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sábado, 8 de outubro de 2011

64º Lugar - POR QUEM OS SINOS DOBRAM (For Whom The Bells Tolls) EUA, 1943



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

64º Lugar - POR QUEM OS SINOS DOBRAM (For Whom The Bells Tolls) EUA, 1943 – Direção de Sam Wood – elenco: Gary Cooper, Ingrid Bergman, Katina Paxinou, Arturo de Córdova, Akim Tamiroff, Eric Feldary, Mikhail Rasumny, Vladimir Sokoloff, Fortunio Bonanova, Joseph Calleia, Victor Varconi – 156 minutos.

Espanha, 1937. Durante a Guerra Civil Robert Jordan (Gary Cooper, em espetacular desempenho), um idealista americano, se alia aos guerrilheiros e tem a missão de explodir uma ponte estratégica em um desfiladeiro bem defendido pelos franquistas. Chega ao local com Anselmo (Vladimir Sokoloff), um guia, que lhe apresenta Pablo (Akim Tamiroff), o chefe dos guerrilheiros da região, Pilar (Katina Paxinou, em sua estréia no cinema), a mulher de Pablo, e outros guerrilheiros. Neste contexto Jordan se apaixona por Maria (Ingrid Bergman, em grande forma, no auge de sua beleza), uma bela jovem cujos pais foram mortos pelos franquistas. A missão de Jordan é contestada por Pablo, pois explodirem a ponte atrairia para ali o exército e a aviação franquista. Pilar, uma mulher determinada, não concorda com as posições de Pablo, que age de um jeito no mínimo suspeito. Ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Katina Paxinou), além de ter sido indicado em outras 8 categorias: Melhor Filme, Melhor Ator (Gary Cooper), Melhor Atriz (Ingrid Bergman), Melhor Ator Coadjuvante (Akim Tamiroff), Melhor Direção de Arte - Colorida, Melhor Fotografia - Colorida, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora. Ganhou 2 Globos de Ouro, nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Akim Tamiroff) e Melhor Atriz Coadjuvante (Katina Paxinou).



Ernest Hemingway, autor do livro o qual o filme é baseado, escreveu a personagem Maria tendo Ingrid Bergman em mente. Por causa disso o escritor insistiu que a atriz fosse contratada para o papel, o que fez com que o estúdio dispensasse Vera Zorina, que já estava contratada. Ingrid Bergman começou a trabalhar em POR QUEM OS SINOS DOBRAM logo após o término das filmagens de CASABLANCA, tendo apenas cortado seu cabelo curto. Um filme belo e extraordinário que defende os princípios de liberdade e democracia. E uma obra-prima notável por apresentar um cenário de idealismos e tensões quase insuportáveis, onde a mística Pilar, líder das forças da resistência civil, encoraja a bela e jovem Maria a ajudar o Robert em sua missão. Durante uma noite debaixo das estrelas, o medo da morte e a possibilidade do amor caminham lado a lado, em pleno horror da guerra. Aclamado internacionalmente como um dos mais importantes filmes do cinema, e na lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos. UMA DAS MAIORES REALIZAÇÕES CINEMATOGRÁFICAS DA HISTÓRIA!! RECOMENDADO E OBRIGATÓRIO!!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

65º Lugar - O MORRO DOS VENTOS UIVANTES (Wuthering Heights) EUA, 1939



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

65º Lugar - O MORRO DOS VENTOS UIVANTES (Wuthering Heights) EUA, 1939 – Direção de William Wyler – elenco: Laurence Olivier, Merle Oberon, David Niven, Flora Robson, Geraldine Fitzgerald, Donald Crisp, Hugh Williams, Leo G. Carroll – 104 minutos.

William Wyler foi um dos maiores e mais importantes cineastas da história do cinema. Isso é incontestável. Basta lembrar que foi ele quem realizou BEN-HUR (a colossal obra-prima de 1959); TARDE DEMAIS (1949); PÉRFIDA (1941); A PRINCESA E O PLEBEU (1953); ROSA DE ESPERANÇA (1942); JEZEBEL (1938) entre outros. Quem assistiu a essa versão inesquecível do romance de Emily Bronte pode perceber muitos dos elementos que compunham o cinema do diretor. Ele era especialista em fazer filmes onde imperava os lugares fechados, que ele captava com uma profundidade de campo que era sua marca, e que enriquecia as cenas. Alie-se a isso o perfeito domínio do elenco de atores que tinha à mão. Aqui é inegável a interpretação convincente de todo o elenco, com destaque para Laurence Olivier que conseguiu construir um Heathcliff que se aproxima muito do imaginado pela autora do romance. Merle Oberon está extraordinária como Cathy, conseguindo capturar e passar a dualidade de sua personalidade; Flora Robson, David Niven e, especialmente, Geraldine Fitzgerald, como coadjuvantes, também estão brilhantes. Aliás, até as crianças têm uma grande atuação.



Além do elenco primoroso em atuações convincentes, há também um belo trabalho de fotografia, figurinos, cenários e direção perfeitas. Essa obra cinematográfica contando a história completa de duas gerações das famílias Earnshaw e Linton é um primor de cinema da melhor qualidade. 1939 é considerado “O Ano da Boa Safra”, ano que foram realizadas as melhores obras-primas do cinema. Foi o ano de ...E O VENTO LEVOU, com Vivien Leigh, Clark Gable, Olivia de Havilland; VITÓRIA AMARGA, com Bette Davis; NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS, de John Ford; O MÁGICO DE OZ, com Judy Garland; NINOTCHKA, com Greta Garbo; JESSE JAMES, com Henry Fonda; GUNGA DIN (com Gary Cooper) e a realização dessa que é a melhor versão de O MORRO DOS VENTOS UIVANTES para o cinema, confirmando essa tese.



Essa clássica história de amor, paixão, ódio e vingança, com a magistral direção de William Wyler, tornou-se uma obra-prima do cinema, aclamada pela crítica e pelo público. Com certeza, é um filme obrigatório aos amantes da Sétima Arte. Ganhou o Oscar de Melhor Fotografia em Preto e Branco, além de ter recebido outras 7 indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor (William Wyler), Melhor Ator (Laurence Olivier), Melhor Atriz Coadjuvante (Geraldine Fitzgerald), Melhor Roteiro, Melhor Trilha Sonora e Melhor Direção de Arte. Belíssimo e inesquecível, deve ser visto e amado por todos aqueles que apreciam os grandes filmes do cinema. Um dos mais belos e extraordinários filmes da história do cinema, permanecendo na lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

66º Lugar - PHARAOH (Faraon) Polônia, 1966



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

66º Lugar - PHARAOH (Faraon) Polônia, 1966 – Direção de Jerzy Kawalerowicz – elenco: Jerzy Zelnik, Barbara Brylska, Wieslawa Mazurkiewicz, Krystyna Mikolajewska, Ewa Krzyzewska, Piotr Pawlowski, Mieczyslaw Voit, Stanislaw Milski, Leszek Herdegen – 175 minutos.

É a mais cara e ambiciosa super-produção do grande cinema polonês. Diz-se mesmo que o filme produziu um rombo financeiro em sua indústria. Jerzy Kawalerowicz, o mesmo diretor de TREM NOTURNO e do extraordinário MADRE JOANA DOS ANJOS (seguramente o melhor filme que os poloneses já produziram no período pós-guerra) co-escreveu e dirigiu esta obra-prima. É um super-espetáculo em suas intenções mais nobres, levando a história que se passa ao tempo das lutas ideológicas e do poder que se travam entre o jovem faraó Ramsés XIII e seu sumo-sacerdote Herhor a um plano de polêmica e de inteligência raramente encontrado numa obra desse gênero. No elenco, uma atriz que aqui esteve e que marcou época - Bárbara Brylska. Há que se citar também Jerzy Zelnik no papel principal, num desempenho soberbo e magnífico, aclamado como um triunfo. E ainda o extraordinário Mieczyslaw Voit, que foi o frade exorcista de MADRE JOANA DOS ANJOS (1961).



Durante os últimos anos da XX dinastia, depois de ciclos de riquezas e poder, o Egito e seu império começam a mostrar sinais de decadência e ruína. A estrutura do Estado e seu corpo administrativo se mostram débeis e ineficazes, pelo enorme esforço humano e econômico necessários para construir grandes cidades, templos e tumbas, para entrar em guerras com outros países. E neste momento aparece um grande rival vindo do Este. A raça militar e guerreira dos Assírios, que estão construindo um Império que se alastra rapidamente. Ao mesmo tempo, as reservas de ouro diminuem no Egito, não podendo nem pagar as suas tropas, que agora são compostas por soldados mercenários. A responsabilidade do governo está nas mãos de um grupo de sacerdotes que exercem o poder por trás do trono do Faraó Ramsés XII. Eles são dirigidos pelo primeiro sacerdote Herhor, que guarda e pratica os antigos costumes da arte da política. Sem dúvida, esta não é a atitude do jovem e arrogante herdeiro do trono, príncipe Ramsés XIII, comandante das tropas, que só vê uma solução, a guerra com a Assíria.



PHARAOH é um dos mais importantes filmes já realizado nos últimos quarenta e cinco anos. É a maior obra-prima de Jerzy Kawalerowicz, o premiadíssimo diretor responsável pelos maiores sucessos do cinema europeu da década de 1960. PHARAOH foi aclamado como um dos mais importantes filmes do cinema polonês. Diferente de tudo que já se viu, este é um espetáculo cheio de verdade, arrojo, audácia, amor, pompa e beleza. É um filme raro, muito diferente daqueles que Hollywood produziu e cheio de momentos antológicos. Uma obra-prima sem paralelo! Um espetáculo sem precedentes! Merece ser descoberto e apreciado. Excelente para estudiosos, para cinéfilos inveterados e até para aquele público descompromissado de qualquer matéria. Um grande triunfo da história do cinema! Imperdível!!!!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

67º Lugar - FOME (Sult) Dinamarca, Noruega, Suécia - 1966



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

67º Lugar - FOME (Sult / Hunger) Dinamarca/Noruega/Suécia, 1966 – Direção Henning Carlsen – elenco: Per Oscarsson, Gunnel Lindblom, Birgitte Federspiel, Knud Rex, Hans W. Petersen, Henki Kolstad, Roy Bjornnstad, Sverre Hansen – 118 minutos.

Uma das maiores obras-primas da literatura mundial do século XIX, o romance FOME, do norueguês Knut Hansum, ganhador do Prêmio Nobel de 1920, recebeu igualmente uma maravilhosa adaptação cinematográfica. Em 1966, o dinamarquês Henning Carlsen conseguiu reunir dinheiro e talentos do seu país, da Suécia e da Noruega para transpor para o cinema uma das histórias mais tocantes sobre o orgulho e o destino de um homem. Interpretado com brilhantismo por Per Oscarsson (uma das mais belas performances de toda a história do cinema), que ganhou o prêmio de melhor ator em Cannes, o personagem Pontus é um jovem escritor que tenta sobreviver do ofício na gélida cidade da Christiania (atual Oslo), mas cuja vida é das mais difíceis porque não consegue dinheiro para comer. Sem eira nem beira, mas com lápis e caderno em punho, sacrifica tudo ao desejo de finalmente encontrar condições de escrever o livro que alardeia para os conhecidos que topa ao acaso.



Cada encontro, porém, aprofunda o abismo que separa sua ambição de sua indigência: a tentação de ceder às migalhas que lhe são oferecidas é vencida pela vergonha, por uma altivez monomaníaca que faz com que ele finja o tempo todo. Após ser despejado, pede a um lojista que embrulhe seu cobertor, dizendo que ali estão protegidos dois valiosos vasos que recebeu como herança: é um dos indícios de sua demência progressiva, conduzida pela belíssima fotografia em preto e branco (que realça a desolada Oslo) e pela atuação magistral e extraordinária de Per Oscarsson. Literalmente, ele passa fome e alucina na luta para manter a dignidade e o orgulho. Essa obsessão de sobreviver pela escrita confere uma estranha beleza ao filme: o esgar de fome de Pontus é a máscara do artista que usa o próprio fracasso para nutrir seus fantasmas, ao preço da lucidez. Um filme raríssimo, belo e extraordinário!!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

68º Lugar - FUGINDO DO INFERNO (The Great Escape) EUA, 1963



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

68º Lugar - FUGINDO DO INFERNO (The Great Escape) EUA, 1963 – Direção de John Sturges – elenco: Steve McQueen, Charles Bronson, Richard Attenborough, James Coburn, James Garner, Donald Pleasense, James Donald, John Leyton, David McCallum, Hannes Messemer, Gordon Jackson, Nigel Stock, Robert Graf, Angus Lennie, Harry Riebauer – 172 minutos.

Em 1943, os alemães abriram o Stalag Luft Nord, um campo de prisioneiros de guerra de segurança máxima, projetado para impedir a fuga até dos mais audaciosos. Ao criar tal reduto, os nazistas inadvertidamente provocaram a união da equipe mais refinada de fuga da história militar, brilhantemente interpretada por um elenco de primeira, onde reuniu um dos maiores, mais talentosos e homogêneos elencos da época, formado por Steve McQueen, James Garner, o ex-mineiro Charles Bronson, o aristocrático Richard Attenborough, James Coburn, Donald Pleasense, James Donald, John Leyton, David McCallum, Hannes Messemer, Gordon Jackson, entre outros, todos em interpretações extraordinárias, trabalhando na maior fuga de uma prisão de guerra jamais tentada.



É um dos filmes de aventura mais engenhosos de todos os tempos, cheio de tensão e de grande impacto. É um magnífico trabalho conjunto do diretor John Sturges (que fez SETE HOMENS E UM DESTINO), do roteirista James Clavell (autor de SHOGUN), W.R. Burnett e do compositor Elmer Bernstein. Steve McQueen recebeu o prêmio de Melhor Ator no Festival Internacional de Moscou. Vale ressaltar que Steve McQueen teve grande influência na pré-produção. Ele só aceitou participar do filme depois de ter o número de cenas aumentado, e também exigiu que John Sturges desse um jeito de inserir algumas seqüências em que ele pudesse mostrar ao público suas habilidades ao volante de uma motocicleta. O cineasta soube colocar o ego do astro para trabalhar a favor do filme, e transformou o desejo dele em uma cena de ação perfeita (a título de curiosidade, truques de edição também permitiram que McQueen, vestido com a farda do exército alemão, interpretasse um dos motoqueiros alemães que perseguem Hilts).



Baseado numa história verdadeira, FUGINDO DO INFERNO é um épico que diverte, cativa, eletriza e comove. É o maior e melhor filme de fuga de toda a história do cinema. É também um dos mais eletrizantes filmes passados na Segunda Guerra Mundial. É o mais importante filme de prisão da Sétima Arte. A produção é um exemplo genuíno de como a duração de um filme não tem relação obrigatória com o fato de ele parecer longo. Afinal, a ação eletrizante e de ritmo consistente garante que as quase três horas de projeção pareçam ter a metade do tempo. Quem ainda não viu, veja, porque nunca mais o esquecerá. Quem viu, com certeza vai querer revê-lo. Imperdível e obrigatório, é o mais espetacular filme de fuga de todos os tempos!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

69º Lugar - PERDIDOS NA NOITE (Midnight Cowboy) EUA, 1969



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

69º Lugar - PERDIDOS NA NOITE (Midnight Cowboy) EUA, 1969 – Direção John Schlesinger – elenco: Jon Voight, Dustin Hoffman, Sylvia Miles, Brenda Vaccaro, John McGiver, Barnard Hughes – 113 minutos.

Este é um dos mais belos e premiados filmes da história do Cinema a tratar da figura do cowboy no imaginário do espectador, mas não é um western. Tampouco sequer há um cowboy de verdade no enredo. Grande ganhador do Oscar 1970 - Melhor Filme, Melhor Diretor (John Schlesinger), Melhor Roteiro Adaptado -, PERDIDOS NA NOITE conta a saga de Joe Buck (Jon Voight, em uma atuação espetacular e soberba - indicado ao Oscar para Melhor Ator), um jovem ingênuo e sonhador do interior do Texas que abandona um emprego em uma lanchonete para, vestindo um traje de cowboy, tentar ganhar a vida em Nova York como garoto de programa. Sumariamente, é o conto do jovem iludido que parte de sua terra natal em busca da cidade grande e das oportunidades. Personificando a imagem idealizada que aprendeu vendo filmes com John Wayne, chegando lá evidentemente as coisas não acontecem como o planejado, a dura realidade vai de encontro ao protagonista, e lembranças e traumas mal resolvidos no passado vêm à tona demonstrando toda a fragilidade de Joe, um “cowboy” perdido na selva de pedra. Completamente mal-adaptado à sociedade, irá encontrar a redenção na única relação pessoal genuína que pode realizar, esta na amizade com o marginal sem-teto Ratso (Dustin Hoffman, também indicado ao Oscar para melhor ator).



O filme é apresentado por meio de uma abordagem de forma poética, e de maneira alguma de modo panfletário ou moralista é tratada a questão da identificação e da projeção que o público estabelece ao entrar em contato com as grandes histórias e heróis do cinema. Este é o único filme classificado como “X” (proibido a menores de 17 anos) a ganhar o Oscar de Melhor Filme. Posteriormente sua classificação foi alterada para “R” (permitido a menores de 17 anos acompanhados dos pais). As atuações de Jon Voight e Dustin Hoffman, absolutamente inesquecíveis, freqüentemente são apontadas como o grande ponto alto de suas carreiras. Tão marcantes e inesquecíveis que fazem deste filme um dos mais lembrados e parodiados não só no cinema, mas da cultura pop em geral. A canção tema “Everybody’s Talkin”, interpretada brilhantemente por Harry Nilsson foi um sucesso estrondoso, que marcou toda uma geração.

Enfim, PERDIDOS NA NOITE é um belíssimo filme sobre o existencialismo. Através de um personagem que incorpora a própria inocência (maquiada pelo espírito rude do homem viril e interiorano), percebemos o quão podem ser frágeis os bons sentimentos. Virado do avesso na cidade grande, Buck acaba descobrindo muito mais de si mesmo – e claro, um lado sombrio até então inativo. É o reflexo imediato de uma América modificada pela modernidade, o retrato vivo de um tempo em que a contracultura abalava o tradicionalismo.



PERDIDOS NA NOITE ainda conseguiu a façanha de ser um dos grandes precursores de todo o “American Art Film” que viria nos anos 1970 nos EUA com diretores como Peter Bogdanovich, Francis F. Coppola, Martin Scorsese entre outros, que em uma carga mais autoral, realizariam produções de temática mais crua e pesada, tratando de temas urbanos urgentes, como drogas e prostituição. Em 1969, surpreendentemente a academia premiava este filme que exibia uso explícito de drogas, prostituição masculina, homossexualismo e sexo oral, promovendo uma quebra de tabus sem precedentes na indústria americana. O filme era um reflexo do seu tempo, das transformações dos valores sociais que tomaram forma a partir daquela década. Abordando temas difíceis para a época como homossexualismo e prostituição, com a história de Joe Buck, que acreditava que mulheres ricas estavam ansiosas para pagar um homem como ele para fazer sexo, o êxito comercial do filme mostrou que o público estava pronto para abraçar a sua maturidade e o realismo sincero. É um dos mais belos filmes produzidos na época da Contracultura. Imperdível e extraordinário!!

domingo, 2 de outubro de 2011

70º Lugar - ROCCO E SEUS IRMÃOS (Rocco e i Suoi Fratelli) Itália / França, 1960



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

70º Lugar - ROCCO E SEUS IRMÃOS (Rocco E I Suoi Fratelli) Itália/França, 1960 – Direção Luchino Visconti – elenco: Alain Delon, Annie Girardot, Katina Paxinou, Renato Salvatori, Claudia Cardinalle, Nino Castelnuovo, Paolo Stoppa, Max Cartier, Spiros Focas, Rocco Vidolazzi – 177 minutos.

É difícil descrever o impacto desse belísimo filme de Visconti, que não envelheceu. Permanece entre as suas melhores realizações. É mais uma pérola do neo-realismo italiano! Todo o elenco é perfeito e uniformemente excepcional. Mas é o quarteto central que envolve o espectador: Alain Delon, belíssimo, faz o boxeador tão santo que sacrifica a própria felicidade na vã esperança de manter a família unida; Renato Salvatori, o irmão mais velho, bruto e irresponsável, arruinado pela ganância e pelo ciúme obsessivo; Annie Girardot, é a garota sexy e emocionalmente complexa que se coloca entre os dois, numa atuação memorável como a prostituta Nadia e Katina Paxinou, brilha como a “mãe coragem” tentando manter unida sua família, enquanto a cidade e o progresso anseiam destruir sua prole. Há que se destacar, ainda, a bela Claudia Cardinale, com apenas 22 anos interpretando a noiva de Vincenzo Parondi. A fotografia de Giuseppe Rotunno e a música de Nino Rota emolduram este clássico imperdível.



Com ROCCO E SEUS IRMÃOS, Visconti se volta ao enfoque do cotidiano das camadas mais baixas da população na Itália contemporânea. Entretanto, se no neo-realismo mostra-se o país no imediato pós-guerra, destruído e miserável, agora o cineasta o apresenta no passo seguinte, ou seja, na reconstrução, catapultada pelos recursos financeiros americanos oriundos do Plano Marshall e marcada pelo impacto do acelerado desenvolvimento capitalista nas relações sociais. No pós-neo-realismo sugerido por Visconti, verifica-se o choque dos novos valores herdados da modernização econômica com os tradicionais, arraigados culturalmente há séculos, o qual precipita a desestruturação da célula em que se edifica a identidade nacional: a família.



Visconti mostra também que não é apenas um excelente diretor de elenco. Com a sua câmera ele confere à obra toda a sensibilidade da qual a mesma necessita para funcionar corretamente bem, principalmente quando realiza um close nos rostos de seus atores e expressa todos os sentimentos destes. E é incrível notarmos como o mesmo consegue realizar de forma tão natural uma rápida transição emotiva entre os seus personagens, alternando magistralmente entre alegria e tristeza, celebração e tragédia, tudo em uma única cena (refiro-me aqui à sequência em que a família comemora uma importante vitória de Rocco e, poucos minutos depois, tal solenidade se transforma em tragédia, graças à inesperada aparição de Simone). Essa obra-prima belíssima faz ressurgir a crítica social, com a dolorida história de uma família de migrantes do sul da Itália que conhece a violência e a desagregação ao procurar uma vida melhor no norte rico e industrializado do país. Indiscutivelmente, é um daqueles filmes que trespassam a alma do ser humano e tocam profundo os corações. Imortal e eterno!!