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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O GAROTO DA BICICLETA (Le Gamin au Vélo) Bélgica, 2011



UMA BELA OBRA-PRIMA DO CINEMA BELGA QUE FALA DE MUITAS COISAS, MAS DE ESCOLHAS MAIS DO QUE TUDO!!

O GAROTO DA BICICLETA (Le Gamin au Vélo) Bélgica, 2011 – Direção Jean-Pierre e Luc Dardenne – elenco: Thomas Doret, Cécile de France, Jérémie Renier – 87 minutos.

A nova realização dos Irmãos Dardenne – Jean-Pierre e Luc Dardenne - (diretores de O SILÊNCIO DE LORNA e A CRIANÇA) é uma maravilhosa encenação sobre a prisão e a liberdade, o isolamento e a socialização, o pertencer e o marginalizar-se. O filme tem a sensibilidade de apresentar os dilemas dos personagens sem nos incentivar ao julgamento ou à condenação - o abandono e o medo que dele surge é o principal. Até mesmo o pai que renega o filho tem suas razões. Todos nós temos nossos motivos, justificativa que, todavia, não torna nossos atos menos daninhos. É isso que também está em jogo: o daninho dos nossos atos, estejamos conscientes dos efeitos ou não. Entrando no labirinto proposto pelo filme, descobriremos quem é o pai irresponsável, a cabeleireira que aceita cuidar do menino nos fins de semana e a dor de Cyril. A bicicleta é o gesto de liberdade de um garoto que não foi ensinado a expressar sentimentos. Cyril é instintivo como um animal irracional. Não à toa, ganha o malicioso apelido de Pitbull. Enquanto um adulto equilibrado usa a palavra para lutar, o confuso menino morde – e isso não é figura de linguagem. Qualquer presença indesejada que se acerque é mordida. Quando o desespero se apodera dele, Cyril age como um cachorro. Quando a cabeleireira, sua guardiã, lhe oferece um cego afeto, ele verbaliza – mesmo que pelo choro. A construção de cada detalhe pelos Dardenne é mais que cuidadosa, do lençol que envolve o garoto como uma camisa de força às pedaladas desordenadas na entrada do orfanato. São esses detalhes na encenação que colocam O GAROTO DA BICICLETA acima de outros filmes sobre infância problemática. Adeptos de um cinema humanista e prestigiados por uma vasta série de prêmios, dos quais se destacam duas Palmas de Ouro em Cannes (por ROSETTA, 1999 e A CRIANÇA, 2005), os cineastas e irmãos belgas introduzem duas mudanças em seu novo filme, O GAROTO DA BICICLETA: o uso da música e a presença de uma atriz famosa no elenco, no caso, Cécile de France, sua compatriota que faz sucesso no cinema francês e filmou com o norte-americano Clint Eastwood (em ALÉM DA VIDA). Ao ver o filme, a conclusão que salta aos olhos é que os Dardenne mudaram apenas para permanecerem os mesmos, já que "O Garoto da Bicicleta", novamente brindado em Cannes em 2011 com um Grande Prêmio do júri, é mais um cuidadoso capítulo de uma cinematografia centrada no ser humano. Se os diretores e roteiristas continuam atentos às mazelas do mundo contemporâneo, desta vez, dedicam um espaço mais generoso à bondade.



Samantha (Cécile de France) é uma cabeleireira solteira cujo destino cruza-se por acaso com o do menino Cyril (Thomas Doret), de 11 anos. Quando ele entra no consultório médico em que ela se encontra e agarra-se a ela para não ser levado de volta ao orfanato, ele fracassa, naturalmente. Mas o abraço, um verdadeiro pedido de socorro, plantou a semente de uma irresistível curiosidade em Samantha. O pai de Cyril (Jérémie Renier, de A CRIANÇA) pura e simplesmente o abandonou no orfanato, prometendo voltar em um mês. Mas desapareceu sem deixar pistas. No momento em que Cyril encontra Samantha, está no auge do desespero. Não consegue acreditar que o pai simplesmente o tenha deixado para trás sem nenhuma palavra. Nem que tenha vendido até sua bicicleta, como descobre depois. Recomprando a bicicleta do novo dono, Samantha tem sua primeira intervenção na vida de Cyril, devolvendo-lhe a primeira parte de sua identidade radicalmente fraturada pela rejeição. Quando o menino lhe pede que venha buscá-lo no orfanato nos fins de semana, mesmo sem entender direito porquê, ela aceita. Este princípio de uma maternidade opcional abre várias frentes de conflito, até porque Cyril tem sua curiosidade despertada para caminhos mais tortuosos, a partir de sua convivência com Wes (Egon di Mateo), o jovem valentão da vizinhança de Samantha. O GAROTO DA BICICLETA fala de muitas coisas, mas de escolhas mais do que tudo. As opções de Cyril especialmente, suas consequências e desdobramentos, ainda que várias delas dependam de Samantha. Uma grande parte dos sentimentos do filme, e do risco corrido pelos diretores, passa pelo estreante Thomas Doret, escolhido em um cuidadoso processo de seleção. Somente com o olhar, ele é capaz de transmitir boa parcela do tormento interior de seu personagem, num momento crucial de contato com sua fragilidade no mundo. Merece ser visto e admirado, um dos mais belos e sensíveis filmes do ano!!



domingo, 8 de janeiro de 2012

O DUBLÊ DO DIABO (The Devil's Double) Bélgica, 2011



BASEADO NUM CASO REAL, AS ATROCIDADES COMETIDAS POR UM DITADOR E SUA PROLE APRESENTAM UM FILME PODEROSO E BRILHANTE!!

O DUBLÊ DO DIABO (The Devil’s Double) Bélgica, 2011 - Direção Lee Tamahori – elenco: Dominic Cooper, Ludivine Sagnier, Raad Rawi, Philip Quast, Mimoun Oaïssa, Khalid Laith, Dar Salim, Nasser Memarzia, Mem Ferda, Pano Masti – 101 minutos.

O filme conta uma história real envolvendo Uday Hussein, o filho mais velho de Saddam. Desde a adolescência, Uday usou um colega de escola, Latif Yahia, como dublê. Ele é afastado de sua família e forçado a se tornar o dublê. Adulto, Yahia teria passado por cirurgias plásticas para ficar mais parecido com Uday. Depois de sobreviver a 11 tentativas de assassinato contra o filho do ditador, Yahia conseguiu fugir do Iraque em 1991. O filme mostra a profunda e depravada rede de carrões, dinheiro, mulheres fáceis, corrupção livre e violência na qual Yahia ficou preso por muitos anos. “O Dublê do Diabo” é o nome do livro que ele escreveu contando sua história.



Uday foi um louco, matou em jantares públicos, tinha um zoológico particular em sua mansão, ficou paralítico por uns tempos, ordenou a tortura de atletas iraquianos que não fossem bem nas olímpiadas, ordenou o sequestro de mulheres jovens iraquianas nas ruas para estuprá-las, usava uma dama de ferro para torturar seus inimigos, comprou ou roubou cerca de 1.200 veículos de luxo e acabou morto pelos americanos numa operação em 2003, depois de resistir à prisão e abrir fogo contra os mesmos.



Uma história forte, recheada de verdades e com a excepcional atuação do ator principal. Dominic Cooper teve muito trabalho para representar o louco filho de Saddam e seu dublê. Dominic, depois da sua brilhante performance em CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÃO (2005); A DUQUESA (2008); EDUCAÇÃO (2009); CAPITÃO AMÉRICA – O PRIMEIRO VINGADOR (2011), mostra que é um dos mais notáveis ator da atualidade, num papel surtado e ensandecido. O filme é todo dele, que reina absoluto, seja como o centrado e sofrido Latif, ou como o excêntrico e psicótico Uday. O ator mostra-se bastante competente em diferenciar os dois personagens, mesmo quando eles aparecem idênticos na tela. O diretor Lee Tamahori consegue imprimir um excelente ritmo à narrativa, conferindo-lhe agilidade e coerência. E há ainda a competente e belíssima fotografia de Sam McCurdy. Um filme que merece ser descoberto!! UM DOS MELHORES FILMES DO ANO!!


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O REI DOS LADRÕES (Janosik - Prawdziwa História) Polônia / Eslováquia / República Tcheca, 2009



O CINEMA POLONÊS SEMPRE EM ALTA, CONFIRMA ESSA TESE NESSA PRODUÇÃO DE ALTÍSSIMA QUALIDADE

O REI DOS LADRÕES (Janosik – Prawdziwa Historia) Polônia / Eslováquia / República Tcheca, 2009 – Direção Agnieszka Holland e Kasia Adamik – elenco: Václav Jirácek (Janosik), Ivan Martinka (Tomasz Uhorczyk), Michal Zebrowsky, Sarah Zoe Canner, Tatiana Pauhofová, Eryk Lubos - 140 minutos.



Janosik é um lendário personagem da Europa Central (com base em documentos reais do século XVII), no estilo Robin Hood. Como líder de um bando de foras da lei, este ladrão da montanha roubava dos ricos e ajudava os pobres. Esta recente versão da aclamada diretora polonesa Agnieszka Holland, é um filme repleto de ação, aventuras, lutas, duelos, perseguições e armadilhas. Com uma fotografia esplendorosa, um roteiro bem costurado e uma performance irretocável dos atores é um dos grandes filmes do ano. Muito bom para estudiosos e pesquisadores. A diretora polonesa sempre foi mestra em realizações de qualidade e aqui não poderia ser diferente. Um filme belo, com uma históriA bonita que merece o ingresso ou a locação do DVd.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

UM SONHO DE AMOR (Io Sono L'Amore) Itália, 2009



UM SONHO DE AMOR (Io Sono L’Amore) Itália, 2009 – Direção Luca Guadagnino – elenco: Tilda Swinton, Flavio Parenti, Edoardo Gabbriellini, Alba Rohrwacher, Pippo Delbono, Marisa Berenson, Mattia Zacaro, Gabriele Ferzetti, Diane Fleri, Maria Paiato, Waris Ahluwalia – 120 minutos.

Há um clima de Luchino Visconti em UM SONHO DE AMOR, drama de Luca Guadagnino. E começa no local da história, a Milão onde o elegante diretor de OS DEUSES MALDITOS (1969), VIOLÊNCIA E PAIXÃO (1974), O LEOPARDO (1963), MORTE EM VENEZA (1971) , entre outros, nasceu, viveu e trabalhou. Existem várias outras homenagens explícitas de Guadagnino ao mestre milanês - como a presença de Marisa Berenson (atriz de MORTE EM VENEZA) e de membros de sua família, os nobres Di Modrone, no elenco. A melhor parte é que Guadagnino, um diretor até aqui pouco conhecido - no Brasil teve lançado 100 ESCOVADAS ANTES DE DORMIR (2005) - faz justiça à ambição que se espera deste nível de homenagem. E realiza um filme elegante e denso, que foi indicado, em 2011, ao Oscar de Melhor Figurino. UM SONHO DE AMOR é um verdadeiro diálogo de escolas cinematográficas. Às vezes, nos sentimos em um filme de Visconti por conta da elegância da elite. Por outras, o uso extensivo de zoom e a quebra das aparências burguesas lembra Pasolini. Já o figurino impecável nos coloca na adaptação de Tom Ford em DIREITO DE AMAR (A Single Man - 2009). No conjunto, o filme poderia ser dividido em três crônicas: da família, ambientada em Milão; do amor, vivida em San Remo; do trabalho, contaminada por Londres. Cada uma dessas cidades permite um diferente desenvolvimento dos personagens, caminhando ou em direção à alegria ou ao lamento. Na primeira, conhecemos os Recchi, nome tradicional da burguesia industrial. O núcleo familiar está com o casal Tancredi (Pippo Delbono, grande ator de teatro) e Emma (Tilda Swinton) e seus filhos, Edoardo (Flavio Parenti), Betta (Alba Rohrwacher) e Gianluca (Mattia Zacaro). A estável família encontra novos caminhos quando o avô morre e o cozinheiro Antonio (Edoardo Gabbriellini), amigo do filho primogênito, aproxima-se dos Recchi.



A grande mansão em Milão, que vive o clã Recchi, ricos industriais têxteis, vive o momento delicado de uma sucessão. O velho patriarca (Gabriele Ferzetti) termina por indicar dois substitutos na condução do negócio da família, o filho Tancredi (Pippo Delbono) e o neto Edoardo (Flavio Parenti). O jantar de aniversário em que o avô anuncia sua decisão torna a enorme casa e seu funcionamento tão personagens do filme quanto a família que a habita. Há uma engrenagem imensa e multifacetada, liderada nos bastidores por uma matriarca incansável, Emma (Tilda Swinton), a mulher de Tancredi. Discreta e dedicada, Emma fala pouco mas é onipresente para que nenhum detalhe escape ao controle. Ela é essencial à felicidade de seus homens - o marido e os dois filhos, que, apesar de adultos, são tratados como mimadas crianças. No entanto, parece apagar-se, inclusive nas cores e no talhe do figurino, não fazendo notar seus sentimentos. Ela é a base de uma estrutura que não domina e parece não aspirar mais do que a satisfazer seus senhores. Esse mundo ordenado e plácido começa a rachar justamente nesse aniversário. É quando irrompe na vida dos Recchi a figura de Antonio (Edoardo Gabbriellini), um jovem chef de cozinha que ganhou uma corrida de Edoardo e tornou-se, ironicamente, um de seus melhores amigos. Edoardo torna-se sócio de Antonio num restaurante em San Remo, onde o jovem chef testa suas receitas. Numa visita ao novo negócio do filho, Emma descobre sabores que parece nunca ter experimentado. A dureza da mulher de gelo quebra-se para sempre. A natureza da paixão de Emma pelo amigo do filho é por demais disruptiva para se imaginar um final feliz. Apesar de sua inequívoca vocação para a tragédia em grande estilo, no entanto, o filme sustenta um notável equilíbrio dramático que permite sorver cada momento do embate entre razão e emoção que explode no coração de Emma. No centro de tudo está a presença carismática de Tilda Swinton, uma atriz em plena maturidade que desdobra cada minúcia de suas personagens com uma riqueza de camadas que se torna um prazer enorme acompanhá-la. Um jogo de sedução e uma espiral de emoções das mais fortes que só o cinema europeu sabe realizar, explode na tela de forma inexorável e deslumbrante. Imperdível, magnífico e esplendorosamente belo!!



domingo, 1 de janeiro de 2012

O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO (Mao's Last Dancer) Austrália, 2009



UM DOS MAIS BELOS FILMES DO ANO!!

O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO (Mao’s Last Dancer) Austrália, 2009 – Direção Bruce Beresford – elenco: Chi Cao (Li Cunxin adulto), Bruce Greenwood, Kyle MacLachlan, Joan Chen, Wen Bin Huang (Li Cunxin criança), Su Zhang (teacher Chan), Chengwu Guo (Li Cunxin adolescente), Penne Hackforth-Jones, Christopher Kirby, Suzie Steen, Madeleine Eastoe, Camilla Vergotis, Amanda Schull, Jon-Claire Lee, Quan Tran, Aden Young, Jack Thompson - 117 minutos.

O cineasta australiano Bruce Beresford (realizador de CONDUZINDO MISS DAISY) dirigiu O ÚLTIMO DANÇARINO DE MAO com delicadeza e sensibilidade. Na tela temos uma história inspiradora de coragem, determinação e amor pontuada por excelentes números de dança. O diretor escapa habilmente dos clichês e realiza um filme que merece a atenção do espectador. Baseado numa história real, é a adaptação magnífica do best seller autobiográfico Adeus China: O Último Bailarino de Mao, de Li Cunxin, cuja história pessoal foi atravessada por altos e baixos da Revolução Cultural. Começa em 1979 com o personagem central chegando aos Estados Unidos para estudar na Companhia Houston Ballet, do Texas. Em seguida, flashbacks nos levam à província rural de Qingdao, onde Li vive em condições de subsistência ao lado dos muitos irmãos e dos pais. Aos 11 anos, sua vida muda para sempre quando é selecionado por um grupo de inspetores do governo para ir a Pequim e torna-se um bailarino na Academia Madame Mao Dance.



Ainda criança, Li Cunxin (nesta fase interpretado por Wen Bin Huang) vive com os pais camponeses. Até o dia em que sua aldeia é visitada por representantes do governo, recrutando candidatos para treinamento artístico e atlético. O menino é escolhido para estudar dança em Pequim, forçando uma separação da família, juntamente com diversas outras crianças da sua e de outras aldeias. Ainda que emocionalmente divididos, os pais viam aí uma oportunidade de um futuro melhor para os filhos. Em Pequim, Li esquece a infância em favor de um treinamento intensivo, não raro doloroso. A ideologia penetra todas as instâncias da vida do garoto, já que os temas dos espetáculos de balé são todos dirigidos para o enaltecimento dos valores da revolução comunista. Uma visita do presidente Richard Nixon à China, em 1972, dá início a um processo de aproximação com os EUA. A partir daí, começa a ocorrer um intercâmbio maior entre os dois países, inclusive de artistas, que mudará a vida de Li Cunxin. O diretor do balé de Houston, Ben Stevenson (Bruce Greenwood), impressiona-se pelo talento do bailarino chinês, que é convidado para uma temporada no Texas. Lá, ele descobre uma realidade inteiramente diferente da de seu país. O choque cultural e a paixão pela bailarina Elizabeth (Amanda Schull) amadurecem em Li a intenção de ficar nos EUA - uma decisão que provoca um incidente diplomático e acarreta uma sequência de acontecimentos dramáticos.



O próprio Li Cunxin aprovou seu intérprete na tela, o bailarino Chi Cao, que o encarna na fase adulta de forma impecável. Cao, aliás, é filho de dois professores do personagem real na Academia de Balé de Pequim. Li foi proibido de voltar à China e nunca mais poder ver a sua família. Certa vez, numa entrevista ele disse: “Quando danço, danço para eles”. O filme merece aplausos não só pela acertadíssima adaptação de uma história emocionante, uma excelente reconstituição de época – fruto de um trabalho de direção de arte elogiável - mas também pela trilha sonora de tirar o fôlego. Belo e inesquecível, o filme não economiza ao proporcionar o encantamento de diversas sequências de dança. Ganhou o Prêmio de público na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Premiado também como Melhor Filme no Australian Film Institute, em que ganhou também pela Trilha Sonora. Com uma belíssima fotografia e uma história encantadora, está listado entre os melhores filmes do ano! Belo, tocante, inesquecível e magnetizante!! Todos devem assistir!!


sábado, 31 de dezembro de 2011

SANGUE E HONRA (Ironclad) Inglaterra, EUA, Alemanha, 2011



SANGUE E HONRA (Ironclad) Inglaterra/ EUA / Alemanha, 2011 – Direção Jonathan English – elenco: James Purefoy, Brian Cox, Kate Mara, Derek Jacobi, Paul Giamatti, Charles Dance, Jason Flemyng, Jamie Foreman, Mackenzie Crook, Rhys Parry Jones, Aneurin Barnard, Vladimir Kulich, David Melville, Annabelle Apsion, Steffan Rhodri – 121 minutos.

É o ano 1215 e os barões rebeldes da Inglaterra forçaram o seu desprezado rei João à colocar seu selo real na Carta Magna, um nobre documento que mantinha os direitos dos homens. No entanto, meses depois de prometer à Carta Magna, o Rei descumpriu sua palavra e montou um exército de mercenários, na costa sul da Inglaterra com a intenção de trazer os barões e o país de volta ao seu domínio tirânico. Mas no seu caminho estava o castelo do poderoso Rochester, um lugar que se tornaria o símbolo da luta memorável dos rebeldes por justiça e liberdade. Foi um dos momentos mais violentos e cruciais da Inglaterra do Século 13. A devastadora batalha pelo Castelo de Rochester se tornou uma verdadeira lição de honra, lealdade, verdade, intolerância, ação e emoção. Os seus heróis foram apagados da História... ATÉ AGORA!!



Não faltam sangrentas cenas de batalha nessa produção sobre um personagem histórico pouco explorado nos cinemas: o rei inglês João Sem Terra, que assumiu o trono com a morte do irmão – o amado Ricardo, Coração de Leão. Na lenda de Robin Hood, é João quem persegue o fora da lei com a ajuda do Xerife de Nottingham. A narrativa inicial conta como ele foi obrigado a assinar a Carta Magna, e depois se rebelou contra a mesma. Focalizando os eventos que se seguiram, com a decisão de João de retomar o famoso Castelo de Rochester, que estava sob a custódia de um arcebispo, um lugar que se tornaria o símbolo da luta memorável por justiça e liberdade. Porém, é a presença dos cavaleiros templários, centrados na figura de James Purefoy (que cria um personagem sério, forte e letal), que toma fôlego para revidar o rei tirano. SANGUE E HONRA faz lembrar um pouco CORAÇÃO VALENTE (1995), um filme violento, sério, repleto de batalhas grandiosas, e que não peca na história contada. SANGUE E HONRA tem quase a mesma qualidade, com suas cenas de fúria e diálogos bem orquestrados. ABSOLUTAMENTE PODEROSO, MAGNÍFICO E UM DOS GRANDES FILMES DO ANO!!

ALGUMAS BATALHAS MUDAM O DESTINO DE UMA GUERRA. CONHEÇA A BATALHA QUE MUDOU A HISTÓRIA.



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O PALHAÇO - Brasil, 2011



O PALHAÇO – Brasil, 2011 – Direção Selton Mello – elenco: Selton Mello, Paulo José, Larissa Manoela, Giselle Motta, Fabiana Karla, Moacyr Franco, Teuda Bara, Jackson Antunes, Álamo Facó, Cadú Fávero, Erom Cordeiro, Tony Tonelada, Hossen Minussi, Maíra Chasseraux, Tonico Pereira, Ferrugem, Danton Mello, Jorge Loredo – 90 minutos.

É possível enxergar Fellini num filme que beira o onírico, pisca para o bizarro, mas se encerra no realismo. E até Wes Anderson - especialmente seus Tenenbaums (“Os Excêntricos Tenenbaums”) - numa família de gente estranha, cada um com seus talentos e incompreensões. Mas esses e outros diálogos vêm de quem assiste ao filme, pois Selton fez um longa que tem vida própria. Aqui, ele está em jornada tripla. Além de dirigir, atua e é responsável pelo roteiro, escrito em parceria com Marcelo Vindicatto. E, para aqueles que acusam Selton de repetir-se no cinema - uma espécie de personagem de si mesmo -, O PALHAÇO é a prova de seu talento. Dirigindo a si mesmo, o ator é capaz de se reinventar num personagem que foge de qualquer coisa que já o vimos fazer antes. Isso se dá especialmente porque ele tem ao seu lado o grande Paulo José num personagem daqueles maiores que a vida, que ameaça tomar o filme para si. Mas o diretor encontra o equilíbrio e é gratificante assistir a dupla em ação.
Paulo e Selton são pai e filho e também uma dupla de palhaços, com nomes artísticos de Puro Sangue e Pangaré. O rapaz, cujo nome de batismo é Benjamim, nunca conheceu uma vida fora do circo. Ser palhaço, pensa ele, não foi sua escolha, foi uma consequência da vida. Por isso mesmo, quando surge uma rebeldia adolescente tardia ele quer cair no mundo. Descobrir o que há além da tenda do circo é descobrir a si mesmo, mergulhar nas oportunidades, correr riscos e chegar às conquistas. Porque até então a vida de Benjamin não lhe pertencia. Para qualquer personagem, seja no cinema ou na literatura, obter sua independência é uma viagem, que pode ganhar tons metafóricos. Em O PALHAÇO o protagonista cai no mundo em busca de um ventilador e um amor. Desculpas bobas, porque o que ele quer mesmo é encontrar sozinho sua identidade. Fazer essa viagem é abrir mão do velho para abraçar o novo. O palhaço perde o circo para ganhar o mundo. Personagens estranhos cruzam o caminho de Benjamim. Eles são a prova de que, de perto, ninguém é normal. Eles também são a oportunidade que Selton encontrou para resgatar e homenagear ídolos de sua infância.



Entram em cena o ex-garoto-propaganda Ferrugem (ator-mirim que marcou época na década de 1970 e agora reaparece quarentão), como o atendente de uma prefeitura, no papel de um burocrata; Jorge Loredo, aos 86 anos, despe mais uma vez a roupa de seu personagem mais famoso, o eterno Zé Bonitinho, para viver o dono de uma loja de ventiladores que passa as noites contando piadas sem graça para seus funcionários; igualmente digno de nota é a participação de Teuda Bara, uma das fundadoras do grupo de teatro Galpão, que dá um show com os olhos em O PALHAÇO; mais conhecido do grande público, Tonico Pereira completa o time de coadjuvantes que dão sabor especial a esse grande filme. Agora, há que se destacar o brilho de Moacyr Franco, cujo personagem domina sua única cena de tal forma que o ator, aos 75 anos, ganhou o seu primeiro papel no cinema – uma cena de três minutos, na qual interpreta um delegado de cidade do interior às voltas com quatro forasteiros de uma trupe de circo. O texto é tão bom e o seu desempenho tão impressionante que ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante no último Festival de Paulínia. O filme saiu do Festival com prêmios de roteiro, figurino e direção. O cantor e compositor também usou toda a sua espertisse para ajudar o diretor do filme na seleção de músicas da trilha sonora, que inclui clássicos do cancioneiro brega, nas vozes de Nelson Ned (Tudo Passará), Altemar Dutra e Lindomar Castilho. O desempenho de Moacyr Franco é apenas um dos achados de Selton Mello em sua terceira incursão atrás das câmeras. Como havia feito no curta-metragem “Quando o Tempo Cair” (2006), protagonizado por Jorge Loredo, e no longa “Feliz Natal” (2008), com a participação destacada de Darlene Gloria e Lucio Mauro, o diretor surpreende com várias de suas escolhas. É possível até fazer um paralelo entre Selton e Benjamim. Selton precisou se tornar diretor para se reinventar como ator - fazendo muito bem as duas funções. Benjamim precisa sair do centro do picadeiro para descobrir o seu verdadeiro lugar. Numa jornada, o ponto de partida é tão importante quanto o de chegada. UM DOS MELHORES FILMES DO ANO!!