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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

27º Lugar - ADEUS, LENIN! (Good Bye, Lenin!) Alemanha, 2003



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

27º Lugar - ADEUS LENIN (Good Bye, Lenin!) Alemanha, 2003 – Direção de Wolfgang Becker – elenco: Daniel Bruhl, Katrin Sass, Chulpan Khamatova, Florian Lukas, Alexander Beyer, Burghart Klaubner, Michael Gwisdek, Christine Schöm, Rudi Völler, Helmut Kohl – 118 minutos.

O melhor lançamento do Natal de 2003 foi essa preciosidade alemã. Dia 25 de dezembro daquele ano estreou esse que é um dos melhores filmes do ano. Merecidamente foi um grande sucesso de público e de crítica, ficando, só em São Paulo, mais de seis meses em cartaz. É uma excelente comédia dramática, ora comovente, ora divertida, ora nostálgica. O filme não perde nada em qualidade. A história evoca os traumas da reunificação alemã. Até o colapso do bloco socialista, em 1989, Berlim era uma espécie de Pólo Norte, explica o diretor Wolfgang Becker: assim como no pólo todas as direções levam ao Sul, Berlim era uma ilha cercada de Leste comunista por todos os lados. Essa idéia é o ponto de partida de um dos filmes mais extraordinários da década. A trama é uma engenhosa e irreverente farsa montada por um rapaz, o Alex, que vive com a mãe e a irmã na Berlim Oriental. Ele tenta esconder a queda do Muro de Berlim de sua mãe, uma militante comunista que tem sérios problemas de saúde. Ela fica meses em coma e quando acorda a cidade está em franco processo de acomodação ao mundo capitalista. Alex entra em pânico e o que acontece é um show de tiradas inteligentes num dos filmes mais bem-sucedidos da história do cinema.



Há cenas antológicas e clássicas como o helicóptero com a estátua de Lênin; o bebê vendo o dirigível; o slogan da Coca-Cola na fachada do prédio etc. Ganhou o Prêmio Europeu de Cinema como Melhor Filme do Ano, Melhor Roteiro (excelente e fabuloso) e Melhor Ator (Daniel Bruhl, no papel de Alex, o filho que tenta salvar a vida da mãe, tentando manter a distância da morte através de uma mentira, ficando mais e mais envolvido por essa mentira sobre um leste alemão que já não existia, e no qual queria que sua mãe acreditasse). Recebeu ainda inúmeros prêmios na Europa, onde foi um sucesso estrondoso. Destaque no elenco para a impecável performance de Katrin Sass, como a mãe. Injustamente perdeu o Globo de Ouro para o afegão OSAMA, e, mais absurdo, foi o representante alemão na disputa ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas não ganhou. É muito interessante e extremamente divertido ver os alemães fazendo piada de seu próprio passado. É um importante e notável capítulo da história da Alemanha! Um brilhante e inesquecível conto de um amor verdadeiro entre mãe e filho! Uma fatia da história alemã contada não na vanguarda da estória! Extremamente inteligente e muito bem-humorado! Um filme extremamente universal que poderia ser inteiramente separado de seu passado específico! Obrigatório.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

28º Lugar - NA NATUREZA SELVAGEM (Into The Wild) EUA, 2007



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

28º Lugar - NA NATUREZA SELVAGEM (Into the Wild) EUA, 2007 – Direção de Sean Penn – elenco: Emile Hirsch, William Hurt, Marcia Gay Harden, Hal Holbrook, Catherine Keener, Vince Vaughn, Jena Malone, Kristen Stewart, Brian Dierker, Robin Mathews – 140 minutos.

Em seu quarto filme como diretor, Sean Penn realiza um tributo ao espírito libertário dos anos 1960 e 1970, retratando a trajetória de um personagem verídico, Christopher McCandless, que fez escolhas radicais ao decidir largar tudo e partir rumo ao Alasca. NA NATUREZA SELVAGEM concorreu em duas categorias do Oscar - melhor ator coadjuvante (Hal Holbrook) e montagem. Causou muita surpresa não ter sido indicado para melhor canção, na qual saiu vencedor no Globo de Ouro, com uma música de Eddie Vedder, do Pearl Jam. O roteiro do filme também é assinado por Sean Penn e se baseia no livro homônimo de não-ficção de Jon Krakauer. Exibindo o mesmo fascínio pela psicologia de seus personagens que demonstrou em seus trabalhos anteriores atrás das câmeras, o ator/diretor Sean Penn constrói um filme belíssimo e inspirador, ainda que pincelado com tons de pura melancolia. Ele próprio um contestador do chamado “sistema”, Penn encontra em NA NATUREZA SELVAGEM o material definitivo para provar toda a sua capacidade como cineasta, em um retrato profundo não somente de uma pessoa fascinante, mas de um mundo que pode ser, ao mesmo tempo, maravilhoso e cruel, simples e complexo. Na parte técnica do filme, a fotografia é assinada por Eric Gautier (DIÁRIOS DE MOTOCICLETA) e enfatiza a relação do personagem com a natureza. O maior escândalo, com relação ao filme, foi a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood não tê-lo indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme do Ano, que, aliás, merecia ganhar.



O personagem principal é Christopher McCandless (Emile Hirsch, de ALPHA DOG), um rapaz que no início dos anos 1990 abandonou tudo, entregou à caridade todo o dinheiro guardado para custear seus estudos e caiu no mundo em direção ao Alasca, sem sequer avisar a família. Pode-se encarar Chistopher de duas maneiras: como um egoísta arrogante, impulsivo e mimado que fez essas escolhas para agredir seus pais (interpretados por William Hurt e Marcia Gay Harden); ou como uma espécie de herói romântico. Sean Penn procura não optar por nenhum desses dois extremos - embora tendencie mais para a segunda alternativa. Em seus escritos, como um diário, Chistopher enfatiza o que há de belo na natureza, rejeitando os bens materiais e se auto-definindo como "viajante estético". Adotando o pseudônimo de Alexander Supertramp, o rapaz desistiu de ter documentos, dinheiro e residência fixa. Fez de tudo para não ser encontrado por sua família, vivendo em plena liberdade, seguindo textos de escritores como Leon Tolstói, Henry David Thoreau e Jack London.



Em seu caminho, o personagem faz alguns amigos, como um casal de hippies (Catherine Keener e Brian Dierker), que simbolizam para ele figuras paternais. Também conhece um fazendeiro (Vince Vaughn), uma garota por quem se interessa (Kristen Stewart) e um viúvo solitário (Holbrook), que vê nele o neto que nunca teve. Muitas das cenas foram rodadas nos lugares por onde Chris passou realmente, descritos no livro de Krakauer. Depois de hesitar por dez anos, a família McCandless concordou em dar o seu aval à produção. Sean Penn fez diversas entrevistas com a irmã de Christopher, Carine, além de encontrar pessoas que o personagem conheceu pelo caminho. Neste grande filme o diretor constrói momentos emocionantes única e simplesmente pela forte identificação do público com os personagens e os relacionamentos. Além do mais, a sensibilidade do texto e da direção aparecem nos diversos simbolismos existentes no filme, como na cena em que McCandless convida Franz a subir em uma montanha para enxergar novos horizontes ou na ironia do protagonista, em meio ao Alasca, encontrar seu “lar” em um ônibus abandonado, elemento estritamente relacionado às grandes cidades. Aliás, a nota melancólica com a qual o filme se encerra demonstra que o idealismo de McCandless é anacrônico, não encontrando mais lugar neste mundo, e a iluminação final do personagem, que partiu solitário em busca de si mesmo para descobrir que a felicidade só existe quando compartilhada, dá um toque trágico à fascinante jornada – e o plano final é nada menos que espetacular neste sentido. É UM MARCO ABSOLUTO NA HISTÓRIA DO CINEMA!! IRONICAMENTE É UM LIBELO DE AMOR À VIDA!! UM FILME PARA SEMPRE!! UM DOS DEZ MELHORES FILMES DA DÉCADA!!!!


terça-feira, 15 de novembro de 2011

29º Lugar - A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA (American History X) EUA, 1998



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

29º Lugar - A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA (American History X) EUA, 1998 – Direção Tony Kaye – elenco: Edward Norton, Edward Furlong, Beverly D’Angelo, Jennifer Lien, Ethan Suplee, Fairuza Balk, Stacy Keach, Elliott Gould, Avery Brooks – 119 minutos.

É um profundo e movimentado drama sobre as conseqüências do racismo à medida que uma família é dividida pelo ódio. Uma análise do extremismo na América, o filme segue a luta de um homem para reformar a si próprio e salvar seu irmão após viver uma vida consumida pela violência e intolerância. Dirigida pelo estreante Tony Kaye, a história desdobra-se através do olhar de Danny Vinyard (Edward Furlong, de O EXTERMINADOR DO FUTURO 2), que idolatra seu irmão mais velho Derek (Edward Norton, um dos melhores atores da atualidade e que foi indicado ao Oscar por essa brilhante performance). Buscando vingança pelo assassinato do pai (um bombeiro que semeou ideias de separatividade racial nos filhos) e ansioso para dar vazão à sua ira, Derek encontra se transformado por uma filosofia do ódio ao mesmo tempo que se torna um líder carismático de um movimento de supremacia branca. A despeito de sua indiscutível inteligência, suas ações incendiárias culminam num brutal assassinato e, finalmente, numa sentença de prisão.



Três anos mais tarde, todos esperam a volta de Derek: sua mãe Doris (Beverly D'Angelo), sua namorada Stacey (Fairuza Balk) e principalmente Danny, que anseia desesperado pelo amor e orientação do irmão. No dia da libertação de Derek, Danny entrega um relatório do livro Mein Kampf, que foi ditado por Hitler enquanto esteve na prisão. Irritado, o diretor do colégio exige que Danny escreva um novo relatório, sobre as circunstâncias que levaram ao encarceramento de Derek. Por meio dessa nova tarefa, o público irá explorar a consciência dos dois irmãos. Mas, para surpresa (e decepção) de Danny, Derek é um homem mudado. Recém saído da prisão, ele não vê mais o ódio como sinal de honra. Envergonhado de seu passado, ele agora está em uma corrida para salvar o irmão e toda a família da violência que ele mesmo criou.



O final é trágico, o filme contém cenas de muita violência, mas a sensação pós-créditos é incrivelmente positiva, diante da idéia de que o homem, por mais irrecuperável e corrompido que possa parecer, ainda é capaz de resgatar a divindade que guarda adormecida ou aprisionada em seu interior. A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA está entre OS MAIORES E MELHORES FILMES DO CINEMA e nos leva, em um primeiro momento, a pensar em como o meio social e a família podem contribuir para que alguém enverede pelo caminho da marginalidade, e como é extremamente difícil abandonar tudo o que isso representa. A maior reflexão, porém, que este filme suscita diz com a questão racial, que tem minado a sociedade norte-americana com seu crescente segregacionismo. CHOCANTE, BRUTAL, MAS UM DOS MELHORES FILMES DA DÉCADA!! ABSOLUTAMENTE DEVASTADOR E EXTRAORDINÁRIO!!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

30º Lugar - A NOVIÇA REBELDE (The Sound of Music) EUA, 1965



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

30º Lugar - A NOVIÇA REBELDE (The Sound of Music) EUA, 1965 – Direção Robert Wise – elenco: Julie Andrews, Christopher Plummer, Eleanor Parker, Richard Haydn, Peggy Wood, Nicholas Hammond, Charmian Carr, Daniel Truhitte, Heather Menzies, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner, Kym Karath, Ben Wright, Anna Lee, Norma Varden – 172 minutos.

Considerado o filme mais feliz do mundo, é o eterno clássico de todas as famílias. Cada uma das suas músicas é uma pérola extraordinária, cada momento é uma obra de arte! É a mais encantadora e verdadeira história de vida, que tornou-se o filme mais popular de todos os tempos. Julie Andrews ilumina a tela como Maria, a jovem e alegre determinada que deixa o convento para tornar-se governanta dos sete filhos do Capitão von Trapp (Christopher Plummer), um viúvo autocrático, cujas regras de condução de seu lar não deixam espaço para música ou divertimento. A época é o final da década de 1930, do Século XX, na Áustria, quando o pesadelo nazista estava prestes a se instaurar no país. A chegada de Maria à mansão dos von Trapp modifica drasticamente o padrão da família, trazendo alegria novamente ao lar e conquistando o carinho e o respeito das crianças. Mas ela termina se apaixonando pelo capitão, que está comprometido com uma rica baronesa. A NOVIÇA REBELDE é o filme mais amado em todo o mundo. Ele foi vencedor de 05 (cinco) Oscars, incluindo Melhor Filme do Ano (derrotando DOUTOR JIVAGO), Melhor Diretor (Robert Wise), Melhor Som, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora, além de ter sido indicado em outras cinco categorias (Melhor Atriz para Julie Andrews; Melhor Atriz Coadjuvante para Peggy Wood; Melhor Direção de Arte a Cores; Melhor Fotografia a Cores e Melhor Figurino a Cores), totalizando 10 indicações.



A NOVIÇA REBELDE seria inicialmente dirigido por William Wyler (na época, um dos diretores mais respeitados de Hollywood, que produziu o colossal BEN-HUR, em 1959), que terminou sendo descartado por ter uma visão diferente da dos produtores para o filme. O diretor Robert Wise chegou a cogitar o nome de Yul Brynner para interpretar o Capitão von Trapp, mas acabou optando por Christopher Plummer, que deu uma interpretação notável. O primeiro número musical do filme, "The Sound of Music", foi exatamente o último a ser rodado pelo elenco enquanto estava na Europa. As filmagens desta cena ocorreram em junho e julho de 1964. Apesar de parecer quente e agradável, Julie Andrews estava com muito frio enquanto corria pelas montanhas. O diretor teve que subir em uma árvore para não aparecer na tomada feita do helicóptero. Apesar de tentar resistir, Julie era constantemente derrubada pelo vento gerado pelo helicóptero ao gravar a cena inicial. Depois de mais de uma dúzia de takes, Robert Wise ficou satisfeito. A frente e os fundos da fazenda do Capitão von Trapp foram filmadas em dois locais diferentes em Salzburg, na Áustria. A NOVIÇA REBELDE figura na lista dos dez melhores musicais de todos os tempos, entre eles estão CANTANDO NA CHUVA (1952); AMOR, SUBLIME AMOR – West Side Story (1961); MOULIN ROUGE (2001); O PICOLINO (1935); CABARET (1972); UM VIOLINISTA NO TELHADO (1971); SINFONIA DE PARIS (1951); OS GUARDA-CHUVAS DO AMOR (1964), entre outros. A NOVIÇA REBELDE é um dos mais belos musicais de toda a história do cinema. Foi aclamado mundialmente como o filme felicidade. Até hoje, desde o seu lançamento, há 46 (quarenta e seis) anos atrás, não há quem não se encante com a sua ternura, a sua poesia, a sua história e a sua mensagem de beleza e enternecimento. Obrigatório e imperdível!!!!

domingo, 13 de novembro de 2011

31º Lugar - A FITA BRANCA (Das Weisse Band) Alemanha, Áustria, 2009



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

31º Lugar - A FITA BRANCA (Das Weisse Band / The White Ribbon) Alemanha, Austria, França, Itália, 2009 – Direção Michael Haneke – Elenco: Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klaussner, Rainer Bock, Susanne Lothar, Josef Bierbichler – 144 minutos

É uma história sombria, mas de esperança e redenção. Às vésperas da Primeira Guerra Mundial, em 1913, estranhos eventos perturbam a calma de uma pequena cidade na Alemanha. O espectador é apresentado a todos os integrantes dessa sociedade: o barão, o administrador, o padre, o médico, o professor, a babá, entre outros que viviam em aparente tranquilidade, até que os estranhos episódios começam. Uma corda é colocada como armadilha para derrubar o cavalo do médico; um celeiro é incendiado; duas crianças são sequestradas e torturadas. Gradualmente, estes incidentes isolados tomam a forma de um sinistro ritual de punição, deixando a cidade em pânico. O professor do coro de crianças e jovens da escola local investiga os acontecimentos para encontrar o responsável e aos poucos desvela a perturbadora verdade. O diretor aplica a relação de crime e castigo de CACHÉ para a Alemanha pré-nazista.

Esse filme poderoso fala sobre questões bem mais gerais, que podem ser aplicadas a qualquer país e a qualquer tempo: a hipocrisia das pessoas, a podridão que se esconde por trás de quem mais se preocupa com as aparências, as consequências do modo violento como alguns pais criam seus filhos etc. Um dos pontos que mais chamam a atenção é que, em muitas cenas, talvez na maioria delas, o diretor não mostra os momentos de violência física de forma direta: se a surra acontece dentro da sala, ele filma apenas a porta fechada; se uma jovem é violentada, ele filma apenas o choro posterior ao ato em si. Em outras palavras ele sugere mais do que mostra, pondo o foco não na ação, mas em seus efeitos, na tensão e no ambiente brutal que eles causam. Assim, até em um aspecto formal, ou técnico, o filme representa aquela sociedade em que os atos condenáveis são feitos de forma escondida, mas suas consequências são totalmente visíveis.



Do premiado cineasta Michael Haneke, de A PROFESSORA DE PIANO e CACHÉ, o perturbador e belo A FITA BRANCA foi o vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2009. O filme ainda recebeu o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e era o favorito ao Oscar 2010 na mesma categoria (mas perdeu absurdamente), além de receber uma indicação como melhor fotografia, para Christian Berger. Apesar de ter sido totalmente filmado em cores, A FITA BRANCA foi alterado para branco-e-preto durante a pós-produção. O diretor procura a origem do crime de ódio mais filmado e analisado do século 20 - o Holocausto. O vínculo com o nazismo é montado já na fala do narrador, que conta que ali, naquela comunidade, pequenos eventos prenunciam o que aconteceria com o país todo, anos depois. Haneke começa o filme, portanto, amarrado conscientemente nessa analogia com o Holocausto - e, ao seu modo habitual, começa a ditar o tipo de reação que espera do público.



O fato é que a punição, embalada como disciplina, está enraizada no vilarejo - e a fita branca do título, que o pastor local força dois de seus filhos a usar, como sinal de vergonha por pecados cometidos, é obviamente a antevisão da futura etiquetação antissemita de judeus nos princípios da Segunda Guerra. Costuma-se crer que Hitler chegou ao poder auxiliado pelo rancor que os alemães sentiam após a devastação do país na Primeira Guerra, mas para Haneke o embrião do mal é anterior. Se A FITA BRANCA está preso à analogia com o nazismo, pelo menos a exerce com lampejos de brilhantismo, como no plano final, da missa na igreja, com sua arquitetura que lembraria depois um salão do Terceiro Reich. Pode ser visto como uma crítica profunda a vários tipos de autoritarismo. Por isso, é o tipo de filme para o qual espectadores atentos poderão encontrar diversas interpretações. Com um elenco excelente, sobretudo as crianças; um enredo brilhante, que vai se construindo de maneira perfeita; uma edição rigorosa, e apesar do filme ser longo, não há cenas sobrando; e uma fotografia em preto e branco, soberba e magnífica, é UM DOS MELHORES FILMES DO ANO!!! ABSOLUTAMENTE NOTÁVEL, BELO E EXTRAORDINÁRIO!!! OBRIGATÓRIO!!

sábado, 12 de novembro de 2011

32º Lugar - UM CORPO QUE CAI (Vertigo) EUA, 1958



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

32º Lugar - UM CORPO QUE CAI (Vertigo) EUA, 1958 – Direção Alfred Hitchcock – Elenco: James Stewart, Kim Novak, Barbara Bel Geddes, Tom Helmore, Raymond Bailey, Konstantin Shayne, Ellen Corby, Lee Patrick, Henry Jones – 128 minutos.

Em São Francisco, James Stewart interpreta um detetive com medo de altura, contratado para seguir a esposa de um amigo (Kim Novak) com tendências suicidas. Após resgatá-la de uma queda na baía, ele se torna obcecado pela bela e atormentada mulher. Considerado por muitos a maior realização do diretor, este fantástico clássico é um dos mais arrepiantes romances do cinema, e apresenta uma fascinante miríade de inusitados ângulos de câmera de algumas das mais renomadas paisagens de São Francisco. Este filme soberbo é famoso pelo uso do que ficou conhecido como "Hitchcock Zoom", um truque de câmera utilizado para passar ao espectador a sensação de vertigem sofrida pelo protagonista através da distorção de perspectiva, e, principalmente, por trabalhar muitos dos temas caros ao diretor, como a obsessão, o perigo de cair, o envolvimento de um homem comum numa trama insólita e a ambientação de cenas tensas em lugares famosos. Um filme excepcional que demanda múltiplas interpretações!

Conta-se que a atriz escolhida pelo mitológico diretor para os papéis-chave de Madeleine e depois Judy era Vera Miles (que havia acabado de trabalhar com ele em O HOMEM ERRADO de 1957, e voltaria a trabalhar de novo em PSICOSE em 1960). Vera Miles fez os testes com as roupas criadas pela também lendária Edith Head para a personagem de Madeleine, e chegou a ser feito um quadro de Carlotta Valdes com o rosto da atriz. O início das filmagens se atrasou, Vera Miles ficou grávida e Kim Novak acabou sendo a escolhida. Nada contra Vera Miles, que foi uma excelente atriz. Mas Kim Novak era mais adequada, além de ser mais bonita. Sua beleza era estonteante, e foi uma das responsáveis pelo fato de o filme ser uma das maiores obras-primas do cinema. Kim Novak é de fato duas pessoas inteiramente diferentes, Madeleine e Judy. Madeleine é aquela mulher rica, cosmopolita, de gestos elegantes, de uma sensualidade sempre presente, mas contida. Judy é uma moça humilde do interior do Kansas – “Salinas, Kansas”, ela diz, várias vezes -, com um jeito quase vulgar, ou até escancaradamente vulgar. Kim Novak consegue ter duas vozes diferentes, dois sotaques diferentes, dois andares diferentes, dois olhares diferentes. Um triunfo!!



UM CORPOR QUE CAI tem sido reconhecido como o filme mais pessoal de Alfred Hitchcock e um marco no mundo do cinema, permanecendo até hoje, talvez, como o mais estudado e discutido filme do mestre da direção. Mas esta sublime e assustadora história sobre um macabro “engodo” não foi sempre reconhecida como a obra-prima que hoje é; de fato, quando foi lançado em 1958, foi um desastre comercial massacrado pela crítica. Em meados dos anos 1980, contudo, os críticos – incluindo alguns dos detratores originais – fizeram enquetes internacionais elegendo o filme como um dos Dez Melhores de Todos os Tempos!! Quando foi relançado pela Universal em 1984, o opinativo Andrew Sarris (um dos detratores de 1958) chamou de “provavelmente o filme de arte mais profundamente belo já feito no continente americano”. O certo é que é um filme extremamente hipnótico. Mostra o diretor em seu lado mais obsessivo e sexual. É uma obra de mestre, uma experiência artística que necessita de muitas visitas, “uma pérola cinematográfica que se torna mais brilhante a cada década” (The New York Post – 04.10.1996).

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

33º Lugar - PERSONA (Persona) Suécia, 1966



OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

33º Lugar - PERSONA (Persona) Suécia, 1966 – Direção Ingmar Bergman – elenco: Bibi Andersson, Liv Ullman, Gunnar Björnstrand, Margaretha Krook – 83 minutos.

É um dos grandes filmes do mestre Ingmar Bergman, notável em vários aspectos, inclusive por ter sido o primeiro trabalho com sua então nova mulher, a atriz norueguesa Liv Ullman, que seria sua parceira em algumas outras obras primas e com quem trabalhou até o fim de sua vida. Começa de forma inesquecível (e original na época), mostrando o processo de projeção de um filme com um velho cartão queimando, o fotograma, o desenho animado, o filme antigo e mudo, a morte da ovelha (meio Buñuel), a mão pregada na cruz como Cristo. Deixando claro que é cinema. A seguir, as primeiras imagens são cadáveres. Mas um menino magro (o mesmo ator de O SILÊNCIO) acorda e coloca o óculos para ler um livro, depois vê a câmera, que se torna o rosto de uma mulher (provavelmente seria o filho dela no útero, esperando para nascer). Entram os letreiros todos vanguardistas, predominando o branco, repetindo imagens que já vimos.

A historia começa com uma porta se abrindo e entrando a enfermeira Alma (Bibi Andersson). Bergman disse que concebeu o filme depois de perceber que a semelhança entre as atrizes Bibi (que também havia sido sua namorada) e Liv. É bem descrito pelo trailer original norte-americano que diz que PERSONA é o reconhecimento da nossa terrível solidão, nossa singularidade, nossa inabilidade de se comunicar com os outros. É uma confissão de nossos medos, do homem, do fracasso, da morte. É o drama do desespero, o silencio, o terror indescritível da vida em todos os aspectos. É um drama da sensibilidade da pele, de rostos e palavras não entendidas. PERSONA é uma ilusão estilhaçada, uma vitória sobre o silencio. Popularizou o termo Persona que é o nome da máscara teatral greco-romana e, por extensão, também as máscaras que usamos na vida profissional ou pessoal. Um dueto para as duas atrizes emolduradas pela fotografia genial de Sven Nykvist. Rodado na própria casa e ilha do diretor, em Faro. Bibi fala o tempo todo e Liv diz apenas uma única palavra, "nada".



A atriz Elizabeth Vogler deixa de falar durante uma representação teatral de “Electra”. Seu mutismo em relação aos que a rodeiam é total, sendo então internada numa clínica. Não está doente, simplesmente optou pelo silêncio. Alma, uma jovem enfermeira, fica encarregada de tratar dela. Quando, a conselho médico, as duas se isolam em uma ilha, passam a desenvolver uma intimidade e cumplicidade crescentes. Com isso se estabelece uma constante troca de identidades. Um dos temas recorrentes à obra de Ingmar Bergman, o conceito do pecado e principalmente da culpa a ele associada é o que se pode extrair, de início, dessa obra importante. Ao longo dos anos de sua brilhante carreira, Bergman alçou um renome mundial, pois seus filmes eram singulares e abordavam temas recorrentes, como o já citado sofrimento determinado pela culpa, a análise de relacionamentos conjugais e amorosos, e a angústia do homem perante "o silêncio de Deus". Em PERSONA se faz patente uma submissão do autor ao estilo que ele sempre recorreu: a temática bastante densa e sempre pessimista, com poucos personagens, vivendo situações de crise intensa em ambientes quase sempre claustrofóbicos, mesmo que este cenário seja a paisagem de uma ilha. A maioria dos seus filmes foram quase todos rodados em sua propriedade na ilha de Farö. Para falar de PERSONA, e já sabendo que em Bergman vida e obra são conceitos indissociáveis, fica claro notar que o filme foi confessamente concebido durante um período de profunda crise de seu autor, quando este se encontrava hospitalizado devido a uma pneumonia e questionando sua então atividade como diretor do Teatro Nacional de Estocolmo. Como afirma ele próprio: "Era necessário, por conseguinte, escrever qualquer coisa que apaziguasse a sensação de futilidade que sentia, a sensação de estar marcando passo." Da mesma forma, PERSONA deixa claro os momentos no qual o artista se vê impassível ao observar que, mesmo contra o seu desejo, sua arte acaba por ser vã como modificadora de uma realidade, impassividade essa que acaba por determinar o retiro e o silêncio constante de Elizabeth Vogler (Liv Ullmann, numa atuação soberba).



O outro tema central de PERSONA fica evidente na seqüência entre a médica e Elizabeth que antecede a partida para a ilha. Nos termos da personagem, "o irrealizável sonho de existir, não o de parecer, mas o de ser". Em outras palavras, o filme propõe uma reflexão sobre a constante necessidade de adequação aos diferentes papéis que uma pessoa deverá exercer ao longo da vida. Enquanto Elizabeth simplesmente desiste de tentar adequar-se a esses papéis, sua companhia determina em Alma (Bibi Andersson) uma descoberta de trilhas semelhantes, frustrando suas falsas expectativas iniciais de construir um casamento e família tradicionais. É assim que ambas, Alma e Elizabeth, passam a manifestar diferentes facetas de uma só personagem, culminando na notória seqüência onde fundem-se os rostos das atrizes. Chamando mais uma vez atenção para a personalidade do diretor, convém destacar que tanto Elizabeth quanto Alma são afligidas por traumas relacionados à maternidade - a primeira simplesmente renega o filho, enquanto a segunda não aceita bem um aborto ao qual fora obrigada - o que reflete uma evidente característica de Bergman, que nunca conseguiu assumir de forma completa o papel de pai dos filhos que acumulou ao longo de sucessivos casamentos. É também PERSONA o filme que inaugura a parceria entre Bergman e Liv Ullmann, atriz que desde então permanece marcada a sua obra, apesar da outra protagonista do filme, Bibi Andersson, já vir aparecendo em suas fitas por mais de uma década antes desta. Sem dúvida é seu meticuloso trabalho com os atores (quase sempre os mesmos, como Gunnar Björnstrand, Harriet Andersson, Max Von Sydow, Erland Josephson ou Eva Dahlbeck), que deve bastante a sua longa carreira de encenador teatral, um dos principais responsáveis pelo êxito e empatia dos filmes de Bergman. Este, entretanto, mesmo com um pé no palco, poucas vezes deixa de conceber seu cinema como uma arte de imagens. E é justamente a força de suas imagens o principal trunfo de PERSONA, mesmo que se considere suas abordagens sob pontos de vista social ou psicológico superficiais ou hoje um tanto batidas. Ul filme absolutamente extraordinário!!!!