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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

DESCONHECIDO (Unknown) 2011



DESCONHECIDO (Unknown) Reino Unido, Alemanha, França, Canadá, Japão e EUA, 2011 – Direção Jaume Collet-Serra – Elenco: Liam Neeson, Diane Kruger, January Jones, Aidan Quinn, Bruno Ganz, Frank Langella, Sebastian Koch – 113 minutos.

Em trânsito em Berlim para uma conferência, o botânico norte-americano Martin Harris (Liam Neeson) sofre um acidente de carro. Acorda num hospital dias depois, sem qualquer identificação. "Desconhecido" gira em torno de uma questão, que apresenta dois Martin Harris. O tal Harris, de Neeson, fará de tudo para provar que o outro Harris é uma fraude. Mas, se ele é um sujeito tão comum - apenas um botânico bem conceituado -, por que alguém se passaria por ele? E mais: por que sua mulher participaria da farsa?

O autor do livro é francês. O diretor, espanhol. O ator pricipal nasceu na Irlanda, e toda a ação se passa na Alemanha. Mesmo assim, nestes tempos globalizados, DESCONHECIDO é um filme de suspense bem norte-americano. O bom e velho tema do homem solitário e indefeso lutando contra tudo e contra todos em busca da própria identidade, tendo uma bela capital europeia e uma intriga de espionagem internacional como panos de fundo, geralmente rendem bons filmes. DESCONHECIDO não faz feio, mostrando que tem tudo para agradar tanto aos fãs de uma boa trama, como a quem prefere somente a correria. Méritos não faltam no filme.

E entre estes méritos destaca-se a marcante presença do grande ator alemão Bruno Ganz, no impagável papel de um ex-agente da antiga Alemanha Oriental. É antológica sua fala que classifica os alemães como um povo que “adora esquecer”, que já esqueceu que foi nazista e agora tenta esquecer que foi comunista. Ou sobre um antigo cigarro que, de tão ruim, “matou mais comunistas que Stalin”. Seu embate final com outro veterano de Guerra Fria – vivido por Frank Langella – é um dos pontos altos do filme.

Diane Krüger como uma imigrante ilegal e Aidan Quinn também contribuem para a qualidade desta boa coprodução entre EUA, Reino Unido, França e Alemanha. O diretor, hábil na construção do suspense e inventivo na "mise-en-scene" explosiva, nos faz passar duas horas sem desgrudar os olhos da tela. Vale a pena ser visto!!


terça-feira, 2 de agosto de 2011

(500) DIAS COM ELA (500 Days of Summer) 2009



(500) DIAS COM ELA (500 Days of Summer) EUA, 2009 – Direção de Marc Webb – Elenco: Zooey Deschanel, Joseph Gordon-Levitt e Minka Kelly

Este simples e encantador filme é como a vida. Absolutamente belo! Parece exagero, mas não é. É uma verdadeira e belíssima versão contemporânea do clássico NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA (Annie Hall), de Woody Allen. Os parâmetros são os mesmos. Os filmes têm semelhanças grandes, mas ainda assim esbanjam originalidade e personalidade. E ambos têm uma característica brilhante, que é observar a relação através da ótica masculina.

O grande trunfo dessa pequena grande obra-prima é a sensibilidade. Não cabe observar algo tão humano e visceral de uma maneira técnica. O cinema, definitivamente, não se resume a isso. E o filme tenta nos mostrar isso a todo o tempo. Destaque para a fotografia alegre e bonita; o roteiro muito original, a edição inteligente, além das atuações notáveis dos atores.

A história do filme mostra a vida de Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt), um cara normal com vida medíocre e trabalhador de uma empresa de cartões comemorativos. Apesar de ter certa estabilidade, Tom sentia-se incompleto. Até que sua vida ganha euforia atípica a partir do momento que Summer Finn (Zooey Deschanel) se torna sua colega de trabalho, e posteriormente seu objeto de desejo. Eles acabam se apaixonando, contudo o desgaste das situações adversas acaba os separando. Ele acredita em amor. Ela não. E essa situação faz Tom passear sob diversos aspectos de sua vida.Destaque para a dupla de atores principais, Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel, que estão extremamente à vontade em seus respectivos papéis e a química flui de maneira deliciosa.

O diretor vem da indústria dos clipes musicais e isso é notado em alguns momentos. Em uma cena musical em particular, vemos o completo estado de graça da equipe. A sequência contagiante demonstra além de talento, uma interação com o espectador, que provém de boa mão conduzindo toda a obra. Outrora consegue apresentar também uma referência ao velho e bom cinema, onde o personagem Tom projeta-se em filmes de Ingmar Bergman, revivendo cenas de O SÉTIMO SELO e PERSONA. E o êxito ao transmitir os vários sentimentos da história caracteriza essa competência. Competência que mesmo mostrando situações dramáticas, consegue impor uma leveza sutil que traz personalidade ao filme.

Habitual em produções desse estilo, como em JUNO e ENCONTROS E DESENCONTROS, e configurando-se como miscigenada e apaixonante, a trilha sonora percorre clássicos de The Smiths, passando por Regina Spektor, She and Him, Simon and Garfunkel, The Black Lips e Carla Bruni, e define sonoramente aquilo que se vê em tela. Completamente indispensável pelo equilíbrio e bom funcionamento que o filme tem.

(500 DIAS) COM ELA é um dos bons exemplares de filmes que garantem a sustentação e perpetuação do bom cinema. É uma verdadeira lição e representação da vida. É a nova definição do que se constituem relacionamentos hoje em dia; relacionamentos maduros de pessoas não-superficiais. É DEFINITIVAMENTE A GRANDE SURPRESA DO ANO!! UM DOS MELHORES FILMES DO ANO!!


quinta-feira, 28 de julho de 2011

MELODY - QUANDO BROTA O AMOR (Melody) 1971



MELODY – QUANDO BROTA O AMOR (Melody) Inglaterra, 1971 – Direção Waris Hussein – elenco: Mark Lester, Jack Wild, Tracy Hyde, Roy Kinnear, Kate Williams, Ken Jones – 103 minutos.

Conto inocente sobre duas crianças de 12 anos de idade que se apaixonam e decidem se casar.

Uma fantasia romântica retratada sob o ponto de vista das crianças da história, onde os adultos são apenas personagens secundários. Daniel Lattimer (Mark Lester) é amigo do problemático Ornshaw (Jack Wild). Certo dia, Daniel se apaixona por Melody Perkins (Tracy Hyde) e anuncia a seus pais que quer casar, mas não no futuro, e sim no momento presente. Os pais e professores tentam dissuadi-lo, e Ornshaw também não aprova a idéia, pois sente que Melody o está distanciando do amigo. Posteriormente, porém, Ornshaw e os colegas de classe se determinam a ajudar o jovem casal. Eles se reúnem em um local distante, para casá-los, mas os pais os seguem e tentam impedi-los. As crianças distraem os pais, enquanto Melody e Daniel fogem em um carro-de-mão sobre os trilhos, com a ajuda de Ornshaw.

Na época do seu lançamento nos cinemas foi um enorme sucesso, não só pela presença de Mark Lester, que já tinha encantado o mundo com o belíssímo OLIVER!, produção magnífica de 1968, que ganhou o Oscar de Melhor Filme do Ano, mas também pela extraordinária trilha sonora toda com músicas do Bee Gees, que estavam no auge, assim como o seu roteiro simples e tocante que apresentava uma história de amor encantadora.


quarta-feira, 27 de julho de 2011

CRIAÇÃO (Criation) 2009



CRIAÇÃO (Criation) Reino Unido, 2009 – Direção de Jon Amiel – Elenco: Jennifer Connely (Emma Darwin), Paul Bettany (Charles Darwin), Jeremy Northam, Toby Jones, Jim Carter, Benedict Cumberbatch, Martha West (Annie Darwin), Teresa Churcher, Harrison Sansostri, Zak Davies – 108 minutos.

O naturalista Charles Darwin revolucionou toda a história da humanidade com sua extraordinária obra “A Origem das Espécies”. Suas idéias chocaram a todos, mas foi dentro de sua família, em especial sua esposa Emma, onde ele encontrou os maiores desafios a sua teoria. Ele luta para encontrar um equilíbrio entre suas teorias revolucionárias sobre a evolução e seu relacionamento com a esposa religiosa, cuja fé entra em conflito com o seu trabalho. Darwin viveu um dilema entre fé e razão, amor e verdade.

Um dos episódios mais importantes da história da ciência, o desenvolvimento da Teoria da Evolução, torna-se o pano de fundo para o bonito drama familiar, em CRIAÇÃO. O inglês Paul Bettany e sua mulher Jennifer Connelly interpretam o cientista Charles Darwin e sua esposa Emma, cuja crise no casamento se transforma em mote para o filme dirigido por Jon Amiel.

As descobertas de Darwin, a formulação de seus pensamentos e teoria não ganham muito espaço no filme à medida em que a narrativa avança e o drama familiar toma conta da história. Começando pela morte prematura da filha de 10 anos do casal, Annie (Martha West), que era bastante próxima do pai, e gostava de ouvir histórias de zoologia, das viagens de Darwin a terras distantes e especialmente sua amizade com uma macaquinha. Cenas do passado e do presente se alternam. Pai e filha conversam, e ela parece ser a única que o compreende e realmente se interessa por seus estudos e pesquisas. No presente, o cientista se debate entre sua fé cristã, cada vez mais desgastada depois da morte da filha, e suas formulações científicas, que desafiam o dogma do criacionismo.

Ao contrário de Darwin, sua mulher está cada vez mais apegada a Deus e à religião e preocupada, não sem razão, com a saúde mental do seu marido. As implicações teológicas da teoria dele também a preocupam. A religião é representada pelo pastor local (Jeremy Northan), que nunca bate radicalmente de frente com o cientista, mas tenta dissuadi-lo de suas ideias.

CRIAÇÃO é um filme que surpreende pelos caminhos escolhidos para contar a história. Aqui opta por dar mais espaço para o drama familiar e não em suas pesquisas e descobertas científicas de Darwin, aprofundando na crise com a esposa, pois, na verdade, o cientista viveu um dilema muito grande dentro de casa enfre fé e razão, amor e verdade. O roteiro, assinado por John Collee, baseia-se num livro de Randal Keynes, um descendente direto de Charles Darwin. UM FILME MEMORÁVEL SOBRE UM HOMEM BRILHANTE!!!



EM SETEMBRO - OS 100 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS!!

terça-feira, 26 de julho de 2011

LÁGRIMAS DO SOL (Tears of The Sun) 2003



LÁGRIMAS DO SOL (Tears of the Sun) EUA, 2003 – Direção de Antoine Fuqua – elenco: Bruce Willis, Monica Bellucci, Cole Hauser, Johnny Mesner, Malick Bowens, Paul Francis – 118 minutos.

Adrenalina pura, do início ao fim. Nada do que se viu até hoje é comparável. Eletrizante! Empolgante! Espetacular! Os adjetivos são poucos para exaltar esta grande aventura de guerra. O leal comandante veterano da marinha A. K. Waters (Bruce Willis) é enviado para uma região da África (no caso a Nigéria) completamente devastada pela guerra em uma missão super arriscada para resgatar a Dra. Lena Hendricks (Monica Bellucci), uma cidadã americana que administra uma Missão. Quando a atraente doutora se recusa a deixar para trás os 70 refugiados de quem toma conta, o comandante Waters tem que decidir se vai continuar seguindo suas ordens ou sua consciência. Juntos, eles iniciam uma perigosa jornada pelo interior da floresta e são perseguidos por um grupo guerrilheiro cujo único objetivo é assassinar todos os refugiados e o grupo de soldados liderado por A. K. Waters.

O filme é um grande tratado belicista, cheio de aventura e suspense e recheado de seqüências inesquecíveis. Há grandes cenas de ação de tirar o fôlego. Uma seqüência antológica é aquela em que uma milícia dizima uma aldeia inteira. O diretor Antoine Fuqua, o mesmo que nos deu DIA DE TREINAMENTO (2001), aquele filmaço com Denzel Washington e Ethan Hawke, realizou um competente exercício de guerra, com uma fotografia caprichada e imagens fantásticas, além de um elenco correto. Ele também, de forma muito sutil, dá uma porrada no governo norte-americano, e mais, canaliza sua bronca ao descaso dos EUA com o continente africano. O truculento Bruce Willis está original no papel de um soldado boa-praça que se torna alvo de cruéis rebeldes nigerianos, empenhados em promover uma faxina étnica.

O personagem de Willis é a personificação do Tio Sam, mostrando frieza e desinteresse com as eternas crises africanas. Ao seguir essa linha, o diretor conduz o filme de forma bastante interessante e muito valorizada. Ele se utiliza de uma forma nada ortodoxa, mas altamente eficaz, ao abrir o filme com cenas reais de execuções e torturas. Outra teoria defendida pelo diretor é o engajamento da causa africana como uma causa negra. Ele sugere que os afro-americanos sejam mais ativos na cobrança de uma atitude por parte do governo dos EUA. Mônica Bellucci, que brilhou em MATRIX RELOADED e MATRIX REVOLUTIONS, é a médica ativista e defensora das minorias refugiadas. Entre os coadjuvantes também há boas interpretações. O filme é perfeito, do ponto de vista técnico e sua trama é bem costurada, levando o espectador a pular da poltrona em suas seqüências excitantes do mais puro entretenimento. LÁGRIMAS DO SOL não é um épico por excelência, mas o seu mérito está exatamente aí: o filme se presta a um papel atual. É sobre uma guerra muito mais dolorosa que a disputa militar e política, pois envolve acima de tudo, civis. É uma história fictícia de incansável heroísmo sobre os que lutam com uma esmagadora desvantagem. Muito recomendado!!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

UM DOCE OLHAR (Bal) 2010



UM DOCE OLHAR (Bal / Mel) Turquia, 2010 – Direção Semih Kaplanoglu – Elenco: Bora Altas, Erdal Besikçioglu, Tülin Özen, Alev Uçarer – 103 min.

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2010, o filme turco "Um Doce Olhar" é a terceira e última parte de uma trilogia assinada pelo diretor Semih Kapanoglu. O título original do filme, "Bal", quer dizer "Mel". Os outros dois longas são "Yumurta" ("Ovo"), de 2007, e "Sut", ("Leite"), de 2008 -- ambos inéditos em circuito comercial no Brasil, mas exibidos em festivais, como a Mostra Internacional de São Paulo.

Em "Um Doce Olhar", o pequeno Yusuf, de 6 anos, mora numa província cercada de montanhas no norte da Turquia. O pai, Yakup (Erdal Besikcioglu), é apicultor, e a mãe, Zehra (Tulin Ozen), plantadora de chá. O menino é de poucas palavras, e, na escola, apresenta dificuldades de aprendizado. Um pedagogo ou psicólogo logo diagnosticaria uma dislexia. Talvez o problema seja apenas uma timidez excessiva. A dificuldade de aprendizagem, relacionamento e a gagueira podem não passar de uma consequência de sua ansiedade.

O pai, Yakup, é o vínculo mais forte para o menino. Juntos, eles saem em busca de lugares onde colocar colmeias para a produção do melhor mel. A floresta é um lugar de encanto, mas também mistério. Nunca se sabe o que pode estar escondido no meio das árvores. E quando Yakup sai para uma viagem sozinho, Yusuf fica isolado em seu próprio mundo.

"Um Doce Olhar" é o filme sobre a perda da inocência, sobre a descoberta do mundo -- especialmente as decepções -- e como isso molda uma pessoa. A beleza visual, a profundidade da narrativa e dos personagens, nada disso funcionaria se Kaplanoglu não tivesse um bom ator no papel de Yusuf. E o pequeno Bora Altas é tão comovente quanto encantador. Seu personagem, com a curiosidade infantil para a qual tudo é novidade, está descobrindo a poesia que existe no mundo, apesar das contrariedades. Eloquente, verdadeiro e fascinante!! O maior sucesso do atual cinema turco!!

domingo, 24 de julho de 2011

OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau) 2011



OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau) EUA, 2011 – Direção George Nolfi – elenco: Matt Damon, Emily Blunt, Terence Stamp, Michael Kelly, Anthony Mackie, John Slattery – 96 minutos.

O ponto de partida deste grande filme é dos mais interessantes, aliás, como sempre são os textos do escritor Phillip K. Dick. Parte-se do pressuposto da existência de uma grande equipe de agentes não humanos que há séculos toma conta dos destinos da Humanidade aqui na Terra. São estes agentes que fazem com que todos nós, por exemplo, percamos um ônibus, ou nos atrasemos alguns minutos para um compromisso, ou derrubemos café na camisa… tudo em nome de uma grande ordem já previamente planejada que, assim como todos os grandes planejamentos, necessitam de alguns ajustes aqui e ali, para que tudo continue correndo bem.

Será que somos senhores de nosso destino? Ou o futuro já está traçado e não nos resta outra coisa além de esperar sentados o que está por vir? Para o jovem candidato a senador David Norris (Matt Damon), que acaba de ser derrotado em uma eleição apertada, a resposta a essas perguntas chega a ser angustiante.
O que parece ser apenas uma preocupação filosófica e existencial de um personagem em crise ganha em "Os Agentes do Destino", que marca a estreia na direção do roteirista George Nolfi ("O Ultimato Bourne"), uma dimensão muito maior, quase um complô do qual não podemos escapar. E, para fugirmos das armadilhas do destino, temos que literalmente correr.

David começa a perceber que não consegue tomar as rédeas de sua vida quando os agentes não humanos vestidos de terno escuro e chapéu (um vestuário desatualizado e mais próximo de cidadãos dos anos 1940) tentam impedir que ele se relacione com Elise (Emily Blunt). Na verdade, eles querem impedir que eles se encontrem e possam iniciar uma relação. Isso é perigoso para os planos deles.

O filme não é aquela correria desenfreada que o trailer faz supor, mas sim uma interessante discussão sobre a maneira através da qual nós encaramos (ou fugimos) das várias alternativas e desafios que a vida nos propõe todos os dias. Ou seja, o famoso livre arbítrio. Um filme fascinante e uma verdadeira aula de reflexão!!