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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

13º Lugar - O RESGATE DO SOLDADO RYAN (Saving Private Ryan) EUA, 1998



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

13º Lugar - O RESGATE DO SOLDADO RYAN (Saving Private Ryan) EUA, 1998 – Direção de Steven Spielberg – elenco: Tom Hanks, Matt Damon, Tom Sizemore, Edward Burns, Barry Pepper, Vin Diesel, Adam Goldberg, Giovanni Ribisi, Ted Danson, Paul Giamatti, Jeremy Davies, Dennis Farina – 168 minutos.

Depois de A LISTA DE SCHINDLER (1993) esse foi o primeiro grande filme de Steven Spielberg. Um retrato duro e violento da Segunda Guerra Mundial, traduzido na angústia de um pelotão comandado por Tom Hanks. A invasão da Normandia, mostrada nos primeiros 29 minutos do filme, não poupa a platéia: As lanchas de desembarque avançam com fúria em direção à praia, enquanto os soldados a bordo vomitam de medo e rezam baixinho pela sua sorte. Antes mesmo de pisarem na areia, o som seco de uma saraivada de metralhadora criva corpos e cabeças. Assim, o espectador testemunha com inigualável veracidade o horror da carnificina que foi o desembarque dos aliados em Omaha Beach, nome código de um trecho de praia da Normandia, na França, em 6 de junho de 1944, o chamado Dia D. Rompendo com meio século de glamourização dos filmes sobre a Segunda Guerra Mundial, as cenas de batalha evitam o suspense e o sensacionalismo convencionais. Elas chocam, sim, mas pelo realismo. Parecem ter saído da câmera de mão carregada por um cinegrafista que corre agachado, tropeça, cai e volta a se levantar, como se fosse um soldado sofrendo durante o ataque. A água manchada de sangue respinga nas lentes. Explosões arrancam braços e pernas dos pracinhas que gritam de dor e imploram por ajuda. Entre os combates, o horror é sentido na visão dos intestinos do soldado com a barriga aberta. Os corpos ficam estirados na areia molhada ao lado de peixes mortos pelas explosões no mar. Pode não parecer, mas este é um filme de Steven Spielberg, que já deleitou platéias de todo o mundo com temas diversos como E.T. – O EXTRATERRESTRE, a Trilogia de INDIANA JONES, clássicos como TUBARÃO (1975) etc. Agora, ele procura fazer um discurso humanista usando com talento a violência sem banalização. O RESGATE DO SOLDADO RYAN faz justiça à posição de gênio da sétima arte alcançada pelo diretor americano, eleito pela revista “Time” como o mais influente cineasta do século. A longa sequência inicial já é considerada pelos especialistas como a mais impressionante jamais filmada. Apresentada a um grupo de veteranos que participou do histórico desembarque, provocou lágrimas e aplausos pelo rigor da reconstituição. "Eu quero que o espectador veja o que os soldados viram, sinta o que eles sentiram, nem mais nem menos", disse Spielberg, no lançamento do filme nos Estados Unidos, em 1998.



Para dar aos seus atores a aparência de soldados exauridos física e emocionalmente pela guerra, Spielgberg os obrigou a cumprir dez dias de um pesado treinamento militar. O diretor explicou que preferiu mostrar os combates como eles foram, e não como Hollywood desejava que eles fossem. O RESGATE DO SOLDADO RYAN é uma “tour de force” consagratória de um cineasta magistral trabalhando no topo de sua forma e em controle absoluto de sua arte e de seu ofício. Spielberg bombardeia a platéia com os horrores da guerra de uma forma que nenhum outro filme fez, jamais desviando o olhar da violência esmagadora do combate, mas também examinando sem demagogia ou patriotada as cicatrizes morais e espirituais e os dilemas nascidos nos campos de batalha. O fio condutor é a busca pelo soldado Ryan (brilhante atuação de Matt Damon), o único de quatro irmãos a ainda estar vivo na guerra. O exército quer salvá-lo, mas não para poupar sua mãe de mais sofrimento, e sim porque seria uma excelente jogada de relações públicas. Na busca do desaparecido parte um relutante pelotão comandado pelo misterioso Capitão Miller (Tom Hanks, em impecável atuação) – relutante porque nenhum dos soldados enxerga real importância na missão, e todos questionam a sanidade de arriscar-se a vida de oito homens em nome do resgate de um. Miller e seus soldados não são apresentados durante a invasão da Normandia, retratada nos primeiros 25 minutos do filme – uma batalha que dá o tom da guerra e do filme, em um espetáculo de violência que leva a platéia para o coração da guerra de modo antes nunca mostrado em uma produção hollywoodiana. O filme possuía todos os predicados para ser o grande vencedor na noite do Oscar, mas a Academia cometeu uma das mais graves injustiças da história da premiação: premiou SHAKESPEARE APAIXONADO (1998), infinitamente inferior, aliás nem merecia ser indicado. O filme possui um elenco soberbo: Tom Hanks é o capitão John Miller; Matt Damon é o soldado Ryan; Tom Sizemore é o sargento Horvath; Edward Burns é o soldado Reiben; Barry Pepper é o soldado Jackson; Vin Diesel é o soldado Caparzo; Adam Goldberg é o soldado Mellish; Giovanni Ribisi é o Oficial médico Wade; Jeremy Davies é o cabo Upham, entre outros. Indicado a 11 Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator (Tom Hanks), Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem, Melhor roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, ganhou somente em cinco categorias: Melhor Diretor (Steven Spielberg), Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Sonoros, Melhor Som e Melhor Montagem.



A última meia hora do filme, assim como a primeira, é um desenrolar de cenas numa batalha crua e realista, desta vez entre os escombros de uma vila francesa. Mas antes de chegar a ela, o cineasta brinda o público com algumas passagens inesquecíveis: uma pausa tranquila ao som de Edith Piaf tocando numa velha vitrola, a manipulação absurda de um punhado de placas de identificação de soldados mortos, o olhar aterrador de um alemão frações de segundo antes de receber um coquetel Molotov na cabeça ou a agonia do pracinha que vê o punhal penetrar lentamente em seu peito na luta corporal com o inimigo. São cenas que no conjunto procuram deixar no público a impressão de que a vida de cada um desses soldados é tão valiosa quanto os valores do mundo livre que eles foram defender. Spielberg, que mais do que qualquer outro cineasta mostrou com A LISTA DE SCHINDLER a necessidade da guerra para combater os horrores do nazismo, pediu aos espectadores que examinassem essa mesma necessidade sob um ângulo diferente. Com olhos de indivíduo comum e não com a visão fantasiosa que ele próprio, Steven Spielberg, ajudou a alimentar na indústria do cinema. Imperdível!!!! É um dos maiores filmes de guerra de toda a história do cinema! Um espetáculo poderoso, forte e sem precedentes. É o espetáculo dos espetáculos! Um dos mais belos de todos os tempos! Obrigatório!!!!


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

14º Lugar - UM LUGAR AO SOL (A Place in the Sun) EUA, 1951



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

14º Lugar - UM LUGAR AO SOL (A Place in the Sun) EUA, 1951 – Direção George Stevens – Elenco: Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, Shelley Winters, Anne Revere, Keefe Brasselle – 122 minutos.

George Eastman (Montgomery Clift), um jovem ambicioso, vai trabalhar na fábrica de um rico tio. Ele acredita que esta oportunidade pode levá-lo a um futuro melhor, mas apesar de ter sido avisado para não se envolver com nenhuma funcionária, ele começa a se encontrar com Alice Tripp (Shelley Winters), uma humilde moça que trabalha na linha de montagem. Ele é finalmente introduzido na alta sociedade e se apaixona por Angela Vickers (Elizabeth Taylor), uma rica, bela e sofisticada jovem e é correspondido. Assim, decide se distanciar de Alice, mas a pobre funcionária não aceita esta situação com passividade, principalmente quando descobre que está grávida. Ele se conscientiza que a operária pode frustrar seus planos de ascensão social e assim surge a idéia de matá-la. Ganhou 6 Oscars, nas seguintes categorias: Melhor Diretor (George Stevens), Melhor Fotografia - Preto e Branco, Melhor Figurino - Preto e Branco, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro. Recebeu ainda três indicações, nas seguintes categorias: Melhor Filme (perdeu injustamente para SINFONIA DE PARIS), Melhor Ator (Montgomery Clift, perdeu para William Holden, também uma injustiça grave) e Melhor Atriz (Shelley Winters). Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme - Drama.



Esta é a segunda adaptação cinematográfica de “An American Tragedy”, de Theodore Dreiser. Em 1931, Josef Von Sternberg já havia adaptado o romance para a tela. Nessa história de um triângulo amoroso, cujas pontas são George (Montgomery Clift), Alice (Shelley Winters) e Angela (Elizabeth Taylor), temos a chance de flagrar um dos momentos mais memoráveis do cinema americano, com interpretações soberbas do trio central. Não por acaso, era o filme preferido de Charles Chaplin. Foi um daqueles anos em que o Oscar de melhor filme não coincidiu com o de melhor diretor: SINFONIA DE PARIS, de Vincente Minnelli, levou a estatueta máxima; mas foi George Stevens, com UM LUGAR AO SOL, o eleito na categoria de realização. Através da paixão dramática (trágica, como diz o título de Dreiser) do par ElizabethTaylor / Montgomery Clift, Stevens filmava a teia simbólica de uma América interior em que a verdade do amor se confronta com o aparato das aparências sociais e morais.
Genuíno exemplo do mais puro classicismo de Hollywood, UM LUGAR AO SOL rapidamente entrou na galeria dos filmes capazes de refletir as convulsões do imaginário coletivo. A história de um operário com sonhos de ascensão social, que engravida uma colega de trabalho e depois se apaixona por uma jovem rica, que também se apaixona por ele e a antiga namorada ameaça atrapalhar esse romance e por isso ele pensa em assassiná-la, resultou em um filme belíssimo e extraordinário. Temos a oportunidade de ver um Montgomery Clift no seu apogeu. Um dos mais importantes e maiores filmes da história do cinema. Absolutamente importante e extraordinário!!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

15º Lugar - A BALADA DO SOLDADO (Ballade o Soldate) Rússia, 1959



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

15º Lugar - A BALADA DO SOLDADO (Ballade o Soldate) Rússia, 1959 – Direção Grigori Chukhrai – elenco: Vladimir Ivashov, Zhanna Prokhorenko, Antonina Maksimova, Nikolai Kryuchkov, Yevgeni Urbansky, Elza Lezhdey, Aleksandr Kuznetsov, Yevgeni Teterin – 89 minutos.

Quando este filme estreou foi um retumbante sucesso mundial, tendo conquistado alguns dos mais importantes prémios nos principais festivais de cinema. O protagonista desta história, Alyosha Skvortsov, é um soldado russo, um dos muitos que lutaram durante a 2ª Guerra Mundial contra o fascismo. Mas Alyosha não é nem um herói de filmes de ação, nem um conquistador. Ele é apenas um rapaz simples, que entra em pânico da primeira vez que avista um tanque inimigo, mas ultrapassa o seu medo e consegue atingi-los. Pelos seus feitos e coragem, Alyosha é recompensado com dois dias de licença para visitar a sua mãe. Durante a viagem, conhece uma série de pessoas diferentes a quem se oferece para ajudar no que for preciso, acabando por conseguir estar com a mãe apenas alguns minutos, o tempo apenas para uma breve troca de palavras e um abraço. E Alyosha volta a partir para a frente de batalha... para não mais regressar.



A BALADA DO SOLDADO - Bastante irônico, humano, e até com senso de humor, foi indicado ao Oscar de Roteiro Original e ganhou o prêmio de Melhor Filme europeu do ano. Ao mesmo tempo que absorve o estilo visual dos antigos mestres do Cinema Soviético, o filme surpreende por sua naturalidade e encanto.



Esse grande filme teve triunfante repercussão internacional, ganhando vários prêmios em festivais como Cannes, San Francisco, Londres e Milão, antes mesmo de receber o prêmio Lenin na Rússia. Para os russos, o filme é considerado um dos melhores e mais respeitáveis sobre a Segunda Guerra Mundial. Quando estreou foi um estrondoso sucesso mundial. Produzido por um país comunista (em pleno governo Kruschev), sem tradição de filmagens e nem quinze anos depois de uma guerra que devastou o país, conta a história do jovem soldado Alyosha (Vladimir Ivashov) durante a invasão nazista ao front soviético, ainda no início dos anos 1940. Celebra a glória da guerra e o sacrifício coletivo em um monumental épico do período pós-guerra. Era tempo de reconhecer os custos individuais, os pequenos atos de bondade, bravura e generosidade do ser humano vivendo em tempos difíceis. Um libelo pacifista que comoveu o mundo!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

16º Lugar - MORTE EM VENEZA (Morte a Venezia / Mort a Venise) Itália/França, 1971



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

16º Lugar - MORTE EM VENEZA (Morte a Venezia / Mort a Venise) Itália/França, 1971 – Direção de Luchino Visconti – elenco: Dirk Bogarde, Silvana Mangano, Björn Andresen, Marisa Berenson, Mark Burns, Romolo Valli, Nora Ricci, Carole André, Leslie Franch – 130 minutos.

É o apogeu de Visconti! Um dos mais belos filmes de todos os tempos! Alguns críticos torceram o nariz para essa obra-prima, criticando aqui e ali, apontando defeitos. É o filme mais sofisticado do diretor. É um primor de realização. Em Veneza, amor e morte se misturam na visão soberba de Luchino Visconti. O compositor alemão Gustav Aschenbach (impressionante caracterização do ator inglês Dirk Bogarde) parece um homem reservado e civilizado aos olhos daqueles que o conhecem. Basta, no entanto, o início de uma paixão secreta, para que comecemos a notar o presságio de sua destruição. Ele parte para Veneza a fim de se recompor de um colapso gerado por seu trabalho estressante. Lá ele conhece um jovem belíssimo chamado Tadzio, que lhe parece estátua grega, de face serena e expressão de suave gravidade. Ele se apaixona perdidamente por Tadzio, mas este amor é impossível, numa época em que predomina a intolerância, o preconceito, a hipocrisia e o desprezo. O ar pesado e céu plúmbeo de Veneza deprimem Aschenbach. E só a visão de Tadzio pode reanimar seu espírito. Fascinado e completamente atraído pela beleza do rapaz, Gustav decide ir embora antes de cometer uma loucura. Porém, sua bagagem é enviada por engano para uma outra cidade italiana. E assim, ele terá que adiar sua partida. Nas ruas da cidade o temor pela cólera asiática gera um êxodo dos que querem se proteger contra a doença. E é nessa Veneza vazia e solitária que Aschenbach sai à procura do jovem Tadzio. Por mais que seu coração murmure, ele não pode confessar à Tadzio a paixão que provocaria um escândalo constrangedor para ambas as partes. Só lhe resta a dor de um amor impossível e o desejo ardente em seu peito. Com cenas belíssimas na romântica cidade italiana, o mestre Luchino Visconti revela toda a sensualidade de Veneza. A fotografia sublime e trama envolvente garantiram à MORTE EM VENEZA o Grande Prêmio no Festival de Cannes, consagrando o ator inglês Dirk Bogarde como um dos maiores nomes da cinematografia mundial. A qualidade desta memorável produção ítalo-francesa é abrilhantada pela interpretação marcante de Silvana Mangano, no papel da mãe de Tadzio, uma atriz de raro talento que mostra toda a sua força expressiva nesta emocionante obra-prima. MORTE EM VENEZA é UM FILME PARA PESSOAS DE EXTREMA SENSIBILIDADE e PARA UM PÚBLICO SELETO E INTELIGENTE. Uma história comovente, com um requinte visual magnífico, cheia de poesia e de extraordinária beleza.



Uma rica evocação impressionante de tempo e lugar. Um sonho cinemático. É o mais belo filme dos últimos cinqüenta anos! A obra-prima da beleza. Um triunfo do cinema. É a história de um homem obcecado pela beleza. O diretor Luchino Visconti (que já nos deu filmes de notável qualidade, como OS DEUSES MALDITOS (1969), VIOLÊNCIA E PAIXÃO (1974), LUDWIG – A PAIXÃO DE UM REI (1972), O LEOPARDO (1963), SENSO (1954), ROCCO E SEUS IRMÃOS (1960), entre outros), transforma o romance clássico de Thomas Mann em uma obra-prima de poder e beleza. Como Aschenbach, Visconti é um artista obcecado: seus filmes são ricos em humor, detalhes de época e emoções ferventes em superfícies plácidas. Ganhou o Prêmio Especial do 25º Aniversário do Festival de Cannes. MORTE EM VENEZA tem uma fabulosa performance do elenco. Além da assustadora interpretação já comentada de Dirk Bogarde, cabe ressaltar a brilhante composição de Silvana Mangano, com sua beleza indescritível, como a mãe de Tadzio, e a inegável atuação de Bjorn Andresen (magnífico como Tadzio). Ainda no elenco Marisa Berenson (como Frau von Aschenbach, belíssima), Mark Burns, Romolo Valli, Nora Ricci, entre outros. O filme é recheado de diálogos inteligentes sobre arte e beleza.



Considerado internacionalmente como a obra-prima da beleza, causou muito frisson na época do seu lançamento. Visconti incluiu uma série de flash-backs, para ilustrar as dúvidas filosóficas de Aschenbach; em um deles, um amigo diz a ele que “a beleza é uma qualidade que pertence naturalmente às coisas belas”. Esses flash-backs são fundamentais para a compreensão dos conflitos internos do Conde Aschenbach, já que o filme tem pouquíssimos diálogos. E foi exatamente essa opção de Visconti que acabou forçando-o a se afastar da sutileza da história original. No livro, tomamos conhecimento dos pensamentos de Aschenbach através do narrador, em terceira pessoa. No filme, no entanto, não há narração – pelo menos não no estilo dos filmes de detetives, em que ouvimos os pensamentos do personagem principal. Tadzio (atuação magnífica de Bjorn Andresen), a paixão platônica do compositor Aschenbach, que no livro está mais contida, aqui ele está mais saliente. Para que possamos entender o tipo de atração que ele exerce sobre o músico, Tadzio passa quase todo o tempo do filme dirigindo-lhe olhares ambíguos, algo entre o convite e o desprezo. Na obra de Thomas Mann, Tadzio pode ser perfeitamente ignorante de sua sexualidade; na de Visconti, ele é quase vulgar, mas num bom sentido. A atuação de Dirk Bogarde como o torturado artista tem momentos antológicos, um deles, quando, renunciando a seu racionalismo, ele pinta o rosto e os cabelos, numa tentativa de parecer mais jovem. MORTE EM VENEZA, com certeza, pode ser considerado um filme sobre o fascínio que a beleza exerce sobre nós. Isso fica muito evidente naquela que é uma das grandes qualidades do filme: a beleza visual. Toda a longa seqüência de abertura, que mostra a chegada do navio em que viaja o Conde Aschenbach, evidencia um cuidado em revelar Veneza em todo o seu esplendor. Vários críticos já afirmaram que a cidade italiana nunca foi tão bem filmada. É bem provável que tenha sido essa a intenção de Visconti: revelar a contradição existente em uma linda cidade que é varrida pelo “sirocco” (o vento que se acreditava que carregasse doenças fatais, ou seja, a beleza pode ser perigosa para quem se deixa enfeitiçar por ela). Essa seria uma preocupação comum a Thomas Mann e a Luchino Visconti. MORTE EM VENEZA, inegavelmente, é um dos pontos altos do cinema europeu e um dos mais belos filmes alternativos de todos os tempos.


domingo, 27 de novembro de 2011

17º Lugar - ROMEU E JULIETA (Romeo & Juliet) Itália/Inglaterra, 1968



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

17º Lugar - ROMEU E JULIETA (Romeo & Juliet / Romeo e Giulietta) – Itália/Inglaterra, 1968 – Direção Franco Zeffirelli – elenco: Leonard Whiting, Olivia Hussey, Michael York, John McEnery, Pat Heywood, Milo O’Shea, Bruce Robinson, Natasha Parry, Robert Stephens, Paul Hardwick, Antonio Pierfederici, Esmeralda Ruspoli, Roberto Bisacco, Roy Holder, Keith Skinner, Laurence Olivier (o narrador) – 138 minutos.

Este filme é um primor de beleza, poesia e encantamento. Realizado em 1968, foi um sucesso popular mundial que marcou toda uma geração. Só aqui em São Paulo ficou mais de 10 (dez) meses em cartaz, sendo um dos grandes campeões de bilheterias de sua época. Originalmente foi lançado no auge do movimento "paz e amor", em 11 de agosto de 1969, no extinto Cine Belas Artes. Foi um acontecimento tão grande que mexeu muito com o sentimento das pessoas. Os jovens criaram uma identificação imediata, influenciando na moda e no comportamento. É uma história de amor incomum. Uma história de amor que vence todas as barreiras, todos os ódios. A magnífica linguagem utilizada por William Shakespeare foi transposta ao cinema de forma impecável, com a direção competente do genial Franco Zeffirelli. Esta versão é a mais perfeita já realizada, entre outras qualidades porque apresenta os jovens amantes de Verona na sua concepção maior, como jovens adolescentes, exatamente como a peça teatral shakesperiana descreve. Leonard Whiting, que faz o Romeu, tinha então 17 anos e Olívia Hussey, a Julieta, tinha 15, tornando-se assim um dos pares românticos mais bonitos do cinema. Indiscutivelmente, foram o Romeu e Julieta mais perfeito do cinema. A música tema "A Time for Us", uma balada melancólica e sensível cantada no filme por um jovem músico quando Romeu vê Julieta pela primeira vez, foi um sucesso estrondoso, sendo gravada também em português. É uma canção que toca até mesmo o coração dos menos apaixonados. Outro grande trunfo do filme é o elenco, todos muito bem. Além do par central já citado, há também a grande interpretação de Michael York, que faz Tebaldo, o inimigo número um de Romeu. A cena do duelo entre os dois, em praça pública, é antológica. Cabe lembrar, ainda, John McEnery (excepcional como Mercutio); Pat Heywood (a velha ama); Milo O'Shea (Frei Lourenço); Bruce Robinson (Benvolio, o amigo de Romeu); Natasha Parry (a Sra. Capuletto); Robert Stephens, que faz o Príncipe, faleceu em 1995. E é ele quem encerra o filme com um texto que ficou imortal: “Uma paz lúgubre traz esta alvorada. O sol não mostrará sua face, por causa do duelo. Saiamos daqui para falar mais extensamente sobre estes lamentáveis sucessos. Alguns obterão perdão e outros castigo, pois nunca houve história mais dolorosa do que esta de Julieta e seu Romeu”, sem deixar de citar um dos maiores monstros sagrados dos cinemas inglês e norte-americano, o brilhante Laurence Olivier, que faz o narrador da história. O filme recebeu 4 indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Figurino e Melhor Fotografia, ganhando nessas duas últimas categorias. Apesar de receber muitos elogios de vários segmentos das sociedades brasileira e internacional, considerado até como 100% EXCELENTE, sempre têm os críticos de plantão, que chegaram a dizer que o filme "vulgarizava e simplificava a obra poética de Shakespeare". Mas não é verdade, o filme é belo na sua mais completa concepção, evocando com grandeza e sensibilidade estonteante o texto inglês. Indiscutivelmente, é uma das mais extraordinárias histórias de amor, em todos os tempos.



Essa obra-prima vai além das versões de 1936 (de George Cukor), e de 1954 (de Richard Castellani), com um despojamento, uma reinterpretação do que pode ter sido a juventude renascentista na Itália. O filme foi considerado ousado para a época, pois mostra o Romeu levantando da cama nu (de costas), quando ele dorme junto com a sua amada Julieta, após terem sido casados pelo Frei Lourenço, e, após ter sido condenado ao banimento em Mântua. O filme é uma obra alegre e inesquecível, recheada de cenas antológicas. O baile, o colóquio no jardim, o casamento, o sonífero na cripta, o discurso dos equívocos, as mortes, e, nestas cenas, as falas originais. É um poema de juventude, beleza, violência e romantismo. O par central foi eleito o mais bonito do cinema, quando do lançamento do filme. O diretor coloca a família Montecchio mais cultivada, artisticamente, e amante da paz à diferença dos novos-ricos Capuletos, brigões, grosseiros, incultos. Para reproduzir melhor a época, o filme foi rodado em ambientes afinados com a Verona de meio milênio atrás, na Toscana e nos arrabaldes de Roma. A igreja do Padre Lourenço era, na verdade, no filme de Zeffirelli, a igreja de São Pedro, monumento nacional da velha cidade de Toscana, no âmago da região etrusca a noroeste de Roma, cuja construção começou no Século III depois de Cristo e terminou no Século XII. Outros locais em que o filme foi rodado: o Palácio Piccolomini, em Pienza, construído pelo Papa Pio II, de 1459 a 1462, quase intacto exceto por danos superficiais durante a Segunda Guerra Mundial: ali ocorrem os duelos entre os Capuletos e os Montecchios. Também Gubbio, uma das mais bem preservadas cidades italianas, situada na Úmbria, que serviu de palco para o filme. A cena do balcão (ou serenata de Romeu a Julieta) foi tomada em Artena, vilarejo medieval a 60 quilômetros de Nápoles, precisamente no Palácio Borghese, construído pelo Cardeal Scipione Borghese no Século XVI. Mas a praça principal da velha Verona e o salão no qual foi encenado o baile onde Romeu vê Julieta pela primeira vez, bem como a cripta onde o apaixonado se despede da sua amada – tudo foi reconstruído pelo arquiteto e cenógrafo Renzo Mongiardino. O fato é que estes cuidados de produção, e a fotografia despojada, clara, de dias e noites nítidos, conforme a atmosfera exigida pelo roteiro de Zeffirelli e Franco Brusati e operada por Pasquale de Santis, registraram a beleza e o clima da tragédia que a música de Nino Rota sublinhou. Grande produção da Paramount, realista, despojada, marcante e apaixonante! Um filme extraordinário, primoroso, encantador e arrebatador! Com certeza tem que estar na lista dos 100 melhores de todos os tempos!!



sábado, 26 de novembro de 2011

18º Lugar - O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (Brokeback Mountain) EUA, 2005



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

18º Lugar - O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN (Brokeback Mountain) EUA, 2005 – Direção Ang Lee – elenco: Jake Gyllenhaal, Heath Ledger, Michelle Williams, Anne Hathaway, Randy Quaid, Anna Faris, Linda Cardellini, Tom Carey – 134 minutos.

O diretor alinha desejo e natureza com brilhantismo. Um filme sobre caubóis gays tinha tudo para virar filme cult no circuito alternativo, mas se tornou muito mais: o grande drama da década encampado pela Academia de Hollywood com oito indicações ao Oscar. Concorreu nas categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor (Ang Lee), Melhor Ator (Heath Ledger), Melhor Ator Coadjuvante (Jake Gyllenhaal), Melhor Atriz Coadjuvante (Michelle Williams), Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia e Melhor Roteiro Adaptado. Em vez da esperada polêmica em torno de um romance homossexual baseado em um conto publicado na revista "The New Yorker", encontra-se aceitação e elogio unânimes. A resposta do mistério, como quase sempre em cinema, está no tempo construído por seu diretor, o taiwanês Ang Lee, autor de diversos filmes célebres como O TIGRE E O DRAGÃO, HULK e RAZÃO E SENSIBILIDADE. Ele emprega sua sensibilidade oriental para criar uma visão contemplativa da natureza que domina a primeira meia hora do filme, em que os peões Ennis del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal) vão trabalhar juntos em um remoto rancho no Wyoming, lugar tomado por um verde exuberante. O ano é 1963. Só quando tem certeza que mergulhou o espectador no ritmo sereno do tempo, do sol e das tempestades, dos cavalos e das ovelhas é que Lee apresenta o desejo sexual de Twist por Del Mar, e o amor que vem da convivência logo em seguida.



Uma coisa é ler em textos de psicologia que o homossexualismo é uma coisa natural. Outra bem diferente (e de muito mais efeito) é marcar esse "natural" no tempo, devolvendo-o ao seu sentido original - parte da natureza. Assim, de maneira quase subterrânea, o cineasta tem ajudado a quebrar preconceitos dos espectadores mais irredutíveis. O diretor já havia feito O BANQUETE DE CASAMENTO (1993), uma sensível comédia sobre um gay que se casa com uma mulher para agradar aos pais. O artifício de associar o movimento dos personagens ao da natureza também é a espinha dorsal de outro grande filme seu, TEMPESTADE DE GELO (1997), em que a borrasca do título vai acompanhando a derrocada moral de duas famílias americanas nos anos da década 1970, na época do escândalo Watergate. A continuação da história só vem confirmar a força da primeira parte. Cada caubói toma seu rumo, se casa, e as restrições sociais pesam cada vez mais na vida dos dois. Os personagens passam do espaço aberto da primeira parte para lugares fechados - casas, escritórios, salas de jantar, trailer - que ficam claustrofóbicos com a impossibilidade do amor. No melhor estilo AS PONTES DE MADISON, O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN prova mais uma vez que o amor mais sublime é sempre o amor impossível. Pelo menos na arte. Um dos mais belos filmes produzidos em 2005!!!



“O Amor é uma força da natureza”, diz o slogan desse que é o melhor filme do ano. Dois jovens. Dois destinos que se cruzam. A montanha Brokeback esconde um segredo, um amor impossível. Do diretor vencedor do Oscar, Ang Lee, surge um filme sobre a intolerância de uma sociedade que não aceita diferenças. A Academia de Hollywood vai pagar por muitos e muitos anos o crime de não ter escolhido O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN como Melhor Filme. Em última instância O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN não é sobre sexo (há muito pouco dele no filme), e sim sobre amor: o amor em que se tropeça, o amor abortado, o amor guardado com tristeza no coração. Ou, como escreve Proulx, "O que Jack lembrava e desejava de uma maneira que não podia evitar nem compreender era o tempo daquele verão distante em Brokeback, quando Ennis chegou por trás dele e o agarrou, num abraço silencioso que satisfez uma fome compartilhada e sem sexo". Um terno momento de alívio da solidão pode iluminar uma vida.
O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN não é exatamente a peça de época que alguns gostariam de imaginar. As portas rangentes do armário da América podem ter-se aberto o suficiente para que exista um circuito de rodeios gays. Mas não vamos nos iludir. Em grandes segmentos da sociedade norte-americana, especialmente nos meios esportivos e militares, essas portas continuam seladas. O assassinato de Matthew Shepard [jovem homossexual assassinado em um crime de ódio, no Estado de Wyoming], afinal, aconteceu no território de Brokeback.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

19º Lugar - ERA UMA VEZ... NO OESTE (C'Era Una Volta Il West / Once Upon A Time In West) Itália/EUA, 1968



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

19º Lugar - ERA UMA VEZ... NO OESTE (C’Era Una Volta Il West / Once Upon a Time in The West)) Itália/EUA, 1968 – Direção Sérgio Leone - elenco: Claudia Cardinale, Charles Bronson, Henry Fonda, Jason Robards, Gabriele Ferzetti, Frank Wolff, Paolo Stoppa, Jack Elam, Woody Strode, Lionel Stander, Keenan Wynn – 166 minutos.

“O ritmo do filme pretendeu criar a sensação dos últimos suspiros que uma pessoa exala antes de morrer. ERA UMA VEZ... NO OESTE é, do começo ao fim, uma verdadeira valsa da morte. Todos os personagens do filme, exceto Claudia Cardinalle, têm consciência de que não chegarão vivos ao final” (Sérgio Leone)

Logo após finalizar sua Trilogia dos Dólares, formada por POR UM PUNHADO DE DÓLARES (1964), POR UNS DÓLARES A MAIS (1965) e TRÊS HOMENS EM CONFLITO (1966), Sérgio Leone resgatara todo o respeito e a certeza de que os faroestes poderiam ser bons filmes, não apenas entretenimento barato. Agora almejava novos horizontes. Em sua mente já se desenhava um dos maiores clássicos policiais de todos os tempos, mas a Paramount só bancaria seu sonhado ERA UMA VEZ... NA AMÉRICA caso ele fizesse apenas mais um western. Sérgio estava em um beco sem saída, uma vez que, na sua cabeça, já não havia mais histórias nesse gênero para serem contadas. Mas o diretor não se deixou levar pelo olhar ambicioso sobre os lucros que esse novo filme poderia gerar. Se devia ser feito, que fosse algo bom. Leone se juntou então com Sergio Donati, Bernardo Bertolucci e Dario Argento para escrever a história e o roteiro desse seu novo trabalho. Assim nasceu a obra-prima ERA UMA VEZ... NO OESTE.



Jill (Claudia Cardinale) é uma ex-prostituta de New Orleans que largou a vida na cidade grande para casar com Brent McBain (Frank Wolff), um sonhador dono de uma propriedade no meio do nada, viúvo e pai de três lindas crianças. Quando Jill chega à Fazenda “Água Doce”, encontra uma chacina realizada na sua nova família. A única pista de quem pode ter feito tal crueldade está em um pequeno pedaço de pano encontrado no local, que remete à cruel gangue de assassinos de Cheyenne. Como Leone queria algo novo para sua história, uma das soluções encontradas foi elevar a importância de Jill dentro do contexto geral, uma vez que o diretor não havia reservado papéis importantes para mulheres em seus filmes. A partir do momento que ele coloca Jill no centro de tudo o que acontece no filme, dá uma nova direção aos seus trabalhos também. Charles Bronson interpreta o mocinho da história, conhecido como “O Harmônica”, homem não identificado de jeitão calado e muita atitude. Não sabemos sua motivação até o final, mas sente-se um doce gosto de vingança em suas atitudes, principalmente quando seu caminho se cruza com o da nossa protagonista Jill. A escolha inicial de Leone para o papel seria Clint Eastwood, mas isso não aconteceu e foi até bom, porque o jeitão do “Harmônica” não combina com Eastwood. Em Charles Bronson o diretor encontrou a pessoa certa para combinar boa atuação com o perfil que o personagem exigia. Ele não é irônico, canastrão e nem brinca com a cara das pessoas. Ele é apenas um tremendo grosso que impõe a sua força quando necessário, calado e de atitude.



ERA UMA VEZ... NO OESTE é um filme muito mais plástico que os outros do diretor, um drama ambientado no Velho-Oeste, com uma história muito mais profunda, sem humor e com violência menos explícita que em seus outros filmes. Suas cenas de ação, como quando Charles Bronson é salvo no trem de Morton (Gabriele Ferzetti), geram empolgação e remetem ao seu bom e velho western. Outra significativa inclusão no filme é a chegada da prosperidade ao Oeste, representada pela linha do trem, e o crescimento ao Oeste que ela traria. A tecnologia como um novo elemento. A idéia de utilizar Clint Eastwood, Lee van Cleef e Eli Wallach, os três protagonistas de TRÊS HOMENS EM CONFLITO, na introdução do filme chegou a ser cogitada, mas infelizmente teve de ser arquivada devido à indisponibilidade dos atores. Seria algo genial, mágico, pois ninguém imaginaria que esses três atores, tão famosos por seus trabalhos com Leone, morreriam logo nos dez minutos iniciais do filme. Metaforizaria também o corte bruto que Leone queria fazer com seus outros westerns, deixando claro que ERA UMA VEZ... NO OESTE seria algo novo.O duelo final entre “o Harmônica” e Frank é memorável. Uma das grandes cenas do filme. Desde a preparação, com a chegada de Frank e o encarar dos dois, até o mega close nos olhos de Charles Bronson, para representar a entrada na mente dele pelo público, tudo tem seu significado dentro da obra. Outro fator que ajudou este grande clássico a ser uma valsa da morte foi sua trilha musical, algo a que o diretor sempre deu muita atenção em suas obras. Cada personagem possui sua trilha sonora própria, entrando em cena juntamente com o seu possuidor. As músicas sempre tiveram uma importância fundamental nos filmes de Sergio Leone, mas aqui elas ganham o seu patamar máximo. Foram compostas antes mesmo das filmagens começarem, pois o diretor queria que elas ditassem o ritmo que sua história seria contada. Isso ajudou também na preparação dos atores, pois Leone costumava tocar seus temas no set para inspirar os personagens. Uma obra de arte poética e sensível, completa como western, perfeita como um filme. Acabou sendo o primeiro de uma nova trilogia imperdível, seguido por QUANDO EXPLODE A VINGANÇA (1972) e a outra obra-prima ERA UMA VEZ... NA AMÉRICA (1984). ERA UMA VEZ... NO OESTE é um daqueles filmes indispensáveis para quem quer conhecer a boa história do cinema. O MELHOR WESTERN DE TODOS OS TEMPOS!!