

9º Lugar - A ÁRVORE DOS TAMANCOS (L’Albero Degli Zoccoli) – Itália, 1978 – Direção Ermanno Olmi - elenco: Luigi Ornaghi, Francesca Moriggi, Omar Brignoli, Antonio Ferrari, Teresa Brescianini, Giuseppe Brignoli, Carlo Rota – 179 minutos.

Vencedor por unanimidade da Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes 1978, A ÁRVORE DOS TAMANCOS é a obra-prima do cineasta italiano Ermanno Olmi. O filme mostra a vida e as dificuldades de uma comunidade de camponeses da região de Bérgamo, no norte da Itália, entre o final do Século XIX e o início do Século XX. Uma das famílias decide colocar o filho na escola em vez de utilizá-lo na lavoura. É o início de uma série de problemas, pois a escola fica muito longe e eles mal têm condições de comprar roupas para o menino. É dificil não se emocionar com a história dessa gente humilde e trabalhadora, contada com muito realismo e poesia. Esse belíssimo drama de Ermanno Olmi é uma das mais notáveis realizações da década de 1970. A vida simples dos camponeses que tentam dar valor e significado as suas experiências cotidianas, é mostrada com um realismo ímpar na história do cinema, até porque não há atores profissionais. Foi filmado em 1978, com os verdadeiros camponeses da região do norte da Itália. Do outono a primavera, quando os trabalhos no campo diminuíam, eles retomavam seus temores e esperanças tanto diante de fatos corriqueiros como dos acontecimentos mais importantes: o nascimento de uma criança, um casamento ou uma festa regional. Às vezes, no entanto, a vontade e os caprichos do patrão podiam acabar com os sentimentos mais comuns daqueles trabalhadores. Nesse filme é trabalhado o contexto do cotidiano dos camponeses do final do século XIX e início do XX, retratando as dificuldades que os mesmos sofriam (exploração, medo, sofrimento, injustiças) frente aos senhores de terras aos quais estavam submetidos. E a permanência em plena “modernidade” de elementos do antigo regime como a “servidão”, o poder dos senhores de terra que explorava os que trabalhavam e dependiam da dela para sobreviver. Como no caso que aparece logo no início do filme, onde o patrão ficava com 2/3 de tudo que os trabalhadores produziam, além das cenas que mostram os camponeses entregando sua produção para pesagem frente ao senhor.



A ÁRVORE DOS TAMANCOS é considerado como um dos últimos filmes da Escola Neo-Realista italiana. O filme tem 179 minutos, três horas de inesquecível espetáculo e o espectador nem percebe face ao encantamento da obra. Além da Palma de Ouro, no Festival de Cannes, ganhou também o Prêmio do Júri Ecumênico e da Crítica Internacional no Festival de Cannes; o Prêmio Cesar de Melhor Filme Estrangeiro; o Grande Prêmio da Crítica de São Paulo e mais 3 outros Prêmios da Associação Italiana dos Jornalistas de Cinema: melhor Diretor, Argumento e Câmera. É possível relacionar A ÁRVORE DOS TAMANCOS ao livro de Arno Mayer “A Força da Tradição”, nos aspectos da existência de elementos do mundo feudal em pelo século XIX, a importância e o poder que ainda detinham os grandes proprietários de terras e a manutenção de suas tradições e costumes, a força da igreja nesse período sobre a vida das pessoas. Tanto o filme quanto o livro trabalham com a idéia da continuidade das relações servis, das elites agrarias e do poder eclesiastico em plena “era moderna”. “Alguns dos grandes eventos das vidas dos personagens”, diz o livro Off-Hollywood Movies, com muita propriedade - “são a vaca da viúva ficando doente; um fazendeiro compreendendo que o cocô das galinhas é melhor do que esterco de gado para os seus tomates; e um pai cortando um elmo para fazer tamancos para que o filho possa ir à escola. O que os une é seu trabalho duro, os valores familiares e Deus.”



Há uma cena clássica que merece destaque: O realismo da vida difícil numa Itália pobre e com resquícios feudais contrasta com a caminhada orgulhosa de avô e neto rumo ao mercado, levando na cesta o tesouro vermelho de uma vida de trabalho: tomates precoces. O avô procura produzir tomates fora de época para poder obter um preço melhor. E faz escondido de todo mundo. Instintivamente, baseado apenas em sua observação, ele encontra soluções agronômicas corretas. Os diálogos, explicando o que está fazendo e porque o tomate vai produzir mais cedo são maravilhosos. A Igreja está sempre presente. O catolicismo é forte naquele grupo de camponeses. É isto que segura aquela situação de exploração e dependência. As famílias unidas debulhando milho e cantando canções italianas mostram que a felicidade pode ser encontrada nas situações mais difíceis. A viagem de lua de mel de dois camponeses à Milão mostra de forma brilhante os conflitos que estão ocorrendo nos centros urbanos. Não existe nenhum discurso político no filme. O filme foi apresentado pela crítica como politicamente de esquerda, com uma visão comunista, mas não há nada disso. É um belo filme que mostra com grande realismo e com imagens belíssimas a vida dura dos camponeses e a injustiça que permeia todo o filme. Recomendado, imperdível e obrigatório! É um dos mais belos filmes da história do cinema!! Tocante e cheio de poesia, leva o espectador a uma viagem de extraordinária beleza!!

domingo, 4 de dezembro de 2011

10º Lugar - O PAGADOR DE PROMESSAS - Brasil, 1962



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

10º Lugar - O PAGADOR DE PROMESSAS – Brasil, 1962 – Direção Anselmo Duarte – elenco: Leonardo Villar, Glória Menezes, Geraldo Del Rey, Othon Bastos, Dionízio Azevedo, Norma Bengell, Antonio Pitanga, Roberto Ferreira, Canjiquinha, Maria Conceição, João Desordi, Américo Coimbra – 95 minutos.

O filme brasileiro mais aclamado de todos os tempos. Uma forte crítica aos políticos, à Igreja Católica, à polícia e à imprensa, a peça de Dias Gomes recebe um tratamento dramático que mantém vivas a força dos personagens e a discussão sobre a influência da religião na sociedade. Dentre as várias premiações internacionais recebidas pelo filme, a mais importante foi a Palma de Ouro no Festival de Cannes, que fez de Anselmo Duarte o primeiro diretor brasileiro a recebê-la, competindo com filmes como O ANJO EXTERMINADOR, de Luís Buñuel e O ECLIPSE, de Michelangelo Antonioni. O tremendo sucesso dessa conquista fez com que a equipe merecesse até um desfile público em carro aberto ao desembarcar no Rio de Janeiro trazendo a Palma de Ouro. O filme foi indicado entre os cinco finalistas ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, com o título norte-americano de THE GIVEN WORD. Houve problemas com Maria Helena Dias, que faria o papel da esposa e ficou doente, sendo substituída pela então novata Glória Menezes. A vedete Norma Bengell foi chamada às pressas para fazer o papel de prostituta. Foi ela quem melhor aproveitou o sucesso em Cannes, estabelecendo-se em Roma e iniciando uma longa e bem-sucedida carreira no cinema internacional, chegando a casar-se com o ator italiano Gabriele Tinti. A censura cortou, na época do lançamento, uma cena de chuveiro em que o gigolô seduzia a esposa de Zé do Burro.



Zé do Burro é o personagem principal, junto com sua mulher Rosa vivem em uma pequena propriedade a 42 quilômetros de Salvador. Um dia o burro de estimação de Zé é atingido por um raio e ele acaba indo a um terreiro de candomblé, onde faz uma promessa a Santa Bárbara para salvar o animal. Com o restabelecimento do bicho, Zé põe-se a cumprir a promessa e doa metade de seu sítio, para depois começar uma caminhada rumo a Salvador, carregando nas costas uma imensa cruz de madeira. Mas a “via crucis” de Zé ainda se torna mais angustiante ao ver sua mulher se engraçar com o cafetão Bonitão (grande atuação de Geraldo Del Rey) e ao encontrar resistência ferrenha do padre Olavo (Dionísio Azevedo), a negar-lhe a entrada na sua igreja pela razão de Zé haver feito a sua promessa num terreiro de macumba. Quando foi premiado na França, contam que foi o grande cineasta François Truffaut quem puxou o aplauso que garantiu o prêmio totalmente inesperado para o filme. O fato é que foi ovacionado e é fácil entender por quê. O filme é realmente empolgante e tem uma conclusão inesquecível e politicamente correta – o povo unido consegue vencer qualquer barreira. Tecnicamente, é um filme perfeito, inclusive em controle de figurantes, movimentos de câmera, papéis secundários e em seu tema universal – o conflito entre a religião organizada e a crendice popular. O padre não deixa o herói entrar na igreja porque ele fez a promessa para Iansã, orixá que seria o equivalente a Santa Bárbara, só que no candomblé, religião afro-brasileira. O filme aproveita de uma forma extraordinária não apenas a paisagem baiana, mas também os talentosos atores locais (que viraram astros, como é o caso de Geraldo Del Rey, Othon Bastos, Antonio Pitanga), e segue a estrutura da peça teatral (portanto, com conflitos bem armados que vão crescendo). Mas grande parte da sua qualidade está no trabalho nunca devidamente reconhecido de Leonardo Vilar, um ator de estirpe do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), que mergulha profundamente na alma do personagem muito simples e muito brasileiro. O mesmo pode-se dizer de Glória Menezes, estreando no cinema e já demonstrando as qualidades de grande atriz e estrela que sempre foi. Eu, particularmente, considero este um dos mais importantes filmes já produzidos no nosso cinema nacional. Sem dúvida, é o melhor filme brasileiro da história do cinema. Obrigatório e imperdível!!!!

sábado, 3 de dezembro de 2011

11º Lugar - ADEUS, MENINOS (Au Revoir Les Enfants) França, 1987



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

11º Lugar - ADEUS, MENINOS (Au Revoir Les Enfants) França, 1987 – Direção Louis Malle – elenco: Gaspard Manesse, Raphael Fejto, Francine Racette, Atanislas Carré de Malberg, Philippe Morier-Genoud, François Berléand, François Négret, Peter Fitz, Pascal Rivet – 103 minutos.

É um dos filmes mais belos do cinema. Indiscutivelmente, ele deve figurar na lista dos dez melhores filmes de todos os tempos. Não é propriamente um filme de guerra, é uma história passada durante a guerra, mais precisamente a Segunda Grande Guerra Mundial. É um daqueles filmes de exames de consciência que o cinema (no caso o cinema francês) faz a respeito da vida sob a ocupação estrangeira. Passado em janeiro de 1944, prestes ao começo das aulas no Petit Collège de l'Enfant Jesus, em Fontainebleau. Oitenta meninos estudam nesse colégio, enfrentando o frio rigoroso, os bombardeios, a opressão dos nazistas, o mercado negro, a falta de comida etc. Relata com beleza e brilhantismo a história de um garoto separado dos pais e apaixonado por livros que tenta decifrar o mundo adulto. É uma história de amizade profunda e o preço que se paga por ela numa época de medo, angústia e incertezas. Um mundo transformado pela guerra, com reflexos devastadores para as pessoas que fazem parte desse mundo.



Baseado num fato histórico presenciado pelo próprio diretor, que durante anos guardou o segredo por fatores óbvios. Ele retrata a indignação diante da opressão e da discriminação e a perda da inocência. O filme ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza de 1987 merecidamente. Concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro - mas perdeu para o não menos belo A FESTA DE BABETTE, que é um grande filme. É inegável que a Academia cometeu uma grave injustiça em não premiá-lo. A França, depois de muitos anos, resolveu fazer uma espécie de MEA CULPA. Todo mundo sabe que ela esteve sob ocupação nazista de 1940 a 1944, e sabe-se também que cidadãos franceses, infelizmente, talvez por medo, ou, por simpatia com o novo regime, colaboraram na entrega do seu próprio país, até entregando heróis da Resistência aos carrascos nazistas. Questões políticas à parte, o filme é simplesmente belo e merece ser visto e revisto. É poético, sem ser piégas. É lírico, sem ser sentimentalista. É pungente e forte, sem ser grosseiro. É grandioso, sem ser uma superprodução. O diretor Louis Malle está de parabéns por esse notável trabalho. Sem sombra de dúvida, é um dos mais belos filmes do cinema francês!! Obrigatório e absolutamente extraordinário!!



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

12º Lugar - SPARTACUS (Spartacus) EUA, 1960



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

12º Lugar - SPARTACUS (Spartacus) Eua, 1960 - Direção Stanley Kubrick – elenco: Kirk Douglas, Tony Curtis, Jean Simmons, Laurence Olivier, John Gavin, Charles Laughton, Peter Ustinov, Woody Strode, Joanna Barnes, Nina Foch, John Ireland, Herbert Lom, Charles McGraw, John Hoyt, Frederick Worlock, John Dall – 184 minutos.

Com toda sua grandiosidade é o mais eletrizante espetáculo que já empolgou o mundo. Com milhares de figurantes é um épico sem paralelo na história do cinema e sem precedentes. Baseado na obra de Dalton Trumbo, que durante muito tempo permaneceu anônimo, por causa das perseguições macarthistas (ele foi vítima do famoso Comitê de Atividades Antiamericanas, que destruiu muitas carreiras em Hollywood). Somente tempos depois, graças às insistências de Kirk Douglas - que é também um dos produtores executivos - é que Trumbo teve seu merecido reconhecimento.



O filme possui uma frase emblemática: "Eu sou Spartacus!", quando todos os prisioneiros querem proteger seu líder e resolvem assumir a sua identidade. Essa sequência é uma das mais belas cenas de toda a história do cinema, traduzindo claramente a grandiloquência desse filme inesquecível. Stanley Kubrick - gênio realizador de obras-primas como LOLITA (l963), DR FANTÁSTICO (1962), 2001-UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (1968), GLÓRIA FEITA DE SANGUE (1957), O ILUMINADO (1980), NASCIDO PARA MATAR (1987), DE OLHOS BEM FECHADOS (1999), BARRY LYNDON (1975), o polêmico LARANJA MECÂNICA (1971), entre outros - conseguiu realizar um épico bem diferente, provido de consciência política e muito ousado para a época. Há cenas que não puderam ser vistas pelas platéias do mundo inteiro, por onde o filme foi exibido, nos anos 1960, inclusive aquela cena do banho, em que um potentado romano, Marcus Crassus (brilhantemente interpretado pelo notável Laurence Olivier), ao lado do jovem Antoninus (um imberbe Tony Curtis), banha-se na sauna.



Essa cena foi lançada em 1991 em uma versão restaurada do filme, e continha 13 minutos a mais que o original. Nesta nova versão, o ator Anthony Hopkins dublou a voz de Laurence Olivier (morto em 1989) na cena de banho entre seu personagem, Crassus, e Antoninus (Tony Curtis). Essa cena causou um enorme escândalo na época do seu lançamento, devido a sua conotação homossexual. Mas esse é um detalhe da narrativa, que conjura elementos históricos, dramáticos e polêmicos para contar um belo enredo sobre o anseio de liberdade, um tema que não sai de moda. Na edicão especial lançada em DVD poderão ser vistas todas as cenas que foram cortadas. O filme é imortal e possui cenas igualmente imortais, mas nenhuma é mais antológica do que a cena do duelo mortal entre Antoninus e Spartacus. Uma contundente simbologia de valores idealistas que se mantém até hoje atual. O elenco é de primeira, com um Kirk Douglas no auge de sua forma física, no papel título, Jean Simmons (como Varinia, a esposa), Peter Ustinov (é Batiatus, o mercador de escravos da escola de gladiadores), Laurence Olivier (o ferrenho Marcus Crassus), Tony Curtis (em plenitude, é Antoninus, um papel emblemático), Charles Laughton (faleceu logo após as filmagens, está soberbo como o Senado), John Gavin (no auge, é um belo Júlio César) , e ainda Woody Strode, Nina Foch, Joanna Barnes, Herbert Lom, John Ireland etc.



É um dos melhores filmes de toda a história do cinema. Foi apresentado com uma grandiosidade ímpar na história da Sétima Arte até então. O diretor Stanley Kubrick conta a história desse escravo, como um destemido gladiador que levou para Roma a revolta dos escravos e Varínia, a mulher que acreditou em sua causa. É um inspirador conto da eterna luta do homem pela liberdade, combinando história com espetáculo e criando um drama emocionante de amor e compromisso. Foi indicado a 6 Oscars: Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, ganhando nessas quatro categorias - Melhor Ator Coadjuvante (Peter Ustinov), Melhor Fotografia - A Cores, Melhor Direção de Arte - A Cores e Melhor Figurino - A Cores. A Academia de Hollywood cometeu uma das mais graves injustiças não indicando o filme na categoria de Melhor Filme. Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme - Drama. Além de estrelar SPARTACUS, o ator Kirk Douglas foi também produtor executivo do filme. Inicialmente, o filme seria dirigido por Anthony Mann, que inclusive dirigiu a cena inicial do filme. Entretanto, desentendimentos com os produtores fizeram com que ele se afastasse do projeto e Stanley Kubrick assumisse seu lugar. Mais de 8500 extras foram utilizados nas cenas de batalha entre o exército romano e a rebelião liderada por Spartacus. O som da multidão gritando "Spartacus! Spartacus!" foi na verdade gravado durante uma partida de futebol americano no Spartan Stadium, sede do time da Universidade de Michigan. SPARTACUS é um desses filmes extraordinários que são a essência do cinema, que mudaram a sua linguagem estética e cinematográfica e que ficarão para sempre nas páginas de sua história.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

13º Lugar - O RESGATE DO SOLDADO RYAN (Saving Private Ryan) EUA, 1998



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

13º Lugar - O RESGATE DO SOLDADO RYAN (Saving Private Ryan) EUA, 1998 – Direção de Steven Spielberg – elenco: Tom Hanks, Matt Damon, Tom Sizemore, Edward Burns, Barry Pepper, Vin Diesel, Adam Goldberg, Giovanni Ribisi, Ted Danson, Paul Giamatti, Jeremy Davies, Dennis Farina – 168 minutos.

Depois de A LISTA DE SCHINDLER (1993) esse foi o primeiro grande filme de Steven Spielberg. Um retrato duro e violento da Segunda Guerra Mundial, traduzido na angústia de um pelotão comandado por Tom Hanks. A invasão da Normandia, mostrada nos primeiros 29 minutos do filme, não poupa a platéia: As lanchas de desembarque avançam com fúria em direção à praia, enquanto os soldados a bordo vomitam de medo e rezam baixinho pela sua sorte. Antes mesmo de pisarem na areia, o som seco de uma saraivada de metralhadora criva corpos e cabeças. Assim, o espectador testemunha com inigualável veracidade o horror da carnificina que foi o desembarque dos aliados em Omaha Beach, nome código de um trecho de praia da Normandia, na França, em 6 de junho de 1944, o chamado Dia D. Rompendo com meio século de glamourização dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, as cenas de batalha evitam o suspense e o sensacionalismo convencionais. Elas chocam, sim, mas pelo realismo. Parecem ter saído da câmera de mão carregada por um cinegrafista que corre agachado, tropeça, cai e volta a se levantar, como se fosse um soldado sofrendo durante o ataque. A água manchada de sangue respinga nas lentes. Explosões arrancam braços e pernas dos pracinhas que gritam de dor e imploram por ajuda. Entre os combates, o horror é sentido na visão dos intestinos do soldado com a barriga aberta. Os corpos ficam estirados na areia molhada ao lado de peixes mortos pelas explosões no mar. Pode não parecer, mas este é um filme de Steven Spielberg, que já deleitou platéias de todo o mundo com temas diversos como E.T. – O EXTRATERRESTRE, a Trilogia de INDIANA JONES, clássicos como TUBARÃO (1975) etc. Agora, ele procura fazer um discurso humanista usando com talento a violência sem banalização. O RESGATE DO SOLDADO RYAN faz justiça à posição de gênio da sétima arte alcançada pelo diretor americano, eleito pela revista “Time” como o mais influente cineasta do século. A longa sequência inicial já é considerada pelos especialistas como a mais impressionante jamais filmada. Apresentada a um grupo de veteranos que participou do histórico desembarque, provocou lágrimas e aplausos pelo rigor da reconstituição. "Eu quero que o espectador veja o que os soldados viram, sinta o que eles sentiram, nem mais nem menos", disse Spielberg, no lançamento do filme nos Estados Unidos, em 1998.



Para dar aos seus atores a aparência de soldados exauridos física e emocionalmente pela guerra, Spielgberg os obrigou a cumprir dez dias de um pesado treinamento militar. O diretor explicou que preferiu mostrar os combates como eles foram, e não como Hollywood desejava que eles fossem. O RESGATE DO SOLDADO RYAN é uma “tour de force” consagratória de um cineasta magistral trabalhando no topo de sua forma e em controle absoluto de sua arte e de seu ofício. Spielberg bombardeia a platéia com os horrores da guerra de uma forma que nenhum outro filme fez, jamais desviando o olhar da violência esmagadora do combate, mas também examinando sem demagogia ou patriotada as cicatrizes morais e espirituais e os dilemas nascidos nos campos de batalha. O fio condutor é a busca pelo soldado Ryan (brilhante atuação de Matt Damon), o único de quatro irmãos a ainda estar vivo na guerra. O exército quer salvá-lo, mas não para poupar sua mãe de mais sofrimento, e sim porque seria uma excelente jogada de relações públicas. Na busca do desaparecido parte um relutante pelotão comandado pelo misterioso Capitão Miller (Tom Hanks, em impecável atuação) – relutante porque nenhum dos soldados enxerga real importância na missão, e todos questionam a sanidade de arriscar-se a vida de oito homens em nome do resgate de um. Miller e seus soldados não são apresentados durante a invasão da Normandia, retratada nos primeiros 25 minutos do filme – uma batalha que dá o tom da guerra e do filme, em um espetáculo de violência que leva a platéia para o coração da guerra de modo antes nunca mostrado em uma produção hollywoodiana. O filme possuía todos os predicados para ser o grande vencedor na noite do Oscar, mas a Academia cometeu uma das mais graves injustiças da história da premiação: premiou SHAKESPEARE APAIXONADO (1998), infinitamente inferior, aliás nem merecia ser indicado. O filme possui um elenco soberbo: Tom Hanks é o capitão John Miller; Matt Damon é o soldado Ryan; Tom Sizemore é o sargento Horvath; Edward Burns é o soldado Reiben; Barry Pepper é o soldado Jackson; Vin Diesel é o soldado Caparzo; Adam Goldberg é o soldado Mellish; Giovanni Ribisi é o Oficial médico Wade; Jeremy Davies é o cabo Upham, entre outros. Indicado a 11 Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator (Tom Hanks), Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem, Melhor roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, ganhou somente em cinco categorias: Melhor Diretor (Steven Spielberg), Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Sonoros, Melhor Som e Melhor Montagem.



A última meia hora do filme, assim como a primeira, é um desenrolar de cenas numa batalha crua e realista, desta vez entre os escombros de uma vila francesa. Mas antes de chegar a ela, o cineasta brinda o público com algumas passagens inesquecíveis: uma pausa tranquila ao som de Edith Piaf tocando numa velha vitrola, a manipulação absurda de um punhado de placas de identificação de soldados mortos, o olhar aterrador de um alemão frações de segundo antes de receber um coquetel Molotov na cabeça ou a agonia do pracinha que vê o punhal penetrar lentamente em seu peito na luta corporal com o inimigo. São cenas que no conjunto procuram deixar no público a impressão de que a vida de cada um desses soldados é tão valiosa quanto os valores do mundo livre que eles foram defender. Spielberg, que mais do que qualquer outro cineasta mostrou com A LISTA DE SCHINDLER a necessidade da guerra para combater os horrores do nazismo, pediu aos espectadores que examinassem essa mesma necessidade sob um ângulo diferente. Com olhos de indivíduo comum e não com a visão fantasiosa que ele próprio, Steven Spielberg, ajudou a alimentar na indústria do cinema. Imperdível!!!! É um dos maiores filmes de guerra de toda a história do cinema! Um espetáculo poderoso, forte e sem precedentes. É o espetáculo dos espetáculos! Um dos mais belos de todos os tempos! Obrigatório!!!!