Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

87º Lugar - O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO - Brasil, 1969



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

87º Lugar - O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO – Brasil, 1969 – Direção Glauber Rocha – elenco: Maurício do Valle, Odete Lara, Othon Bastos, Joffre Soares, Hugo Carvana, Loríval Pariz, Rosa Maria Penna, Emmanuel Cavalcanti, Vinícius Salvatori, Mario Gusmão, Santi Scaldaferri – 100 minutos.

Um dos filmes mais importantes de Glauber Rocha completa 42 anos. Mais de três décadas depois da destruição dos seus negativos em um incêndio em um laboratório em Paris, o longa reestreou em cópia restaurada, em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília há um tempo atrás. A curadoria da restauração foi assinada pelo brasileiro radicado na Inglaterra João Sócrates Oliveira, um dos maiores especialistas internacionais em restauração de filmes, que assinou a recuperação de obras como CABÍRIA (1914), de Giovanni Pastrone. O trabalho contou também com a supervisão de fotografia de Affonso Beato, que também foi diretor de fotografia do filme de Glauber.

A volta de "O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro" aos cinemas fez parte de um projeto que incluiu o lançamento de uma caixa com quatro DVDs, onde também tem "Terra em Transe", "A Idade da Terra" e "Barravento", todos restaurados. Há também na caixa quatro documentários sobre os longas. O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO foi lançado originalmente em 1969. Naquele ano, ganhou o prêmio de direção do Festival de Cannes, além de estampar a primeira capa em cores da revista francesa Cahiers du Cinéma, conquistando admiradores pelo mundo todo - como o cineasta norte-americano Martin Scorsese.



O filme é uma espécie de seqüência de DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL (1964), trazendo novamente o personagem Antonio das Mortes (Maurício do Valle), um mercenário matador de cangaceiros. Na história de "O Dragão da Maldade" surge o cangaceiro Coriana (Lorival Pariz), que se diz ser a reencarnação de Lampião. Anos depois de ter matado Corisco, Antonio das Mortes fica intrigado com essa nova figura e vai até a pequena cidade de Jardim das Piranhas para encontrá-lo. Se num primeiro momento o Dragão da Maldade é o próprio Antonio das Mortes, mais tarde será um latifundiário quem assumirá essa posição.

O próprio Glauber disse certa vez que "tais papéis sociais não são eternos e imóveis e que tais componentes de agrupamentos sociais solidamente conservadores, ou reacionários, ou cúmplices do poder, podem mudar e contribuir para mudar. Basta que entendam onde está o verdadeiro dragão". Por isso, de certa forma, O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO é um despertar da consciência de Antonio das Mortes, que começa a ver com outros olhos a estrutura sócio-econômica do Brasil, descobrindo quem é o verdadeiro inimigo do povo.

Essa jornada de Antonio das Mortes é povoada com personagens secundários, como um professor desiludido (Othon Bastos), um delegado ambicioso (Hugo Carvana), um padre em crise (Emmanoel Cavalcanti) e uma mulher solitária (Odete Lara). A força do filme, está não apenas em suas alegorias sobre o Brasil - que, passados quarenta e dois anos, ainda são bem pertinentes - mas também em suas imagens bonitas e poderosas. Por isso mesmo, o filme merece ser visto e revisto - até por aqueles que já o conhecem. UM GRANDE FILME!!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

88º Lugar - O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (The Beguiled) EUA, 1971



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

88º Lugar - O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (The Beguiled) EUA, 1971 – Direção de Don Siegel – elenco: Clint Eastwood, Elizabeth Hartman, Geraldine Page, Jo Ann Harris, Darleen Carr, Mae Mercer, Pamelyn Ferdin, Melody Thomas Scott, Peggy Drier, Patricia Mattick – 105 minutos.

Feito na grande Era do cinema americano dos anos 1970, O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (“The Beguiled”) se passa na Guerra Civil de 1861 e é a história de um soldado do norte (Clint Eastwood) que vai parar (ferido) num colégio interno para meninas, todas sulistas, carentes de atenção masculina. Esse vespeiro de sexualidade envolve desde a garotinha de 11 anos que descobre o homem na floresta (sequência impensável na Hollywood PG-13 de hoje) às colegas adolescentes ou jovens mulheres, e à diretora matriarcal madura. A presença do soldado no lindo casarão sulista gera uma situação humana guiada pelo pior que macho e fêmea são capazes de fazer uns com os outros. Um bônus para aliviar a tensão é ver Eastwood aprendendo com Siegel, em cada cena, como se faz cinema, algo que terminou sendo bem útil para Clint ao longo dos anos.



O grande trunfo deste filme é que a história transcorre num colégio de moças sulistas que, a principio contrariadas, abrigam um soldado nortista ferido em combate. O estranho, muito simpático, mexe com a cabeça de todas as “indefesas” moradoras do local. Por causa da guerra, ele não via mulheres há muito tempo, enquanto que as jovens, obviamente, não estavam acostumadas com presença masculina. Mesmo com essa leitura dos fatos, o filme consegue, com sua incrível sutileza, escapar de qualquer tipo de exagero que se possa imaginar, ao mesmo tempo em que é serio e sem concessões. Um enredo desses bem que poderia descambar em excessos e sensacionalismos, porém, contando com rara argúcia, Don Siegel jamais se excede em momento algum. Aquelas mulheres desejam, mentem, namoram e manipulam o protagonista, conseqüência dos hábitos modorrentos e castradores que a moral religiosa infligiu nelas, e então elas abandonam toda ética que possuíam, ainda que sempre sob a máscara da moral do nome de Deus.



Um filme incomum, inteligente, fascinante, com ótimos diálogos e excelente estrutura dramática. Quem gosta de se surpreender com as invenções da Sétima Arte (e se espanta sempre que se depara com alguns dos aspectos mais mesquinhos e recônditos do ser humano) merece o prazer de assisti-lo. Indiscutivelmente, um dos melhores filmes da carreira de Clint Eastwood!!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

89º Lugar - AMOR À FLOR DA PELE (Fa Yeung Nin Wa) China/Hong Kong, 2000



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

89º Lugar – AMOR À FLOR DA PELE (Fa Yeung Nin Wa) China/Hong Kong, 2000 – Direção Wong Kar-Wai – Tony Leung Chiu Wai, Maggie Cheung, Lai Chen, Rebecca Pan – 90 minutos.

Indiscutivelmente é o melhor trabalho do diretor! Kar-Wai consegue criar uma obra delicada e arrebatadora, em que mais uma vez faz, de maneira exemplar, o universal emergir do particular. Com uma direção impecável, disseca belos elementos da famosa história de um amor impossível ao abordar os desencontros de um casal à luz da repressão feminina e das convenções sociais. Neste caso, o cenário é Hong Kong e o ano 1962. Um belíssimo conto de fadas moderno e realista! Com uma câmera que carrega na poesia através do uso de técnicas como o "slow-motion" e a música - quase um bolero - como pano de fundo, o diretor prefere sugerir do que mostrar, optando por criar uma atmosfera de expectativa, repressão e solidão. Esta notável obra prima do cinema asiático dá aula de moda, encena paixão entre o real e a fantasia e faz elogio a um amor que não existe mais. Obrigatório!!

domingo, 11 de setembro de 2011

90° Lugar - ALEMANHA, ANO ZERO (Germania, Anno Zero) Itália/Alemanha, 1947



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

90º Lugar - ALEMANHA, ANO ZERO (Germania, Anno Zero) Itália/França/Alemanha, 1947 – Direção Roberto Rossellini – elenco: Edmund Moeschke, Ingetraud Hinze, Franz-Otto Krüger, Ernst Pittschau, Erich, Gühne, Hans Sangen – 78 minutos.

É uma das obras máximas do Neo-Realismo italiano e do diretor. Um drama impactante com um dos finais mais célebres da história do cinema. Utilizando atores não profissionais, o filme conta uma história cruel e difícil, numa época em que assuntos como a miséria e a devastação provocada pelas guerras ainda não eram abordados com tanta crueza.

Rossellini conta sua história, passada na Berlim do pós-guerra, ocupada pelo exército norte americano, onde um garoto procura sustentar seus irmãos e o pai doente. O cineasta não enfeita a realidade de uma nação destruída física e moralmente. Esse belíssimo filme é a última parte da chamada "trilogia da guerra", formada ainda por ROMA, CIDADE ABERTA e PAISÀ.



O filme acentua o projeto de desdramatização do cinema de Rossellini, que culminaria em VIAGEM À ITÁLIA cinco anos depois. Ao contrário de outros relatos sobre a infância em meio à guerra (ADEUS MENINOS, ESPERANÇA E GLÓRIA, IMPÉRIO DO SOL são alguns deles), este não versa sobre o processo de amadurecimento do protagonista, pois para o cineasta não existe esperança ou sobrevivência nesta situação limite. Um filme obrigatório, contundente e imortal!!

sábado, 10 de setembro de 2011

91º Lugar - O EXPRESSO DA MEIA-NOITE (Midnight Express) EUA, 1978



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

91º Lugar - O EXPRESSO DA MEIA-NOITE (Midnight Express) EUA, 1978 – Direção Alan Parker – elenco: Brad Davis, Irene Miracle, Bo Hopkins, John Hurt, Randy Quaid, Mike Kellin, Paul L. Smith, Michael Ensign, Paolo Bonacelli – 115 minutos.

É um daqueles raros filmes que após a maioridade ainda conserva o espírito contestador de um adolescente, mexendo com os nervos de novos espectadores. Conserva-se atualíssimo, mesmo passados 33 anos, porque a força da elegia à liberdade e à defesa dos direitos humanos se faz presente a cada fotograma, coisa rara na atual cinematografia comercial. Este grande filme é uma das preciosidades cinematográficas do final da década de 1970. Estreou em Cannes e, surpreendentemente, com o decorrer das semanas tornou-se um fenômeno de bilheteria no mundo todo. Brad Davis interpreta com muita paixão - uma atuação intensa e visceral - o estudante Billy Hayes, americano apanhado com haxixe em Istambul ao tentar voltar aos EUA. Preso, mergulha em interminável pesadelo numa prisão da Turquia.



O drama carcerário ao ser revisto, 33 anos depois, por novas platéias ainda choca pela brutalidade pela qual passa o alienado personagem principal. O filme sobre aprisionamento e não sobre fuga conserva até hoje uma aparência incomum de filme independente pregando um libelo sobre a liberdade individual de todo individuo preso num país estrangeiro. Grande parte da polêmica ocorrida na época do lançamento se deu pela história que critica e discrimina descaradamente a cultura e o sistema jurídico turco, pois a mensagem passada de forma controversa não apresenta nenhum cidadão turco sob boa perspectiva.

A batida do coração usada de forma enfática e excitante na cena do aeroporto intensifica o clima de angustia sufocante pelo qual passa o estudante. Outro fator determinante ao sucesso do filme foi a pouca interferência que o estúdio da Columbia teve sobre a finalização. Na época, o filme foi feito por um grande estúdio, mas hoje pelo baixo orçamento e tema politicamente incorreto seria viável a realização apenas por estúdio independente.



Segundo Alan Parker o filme embora considerado anti-turco não tem a intenção de discriminar mas sim chamar a atenção do mundo sobre as condições hostis das prisões turcas e de como era tratado a questão das drogas em alguns países. Chama a atenção também durante o filme a condição de bode expiatório de Billy Hayes, condenado a passar 4 anos na prisão teve seu processo revisto e a pena modificada para prisão perpétua, vitimado pela represália turca à política externa de Nixon de combate ao tráfico de drogas. Os principais atores têm atuações marcantes, com destaque para Brad Davis (numa das melhores performances da década) e John Hurt. A trilha sonora, de Giorgio Moroder, é fantástica, embora chegue a ser, às vezes, arrepiante. Baseado numa história real. Indicado ao Oscar de Melhor Filme do Ano!! Repleto de cenas fortes e chocantes, é um dos dez mais belos filmes dos anos 1970. Espetacular, Pujante e Forte!! Obrigatório!!

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

92º Lugar - AGUIRRE, A CÓLERA DOS DEUSES (Aguirre, Der Zorn Gottes) Alemanha/Peru, 1972



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

92º Lugar - AGUIRRE, A CÓLERA DOS DEUSES (Aguirre, Der Zorn Gottes) Alemanha/Peru, 1972 – Direção Werner Herzog – elenco: Klaus Kinski, Helena Rojo, Ruy Guerra, Del Negro, Peter Berling, Alejandro Repulles – 100 minutos.

Primeiro filme da lendária parceria entre o cineasta Werner Herzog e o ator Klaus Kinski, esta é uma das obras seminais dos anos 1970. O filme retrata o cotidiano da expedição comandada por Francisco Pizarro, que lidera uma expedição ao Peru, em meados do Século XVI, em busca da lendária Eldorado na América, a mítica cidade do ouro. Um dos seus homens, Dom Lope de Aguirre, consumido pela loucura, parte com a expedição de conquistadores para uma bizarra jornada rumo ao desconhecido.



O diretor Werner Herzog nasceu na Alemanha em 1942, tomando-se um dos principais nomes do Novo Cinema Alemão ao lado de Fassbinder, Wenders, Schlöendorff e outros; Criando filmes que falam de sonhadores, loucos, solitários e marginais, Herzog nunca freqüentou escola de cinema e começou a filmar após roubar uma câmera. Aos 33 anos foi premiado em Cannes com O ENIGMA DE KASPAR HAUSER (1974), ficando conhecido mundialmente, sobretudo pelo temperamenlo visionário e pela marca radicalmente pessoal que imprime em seu trabalho, realizado nas mais diferentes regiões do mundo.



Este grande filme serve também, como uma intrigante metáfora para as sempre atuais ambições e obsessões da natureza humana. Com participação do cineasta brasileiro Ruy Guerra no elenco, AGUIRRE, A CÓLERA DOS DEUSES é uma jornada fascinante no coração das trevas do ser humano. Essencial em qualquer coleção de cinema.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

93º Lugar - OS SETE SAMURAIS (Schicinin No Samurai) Japão, 1954



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

93º Lugar - OS SETE SAMURAIS (Schicinin No Samurai) Japão 1954 – Direção Akira Kurosawa – Elenco: Toshiro Mifune, Takashi Shimura, Yoshio Kosugi, Kamatari Fujiwara, Yukiko Shimazaki, Keiko Tsushima, Isao Kimura, Daisuke Katô, Minoru Chiaki, Seiji Miyaguchi, Yoshio Inaba, Bokuzen Hidari - 206 minutos.

A influência do cinema ocidental em Kurosawa foi enorme, assim como é enorme a influência de Kurosawa no cinema ocidental. Dizer, porém, com veneno nos lábios, que “Kurosawa é o mais ocidental dos diretores japoneses” é ignorar a freqüência com que ele retratou os costumes e tradições do Japão, além de seus problemas, histórias, e afins. Kurosawa de maneira alguma deixou suas raízes pra trás, mas simplesmente reuniu uma gama maior de influências, juntando Shakespeare, Dostoievski e os westerns à sua bagagem cultural nipônica.

Em OS SETE SAMURAIS, provavelmente seu filme mais famoso, Kurosawa reuniu elementos que vez ou outra ecoam influências ocidentais, mas no geral o filme é uma grande obra puramente japonesa, e nada mais, que retrata costumes, valores e dilemas da sociedade japonesa do final do século 16, mais especificamente de suas figuras mais emblemáticas: os samurais.



Rodado entre 1952 e 1953, era o filme favorito do cineasta. Um grande sucesso internacional, tornando famoso o gênero “filme de samurai”. Em 1960, foi refilmado pelos EUA como SETE HOMENS E UM DESTINO. Verdadeiro clássico do cinema mundial, é um marco na carreira do diretor. Narra a história de um veterano e decadente samurai que é contratado, juntamente com mais seis, por um pequeno vilarejo para lhes defender de um bando de 40 criminosos. Kurosawa desenvolve as personalidades e motivações dos personagens para além do instinto de sobrevivência. Não é só por comida que eles lutam. Eles lutam pelo dever, pela honra, por compaixão. Lutam por companheirismo. É a amizade e a admiração que motiva, de modo geral, a união dos sete guerreiros. Destaque para a fotografia esplendorosa e espetacular, cheia de imagens belíssimas; e uma direção de arte extraordinária, além das cenas de batalha primorosas. Considerado por muitos uma obra-prima, é um dos poucos filmes que podemos chamar de perfeito.