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81º Lugar - O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN (Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain) França, 2001 – Direção de Jean-Pierre Jeunet – Elenco: Audrey Tautou, Mathieu Kassovitz, Rufus, Lorella Cravotta, Serge Merlin, André Dussollier (narrador), Jamel Debbouze, Clotilde Mollet, Claire Maurier, Dominique Pinon, Isabelle Nanty, Yolande Moreau – 122 minutos.
Ela cuida da vida de todo mundo, mas se esquece da sua própria felicidade. O cineasta francês consagra estilo gótico e surreal nesta pérola cinematográfica que foi chamada de “dramédia”. Este foi o filme que trouxe o cinema francês de volta aos holofotes internacionais, arrebatando platéias ao redor do mundo todo. Foi assistido por mais de 20 milhões e recebeu cinco indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Direção de Arte, Melhor Roteiro Original, Melhor Som e Melhor Fotografia. Projeto pessoal do diretor Jean-Pierre Jeunet, que decidiu rodá-lo depois de voltar dos EUA, onde filmara ALIEN – A RESSURREIÇÃO (1997), o filme usa recursos visuais avançados e fotografia apurada, com tratamento digital, para recriar o bairro parisiense de Les Abesses, onde se passa a história da jovem Amélie.
Audrey Tauton foi escolhida para interpretar a heroína e ficou tão conhecida pelo papel que as pessoas começaram a procurá-la para realizar pedidos difíceis. “De um dia para o outro, passei a ser observada por todas as pessoas em volta de mim, na rua, no metrô, nos restaurantes. É extremamente esquisito ser olhada o tempo todo. É muito duro também receber todo tipo de solicitações, desde ir à inaugurações até escrever uma carta ao papa, para pedir que alguém seja canonizado”, disse a atriz, na época do lançamento. Apesar disso, ela afirma que nunca se arrependeu de fazer o filme. Nem o diretor esperava tamanho sucesso e repercussão: “Eu dirigi o filme por prazer, não achava que tocaria tantas pessoas”. Jeunet afirmou que sempre sonhou em “fazer um filme a que todo mundo assistisse”. Com O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN, ele conseguiu realizar seu desejo.

O filme viajou para tantos países quanto o gnomo de jardim que “envia” fotos ao pai da protagonista durante sua saga para fazer o bem pelas pessoas. Esta obra-prima foi concebida para encantar e saciar os sentidos do espectador. Cineasta autodidata afeito ao onírico e ao plástico desde os tempos em que estreou em parceria com o pintor Marc Caro com DELICATESSEN, Jean-Pierre Jeunet enche aqui olhos, ouvidos e neurônios com uma dose colossal de informações, consagrando de vez seu estilo gótico e surreal. As cores belas e intensas são muitas, em fascinantes e voluptuosos movimentos de câmera e apurado tratamento digital; a trilha sonora “de carrossel” de Yann Tiersen faz oposição ao adágio para cordas de Samuel Barber; o ritmo frenético alucina a história; e a química entre os atores Audrey Tauton, como a carismática personagem-título, e Mathieu Kassovitz, como Nino Quincampoix, conquista empatia.
Boa parte da fama da obra, porém, deve ser creditada a Tauton, cujo jeito faceiro e “mignon”, num cruzamento de Audrey Hepburn com Anouk Aimée, combina à perfeição com o clima de conto de fadas, que é incrementado ainda pela narração em “off” do ator André Dussollier. O mundo de Jeunet é envolvente e imprevisível, absurdamente francês e feito de inúmeras reminiscências biográficas. Seu grande feito como artista, portanto, é transformar este caldeirão de idéias e referências num espetáculo de tranqüila degustação. O projeto deu certo, tanto que Jeunet voltou a se associar com Tauton no elogiado ETERNO AMOR (2004). Brilhante, engraçado e envolvente como a vida. É uma das mais inesquecíveis realizações do cinema. Recomendado e obrigatório!!


















